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Balípodo > Atenas2004

setembro 01, 2004

Cadê os outros países?

Com tantas informações pipocando por internet, canais alternativos às emissoras da TV por assinatura e imprensa internacional cada vez mais acessível, é difícil o torcedor mais atento e curioso não perceber como a cobertura da imprensa brasileira – principalmente a televisão aberta – ainda sofre de um ufanismo crônico. É até compreensível que os atletas brasileiros recebam mais destaque, mas muitas vezes isso ultrapassou os limites do bom-senso.

A Globo, por exemplo, praticamente ignorou as competições que não contavam com atletas brasileiros. Na verdade, a emissora quase ignorou os Jogos Olímpicos inteiros, preferindo se agarrar insanamente à sua grade de programação e perdendo da audiência da Bandeirantes em um domingo à tarde. Mesmo assim, o pouco de espaço que achou foi para mostrar os atletas brasileiros, apresentações jogadas e sem muito contexto em relação ao resto. O que era reforçado no Jornal Nacional, em que só se mostravam reportagens sobre os brasileiros. Os feitos de estrangeiros ficavam restritos a notas cobertas.

Bandeirantes.jpg

A Bandeirantes ainda teve o mérito de realmente mostrar os Jogos, mas pecou pelo ufanismo exagerado do apresentador-narrador José Luís Datena e dos comentaristas, que não escondiam que torciam durante as transmissões. As emissoras de TV por assinatura tiveram melhor desempenho, já aproveitando o sucesso das coberturas 24 horas de eventos anteriores.

Essa atitude da TV aberta de buscar sempre algo que permitisse a identificação do telespectador prejudicou muito a qualidade das transmissões. Além de descontextualizar as disputas ao só mostrar os brasileiros, as emissoras escolheram comentaristas conhecidos do público, mas sem preparo para esse tipo de trabalho. Quando não torciam, tinham dificuldades de se expressar. Poucos se salvaram. Não é perseguição a ex-atletas. A participação deles pode ser válida, desde que as emissoras os treinem melhor.

Para o torcedor a falta de informação a respeito das provas que não envolviam brasileiros foi nociva ao incentivar o desconhecimento da capacidade dos adversários. Não havia parâmetro de comparação, o que torna qualquer julgamento a respeito da capacidade dos brasileiros de pouco valor.

Carly Patterson.jpg

Um exemplo foi Carly Patterson. A norte-americana foi medalha de ouro na competição individual geral da ginástica artística, uma das mais importante dos Jogos Olímpicos e que sempre aponta uma das atletas que se tornarão símbolo do evento. Mas foi só o Brasil ter Daniele Hypólito e Camila Comin nas finais para que a imprensa daqui esquecesse Carly.

O pior é pensar que a perspectiva para os Jogos de Pequim são ainda piores. O Brasil saiu de Atenas com a imagem de que está se consolidando entre as forças intermediárias do esporte mundial, o que não é realidade. Essa sensação deve ser reforçada pelo Pan-Americano de 2007 no Rio de Janeiro, onde a previsível enxurrada de medalhas deve ser confundida com evolução. E o torcedor terá de agüentar mais gritos histéricos enquanto fica sem saber o que os outros países estão fazendo.

Ubiratan Leal/Imagens: Bandeirantes e Athens 2004


Posted by ubiraleal at 12:38 AM

agosto 31, 2004

Esportes amadores precisam de público interno

Em época de Jogos Olímpicos, fala-se muito de como melhorar os esportes “amadores” brasileiros (o “amador” vai entre aspas porque nem todo mundo é tão amador assim). Pede-se investimento do governo, de patrocinadores e da mídia. Pede-se equipamentos, eventualmente um treinador estrangeiro e a oportunidade de aumentar o intercâmbio com os principais centros de cada modalidade. Tudo isso é correto, apesar de não ser válido em casos como o vôlei – praia e quadra. O que poucos falam é que é preciso também criar e/ou promover eventos internos fortes, que atraiam o publico.

Metodista x Pinheiros.jpg

Um exemplo disso é o handebol. Por mais que falte – e falta – oportunidade de disputar mais amistosos com equipes fortes e médias da Europa, seria muito importante ter uma liga forte e reconhecida no Brasil. A que existe hoje é quase um campeonato restrito ao ABC paulista e do clube Pinheiros (masculino) e outro da grande São Paulo + Rio de Janeiro (feminino), que têm um apoio louvável da ESPN Brasil, mas vivem à margem, quase anônimos.

Já que a Petrobrás decidiu investir nessa modalidade, seria interessante permitir que equipes de outras regiões se desenvolvessem. Há uma estrutura no norte do Paraná e em Americana, que poderia ser aproveitada. E não é apenas ajudar a montar equipes, mas promover o espetáculo para que o torcedor passasse a entender de handebol e ver qual a graça do jogo.

O mesmo vale para outras modalidades. O Troféu Brasil de Natação até tem um destaque razoável, mas poderia ser promovido um circuito nacional de natação, com etapas em várias capitais. Assim também poderia ser com atletismo, judô, boxe, ginástica artística, saltos ornamentais... Alguns desses esportes até têm competições pelo Brasil. Porém, como no caso de handebol, não são valorizadas como deveriam pelo grande público.

Campeonatos internos fortes ajuda a atrair o público, deixar os atletas com uma motivação extra e aumentar a conexão entre o público e as modalidades. É exatamente por isso que as jogadoras da seleção feminina de futebol tanto pedem (com total razão) a criação de um campeonato de futebol feminino no Brasil. Mas não basta organizar. Tem de promover. Isso não resolverá todos os problemas do esporte brasileiro. Mas é um aspecto importante na consolidação das modalidades “amadoras”.

*

Dizer que o brasileiro só se importa com futebol é comodismo. Em cidades do interior de São Paulo, o vôlei ou o basquete têm mais adeptos que o futebol. E, até a década de 1960, o brasileiro tinha uma cultura poliesportiva razoável, que se perdeu com o tempo.

Ubiratan Leal/Imagem: Handebol Sinop


Posted by ubiraleal at 02:08 AM

agosto 30, 2004

O ouro não deve ir a Vanderlei

Após Vanderlei Cordeiro de Lima ser atacado por um irlandês maluco e ficar apenas com o bronze na maratona, torcedores e, principalmente, o presidente do COB, Carlos Arthur Nuzman, fizeram o rebuliço de praxe e até levantaram a hipótese de pedir uma alteração no resultado final da prova. E, por mais que a corrida tenha sofrido uma interferência em seu andamento normal, o correto é deixar o brasileiro com o terceiro lugar.

Podio Maratona.jpg

O que deve ficar claro é que essa não é apenas uma decisão esportiva, mas também jurídica. E, por mais que o esporte deve sempre prevalecer, deve-se pensar se tal medida seria cabível (justa) e nas conseqüências dela. Primeiro, há sérias dúvidas se brasileiro realmente venceria a prova. Pelo ritmo que vinha impondo, Stefano Baldini tinha boas chances de ultrapassar Vanderlei mesmo sem a ajuda de Cornelius Horan. Também é verdade que a aproximação repentina pode ter desconcentrado o brasileiro e dado forças extras para o italiano vencer. Ou seja, é difícil saber quem venceria a prova sem a aparição do ex-padre. De qualquer forma, é uma dúvida. Não se pode afirmar que o brasileiro venceria a ponto de justificar uma mudança de resultado.

Alterar o vencedor de uma prova é algo perigoso e só pode ser feito se o problema ocorrido mudar de forma definitiva o resultado. Por exemplo, em Barcelona’92, o Japão vencia os Estados Unidos por 2x1 no vôlei masculino e tinha um match point à disposição. O norte-americano Samuelson reclamou com o árbitro e recebeu o segundo cartão amarelo, o que daria mais um ponto aos nipônicos que, assim, venceriam o jogo. No entanto, o árbitro não percebeu que Samuelson já tinha um cartão antes e não concedeu o ponto aos japoneses. A partida seguiu, os Estados Unidos reagiram e venceram no tie breaker.

Um dia depois, a organização deu a vitória ao Japão. Nesse caso, o erro foi definitivo. Não havia como os orientais perderem aquele jogo após aquele cartão. Da mesma forma como não seria errado dar a vitória à Espanha nas quartas-de-final da Copa de 2002 logo após ter um gol legítimo anulado durante a morte súbita contra a Coréia do Sul. No caso de Vanderlei, nunca será possível saber se Baldini o alcançaria sem o ataque do irlandês Horan.

Cornelius Horan.jpg

Outro ponto que deve ser considerado do ponto de vista jurídico é que a alteração de resultados não pode ser feita sem justificativas fortes porque cria um precedente perigoso. Se Vanderlei teve problemas em sua prova e, mesmo sem ter certeza que realmente venceria, ganha o ouro, outros atletas podem, no futuro, reivindicar medalhas sempre que forem atrapalhados por fatores externos.

O máximo que poderia acontecer para Vanderlei era Stefano Baldini, em consideração esportiva e cavalheirismo a um adversário atacado, se negar a ultrapassá-lo. Seria muito bonito, mas isso não aconteceria porque a década de 1920 já passou. Assim, uma medalha simbólica é o mais justo. E, se Nuzman quer tanto usar esse caso para aparecer, poderia pegar uma medalha de ouro de alguém (o Brasil voltou com 17 de Atenas), fazer uma réplica dourada e dar a Vanderlei diante de toda a imprensa.

Ubiratan Leal/Imagens: Athens 2004 e BBC Sport


Posted by ubiraleal at 03:59 AM

agosto 29, 2004

Atenas’06: as Olimpíadas esquecidas

A escolha de Atenas como sede dos Jogos Olímpicos de 2004 foi uma forma de compensação após o constrangimento causado pela vitória de Atlanta em 1996, ano em que se celebrou o 100º aniversário das Olimpíadas modernas. Assim, COI deu à capital grega a chance de sediar o evento pela segunda vez. Ou melhor, pela terceira. Afinal, Atenas organizou uma edição dos Jogos em 1906. O problema é que poucos se lembram dessas Olimpíadas. Certamente uma das mais importante de todas.

Em 1901, o Movimento Olímpico havia decidido que, nos anos pares sem Olimpíadas, seriam realizada uma série intercalada dos Jogos. Foi uma decisão polêmica, que não encontrou apoio, por exemplo, do Barão de Coubertin. Ainda assim, em 1906, foram realizados os segundos Jogos Olímpicos de Atenas. Os gregos aproveitaram as comemorações de 10 anos das Olimpíadas modernas para organizar um evento fundamental para a sobrevivência dos Jogos.

Abertura Atenas 1906.jpg

Dispostos a mostrar que a Grécia era a verdadeira casa do evento, o governo local decidiu investir muito, principalmente na organização, lançando idéias adotadas até hoje. Por exemplo, construíram os primeiros alojamentos para atletas que pudessem se assemelhar a uma vila olímpica, criaram a cerimônia de abertura (foto), concentraram as competições (foi de 22 de abril a 2 de maio) e instituíram a premiação com medalhas de ouro, prata e bronze. Até então, o vencedor ficava com a prata e o segundo com o bronze.

Mas o legado mais importante deixado pelos gregos foi a prova de que os Jogos Olímpicos eram viáveis, apagando um pouco a péssima imagem deixada pelas confusas edições de 1900 e 1904. A impressão foi tão boa que muitos dirigentes voltaram a defender a idéia que as Olimpíadas deveriam ser realizadas sempre em Atenas. Claro que não tiveram sucesso.

De qualquer forma, foi o impulso decisivo para os Jogos de 1908. Inicialmente programados para Roma, foi transferido para Londres após uma erupção do vulcão Vesúvio em 1906, que consumiu a verba que o governo italiano destinara ao evento esportivo. Os britânicos, apesar da parcialidade da arbitragem que imperou nos Jogos que organizaram, também souberam realizar Olimpíadas bem-sucedidas. E, a partir desse momento, não haveria mais como os Jogos morrerem.

Em 1910, Atenas receberia outra edição das Olimpíadas, mas a Grécia entrou em guerra com a Turquia e o evento foi cancelado. Em 1914, a Primeira Guerra Mundial tornou impossível a realização do evento. Após o término dos conflitos, o COI decidiu extinguir os Jogos Intercalados, o que fez do evento ateniense de 1906 uma edição extra-oficial das Olimpíadas. Hoje, são chamados de Jogos Intermediários e suas medalhas não contam no quadro geral histórico. De qualquer forma, foi uma edição muito mais importante que as de 1900 e 1904.

Ray Ewry.jpgO destaque
Não houve um grande número de atletas (847, sendo apenas 6 mulheres, todas no tênis) e de países inscritos (20) em Atenas’06, mas foi o suficiente para um dos maiores atletas da história olímpica deixar seu nome. Nas primeiras edições dos Jogos Olímpicos, além dos tradicionais saltos triplo, em distância e em altura, havia curiosas provas em que os mesmo saltos eram realizados com o atleta parado. E, nessas provas, ninguém conseguia competir com o norte-americano Raymond “Ray” Ewry.

Chamado de “Homem Borracha”, ele conquistou oito medalhas de ouro, permanecendo invicto em sua trajetória olímpica. Em 1900 e 1904, venceu nos saltos triplo em distância e em altura. Só não repetiu a trinca em 1908 porque o salto triplo sem corrida foi retirado do programa.

Em 1906, Ray Ewry foi campeão nos saltos em distância e em altura. Se aquela edição dos Jogos fosse considerada oficial, o norte-americano teria 10 títulos olímpicos, que o tornariam o maior vencedor da história do evento. Com 8, está a um título de Mark Spitz, Paavo Nurmi, Larisa Latynina e Carl Lewis.

Ubiratan Leal/Imagens: Stadio e Historia de los Juegos Olímpicos

Obs.: clique no “Continue lendo...” e veja o quadro de medalhas dos Jogos Olímpicos de Atenas em 1906.

QUADRO GERAL

1 - França (15 ouro, 9 prata, 16 bronze, 40 total); 2 - Estados Unidos (12 o, 6 p, 6 b, 24 t); 3 - Grécia (8 o, 12 p, 12 b, 32 t); 4 - Grã-Bretanha (8 o, 10 p, 5 b, 23 t); 5 - Itália (7 o, 6 p, 3 b, 16 t); 6 - Suíça (4 o, 3 p, 1 b, 8 t); 7 - Alemanha (3 o, 6 p, 5 b, 14 t); 8 - Áustria (3 o, 3 p, 3 b, 9 t); 9 - Dinamarca (3 o, 2 p, 1 b, 6 t); 10 - Suécia (2 o, 5 p, 6 b, 13 t); 11 - Hungria (2 o, 5 p, 3 b, 10 t); 12 - Bélgica (2 o, 2 p, 3 b, 7 t); 13 - Finlândia (2 o, 1 p, 1 b, 4 t); 14 - Canadá e Noruega (1 o, 1 p, 0 b, 2 t); 16 - Holanda (0 o, 1 p, 2 b, 3 t); 17 - Grécia/Egito (0 o, 1 p, 1 b, 2 t); 18 - Austrália (0 o, 0 p, 3 b, 3 t); e 20 - Boêmia (0 p, 0 p, 2 b, 2 t)

ATLETISMO

Archie Hahn.jpg

100 m rasos (masculino)
O – Archie Hahn (EUA)
P – Fay Moulton (EUA)
B – Nigel Barker (AUS)

400 m rasos (m)
O – Paul Harry Pilgrim (EUA)
P – Wyndham Halswelle (GBR)
B - Nigel Barker (AUS)

800 m rasos (m)
O - Paul Harry Pilgrim (EUA)
P - James Davies Lightbody (EUA)
B - Wyndham Halswelle (GBR)

1.500 m rasos (m)
O – James Davies Lightbody (EUA)
P – John Mcgough (GBR)
B – Kristian Hellstrom (SUE)

Maratona (m)
O – William Sherring (CAN)
P – Johan Svanberg (SVE)
B – William G. Frank (EUA)

110 m com barreiras (m)
O – Robert Grandison Leavitt (EUA)
P – Alfred Healey (GBR)
B – John Vincent Duncker (ALE)

Salto em altura (m)
O – Cornelius Leahy (GBR)
P – Lajos Gonczy (HUN)
B – Herbert W. Kerrigan (EUA) e Themistoklis Diakidis (GRE)

Salto com vara (m)
O – Fernand Gonder (FRA)
P – Bruno Soderstrom (SUE)
B – Edward Chester Glover (EUA)

Salto em distância (m)
O – Meyer Prinstein (EUA)
P – Peter O' Connor (GBR)
B – Hugo Morris Friend (EUA)

Salto triplo (m)
O – Peter O' Connor (GBR)
P – Cornelius Leahy (GBR)
B – Thomas F. Cronan (EUA)

Salto em altura parado (m)*
O – Ray Ewry (EUA)
P – Martin Sheridan (EUA), Leon Dupont (BEL) e Lawson Robertson (EUA)

Salto em distância parado (m)
O – Ray Ewry (EUA)
P – Martin Sheridan (EUA)
B – Lawson Robertson (EUA)

Arremesso de peso (m)
O – Martin Sheridan (EUA)
P – Mihaly David (HUN)
B – Eric Valdemar Lemming (SUE)

Lançamento de disco (m)
O – Martin Sheridan (EUA)
P – Nikolaos Georgantas (GRE)
B – Werner Jarvinen (FIN)

Lançamento de disco estilo grego (m)
O – Werner Jarvinen (FIN)
P – Nikolaos Georgantas (GRE)
B – Istvan Mudin (HUN)

Eric Lemming.jpg

Lançamento de dardo estilo livre (m)
O – Eric Lemming (SUE)
P – Knut Lindberg (SUE)
B – Bruno Soderstrom (SUE)

1.500 m marcha atlética (m)
O – George Bonhag (EUA)
P – Donald Linden (CAN)
B – Konstantinos Spetsiotis (GRE)

3.000 m marcha atlética (m)
O – Gyorgy Sztantics (HUN)
P – Hermann Muller (ALE)
B – Georgios Saridakis (GRE)

5 milhas (m)
O – Henry Hawtrey (GBR)
P – Johan Svanberg (SUE)
B – Edward Dahl (SUE)

Arremesso de martelo (m)
O – Nikolaos Georgantas (GRE)
P – Martin Sheridan (EUA)
B – Michalis Dorizas (GRE)

Pentatlo (m)
O – Hjalmar Mellander (SUE)
P – Istvan Mudin (HUN)
B – Eric Lemming (SUE)

CICLISMO

1 km largada parada (m)
O – Francesco Verri (ITA)
P – Herbert Crowther (GBR)
B – Henri Menjou (FRA)

5 km pista (m)
O – Francesco Verri (ITA)
P – Herbert Crowther (GBR)
B – Fernand Vast (FRA)

20 km pista (m)
O – William Pett (GBR)
P – Maurice Bardonneau (FRA)
B – Fernand Vast (FRA)

Velocidade (m)
O – Francesco Verri (ITA)
P – Herbert Bouffler (GBR)
B – Eugene Debougnie (BEL)

Tandem (m)
O – Grã-Bretanha
P – Alemanha
B – Alemanha

Individual de estrada (m)
O – Fernand Vast (FRA)
P – Maurice Bardonneau (FRA)
B – Edmond Luguet (FRA)

ESGRIMA

Florete individual (m)
O – Georges Kavanagh (FRA)
P – Gustav Casmir (ALE)
B – Pierre D'Hughes (FRA)

Sabre individual (m)
O – Ioannis Georgiadis (GRE)
P – Gustav Casmir (ALE)
B – Federico Cesarano (ITA)

Sabre três pontas (m)
O – Gustav Casmir (ALE)
P – George van Rossem (HOL)
B – Peter Toth (HUN)

Sabre para mestres (m)*
O – Cyril Verbrugge (BEL)
P – Ioannis Raisis (GRE)

Sabre por equipes (m)
O – Alemanha
P – Grécia
B – Holanda

Espada individual (m)
O – Georges de la Falaise (FRA)
P – Georges Kavanagh (FRA)
B – Alexander van Blijenburgh (HOL)

Espada para mestres (m)
O – Cyril Verbrugge (BEL)
P – Carlo Gandini (ITA)
B – Ioannis Raisis (GRE)

Espada por equipes (m)
O – França
P – Grã-Bretanha
B – Bélgica

FUTEBOL

Masculino
O – Dinamarca
P – Esmirna (Grécia)
B – Tessalônica (Grécia)

GINÁSTICA ARTÍSTICA

Competição por equipes (m)
O – Noruega
P – Dinamarca
B – Itália

Alberto Braglia.jpg

Individual 5 aparelhos (m)
O – Pierre Paysseé (FRA)
P – Alberto Braglia (ITA)
B – Georges Charmoille (FRA)

Individual 6 aparelhos (m)
O – Pierre Paysseé (FRA)
P – Alberto Braglia (ITA)
B – Georges Charmoille (FRA)

Salto sobre o cavalo (m)
O – Georgios Aliprantis (GRE)
P – Bela Erody (HUN)
B – Konstantinos Kozanitas (GRE)

LEVANTAMENTO DE PESO

Aberto uma mão (m)
O – Dimitrios Tofalos (GRE)
P – Josef Steinbach (AUT)
B – Alexandre Maspoli (FRA), Heinrich Rondi (ALE) e Heinrich Schneidereit (ALE)

Aberto duas mãos (m)
O – Josef Steinbach (AUT)
P – Tullio Camillotti (ITA)
B – Heinrich Schneidereit (ALE)

LUTA GRECO-ROMANA

Peso leve (m)
O – Rudolf Watzl (AUT)
P – Karl Karlsen (DIN)
B – Ferenc Holuban (HUN)

Peso médio (m)
O – Johan Weckman (FIN)
P – Rudolf Lindmayer (AUT)
B – Robert Behrens (DIN)

Peso pesado (m)
O – Soren Jensen (DIN)
P – Henri Baur (AUT)
B – Marcel Dubois (BEL)

Geral (m)
O – Soren Jensen (DIN)
P – Johan Weckman (FIN)
B – Rudolf Watzl (AUT)

NATAÇÃO

Zoltan Halmay.jpg

100 m livre (m)
O – Charles Daniels (EUA)
P – Zoltan Halmay (HUN)
B – Cecil Healy (AUS)

400 m livre (m)
O – Otto Scheff (AUT)
P – Henry Taylor (GBR)
B – John Arthur Jarvis (GBR)

Milha (m)
O – Henry Taylor (GBR)
P – John Arthur Jarvis (GBR)
B – Otto Scheff (AUT)

Revezamento 4x250 m livre (m)
O – Hungria
P – Alemanha
B – Grã-Bretanha

REMO

Single (m)*
O – Gaston Delaplane (FRA)
P – Joseph Larran (FRA)

Dois com (m)
O – Itália
P – Itália
B – França

Dois com milha (m)
O – Itália
P – Bélgica e Grécia
B - França

16 homens (m)
O – Grécia
P – Grécia
B – Itália

Seis com (m)
O – Itália
P – Grécia
B – Grécia

Quatro com (m)
O – Itália
P – França
B – França

SALTOS ORNAMENTAIS

Plataforma (m)
O – Gottlob Walz (ALE)
P – Georg Hoffman (ALE)
B – Otto Satzinger (AUT)

TÊNIS

Simples (m)
O – Maxime Decugis (FRA)
P – Maurice Germot (FRA)
B – Zdeneck Zemla (BOE)

Duplas (m)
O – França
P – Grécia/Egito
B – Boêmia

Simples (feminino)
O – Esmee Simirioti (GRE)
P – Sophia Marinou (GRE)
B – Euphrosine Paspati (GRE)

Duplas mistas
O – França
P – Grécia
B – Grécia/Egito

TIRO

Carabina livre 300 m (m)
O – Marcel Meyer De Stadelhofen (SUI)
P – Konrad Staheli (SUI)
B – Leon Moreaux (FRA)

Carabina livre modelo 1873-74 (m)
O – Leon Moreaux (FRA)
P – Louis Richardet (SUI)
B – Jean Reich (SUI)

Carabina livre duas posições 300 m (m)
O – Louis Richardet (SUI)
P – Jean Reich (SUI)
B – Raoul De Boigne (FRA)

Carabina livre 300 m equipes (m)
O – Suíça
P – Noruega
B – França

Pistola de combate 20 m (m)
O – Leon Moreaux (FRA)
P – Cesare Liverziani (ITA)
B – Maurice Lecoq (FRA)

Pistola de combate 25 m (m)
O – Konstantino


Posted by ubiraleal at 02:20 AM

Argentina não precisou de muito para ter o ouro

O torcedor brasileiro que disser que não sentiu nem uma ponta de inveja do título olímpico argentino está mentindo. O Brasil, que mostra um desejo desmesurado pela medalha de ouro no futebol, não a consegue. A Argentina, que também sentia falta dessa conquista, mas não mostrava tamanha obsessão, a ganhou sem sinal de dificuldade ou sofrimento, características das campanhas olímpicas brasileiras.

Argentina Atenas.jpg

O que deve dar mais dor de cotovelo aos torcedores brasileiros é perceber que os argentinos não fizeram nada de genial para conseguir o ouro. E nem teriam porque fazê-lo, pois o torneio sempre tem nível técnico mediano. Para os platinos, bastou realizar um plano simples, sem cometer os erros pontuais e decisivos que sempre marcaram as campanhas brasileiras.

A principal diferença entre a campanha argentina em 2004 e as últimas da seleção brasileira foi a seriedade com que encarou o torneio. Não é suficiente considerar a competição importante, é necessário também reconhecer que os adversários podem representar algum perigo e, por isso, manter a concentração em todos os jogos. Mas respeitar o adversário é algo cada vez mais raro em partidas de seleções brasileiras.

Por causa dos títulos mundiais, o Brasil se colocou como a maior nação futebolística do planeta. Isso é até verdade. Mas não quer dizer que a seleção seja intocável e infalível. E isso o brasileiro (torcedor, imprensa e jogadores) não consegue entender direito. Acha que o talento sempre resolverá os problemas que aparecerem pelo caminho.

Foi assim que a seleção caiu em 1992, ao menosprezar até o limite a fraca seleção da Venezuela no Pré-Olímpico do Paraguai. O mesmo ocorreu em 1996, quando o time começou o torneio mais preocupado na festa do pódio do que nos jogos. Perdeu para o Japão na estréia, se recuperou e, após fazer 3x1 na Nigéria nas semifinais, ficou esperando a partida acabar e tomou o empate. Em 2004 também houve relaxamento por excesso de confiança, o que fez com que o time não encontrasse seu jogo em nenhum momento no Pré-Olímpico. Parecia incomodada com o fato de ter um adversário que tentava ipedir a vitória brasileira.

Brasil x Camaroes 2000.jpg

Mas nenhum caso de soberba foi tão grave quanto o visto em 2000. Deixar os três jogadores acima de 23 anos de lado é um luxo ao qual pouquíssimas formações podem se dar. E claramente não era o caso da seleção olímpica do Brasil que foi a Sydney. Somando a isso a falta de autoridade de Luxemburgo, que, na época, tinha ações investigadas pela Justiça, a seleção se desmanchou em sua própria autoconfiança.

Isso não significa que o Brasil perca apenas por problemas internos. Apenas que a seleção se colocou em uma situação que dificilmente reverteria diante de adversários tão ou mais fortes, como a Espanha de 1992 (que nem precisou passar pelo Brasil) e a Nigéria de 1996. Como o torneio do futebol nas Olimpíadas carrega um alto grau de imprevisibilidade pela inexperiências dos jogadores e desconhecimento que uma equipe tem da outra, não se pode dar hipóteses aos adversários.

A Argentina soube evitar isso. Por exemplo, não deixou de golear a Itália nas semifinais ou de buscar a vitória sobre o Paraguai logo nos primeiros minutos. Era necessário se impor pelo futebol para evitar surpresas, coisa que o Brasil nunca fez nas Olimpíadas de 1996 e 2000. A albiceleste também tinha talentos de sobra, mas Marcelo Bielsa não deixou de chamar Cristián González, Heinze e Ayala. Afinal, os garotos precisavam de alguém que os liderasse e havia um buraco no meio da defesa a ser coberto. E, principalmente, conseguiu montar um time em que seu craque, Tévez, decidisse.

Ou seja, a Argentina não fez nada que o Brasil não pudesse ter feito antes. O problema é que, por alguma razão, o Brasil nunca fez. Agora é aplaudir a festa platina.

Ubiratan Leal/Imagens: Athens 2004 e BBC Sport


Posted by ubiraleal at 02:18 AM

agosto 27, 2004

O basquete norte-americano ainda é melhor

Após a derrota dos Estados Unidos para a Argentina nas semifinais do torneio de basquete masculino, somada às derrocadas diante de Porto Rico e Lituânia na primeira fase, ficou tentador dizer que europeus e argentinos já superaram ou igualaram os criadores da NBA. Mas é necessária alguma calma. Os norte-americanos deixaram de ser hegemônicos a algum tempo, mas ainda são superiores.

Dream Team 2004 b.jpg

Deve ser considerado que o time que entrou em quadra em Atenas é um time misto dos Estados Unidos, equivalente à seleção brasileira de futebol que disputou a Copa América em julho. Com a força máxima, composta por jogadores como Shaquille O’Neal, Kobe Bryant e Jason Kidd, por exemplo, o pseudo-Dream Team teria mais argumentos na briga pelo ouro.

O que os resultados na Copa do Mundo de 2002 em Indianápolis (6º) e dos Jogos Olímpicos de Atenas mostraram é que o basquete norte-americano já não se pode dar luxos se quiser realmente tentar o título. Não pode deixar de lado seus principais jogadores, tampouco dispensar uma preparação coletiva minimamente decente. Caso contrário, terá uma desvantagem estratégica diante dos adversários.

É curioso os Estados Unidos terem analisado tão mal a forma de preparação necessária às Olimpíadas. Afinal, a NBA se europeizou nos últimos anos. A marcação por zona deixou de ser proibida, o que incrementou a capacidade de ação das defesas, aumentou a quantidade de arremessos de média distância e provocou a queda da média de pontos por partida. Prova disso é a forma incontestável e admirável como o Pistons bateu o Lakers na última final da liga, revertendo o menor talento com muita aplicação tática e mantendo o placar abaixo dos 100 pontos.

Dream Team 2004.jpg

E, se o Detroit de Rasheed Wallace e Chauncey Billups bateu o Lakers de O’Neal, Bryant, Payton e Malone, não havia motivos para duvidar que Argentina, Lituânia, Sérvia-Montenegro, Espanha, Porto Rico ou Itália pudessem fazer o mesmo com os Estados Unidos em Atenas. Ainda mais quando o técnico dos Pistons é o mesmo da seleção norte-americana, Larry Brown. Mas parece que o treinador não aprendeu com as lições dadas por ele mesmo. Ou então, os Estados Unidos mais uma vez pecaram pela soberba. A mesma que incentivou a escalação de uma equipe de 3º nível da NBA na Copa do Mundo em 2002, que só foi suficiente para ficar com o 6º lugar.

Como a ausência das reais estrelas da NBA em Jogos Olímpicos não é tão simples de resolver (vai de resguardo em relação ao exame antidoping a questões comerciais com patrocinadores, passando por receio de se expor em terreno desconhecido e no pensamento de que torneios da Fiba são inúteis), talvez os Estados Unidos continuem montando equipes mistas para esses torneios. E, aí, vão deixar cada vez mais que outros países os superem. Até que nem uma seleção norte-americana principal, um Dream Team de verdade, consiga reverter o processo.

Ubiratan Leal/Imagens: The New York Times e La Gazzetta dello Sport


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agosto 26, 2004

Elisabeta e Birgit

A atenção que se dá ao remo e à canoagem é mínima nos Jogos Olímpicos e a consagração de duas das maiores atletas desses esportes passou desapercebida no noticiário vindo de Atenas. Por isso, prestamos essa pequena homenagem a Elisabeta Lipa e Birgit Fischer.

A primeira a se consagrar foi a romena Lipa. Em Los Angeles'84, ela tinha apenas 19 anos e ainda carregava seu sobrenome de solteira (Elisabeta Oleniuc) e, ao lado de Marionara Popescu, conquistou o ouro no esquife duplo.

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Quatro anos depois, já casada e com o sobrenome Lipa, Elisabeta não conseguiu repetir o feito de Los Angeles, ficando com a prata no esquife duplo e o bronze no quádruplo. Mas se recuperou quatro anos depois, em Barcelona, onde conquistou sua única medalha individual ao vencer o esquife simples. Ainda levou a prata no esquife duplo. Em Atlanta, fracassou na tentativa de revalidar seu ouro no esquife simples com a nona colocação final, mas integrou a vitoriosa equipe da Romênia no oito com (foto), prova da qual veio seu quarto ouro, em 2000.

Em Atenas, Lipa, que chegou a trabalhar para o serviço secreto romeno na década de 1980, conquistou seu quinto ouro olímpico, no oito com, ao lado de Rodica Florea, Viorica Susanu, Aurica Barascu, Ioana Papuc, Liliana Gafencu, Georgeta Damian, Doina Ignat e Elena Georgescu. É a maior vencedora do remo na história das Olimpíadas.

Hoje foi o dia da canoísta alemã Birgit Fischer. Ela já chegou a Atenas como recordista de títulos olímpicos da modalidade, o que é mais impressionante se for considerado que ela deixou de disputar uma edição do evento devido a um boicote político de seu país.

Suas façanhas começaram nos Jogos de Moscou, em 1980. Com 18 anos e defendendo a Alemanha Oriental, Fischer já era campeã mundial e contava com um caiaque especial, composto por fibra de vidro. Assim, seu ouro no K1 500 m foi normal. Quatro anos depois, ela não pôde defender seu título, pois a Alemanha Oriental integrou o movimento liderado pela União Soviética e não foi aos Jogos de Los Angeles. Uma pena, pois ela já era tricampeã mundial da modalidade (79, 81 e 83).

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Em 1988, já competia com seu nome de casada: Birgit Fischer-Schmidt. Foi prata no K1 e ouro no K2 e no K4. Em Barcelona'92, com as cores da Alemanha unificada, reconquistou o ouro no K1 e ficou com a prata no K4. Mesmo com 34 anos, ainda continuava em forma nos Jogos de 1996. Foi ouro no K4 e prata no K2. E a alemã seguia competindo. Em Sydney, foi ouro no K2 e no K4. Já com 40 anos, a alemã completou uma incrível marca de oito medalhas de ouro em Atenas. O título veio, hoje, no K4. Ela também se tornou a primeira mulher a ganhar o ouro olímpico em um intervalo de 24 anos.

Ubiratan Leal


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agosto 23, 2004

Daiane dos Santos e a imprensa

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É possível dizer que a imprensa, principalmente a televisão, foi a principal culpada pela decepção causada por Daiane dos Santos em Atenas. Para explicar melhor: a mídia não é responsável pelos problemas na apresentação da gaúcha. Até porque a ginasta, pela maturidade das declarações pós-derrota, mostrou ter mais capacidade de lidar com a pressão do que muitos esperavam. O erro da mídia foi pelo fato de fazer com que o torcedor se decepcionasse tanto.

Salvo exceções, em nenhum momento, a imprensa esportiva procurou deixar claro qual era o cenário da ginástica para os Jogos Olímpicos e as concorrentes da brasileira. No máximo, jogava nomes de algumas atletas, mas sempre completando com um “se a Daiane fizer o que sabe, é imbatível”. O final das contas, a mídia teve um papel ao estilo de Tom Zé: explicou para confundir. O problema é que, ao contrário do músico baiano, não completou o processo. Não conseguiu confundir para esclarecer, algo fundamental.

Assim, o torcedor não soube visualizar as possibilidades da brasileira de forma realista, achando que ganharia quando bem entendesse e só perderia por extrema incompetência ou se “amarelasse” (é visível como o trauma de nenhum ouro em Sydney ainda está vivo). Assim, a falta de equilíbrio em seus pousos foi encarada como algo maior. Vale dizer que esse erro é normal e Daiane já cometera várias vezes nessa rotina, algo até natural após séries acrobáticas tão rápidas, altas e fortes.

Faltou, por exemplo, deixar claro que, na etapa do Rio de Janeiro do Mundial de Ginástica, as ginastas russas e romenas não estiveram presentes para se preparar para o Campeonato Europeu da modalidade. Faltou dizer que Catalina Ponor prima pela precisão de seus movimentos, mesmo que sejam pouco ousados perto dos duplos mortais de Daiane.

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Considerando isso tudo, o passo fora da área regulamentar da gaúcha nem foi o único responsável pela derrota. A romena ficou com um excelente 9,750, nota que Daiane não recebe toda hora e que talvez não tiraria em Atenas, mesmo se mantivesse o equilíbrio após a primeira série acrobática. Por exemplo, no Rio de Janeiro, a brasileira foi campeã com 9,600.

Tudo foi ignorado. Foi mais fácil manter o ufanismo e tratar a apresentação da ginasta brasileira como se fosse final de Copa do Mundo, com Galvão Bueno, torcida organizada em vários lugares, telão e um monte de gente achando que havia entendido o torneio, mesmo sem conhecer as adversárias. Os que “ousavam” falar que o ouro não era tão certo e que a concorrência era forte foram vistos pela maioria como chatos, ranzinzas e pessimistas. Foram condenados por falarem a verdade, vejam só.

Daí, um erro e uma honrosa (sem ironia) 5ª colocação passa a ser vista como derrota. Poderia ser melhor, mas faz parte da natureza de esportes de precisão, como a ginástica. E as TVs ficam desesperadas tentando consolar o torcedor com frases feitas e as vitórias do futebol feminino e do vôlei de praia masculino. Seria até válido se a mudança de rumos não fosse tão patética.

Ainda bem que Daiane e a comissão técnica da equipe brasileira de ginástica, entenderam o que se passou no último dia da ginástica nos Jogos de Atenas. E ainda tiveram cabeça para levar o torcedor novamente à realidade. É isso o que importa. O brasileiro não precisa inventar novos fantasmas esportivos.

Ubiratan Leal/Imagens: Terra


Posted by ubiraleal at 10:19 PM

A última medalha de ouro da Argentina

Com o título na classe laser, o velejador Roberto Scheidt acabou com um período de oito anos sem ouro olímpico para o Brasil. Além disso, conquistou a 12ª medalha dourada brasileira na história do evento, igualando a marca da Argentina. Algo que só foi possível pela assustadora estiagem de títulos olímpicos dos platinos.

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Para relembrar a última medalha de ouro da Argentina, é necessário voltar aos Jogos de Helsinque, em 1952. Na prova de double sculls, no remo, a dupla Tranquilo Cappozzo e Eduardo Guerrero completou os 2 km de percurso em 7min32”2, mais de 6 segundos à frente a dupla da União Soviética Georgi Zhilin e Ygor Yeamchuk. Outro barco sul-americano ficou com o bronze, conduzidos pelos uruguaios Miguel Seijas e Juan Rodríguez. Esse foi o único ouro argentino na Finlândia. Uma conquista surpreendente, pois os favoritos eram os Estados Unidos.

Já havia uma clara queda no rendimento argentino. Afinal, desde 1928 os platinos conseguiam ao menos duas medalhas de ouro. Ainda assim, foi muito perto do que ocorreria a seguir. Em 1956, apenas uma prata – Humberto Salvetti no halterofilismo – e um bronze – Antonio Pacenza no boxe. Desempenho igual ao dos Jogos de Roma, com o segundo lugar na classe dragon da vela e o terceiro de Abel Laudonio no boxe.

A partir daí, os argentinos entraram na pior fase de seu esporte olímpico. Em Tóquio’64, apenas uma prata, com Carlos Moratorio no concurso completo de equitação. Na Cidade do México, dois bronzes, com Mario Guilotti no boxe e Alberto Demiddi no remo. Em 1972, o remador conseguiria a prata.

Entre 1976 e 1984, a Argentina não conseguiu uma medalha sequer. Essa decadência só acabou em 1988, com uma medalha de prata de Gabriela Sabatini no tênis e um bronze da equipe de vôlei masculino (que bateu o Brasil na disputa pelo terceiro lugar). Mas os platinos estavam longe de igualar os feitos das décadas de 1920 e 30. Em Barcelona, ficaram com um solitário bronze com Christian Miniussi e Javier Frana nas duplas masculinas do tênis.

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O desempenho só melhorou em 1996, com duas pratas – futebol masculino e o velejador Carlos Espínola – e um bronze – o boxeador Pablo Chacón. Em Sydney, o ouro chegou mais perto ainda. Espínola repetiu sua prata. A seleção feminina de hóquei (foto) sobre grama chegou à final, mas perdeu para a Holanda. Ainda houve mais dois bronzes, ambos na vela.

Nos Jogos de Atenas, a Argentina tem chances reais de acabar com esse jejum de medalhas de ouro. As melhores hipóteses estão em esportes coletivos. A seleção feminina de hóquei sobre grama evoluiu nos últimos quatro anos, conquistou o Mundial em 2002 e chegou à Grécia como favorita. No entanto, perdeu para a China na última partida da primeira fase e terá de enfrentar a Holanda – equipe que bateu las leonas em 2000 – nas semifinais. No futebol masculino, nenhum time mostrou tanta capacidade técnica quanto a Argentina. O ouro – primeiro na modalidade – parece próximo, “basta” passar por Itália e o vencedor de Paraguai e Iraque. Com concorrência mais forte está o basquete masculino, que jogará contra a Grécia e sua fanática torcida nas quartas-de-final. Se passar, enfrenta o vencedor de Espanha x Estados Unidos, duas equipes entre as favoritas.

*

Veja a lista de medalhas de ouro da história da Argentina: Paris 1924 – pólo masculino; Amsterdã 1928 – Arturo Rodríguez (boxe peso pesado), Víctor Avendano (boxe peso meio-pesado) e Victoriano Zorrilla (400 m nado livre); 1932 – Juan Carlos Zabala (maratona), Santiago Lovell (boxe peso pesado) e Carmelo Robledo (boxe peso pena); 1936 – Oscar Casanovas (boxe peso pena) e pólo masculino; 1948 – Delfo Cabrera (maratona), Rafael Iglesias (boxe peso pesado) e Pascual Pérez (boxe peso mosca); e 1952 – remo double sculls.

Ubiratan Leal/Imagens: Terra Argentina


Posted by ubiraleal at 12:57 AM

agosto 21, 2004

Phelps esteve longe de Spitz

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Com suas seis medalhas de ouro e duas de bronze, o norte-americano Michael Phelps entrou para a história dos Jogos Olímpicos. Certamente estará entre os atletas mais destacados dos Jogos de Atenas e suas conquistas já estão entre as mais significativas do evento. No entanto, é necessário dimensionar um pouco o feito do nadador. Ele foi fenomenal, mas esteve longe de alcançar a façanha do compatriota Mark Spitz, com quem tentou se comparar.

No início dos Jogos, os norte-americanos diziam que Phelps teria condições de bater o recorde de sete medalhas de ouro de Spitz em uma única edição dos Jogos. O garoto de 19 anos chegou perto e até ganhou em número absoluto de pódios: 8x7 (Spitz não conquistou pratas ou bronzes em Munique). Se mantiver a forma em 2008 (estará com 23 anos, idade ainda adequada), Phelps poderá ultrapassar os 9 ouros de Spitz, recorde dividido com Carl Lewis e Paavo Nurmi.

Mas o que deve ficar claro é que os feitos de Spitz não se limitaram ao número de medalhas, mas à forma avassaladora e incontestável como elas foram conquistadas. Em 1968, o nadador chegou à Cidade do México afirmando que levaria seis ouros. Com apenas 18 anos, sentiu a falta de experiência e ficou com apenas dois, em provas de revezamento. Em competições individuais, conseguiu dois bronzes.

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Contrariado, Spitz decidiu compensar nos Jogos de Munique, em 1972. Se preparou especificamente para esse evento e foi avassalador. De uma forma que Phelps nem chegou perto de ser. Spitz conquistou os 200 m borboleta, batendo o próprio recorde mundial. Depois, integrou a equipe norte-americana de 4x100 m livre que venceu, também com recorde mundial. Ainda venceu os 200 m livre, os 100 m borboleta, os 100 m livre e os revezamentos 4x200 m livre e 4x100 medley. Em todas essas provas, o recorde mundial foi quebrado.

Assim, Spitz terminou os Jogos com sete medalhas de ouro e sete recordes mundiais. E tudo isso com um farto bigode, algo improvável em uma época em que os nadadores raspam os pêlos para ganhar velocidade. Além disso, ainda ganhou notoriedade por subir ao pódio com seus tênis nas mãos, permitindo que todos pudessem ver a marca do calçado. Foi acusado de fazer divulgação explícita do produto, mas negou. Logo após os Jogos, encerrou a carreira (com apenas 22 anos) para se tornar garoto-propaganda de diversos produtos.

Por todos esses feitos que envolveram a passagem de Mark Spitz pela piscina bávara, Phelps ainda está atrás. O que se pode dizer é que o nadador de 19 anos realizou uma façanha mais significativa que o ginasta soviético Aleksandr Dityatin em 1980. Ambos são recordistas, com 8 medalhas na mesma edição dos Jogos. Mas o norte-americano não teve as facilidades de um boicote e conquistou seis ouros, contra três do soviético.

Ubiratan Leal/Imagens: La Repubblica e Olympia Statistik


Posted by ubiraleal at 12:27 AM

agosto 18, 2004

O primeiro grande boicote olímpico

Os Jogos de Atenas serão o segundo consecutivo sem nenhuma espécie de boicote político. A prática, comum nas Olimpíadas, atingiu seu auge nos anos 80 do século passado, com a ausência de Estados Unidos e aliados em Moscou'80 e de União Soviética e aliados quatro anos depois, em Los Angeles. Pois esses não foram os primeiros casos de boicote em massa aos Jogos Olímpicos por razões políticas. O que poucos se lembram é que aqueles boicotes continuavam uma série iniciada pelos africanos em 1976.

O pivô da crise foi a Nova Zelândia. Desde 1960, a África do Sul estava excluída de competições esportivas internacionais a pedido da ONU, uma forma de demonstração de repúdio à política racista que vigorava no país. No entanto, esse isolamento nunca foi total e os GPs de Fórmula-1 disputados em Kyalami naquela época são provas disso.

No início de 1976, a seleção de rúgbi da Nova Zelândia disputou alguns amistosos na África do Sul. Isso enfureceu alguns dirigentes do esporte africano, que resolveram pedir satisfações ao COI. O problema é que o rúgbi não era – e ainda não é – esporte olímpico e o comitê olímpico não tinha como interferir nessa modalidade. O dirigente congolês Jean Claude Ganga até foi à sede do COI, mas, ao ter sua entrada negada, ameaçou organizar um boicote aos Jogos de Montreal, que seriam disputados em julho daquele ano.

Montreal 1976.bmp

O movimento liderado por Ganga não teve muitos adeptos. Apenas a Tanzânia aceitou se juntar ao Congo. No entanto, em junho daquele ano, o governo da África do Sul promoveu um massacre de negros em Soweto. Com isso, a causa de Ganga ganhou força e, o dia em que começaram as Olimpíadas, 22 países africanos, acompanhados de Iraque e Guiana, decidiram se retirar dos Jogos.

Entre os países que boicotaram os Jogos estavam Etiópia, Quênia, Nigéria, Zâmbia e Gana. Da África negra, apenas Costa do Marfim e Senegal ignoraram Ganga. Camarões, Egito, Marrocos e Tunísia também aderiram ao movimento, mas, quando o fizeram, alguns de seus atletas já haviam disputados provas em Montreal.

Ao contrário do que viria a ocorrer em 1980 e 1984, o mega-boicote africano teve pouca influência no nível técnico das competições. Apenas o atletismo passou por perdas significativas, pois os africanos iniciavam seu domínio nas provas de longa distância.

Ubiratan Leal/Imagem: RFEA


Posted by ubiraleal at 10:42 AM

agosto 17, 2004

Preparação tardia

Foi só a nadadora Joanna Maranhão chegar em 5º lugar na final dos 400 m medley que a imprensa já fala em chances de medalhas para os Jogos de Pequim. Algo parecido ocorre com Thiago Pereira, 5º nos 200 m medley. Realmente, eles têm condições de, em 2008, estar entre os melhores do mundo. Mas deve ficar bem claro desde já que sofrerão com a preparação tardia que caracteriza o esporte brasileiro.

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Eles são jovens – Joanna tem 17 anos e Thiago, 18 – e evoluirão, mas, com idades parecidas, muitos nadadores já estavam no auge. É só comparar o físico de Tiago e de Michael Phelps (apenas um ano mais velho) para perceber como há uma grande diferença na condição física e de treinamento de ambos. Isso não é culpa dos atletas brasileiros, mas da estrutura de esporte do país, que dificulta o descobrimento dos talentos ainda na juventude e atrasa a preparação para competições de alto nível.

Com isso, muitos brasileiros até atingem a elite de suas modalidades, mas ficam lá por pouco tempo, pois a idade começa a pesar. É o caso, por exemplo, de Daiane dos Santos – que já tem 21 anos, “muito” para uma ginasta pensar em outros Jogos Olímpicos – e de Gustavo Kuerten – que atingiu o topo aos 24 anos e, hoje, dificilmente conseguirá manter o ritmo competitivo no circuito mundial contra jovens como Roger Federer e Andy Roddick. Outra conseqüência é a dificuldade em se preparar um atleta tecnicamente mais completo, que consiga se estabelecer entre os melhores da várias categorias/provas.

Isso não tira os méritos dos nadadores, do tenista ou da ginasta. Mas dá uma pista de porque o Brasil nunca consegue formar superatletas, daqueles que conquistam várias medalhas em uma mesma edição dos Jogos, e repetem o feito quatro anos depois. O erro vem lá do início, com uma preparação tardia que, no final, resulta em uma “vida útil” na elite mais curta.

É até clichê seguir com esse discurso, mas é verdade. Por mais que as confederações ajudem em treinamento de atletas e dêem alguma estrutura, o Brasil só será uma potência quando o trabalho vier nas escolas, no descobrimento de talentos. Hoje, os talentos têm de ir até a infra-estrutura. A infra-estrutura não vai até o talento. E, ao inverter o processo, perde-se alguns anos na preparação do atleta. O que pode ser irrecuperável em provas tão niveladas.

Ubiratan Leal/Imagem: Terra


Posted by ubiraleal at 10:15 AM

agosto 16, 2004

Dessa vez, algo de efetivo foi feito

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Quando Jacques Rogge assumiu a presidência do COI, em substituição ao espanhol Juan Antonio Samaranch, disse que o principal objetivo de sua administração seria o combate ao doping. E é possível dizer que o belga conseguiu diversos avanços nesse sentido. Como, talvez, nunca antes.

A desclassificação dos velocistas Konstantinos Kenteris e Ekaterini Thanou, ídolos do esporte grego, que não quiseram se submeter a um exame surpresa, mostra que a disposição é de parar com as falácias de muitos dirigentes que dizem ser contra o uso de substâncias proibidas, mas que não dão o devido apoio às instituições de combate ao doping.

Aliás, o caso dos velocistas helênicos só se soma a um processo que vem de anos, com negociações duras na Wada (agência internacional antidoping) para que as federações internacionais de todos os esportes olímpicos assinassem uma carta em que se comprometeriam a adotar várias medidas para o controle antidoping. A Fifa (futebol) e a UCI (ciclismo) foram as entidades que criaram mais resistência, mas concordaram. Sem essa assinatura, as modalidades seriam retiradas do programa olímpico.

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No caso de Kenteris e Thanou, ambos ganhadores de medalhas em Sydney, criou-se um escândalo e um grande desconforto com os organizadores. Afinal, diz-se que o campeão dos 200 m rasos nos Jogos de 2000 acenderia a pira/tocha gigante na cerimônia de abertura. Além disso, ajudou a reduzir um pouco o entusiasmo dos torcedores locais, algo nunca desejável pela organização de um evento.

Mas quem deve sofrer mais com essas medidas é os Estados Unidos. Lá, o doping é visto com maus olhos pela opinião pública, mas as federações não fazem muita força para que acabe o uso de substâncias proibidas e os torcedores fingem que não vêem o que acontece. Nas ligas profissionais (MLB, NBA, NFL e NHL), o combate ao doping é risível e o uso é comum. Mas, como essas ligas se fecham em si mesmas quase sempre (as exceções são os Jogos Olímpicos), não há grande problema.

Agora, os reflexos disso em esportes como atletismo podem ser enormes. A investigação sobre estrelas como Tim Montgomery, Marion Jones e Torri Edwards expôs a complexidade do doping, um mercado que envolve, atletas, treinadores e até empresas voltadas ao desenvolvimento de novas substâncias. Sobraram acusações até para Carl Lewis, que retruca com o argumento infantil que o canadense Dick Pound, presidente da Wada, o perseguiria pelo fato de o também canadense Ben Johnson ter perdido o ouro em 1988 para ele, Lewis.

Claro, atletas de outros países também devem ser investigados e punidos. Mas para os norte-americanos será pior. Afinal, eles sempre usaram o doping como justificativa para as derrotas diante da União Soviética. É verdade que já se comprovou que os países do Leste Europeu usavam substâncias para melhorarem seu desempenho. Mas será que os Estados Unidos não fariam o mesmo? Se o público norte-americano acreditar um pouco mais nisso, cai um pouco a aura de nobreza do esportista do país. O que não é pouca coisa.

Ubiratan Leal/Imagens: As


Posted by ubiraleal at 07:01 PM

agosto 15, 2004

Félix Carbajal

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O primeiro grande atleta olímpico de Cuba foi o esgrimista Ramón Fonst, ouro na espada individual em 1900 e em 1904, no florete individual e por equipes em 1904. Mas o cubano que ganhou notoriedade nos Jogos de Saint Louis foi um carteiro que decidiu disputar a maratona. E ajudou a fazer daquela a edição mais bagunçada e folclórica da prova.

Dono de um fôlego invejável, decidiu se inscrever na maratona assim que soube que os Jogos Olímpicos seriam disputados nos Estados Unidos. Para juntar dinheiro, se apresentou em casas noturnas de Havana em espetáculos de proezas de gosto duvidoso, como ficar bastante tempo submerso em barris cheios de água.

Sua primeira parada em território norte-americano foi Nova Orleans, onde tentaria se apresentar mais vezes para aumentar suas economias. Acabou perdendo o pouco que tinha nos cassinos da cidade. Só conseguiu chegar a Saint Louis pegando diversas caronas pelo caminho.

Estava só com a roupa do corpo, o que, no caso, era uma calça comprida, camisa de mangas longas e coturno. O cubano acabou atraindo a simpatia dos demais atletas, que o ajudaram a cortar as calças e as mangas da camisa, transformando aquilo em “bermuda” e “camiseta”. Um outro corredor ainda emprestou um par de sapatilhas que tinha de reserva.

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Durante a corrida, Carbajal parecia não se importar muito com a competição. Abandonou o trajeto para pegar maçãs em um pomar (aliás, as frutas estavam estragadas e o cubano teve de parar novamente, dessa vez para vomitar) e parou algumas vezes para conversar com os torcedores. Incrivelmente, terminou em quarto lugar.

Foi proclamado pelos adversários como “o mais glorioso perdedor da história das Olimpíadas”.

*

Aquela prova ficou mais conhecida por outro caso folclórico. O norte-americano Fred Lorz foi o primeiro a chegar ao estádio e completar a distância. Foi congratulado e posou ao lado de Alicie Roosevelt, filha de Theodore Roosevelt. Quando saía com sua medalha de ouro, foi denunciado. Lorz havia desistido da prova após 15 km. Pegou ma carona em uma carroça e decidiu recomeçar a corrida no km 32. Confessou a trapaça e cedeu a vitória ao compatriota Thomas Hicks, que havia tomado estricnina e conhaque para ter forças para chegar ao fim. Como não havia controle antidoping naquela época, ficou com o ouro.

Ubiratan Leal/Imagens: Bohemia


Posted by ubiraleal at 06:35 PM

agosto 14, 2004

Nas bancas e nas livrarias

Em época de Jogos Olímpicos, o mercado editorial se lembra que há brasileiros dispostos a consumir publicações ligadas a esportes além do futebol. E é época em que muitos brasileiros se dispõe a consumir esportes, coisa que não fez nos quatro anos anteriores. De qualquer forma, é tanta informação que nem sempre se pode comprar tudo. E talvez seja necessário renunciar a algumas das opções. Por isso, vamos dar uma mãozinha a você com as revistas e os livros que estão por aí.


Posted by ubiraleal at 12:39 AM

agosto 11, 2004

A trajetória do futebol nas Olimpíadas

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Futebol masculino e Jogos Olímpicos parecem não ser muito compatíveis. Mesmo quando as chances de medalha de ouro são vivas para o Brasil (o que definitivamente não é o caso de Atenas’2004), sempre há um ar de desconfiança diante daquele esporte. Como se, nas Olimpíadas, o esporte mais praticado do mundo fosse um intruso e devesse dar uma oportunidade para as outras modalidades aparecerem. O que fica claro quando se vê a história do futebol masculino olímpico.

Aliás, o esporte teve vida tão conturbada nos Jogos que o fato de potências históricas indiscutíveis como Brasil, Argentina e Alemanha nunca terem conquistado uma medalha de ouro não é um absurdo (se você é daqueles detalhistas, talvez se lembre que a Alemanha Oriental foi campeã olímpica em 1976, mas deu para entender, né?). Afinal, desde a década de 1930 que as principais forças da modalidade não podem levar suas seleções principais.

Tudo por causa do amadorismo. Pierre de Fredy, o Barão de Coubertin, re-criador das Olimpíadas, era defensor ardoroso do amadorismo. Para ele, o esporte seria mais nobre se praticado por prazer, não por dinheiro. Assim, qualquer atleta que recebesse algum dinheiro ou prêmio em espécie poderia ser afastado das disputas olímpicas sob acusação de profissionalismo.

Claro que é algo hipócrita, mas isso fez com que os jogadores da NBA ficassem de fora dos Jogos até 1992, o tênis só fosse incorporado definitivamente no programa olímpico em 1988 e o futebol fosse um torneio “torto”. Isso porque países sem tradição como Irã e Japão podiam mandar suas seleções principais, claramente amadoras, e, eventualmente, vencer as equipes juniores das nações mais tradicionais. Sem contar com os países comunistas onde não existia profissionalismo e quase todos os atletas eram, oficialmente, militares (e, portanto, a prática do esporte era supostamente uma atividade paralela).

É possível dividir a história da modalidade nos jogos em três fases. Na primeira, que vai do início dos Jogos até o fim da Segunda Guerra Mundial, há muita desorganização, mas o torneio refletia um pouco a relação de forças do futebol internacional. Na segunda, entre as décadas de 1950 e 1970, no auge do “amadorismo”, há um enorme domínio do Leste Europeu, que enviava suas competitivas seleções principais para enfrentar times realmente amadores, compostos por juniores. Por fim, a fase “moderna”, em que a Fifa tentou igualar as condições e impôs limitações uniformes para todos os países.

Clique e veja um resumo da história de cada período do futebol olímpico
Período antigo (de 1896 a 1948)
Período comunista (de 1952 a 1980)
Período moderno (de 1984 a 2000)

Ubiratan Leal/Imagem: Goethe-Institut


Posted by ubiraleal at 12:51 PM

agosto 09, 2004

É difícil prever o futebol olímpico

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Ninguém dá muita atenção ao torneio de futebol – masculino ou feminino – dos Jogos Olímpicos. E, para o Brasil, a competição ateniense será especialmente desinteressante, pela ausência da seleção brasileira que teria totais condições de conquistar o ouro pela geração que tem à disposição. Mesmo assim, o fato de as primeiras partidas serem realizadas antes do início oficial das Olimpíadas faz com que, por dois dias, os olhos se voltem à modalidade mais popular do mundo.

O curioso é que talvez não exista torneio de intercontinental mais imprevisível que o futebol masculino olímpico. Por ser um torneio com limite de idade, há uma quantidade muito grande de jogadores desconhecidos (e muita gente confunde desconhecido com ruim, o que é preconceito) e inexperientes. Assim, nem sempre é possível prever qual será o comportamento de cada equipe quando os jogos começarem efetivamente.

Outro fator importante é o papel que exercerão os três jogadores acima de 23 anos que entrarem nas seleções (algumas renunciaram a esse direito). Um exemplo claro dessa influência foi Ivan Zamorano nos Jogos de Sydney. Dando exemplos de como um jogador pode ser líder, transformou na boa, mas discreta seleção chilena no melhor time daquelas Olimpíadas. Só não chegou a final por perder, injustamente, para Camarões nas semifinais, tomando o gol decisivo nos últimos minutos após amplo domínio.

Além disso, o estado físico dos atletas também deve ser considerado. Alguns jogadores tiveram férias e estão em início de preparação para a temporada, caso dos italianos. Outros, como os paraguaios, esticaram suas atividades e podem apresentar algum desgaste.

Veja a análise de cada seleção clicando aqui.

Ubiratan Leal/Imagem: BBC Sport


Posted by ubiraleal at 03:31 AM

agosto 04, 2004

Favoritas a medalhas, mas não ao ouro

Após o título do Grand Prix – equivalente feminino da Liga Mundial –, já surgem vozes que dão às mulheres do vôlei um favoritismo ao ouro. Realmente, há chances, mas essas são bem menores que as dos homens. Simplesmente porque, nesse momento, a seleção feminina do Brasil não é a mais forte do mundo.

Brasil x Italia GP 2004.jpg

Ao contrário do que ocorria até o final da década passada, o vôlei feminino sofreu um pequeno processo de nivelamento. Por quase 10 anos, apenas Cuba, China, Brasil e Rússia, com lampejos dos Estados Unidos, concorriam pelo pódio. Hoje, as norte-americanas parecem mais sólidas, Cuba se enfraqueceu e a antes mediana Itália é campeã mundial.

O Mundial de 2002 foi um sinal disso, com uma surpreendente final entre Itália e Estados Unidos. A campanha do Brasil foi péssima, não chegando às quartas-de-final. No entanto, os problemas entre o técnico Marco Aurélio Mota e algumas das principais jogadoras tornam a projeção de resultados pouco válida.

Por isso, é mais importante analisar o cenário atual. O próprio José Roberto Guimarães considera a China a equipe mais forte do mundo hoje. A discreta campanha das orientais do Grand Prix significa pouco, pois não seria a primeira vez que elas “poupariam esforços” para tentar um resultado melhor mais adiante (no Mundial, correu a história de que as chinesas teriam entregado um jogo para fugir da Itália – e pegar o Brasil – nas quartas-de-final).

Além disso, são visíveis as oscilações da seleção brasileira. Contra os Estados Unidos, nas semifinais do GP, o Brasil esteve muito perto de perder um jogo teoricamente acessível. A derrota para as cubanas (bastante reformuladas) também não foi um bom sinal. Por isso, o Brasil não é favorito ao título. É candidato ao pódio, com alguma chance de ouro. Como foi em 1996 e em 2000.

Ainda assim, pode-se dizer que as mulheres do vôlei partem com mais motivos para otimismo que suas colegas do basquete. A seleção comandada por Antônio Carlos Barbosa também sofre de grande instabilidade, agravada pela força da concorrência. Por exemplo, dificilmente alguma equipe terá condições de tirar o ouro dos Estados Unidos, que se distanciaram dos rivais após a criação da WNBA.

Só por isso o ouro deve ser visto como algo improvável. O time que é apontado como único capaz de encarar as norte-americanas é o da Austrália, também quase todo integrado por jogadoras da liga profissional dos Estados Unidos. E aí está uma mostra de como o Brasil é uma incógnita. No Mundial de 2002, as brasileiras venceram as australianas e se colocaram em claras condições de chegar à final. Mas caíram diante da Coréia do Sul nas quartas-de-final após uma atuação terrível de quase todo o time.

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Menos mal que a equipe brasileira que foi a Atenas parece mais arrumada e consistente que a que disputou o Mundial da China. O que não muda as perspectivas desse time. Os Estados Unidos ainda parecem fora do alcance, mas, da mesma forma que as brasileiras são capazes de bater Austrália e Rússia (adversários da primeira fase), não seria estranho se perdessem para China ou Espanha. E, por isso, da medalha de prata ao 6º lugar, nada seria muito improvável. Em teoria, as semifinais seriam o resultado do tamanho dessa equipe. Mas é só teoria.

Ubiratan Leal/Imagens: Terra e Wander Roberto/CBB


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julho 24, 2004

O Grande Prêmio dos Jogos Olímpicos

As regras do COI impedem que esportes a motor (automobilismo, motociclismo, motonáutica, jet ski etc.) sejam incorporados ao programa dos jogos Olímpicos. A única exceção foi uma disputa de motonáutica nos Jogos de Londres em 1908. Porém, em 1992, foi disputado o que foi chamado de Grande Prêmio dos Jogos Olímpicos de Fórmula 1.

Até dois anos antes, o GP da Espanha era realizado no circuito de Jerez de la Frontera. Em seguida, a categoria voltou a Barcelona, mas, dessa vez, não seria nas ruas de Montjuïc como na década de 1970, mas no moderno autódromo de Montmeló. Assim, em 1992, a Fórmula 1 estava na cidade que sediaria as Olimpíadas. E, para aumentar o marketing em volta do evento poliesportivo, a corrida foi chamada extra-oficialmente de Grande Prêmio dos Jogos Olímpicos, mesmo tendo ocorrido em outro época do ano (3 de maio, enquanto os Jogos foram em julho e agosto).

Senna GP Espanha.jpg

Até foi uma corrida interessante, algo pouco comum em um ano dominado por Nigel Mansell e sua Williams de suspensão ativa. Naquele ano, Senna (foto) defendia seu título com uma McLaren fraca e que tentava usar um motor Honda V12 que nunca chegou a empolgar. Schumacher era um novato com menos de uma temporada completa na categoria. A Ferrari só vivia do ímpeto de Jean Alesi, já que Ivan Capelli se afundou na equipe. Para o Brasil, além da luta de Senna, também era possível acompanhar a temporada de estréia de Christian Fittipaldi e as brigas de Maurício Gugelmin e Roberto Moreno com seus carros.

Em Barcelona, Roberto Moreno não passou da pré-classificação, disputada na sexta-feira. Aquela seção marcou a aparição de um futuro campeão mundial. A partir daquele GP, Damon Hill ficou com a vaga da italiana Giovanna Amati na moribunda Brabham. O inglês passou na pré-classificação, mas não conseguiu um lugar entre os 26 que largaram.

A largada ocorreu com pista levemente molhada. Mansell assumiu a ponta logo na largada, seguido por Patrese, Alesi, Schumacher, Senna, Brundle e Berger. Logo depois, Brundle bateu e Schumacher ultrapassou Alesi. Em seguida, recomeçou a chover e o francês, que estava com carro regulado e pneu para pista seca, não conseguiu mais acompanhar o ritmo dos líderes, perdendo posição para a dupla da McLaren (Senna e Berger).

A dobradinha da Williams aprecia certa, mas Patrese abandonou na 20ª volta após um acidente. Pouco depois, foi a vez de Gugelmin, no pelotão intermediário, rodar e sair da prova. Naquela época, o reabastecimento era proibido e as trocas de pneus eram raras. Mesmo assim, Alesi decidiu ir aos boxes para colocar pneus de chuva.

Mansell GP Espanha.jpg

O francês da Ferrari ficou para trás, mas iniciou uma impressionante recuperação. O mesmo ocorre com Schumacher e Senna, que se aproximam de Mansell na liderança. O leão aumenta seu ritmo e mostra que tem condições de manter a posição. A partir daí, a maior emoção ficou por parte de Alesi, que ultrapassou seu companheiro Capelli e Berger com enorme facilidade. Na penúltima volta, estava prestes a alcançar Senna quando o brasileiro rodou e abandonou. O ferrarista ainda tentou o segundo lugar e tirou 9 segundos de Schumacher na última volta, mas não foi o suficiente. O alemão ficou com o segundo lugar, sua melhor colocação na carreira (até aquele momento, óbvio). No pódio, os pilotos receberam troféus convencionais. Os Jogos Olímpicos foram apenas simbólicos. Portanto, nada de medalhas para a Fórmula 1.

Classificação final
1º Nigel Mansell (GBR/Williams-Renault), 2º Michael Schumacher (ALE/Benetton-Ford), 3º Jean Alesi (FRA/Ferrari), 4º Gerhard Berger (AUT/cLaren-Honda), 5º Michele Alboreto (ITA/Footwork-Mugen Honda), 6º Pierluigi Martini (ITA/Minardi), 7º Aguri Suzuki (JAP/Footwork-Mugen Honda), 8º Karl Wendlinger (AUT/March-Ilmor), 10º Ayrton Senna (BRA/McLaren-Honda), 11º Christian Fittipaldi (BRA/Minardi-Lamborghini), 12º Paul Belmondo (FRA/March-Ilmor). Não completaram: JJ Lehto (FIN/Dallara-Ferrari), Gabriele Tarquini (ITA/Fondmetal-Ford), Mika Hakkinen (FIN/Lotus-Ford), Erik Comas (FRA/Ligier-Renault), Bertrand Gachot (BEL/Venturi Larousse-Lamborghini), Olivier Grouillard (FRA/Tyrrell-Ilmor), Gianni Morbidelli (ITA/Minardi-Lamborghini), Maurício Gugelmin (BRA/Jordan-Yamaha), Andrea Chiesa (ITA/Fondmetal-Ford), Riccardo Patrese (ITA/Williams-Renault), Johnny Herbert (GBR/Lotus-Ford), Thierry Boutsen (BEL/Ligier-Renault), Martin Brundle (GBR/Benetton-Ford) e Andrea de Cesaris (ITA/Tyrrell-Ilmor). Não qualificados: Ukyo Katayama (JAP/Venturi Larousse-Lamborghini), Eric van de Poele (HOL/Brabham-Judd), Stefano Modena (ITA/Jordan-Yamaha) e Damon Hill (GBR/Brabham-Judd). Não pré-qualificados: Roberto Moreno (BRA/Andrea Moda-Judd) e Perry McCarthy (GBR/Andrea Moda-Judd).

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Naquele ano, Mansell venceu as cinco primeiras corridas da temporada (África do Sul, México, Brasil, Espanha e San Marino), batendo o recorde de 4 provas estabelecido por Ayrton Senna no ano anterior. O título do inglês foi tranqüilo, conquistado com cinco GPs de antecipação (outro recorde). No final da temporada, o leão venceu 9 corridas, mais um recorde. E, por mais contundentes que sejam os números de Mansell em 1992, todos devem parecer piada perto do domínio de Schumacher esse ano.

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No Grande Prêmio da Bélgica daquele ano, Michael Schumacher conseguiu sua primeira vitória na Fórmula 1. Senna venceu três corridas – Mônaco, Hungria e Itália – e lutou pelo vice-campeonato com o alemão. O piloto da Benetton ficou a frente, mas o vice acabou sendo Riccardo Patrese (56x53x50 pontos).

Ubiratan Leal/Imagem: Motores en V


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julho 21, 2004

Menos euforia com o vôlei masculino

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É visível o salto de qualidade e melhora de atitude da seleção masculina de vôlei após Bernardinho assumir seu comando em 2001. Uma mostra clara disso é que, desde então, o Brasil chegou às quatro finais da Liga Mundial, vencendo três, a última batendo a Itália de forma convincente e definitiva, 3x1 em Roma. No entanto, por mais que o técnico explique que o momento ainda é de concentração, há uma indisfarçável euforia na torcida e imprensa. Uma precipitação tola.

Longe do discurso politicamente correto repleto de chavões como “ainda não ganhamos nada” ou “temos de respeitar todos os adversários”. Mas é só ver o retrospecto recente da própria seleção. Das últimas quatro finais de Liga Mundial, o Brasil perdeu apenas uma, em 2002. Justamente a que foi disputada no Brasil. E, quem viu o jogo, pôde perceber o quanto, naquele dia, a Rússia foi superior. Claro, dois meses depois, em Buenos Aires, os brasileiros compensaram e conquistaram o Campeonato Mundial sobre os russos.

Outro momento que merece lembrança é o Pan-Americano de Santo Domingo de 2003. Campeã mundial e com o time titular em quadra, a seleção masculina era uma das principais atrações do torneio. Foi arrasadora até as semifinais, quando caiu diante da Venezuela. E, na Liga Mundial de 2003, venceu Sérvia-Montenegro no quinto set por históricos 31x29 em um jogo que uma derrota brasileira seria naturalíssima.

O vôlei não tem o nível de imprevisibilidade do futebol, mas também não é como o Dream Team norte-americano original. Se qualquer equipe de vôlei jogar mal, vai perder. Ainda mais em Jogos Olímpicos, com fase final em partidas eliminatórias. Por isso, euforia e otimismo exagerado são nocivos.

Um exemplo é o da Itália, claramente a melhor seleção do mundo entre 1990 e 2000, com dois títulos mundiais (1990, 94 e 98) e oito ligas mundiais (1990, 91, 92, 94, 95, 97, 98 e 99). Nesse período, os italianos não conquistaram uma vez sequer a medalha de ouro. Em 1992, perderam nas quartas-de-final para a Holanda em um dramático 2x3 (o último set foi 17x16 para os holandeses, que se aproveitaram do regulamento da época não previr diferença de dois pontos em tie-breaker após o 16º ponto). Em Atlanta’96, caíram na final diante dos mesmos adversários. E, em Sydney, ficaram nas semifinais (0x3) diante da Iugoslávia. O próprio Brasil não é um grande exemplo. Em 2000, foi batido pela inferior Argentina nas quartas-de-final.

Por fim, é necessário lembrar que a Liga Mundial, ainda que importante, não representou a total realidade do vôlei masculino. Rússia, uma das principais seleções do mundo, Argentina e os perigosos Estados Unidos (lembrem-se: o Brasil não foi campeão do mundo invicto em 2002. Perdeu dos norte-americanos na primeira fase) não a disputaram para se preparar melhor para os Jogos de Atenas, participando de torneios amistosos. Há os que defendem que os brasileiros deveriam ter feito o mesmo. E talvez tenham razão. Além disso, é inegável que a Itália passa por uma fase de baixa, reconhecida pelos próprios italianos e comprovada pelo fato de o time só ter alcançado a fase final da liga por ser sede (terminou a primeira fase em segundo lugar no grupo).

O Brasil é melhor, mas a vitória invicta na Liga Mundial não mostra que o time seja imbatível. A torcida e a imprensa precisam ter consciência disso. Se não, caso a seleção perca o ouro, novamente falarão em “amarelar”, “excesso de confiança”, “menosprezo ao adversário” e outras coisas cansativamente ouvidas nas Olimpíadas de Sydney.

Ubiratan Leal/Imagens: Terra e BBC Sport


Posted by ubiraleal at 12:59 PM

julho 18, 2004

Há chance de medalha no futebol

Com a seleção masculina de fora dos Jogos, muitos torcedores esquecerão que o futebol brasileiro estará representado em Atenas. É verdade que o futebol feminino nunca empolgou o brasileiro, mas essa seleção merece alguma atenção. Se o ouro vier, será uma surpresa como o título do Porto na Liga dos Campeões, pois ainda há um inegável desnível técnico, físico e tático entre Brasil e a Alemanha, melhor do mundo hoje entre as mulheres. Mas uma medalha não seria tão assustadora assim.

É difícil avaliar o futebol feminino do Brasil pela falta de atividade das jogadoras. Ainda assim, as referências deixadas pelas campanhas no Pan-Americano de Santo Domingo e a Copa do Mundo dos Estados Unidos em 2003 dão motivos para otimismo. O Brasil se renovou e cresceu. Já tem uma seleção com solidez suficiente para por diante das tradicionais potências da categoria.

Brasil x Noruega feminino.jpg

Uma mostra disso foi o contundente 4x1 sobre a Noruega na primeira fase do Mundial, resultado que elevou consideravelmente a cotação da seleção feminina diante da imprensa européia e norte-americana. Aquele resultado fez do Brasil uma equipe realmente de ponta, não mais um time talentoso que caía, mesmo que por detalhes, diante dos grandes. E vale ressaltar que o ouro no Pan também merece respeito. Os Estados Unidos estiveram desfalcados, mas o Canadá foi com a seleção titular que viria a ser quarta na Copa.

O Brasil só não foi mais longe no Mundial pela falta de confiança das jogadoras em relação ao treinador, situação criada pela convocação de Milene por motivos aparentemente comerciais. Houve reflexos em campo e, após uma atuação fraca, Brasil perdeu para uma acessível seleção sueca.

E está justamente aí o motivo de otimismo para as Olimpíadas. Após ensaiar a repetição do erro, a nova comissão técnica não convocou a ex-mulher de Ronaldo para os Jogos. A tendência é que Renê Simões ganhe o respeito com o grupo e, se o treinador souber controlar suas tergiversações, aproveitar a chave tranqüila da primeira fase – passam dois entre Brasil, Estados Unidos, Austrália e Grécia – para dar ritmo ao time e resolver o buraco deixado pela ausência da contundida Kátia Cilene (vice-artilheira do Mundial), a seleção feminina pode voltar ao pódio, o que não ocorre desde a Copa de 1999.

Ubiratan Leal / Imagem: Fifa


Posted by ubiraleal at 04:36 AM

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