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outubro 08, 2004 Ainda a sombra do título mundial
Foi só o São Paulo vencer três partidas consecutivas para surgirem contas de quantos pontos o time precisaria para se tornar campeão brasileiro. Enquanto isso for prática da comissão técnica e dos jogadores, tudo bem, pois é normal manterem um otimismo como forma de motivação do grupo até o fim do campeonato. O problema é que há muitos torcedores e, principalmente, dirigentes que consideram essa possibilidade real. E, pior, devem cobrar do time e da comissão técnica se o título nacional for para outro clube. O que a torcida do São Paulo parece ignorar é que, desde 1994, quando comandado por Telê Santana perdeu a final da Libertadores para o Vélez Sársfield, seu time mudou diversas vezes. O elenco atual é muito diferente do que perdeu outras decisões nos últimos 10 anos. Por isso, acusar qualquer um (os jogadores atuais e os ex) de amarelarem e serem responsáveis pela estiagem de títulos do clube é, no mínimo, medíocre. Se, nessa última década, o tricolor só conquistou estaduais, um Rio-São Paulo e uma Copa Conmebol, perdendo todos os torneios mais importantes, com várias formações e técnicos diferentes, é porque algo está errado no clube. Claramente não é a estrutura, pois o São Paulo sempre esteve entre os melhores do Brasil nesse aspecto. Não é a camisa, pois um clube que foi campeão mundial há 11 anos não pode se apequenar diante de ninguém. Se o fazem, é por outro motivo. Dessa forma, sobram a diretoria e os torcedores que, por terem comportamento parecido, podem ser tratados como uma coisa só. Com o título intercontinental ainda fresco na memória, muitos são-paulinos parecem acreditar que montar o melhor time de futebol do mundo é algo fácil e ao alcance do clube a qualquer momento. Parecem ignorar que, naquele time, havia um técnico como Telê Santana, uma excelente geração de jovens e jogadores experientes de qualidade que não haviam conquistado espaço na Europa e, por isso, podiam formar a base são-paulina por três anos. Uma combinação ideal, mas de difícil execução no futebol brasileiro de hoje.
Mas basta o São Paulo vencer alguns jogos e contratar alguns jogadores que surgem vozes falando em Real Madrid e coisas do tipo. Claro que a carga de cobrança sobre os jogadores fica muito pesada. Seria o momento de a diretoria dar suporte à comissão técnica e ao elenco. Porém, em todos esses anos, o tricolor ficou perdido na tentativa inglória de equacionar as divergências políticas internas, mais profundas que a de qualquer grande clube paulista. Mais preocupados em amarrar seus contatos políticos do que em gerir um clube, os dirigentes tomam um comportamento semelhante ao dos torcedores, cobrando, brincando de queimar técnicos, contratando com ímpeto inconseqüente, quase infantil (como no caso Ricardinho). A temperança, característica tradicional do clube do Morumbi, nunca mais foi vista. Nessa década, até o emocional e genioso Corinthians teve momentos de pragmatismo e autocontrole. Com a torcida pressionando e os dirigentes brincando de montar o melhor time do mundo a cada seis meses, fica difícil para jogadores e treinadores manterem a tranqüilidade. Mesmo formando equipes medianas ou simplesmente boas, são obrigados a manterem um rendimento de esquadrões. Perder a Libertadores, algo normal para qualquer time do continente, virou motivo de desespero.
O São Paulo chega às decisões com uma obrigação pétrea de vencer. Afinal, se o time de Telê foi campeão do mundo, não custa nada ganhar um Brasileiro. Como se as coisas fossem simples assim. Como resultado, jogadores como Kaká e Luís Fabiano são quase forçados a sair do Morumbi. Um técnico como Cuca, que vinha dando uma constância elogiável ao time, segue o mesmo caminho. Tudo porque não foram capazes de repetir os feitos de um time de mais de uma década atrás. Por isso, por mais que os jogadores mirem o Atlético-PR e o Santos como forma de motivação de grupo, a torcida deve ter consciência que a luta é com times como Juventude, São Caetano, Palmeiras, Goiás e Corinthians. E torcer com consciência que conquistar a vaga na Libertadores não é obrigação de ninguém. Ubiratan Leal Imagens: Lancenet, São Paulo site não-oficial e São Paulo Posted by ubiraleal at 05:09 AM agosto 15, 2004 Faltou saber quem foi o melhor no turno
O primeiro turno do Campeonato Brasileiro teve clubes compactados na classificação e a relação de líderes mudando a cada rodada. Talvez nenhum o torneio de pontos corridos do mundo seja tão equilibrado. E, ainda assim, a primeira metade do Brasileirão esteve longe de empolgar o torcedor. Tudo por causa da falta de uma referência técnica, alguém que servisse de parâmetro para os torcedores. Como já foi apontado por Paulo Vinícius Coelho, da ESPN Brasil, o campeonato está “nivelado pelo meio” (termo meu, o comentarista já disse não gostar desse tipo de expressão). Não está ruim como, por exemplo, em 1990, mas falta um time que todos reconheçam como forte. Da maneira como está, permanecer entre os primeiros não representa mérito algum. O equilíbrio faz com que se perca e ganhe com naturalidade, o que é visto pelo torcedor como algo negativo, como se os erros das derrotas tivessem peso maior que os acertos das vitórias. O torcedor fica sem confiança em seu clube e não sente motivação para acompanhá-lo. A média de público desaba e a sensação de que o campeonato está ruim cresce. O são-paulino não vê valor na liderança compartilhada de seu clube ao final do turno, pois os co-líderes seriam equipes vulneráveis. Ao contrário do Cruzeiro e do Santos de 2003.
E não é só em campo que há nivelamento. No aspecto administrativo, ninguém tem se destacado também. Afinal, entre os três líderes no final do primeiro turno, o Santos começou o torneio tentando se implodir, a Ponte Preta não pára de trocar (a contragosto) de técnico e o São Paulo não sabe mais como domar a oposição interna e as exigências da torcida. Até o São Caetano tem dado sinais de instabilidade ao ver o surgimento de um rival local, o Santo André. Há bons sinais vindo de Figueirense e Goiás, mas nada que possa servir como modelo de gestão, como se via de forma exagerada o Cruzeiro de Luxemburgo. Por isso, dar muitas perspectivas para os segundo turno é arriscado. Até porque qualquer um pode reverter a situação atual sem muita dificuldade. Se o Fluminense resolver seu dilema filosófico, pode perfeitamente dar um salto e brigar por uma vaga na Libertadores. O mesmo pode ocorrer com o Cruzeiro caso se lembre do que fez em 2003. Ou Ponte Preta, Goiás e Juventude, se provarem que a desconfiança de que não terão fôlego é infundada. Ou Coritiba e Corinthians, se mantiverem a reação do final do turno... Até para os que têm as piores perspectivas – Flamengo, Paysandu, Guarani, Botafogo e Paraná – vale a idéia de que uma pequena melhora já pode ser suficiente para ganhar algumas posições nesse campeonato. Nesse torneio que une equilíbrio, emoção e baixo nível técnico, o torcedor e a imprensa precisam de um mapa. O que só virá quando houver uma hierarquia, uma definição clara da relação de forças entre os clubes. Algo que mostre com clareza quem luta pelo título, quem está no bloco intermediário e quem deve fugir da Série B. Isso acontecerá em algum momento. Pelo que se viu até agora, os que mostram mais força para lutar pelo título por mais 23 rodadas são Santos, Palmeiras, São Paulo e Atlético-PR. Têm elencos mais equilibrados e estão em uma fase mais favorável. De comum, só isso. Pois esse campeonato tem sido pródigo em unir clubes em realidades diferentes. Ubiratan Leal Imagens: Terra Posted by ubiraleal at 08:17 PM agosto 05, 2004 A Série B continua existindo
Durante a passagem fugaz de Palmeiras e Botafogo, a Série B ficou na moda. Era como se a grande imprensa descobrisse que existe um campeonato competitivo, com equipes de tradição, acontecendo por baixo da pseudo-gloriosa Série A (“pseudo” porque, convenhamos, o nível técnico não é lá essas coisas faz um tempo). Pois foi só os dois clubes subirem na primeira tentativa que a Segundona voltou às notas no pé da página dos jornais. Já até houve até os que dissessem que o torneio perdeu o charme com as saídas de alviverdes paulistas e alvinegros cariocas. Precipitação de quem não consegue mudar seu ângulo de visão. A Série B de 2004 não tem nenhum dos grandes de Rio de Janeiro, São Paulo (perdão, lusitanos), Minas Gerais (perdão, americanos) e Rio Grande do Sul. Assim, dificulta aquele olhar de uma curiosidade quase antropológica de ver a reação de jogadores, dirigentes e torcedores de grandes no meio dos pequenos. E, por mais que a perspectiva é que grandes passeiem pela Segundona com mais assiduidade a partir de 2005, o torneio não está se ressentindo futebolisticamente tanto dessas ausências. O que está diferente é que menos gente no Rio de Janeiro e em São Paulo sabe disso.
Nesse artigo, o Balípodo afirmou que havia boas perspectivas para o futebol do Norte-Nordeste em 2004. de certa forma é o que tem ocorrido. Os nortistas (Remo e São Raimundo) estão presos no tráfego do pelotão intermediário e não empolgam, mas não há como desprezar o significado das campanhas de Bahia, Náutico e Fortaleza, que, junto com Brasiliense, Ituano e Santo André estão mostrando um futebol de nível equivalente ao de várias equipes da Série A. O que projeta uma fase final muito mais equilibrada e emocionante que a do ano passado e que pode ficar ainda melhor se o Santo André (foto) reaver seus 12 pontos perdidos na Justiça, possibilidade que ganhou novo impulso com a decisão do STJD de reavaliar a causa andreense. Mas, do sexteto citado acima, é inegável que Náutico, Bahia e Brasiliense estão um nível acima dos demais. Os alvirrubros mostram uma solidez impressionante para quem reformulou boa parte do time no início do ano. O destaque é o ataque, o melhor do campeonato ao lado do Fortaleza e com o vice-artilheiro da competição, o já folclórico Kuki. Como Sport e Santa Cruz estão claudicantes, parece que a responsabilidade de devolver a Pernambuco um representante na elite será mesmo do clube dos Aflitos. Outro que pode voltar a ficar entre os grandes é o Bahia. O tricolor está em fase mais feliz que o Náutico, mas, a mesmo tempo, tem um ponto de vulnerabilidade explícito. O time não começou muito bem a Série B, mas, a partir da chegada do meia Robert (ex-Santos, Guarani e Atlético-MG), ganhou consistência na armação e se recuperou. A torcida, sempre fanática, acompanhou o processo e fez do Bahia o clube brasileiro com melhor média de público em casa (contando Séries A e B). O problema da equipe baiana está justamente em Robert. Sem o jogador, o Bahia é o time que ficou no meio da tabela nas primeiras rodadas. Na última terça, por exemplo, não teve forças para evitar a derrota para o Avaí em Florianópolis. A chegada de Igor pode dar um segundo referencial no meio-campo tricolor, por mais que o ex-Juventude não seja um armador de verdade. Mas é ainda uma aposta.
O terceiro concorrente destacado é o Brasiliense, que já havia feito boa campanha em 2003. A diferença é que o clube de Taguatinga não aposta mais em nomes com passagens por grandes clubes como o atacante Túlio e o zagueiro Batata. Agora, o jacaré apostou em jogadores pouco conhecidos como a dupla de ataque Tiano e Val Baiano para completar com a base dos últimos anos, simbolizada principalmente por Donizete, Wellington Dias e Iranildo (o mais conhecido do grupo). Como no ano passado, a virtude do Brasiliense é a consistência da defesa (segunda menos vazada, atrás apenas do Ituano). O time raramente é batido (apenas CRB e Portuguesa bateram os verde-amarelos) e consegue manter uma caminhada tranqüila e segura. O que pode faltar na decisão é um pouco de ímpeto, conseguir uma vitória em situações improváveis. Para ter uma boa noção de como a Segundona está intrincada, vários times que hoje ficaram um pouco para trás e brigam pelas últimas vagas da segunda fase já mostraram em alguns momentos que podem pensar no acesso. Casos de Santa Cruz, Paulista, Ceará e Avaí. Essas equipes pecam pela irregularidade, mas não seria impossível que se arrumassem até o final de setembro, quando termina a primeira fase.
Outra característica interessante desse campeonato é que não há clubes atuando por formalidade da tabela. Como apenas sete pontos separam o oitavo (o último que passa de fase) do 19º (o melhor colocado entre os rebaixados), Caxias, São Raimundo, Vila Nova, América-MG, Portuguesa, Marília, Remo, o renascido Sport, Anapolina, Santo André (se ficar sem os 12 pontos), Joinville (na foto, no clássico catarinense contra o Avaí), Mogi Mirim, CRB e América-RN orbitam em um cenário delicado, em que cada resultado pode ter conseqüências definitivas. Um exemplo disso é o Sport. Os recifenses estavam na zona do rebaixamento, com uma campanha medíocre para as pretensões do clube e com trajetória visivelmente descendente. Pois soube aproveitar uma relativa folga da tabela, venceu três partidas seguidas (Remo e Joinville na Ilha do Retiro e Londrina no estádio do Café) e já pode ver a segunda fase de perto. A próxima partida, contra o Ceará em Fortaleza, dará uma real dimensão da evolução rubro-negra. Apenas o Londrina parece descartado. O principal clube do interior paranaense vive uma fase administrativa terrível, montou uma equipe (aliás, várias, pois já foram trocados dezenas de jogadores desde o início da competição) sem condições de competir dignamente e está com apenas uma vitória e um isolamento constrangedor no fundo da tabela. De forma resumida, essa é a Série B brasileira. Um torneio concorrido, de nível técnico mais alto do que muitos imaginam, cheio de clubes tradicionais e populares, algumas novidades e, infelizmente, ignorado por muitos devido ao “pecado” de não abrigar um clube nacionalmente grande. Algo que pode acontecer em breve. Ubiratan Leal Imagens: Márcia Mendes/Jornal do Commércio, O Popular, Carlos Moura/Correio Braziliense e James Tavares/A Notícia Posted by ubiraleal at 04:56 AM julho 01, 2004 Santo André não foi perfeito, mas foi o melhor
Poucas coisas são tão fáceis e populistas quanto encher um campeão de elogios e apontar os equívocos dos perdedores. Em um caso como o dessa Copa do Brasil, vencida pela primeira vez por um clube sem título estadual, fica mais difícil ainda. De qualquer forma, é obrigação que se veja o que ocorreu no Maracanã. Ganhou o melhor time de toda a Copa do Brasil. Não é um timaço e o futuro na Série B desse ano permanece duvidoso, mas foi o mais competente no mata-mata. Ao contrário do que pensa muita gente, que fia sua visão de futebol apenas no nome e na história, o Santo André é resultado de um projeto de longo prazo, já explicado aqui. Por isso, não pode ser jogado na vala comum de times temporários, com prazo de validade determinado como o 15 de Campo Bom ou dependente do humor de algum empresário. Claro, o Santo André pode ruir em pouco tempo. Mas não é essa a perspectiva mais realista. Também é importante distinguir o Santo André do São Caetano. Há semelhanças inegáveis no projeto dos dois clubes. Tanto que o crescimento caetanense impulsionou e inspirou o desenvolvimento dos andreenses. Mas há diferenças filosóficas entre os dois maiores clubes do Grande ABC. O São Caetano confia mais na contratação de jogadores, enquanto o Santo André, apesar de trazer atletas de fora, tenta basear o elenco em jovens formados no próprio clube. Além disso, os andreenses têm por trás torcida e história. Nada que se compare aos grandes do Brasil, óbvio, mas o suficiente para torná-los referência no ABC. Por isso, é perigoso ver o Santo André simplesmente como uma nova versão do São Caetano. Até porque esse Santo André que conquistou a Copa do Brasil tem personalidade própria, por mais que o Galvão Bueno narre o gol de um no jogo do outro. A forma como os andreenses buscaram sua classificação em São Paulo contra o Palmeiras, em Porto Alegre contra o 15 de Campo Bom e o Rio de Janeiro contra o Flamengo tem requintes épicos.
E o principal motivo desse título foi a solidez e consistência dessa equipe. Vale lembrar (e, na grande imprensa, poucos lembraram até agora) que o clube do “A” do ABC perdeu jogadores como Fumagalli logo após o Campeonato Paulista – com a campanha da Copa do Brasil já em andamento – e o técnico Luís Carlos Ferreira no início da Série B do Brasileiro. O técnico Péricles Chamusca pegou um trabalho em andamento e teve o mérito de dar ainda mais confiança a esse grupo, o que faltou em alguns momentos no Paulistão. Como resultado, apareceu um time que não se impõe taticamente de forma ofensiva. Prefere mostrar o quanto um meio-campo bem posicionado e estruturado é importante e uma equipe de futebol. Com marcação precisa e saída para o jogo com objetivos bem definidos, os andreenses se colocam em condição de perigo ao adversário com grande freqüência. Como o meio-campo acompanha a jogada, os andreenses dominam os rebotes, o que permite novas fases de um mesmo ataque e cria um pequeno abafa na defesa adversária. Não há excesso de criatividade, pois a jogada básica é cruzar para Sandro Gaúcho ou chutar de fora da área. Mas há grande precisão nos movimentos. O time está longe de ser perfeito, pois o elenco em si não é dos melhores, a defesa é instável e a falta de criatividade se faz sentir em alguns momentos. Mas o Santo André soube desenvolver um esquema baseado no volume de jogo. Sem brilho algum, mas com muita intensidade.
Talvez por isso dê resultados tão bons fora de casa. O Santo André não chama o jogo para sair em contra-ataques. Prefere escolher o melhor momento e atacar diretamente, o que desorienta os adversários. Realmente, contra uma equipe tão bem montada, não seria estranho o ciclotímico Flamengo dessa temporada não suportar o volume de jogo andreense. O que só mostra como a Copa do Brasil pode ser um torneio legal se valorizado e bem organizado. A edição desse ano já viu evolução, com, por exemplo, a extinção dos convites. Alguns critérios técnicos foram duvidosos, mas é possível relevar por enquanto. Como nenhum torneio do calendário brasileiro, ela dá espaço para pequenos com organização técnica e administrativa se destaquem rapidamente. O Santo André é uma justa prova disso. *
Apesar das ausências de Cruzeiro, Coritiba, São Caetano e São Paulo (o Santos não teria vaga na Copa do Brasil pela má campanha no Paulista de 2003), que estavam na Libertadores, não se pode tirar o mérito do Santo André. Sua trajetória até a final foi mais difícil que de muitos outros campeões da Copa do Brasil. *
Com esse título, o Santo André se tornou o primeiro campeão da Copa do Brasil que nunca conquistou um Campeonato Estadual. *
É uma pena que o Santo André tenha perdido 12 pontos no STJD. Independentemente de quem tem a razão no caso, seria interessante ver esse time realmente brigando por uma vaga na Série A. Isso ainda pode acontecer, mas está difícil. Menos mal que a volta à Série C parece improvável. O time tem plenas condições de recuperar-se em relação aos seis últimos. Já deixou o Londrina para trás. Ubiratan Leal Imagens: Terra Posted by ubiraleal at 05:47 AM junho 21, 2004 Que líderes são esses?
Décima-primeira rodada do Campeonato Brasileiro e aquela zona de sempre. Técnicos caindo a cada derrota em casa, equipes vendendo seus melhores jogadores pra qualquer um que apareça com um milhãozinho de dólares, estádios quase vazios. E os dois primeiros colocados são surpresas: Criciúma, líder há quatro rodadas e... Figueirense, que esteve na ponta da tabela por duas rodadas consecutivas. O que aconteceu em Santa Catarina, outrora um túmulo do futebol em âmbito nacional, para que seus dois representantes começassem o campeonato de forma tão incisiva? Até 2002, comentaristas esportivos do estado louvavam como “grande feito” a vitória do Figueirense no Brasileirão de 1975, contra o Bahia, em Salvador, que garantiu a vaga para a fase seguinte do torneio. O Criciúma, campeão invicto da Copa do Brasil em 1991, também não tinha muito do que se orgulhar pelas campanhas no nacional. Ficou na primeira divisão entre 1993 e 1997, muitas vezes lutando pra escapar do rebaixamento. A melhor participação catarinense no Brasileirão, até o momento, cabe ao Joinville, que terminou na oitava colocação do bizarro campeonato de 1985 (aquele que teve o Coritiba campeão, o Bangu como vice e o Brasil de Pelotas como terceiro colocado). Até o início da década, futebol em Santa Catarina era, no máximo, segunda divisão. Criciúma, Figueirense, Joinville e Avaí disputavam a duras penas a Série B do Nacional, e poucos acreditavam na chegada de algum destes até a primeirona. O feito aconteceu em 2001, quando o Figueirense, comandado pelo “rei do acesso” Vágner Benazzi (hoje treinador do Criciúma), levou o time do Estreito ao vice-campeonato da Série B e garantiu presença na Séria A no ano seguinte. Esboçou-se naquele 2001 um "levante" do futebol do Sul do país, com os títulos nacionais do Grêmio (tetra na Copa do Brasil) e Atlético-PR (que bateu o São Caetano na final do Campeonato Brasileiro). Em 2002, mais um barriga-verde resolveu subir à Série A: depois de uma boa campanha, o Criciúma derrota o Fortaleza em casa por 4x1 e vence a segundona. Ficou a dúvida: pela primeira vez desde que o campeonato “desinchou” (conte desde os anos 80), dois times catarinenses estavam na elite – até quando? O Figueirense chegou todo prosa ao campeonato de 2002. O presidente Paulo Prisco Paraíso (ex-secretário da Fazenda do governo Paulo Afonso) fazia as contas para ficar no pelotão de cima da classificação, mas o time demorou sete rodadas para vencer uma partida (e quando aconteceu foi em Salvador, contra o Bahia, outra vez) e era favorito ao rebaixamento. Não caiu e ainda fez companhia ao Criciúma no ano passado. A campanha do alvinegro em 2003 foi mediana, mas valeu uma vaga numa competição internacional miguelenta (a tal Copa Sul-Americana, que está para ser realizada no segundo semestre deste ano). Já o Criciúma, no retorno à primeira divisão, começou valente – chegou à metade do campeonato de 2003 em quinto lugar, disputando com Inter e Coritiba uma vaga à Libertadores – mas faltou gás no returno e terminou atrás do rival de Florianópolis.
Neste ano, os dois times começaram com a macaca. Primeiro o Figueirense, que venceu Inter, Atlético-PR e Santos e saltou para a liderança isolada já na terceira rodada. Depois o Criciúma, que não se abalou com a chicotada que tomou do São Caetano (5x0 para o time do ABC) e devolveu com a maior goleada da competição (7x2 sobre o Goiás). Para quem foi apontado pela Playboy antes do campeonato como o pior time da competição, ao lado do Paraná Clube, começar a 10ª rodada à frente de todo mundo não é nada mal. Só a torcida não parece estar acreditando tanto assim na equipe. O Heriberto Hülse – estádio do Tigre, que tem capacidade para 24 mil pessoas – recebeu menos de sete mil torcedores, em média, por jogo até agora. A presença dos catarinenses na zona de classificação para a Taça Libertadores da América pode não durar o campeonato todo, mas os dois “azarões” dificilmente verão seu plantel ser desmanchado por clubes europeus em busca de reforços. O atual campeão Cruzeiro vendeu o seu craque Alex para um clube turco (Fenerbahçe) e logo, logo vai despachar o zagueiro Cris para a Ucrânia. O São Paulo, ainda de ressaca pela perda da Libertadores, já negociou o lateral Gustavo Nery para o Werder Bremen e espera a confirmação do Porto para vender o atacante Luís Fabiano. Sem falar no artilheiro Vágner Love, no mei Renato e outros tantos. Os times que mantiverem a base ao longo das 46 rodadas provavelmente terão mais chance de brigar pelo título ou pela vaga na Libertadores do que os favoritos de véspera (Atlético-MG, Corinthians, Vasco, Grêmio) que estão sapateando pra evitar o trauma do rebaixamento). E cuidado ao tirar sarro dos bagrinhos antes da hora – num ano em que equipes de menor expressão vêm desbancando clubes tradicionais (que o digam Werder Bremen, Valencia e Once Caldas, por exemplo), ser Davi pode ser um bom negócio. Fabrício Rodrigues Obs.: texto originalmente publicado no site Marca Diabo Posted by ubiraleal at 05:56 AM junho 03, 2004 Clássico mostrou mais defeitos que virtudes
Vencer um clássico de forma merecida e sem grandes contestações sempre satisfaz o torcedor. Por isso, muitos estarão mais preocupados em exaltar o talento de Ronaldo do que em pensar seriamente a respeito do que ocorreu no gramado do Mineirão. Quem o fizer perceberá que essa partida foi importante por deixar bem claro quais as deficiências de Brasil e Argentina. Nada que ponha em risco as classificações para a Copa, mas são pontos que devem ser sanados. A seleção brasileira mostra que já tem alguma personalidade. Não é emocionalmente frágil e instável como a das Eliminatórias passadas e tem um estilo de jogo se esboçando. Mas há uma clara fragilidade tática. A ausência de Ronaldinho Gaúcho deixou o ataque órfão, principalmente em um esquema que valorize tanto a manutenção da posse de bola no meio-campo. Parreira até merece crédito por tentar inovar ao colocar Luís Fabiano ao lado de Ronaldo, modelando uma linha de frente incisiva. Mas a experiência fracassou: Luís Fabiano não encontrou seu espaço e se perdeu entre os defensores argentinos. Aí está o erro do técnico. Se a expectativa não se confirmou, ele deveria partir logo para o plano convencional, o de colocar um meia (Alex) no lugar do ausente.
O outro meio-campista ofensivo que estava em campo, Kaká, até foi bem e tentou participar, mas sua característica não é a de distribuir o jogo, justamente o que o Brasil tanto precisou no clássico dessa quarta. Assim, a seleção sobreviveu somente com Ronaldo, que voltava para buscar a bola e tentava penetrar na defesa. É quase suicídio enfrentar a Argentina com uma opção tão improvável de ataque. Para a sorte do Brasil, Ronaldo estava inspirado... E, mesmo com as infiltrações (o termo do basquete é bem adequado para descrever as investidas de Ronaldo) do atacante do Real Madrid, o Brasil só teve um resultado positivo porque a Argentina não conseguiu ameaçar seriamente o gol de Dida. Mas isso não é mérito da defesa. O miolo de zaga estava sem noção de espaço, deixando atacantes argentinos desmarcados. Cada bola que ia para a pequena área brasileira era um desespero, mas sempre havia alguém para dar um chutão salvador. O fato de os volantes terem atuações eficientes também ajudou, pois não permitiu que a pressão platina se transformasse em sufoco. Além disso, o desentrosamento de Juan e Roque Júnior pode explicar parte dos problemas, por mais que a convocação do segundo seja contestável. Porém, não se pode negar que parte do sucesso brasileiro se deve às deficiências demonstradas pela Argentina. Taticamente, a equipe de Marcelo Bielsa está mais definida que a de Parreira. No momento, o que falta aos argentinos é o que sobra ao Brasil: talento. Os jogadores que entraram em campo com a bela camisa alvi-celeste são bons, mas não estão o mesmo nível dos brasileiros. Os próprios platinos têm consciência disso, tanto que pareceram aceitar o 1x2 como algo programado e esperado (o 1x3 não foi bem digerido porque, afinal, Ronaldo pareceu realmente ter se atirado).
Crespo parece estar em um período sabático. Não é participativo e insinuante como antes do Mundial de Coréia do Sul e Japão. Kily González já dá sinais de falta de fôlego técnico e tenta compensar provocando de forma pouco eficiente. Como outros contemporâneos dos dois, como Verón, Cláudio López e Gallardo, também estão em queda de rendimento, Bielsa apostou em revelações. No entanto, Lucho González, César Delgado e Mascherano ainda não maturaram o talento, não impõem tanto respeito a adversário e acabaram sumindo. Os grandes nomes da nova geração Argentina não estiveram em campo na maior parte do tempo. Saviola e Aimar entraram na segunda metade do jogo, mas Riquelme, Tévez e D’Alessandro ficaram de fora por contusão. Sem esses, a Argentina perde capacidade ofensiva, o que é mais decisivo diante de um oponente como o Brasil. Só Sorín se destacou. Atuando exatamente como fazia no Cruzeiro, um “líbero-esquerdo” com permissão para avançar até onde bem entender, foi sempre um homem na sobra ofensiva. É um conceito meio estranho, mas que funciona com um jogador que demonstra personalidade e capacidade de armar e até finalizar. No final, é possível perceber como é bom enfrentar um adversário de nível em partida oficial. É a melhor forma de identificar problemas e virtudes. O Brasil viu que tem talentos que decidem quando necessário e que a autoconfiança foi realmente recuperada após o título da Copa de 2002. Mas também deve buscar um desenvolvimento maior seu esquema tático. Pois falta solidez de jogo em vários momentos. *
Independentemente das falhas da zaga brasileira, da busca de Luís Fabiano por um lugar no campo para se instalar e da falta de finalização do ataque argentino, o mais difícil do jogo foi suportar algumas passagens da equipe de transmissão. Arnaldo César Coelho repete o bordão “a regra é clara” a todo momento, mesmo quando ele explica dizendo que a regra é interpretativa (portanto, não é clara). Galvão Bueno abusou do ufanismo (o que não é novidade), dizendo que Kily González mandava no árbitro – o jogador da Internazionale realmente merecia um cartão por ser chato e cometer algumas faltas desleais, mas não chegou perto de mandar no juiz – e que Samuel teria vida difícil no Real Madrid por fazer faltas em Ronaldo. Por fim, não foi possível captar a linha de raciocínio de Casagrande. O comentarista se disse contra colocar dois centroavantes ao mesmo tempo pela dificuldade em posicionar ambos em campo, mas concordou com Parreira quando esse colocou Alex no lugar de Kaká, quando o esperado seria a saída de Luís Fabiano. Ubiratan Leal imagens: Clarín, Olé e Gerardo Horovitz/La Nación Posted by ubiraleal at 05:42 AM maio 21, 2004 Os caminhos levam para o norte
Desde 1971, quando foi oficialmente instituído o Campeonato Brasileiro, o centro de gravidade do futebol do país nunca esteve tão baixo. Afinal, com as quedas de Bahia e Fortaleza em 2003, os únicos times do Norte-Nordeste que permanecem na elite são Vitória e Paysandu. Agora, com 10 nortistas e nordestinos juntos na Série B, configurou-se o momento ideal para retomar um pouco o espaço entre os grandes clubes do Brasil. É questão de saber aproveitar a oportunidade. Antes de tudo, é importante parar para descobrir o que aconteceu. Em 1997, o Nordeste deu início à onda de campeonatos regionais. É verdade que o Rio-São Paulo já era disputado nessa época, mas esse tipo de torneio só foi encarado com seriedade no Brasil após a iniciativa dos nordestinos. E, no fundo, os nordestinos foram os que mais souberam desenvolver esse conceito, aproveitando as rivalidades entre os Estados, o relativo equilíbrio de forças para organizar um torneio emocionante, com bons públicos e, principalmente, rentável. Porém, isso não elimina o fato de que o desempenho dos clubes da região não melhorou muito em competições nacionais. Sport, Bahia e Paysandu – que é da região norte e não se beneficiou com o Campeonato do Nordeste – tiveram alguns bons momentos em 2000, 2001 e 2003, respectivamente, mas foi só. Mostra de que o problema dos nortistas e nordestinos não é apenas financeiro, hipótese reforçada pelo fato de o Vitória manter uma relativa estabilidade devido à infra-estrutura, não apenas ao dinheiro da televisão e do público. Aí é que está o ponto chave. O Campeonato do Nordeste se ensaiava como algo importante não apenas pelo dinheiro, mas porque, pela própria organização da liga, induzia os clubes a se organizarem também, tratando o futebol de forma mais profissional. Ao implodirem o regional em 2003, os nordestinos sinalizaram novamente para o velho modelo, desperdiçando recursos. Tanto que é sintomático o fato de o Vitória ser o maior incentivador do torneio, bancando politicamente a esvaziada edição do ano passado.
Por exemplo, em 2003, o Fortaleza teve a segunda melhor média de público do Campeonato Brasileiro e não montou uma equipe forte, tanto que foi rebaixado. Com boa receita e elenco fraco, como explicar o prejuízo de R$ 650 mil no final do ano? Obviamente, os recursos foram direcionados de forma equivocada, o que nem um belo campeonato regional é capaz de consertar. Remo, São Raimundo e Paysandu sequer puderam contar com o regional, pois a Copa Norte não chegou a se consolidar em nenhum momento pela falta de representatividade de alguns clubes e as distâncias enormes, que encareceram o torneio. Os clubes que já estavam na Série B na temporada passada sofreram com a forte concorrência de Palmeiras e Botafogo. Ainda assim, essa justificativa não pode ser encarada como definitiva. O alviverde paulista e o alvinegro carioca tiveram pouca influência no desaire de Santa Cruz, Ceará, América-RN, CRB e São Raimundo. Aliás, apenas Sport, Náutico e Remo podem lançar mão desse argumento. Como no caso do Fortaleza, os nortistas e nordestinos da Segundona perderam por problemas internos. De América potiguar, CRB e São Raimundo não se podia esperar muito, pois não entraram no torneio com reais pretensões de promoção. Os demais pecaram pela impaciência, falta de uma política bem definida e de um pouco de sorte em alguns momentos. O principal passo seria voltar a administração para a vocação do futebol das duas regiões. Se, em Santa Catarina, os clubes se aproveitaram do empresariado local e da possibilidade de se trabalhar em longo prazo para crescer, no Norte-Nordeste os clubes devem voltar-se a seus fanáticos, fiéis e numerosos torcedores. Como fazer isso? Atraindo torcedores aos estádios, incentivando o surgimento de ídolos que sejam referência para a torcida (como Kuki, do Náutico, Edílson e Vampeta, do Vitória, e Sérgio Alves, do Ceará) e, principalmente, criando um clima que dificulte a vida de qualquer visitante. Situações como a do Fortaleza e do Paysandu em 2003, que perderam vários pontos bobos em casa, não podem ser aceitas.
Outro aspecto a se pensar é em aproveitar a capacidade grande que as duas regiões têm em revelar jogadores. É sintomático que muitas revelações do futebol paulista e carioca sejam nordestinas ou nortistas de nascimento. Se o jovem nasceu em Pernambuco ou no Sergipe, por exemplo, porque não é revelado por um clube da região? Será que, se houvesse condições propícias em seu Estado, ele não preferiria ficar perto da família ao invés de arriscar uma viagem ao Sudeste? É só ver o trabalho do Vitória para aprender o caminho. Com a renda respeitável da torcida nortista e nordestina, além do custo reduzido de jogadores jovens, não seria difícil de os clubes da metade de cima do mapa do Brasil voltarem a se enfiar entre os grandes. A Série B do Brasileiro começou há um mês, mas dá para perceber bons sinais vindos do Norte-Nordeste. Aparentemente, muitos aprenderam com o Vitória e até com Palmeiras e Botafogo, colocando em campo equipes relativamente planejadas e com bom balanço de experiência e juventude.
Em Pernambuco, o clube que, até o momento, parece mais bem encaminhado é o Náutico. O alvirrubro promoveu muitas mudanças na virada do ano, mas se ajeitou rapidamente no estadual e parte como um dos favoritos à Segundona. O Santa Cruz, atual ponteiro (pode perder a liderança nesse fim-de-semana para Paulista, Brasiliense ou Avaí), ainda está um pouco abaixo. Se beneficiou de algumas facilidades na tabela, tanto que, mesmo mantendo a liderança, perdeu o apoio da torcida após o empate em casa contra o enfraquecido Londrina. Depois da derrota de terça para a Anapolina a situação pode ficar mais delicada no Arruda. O caso mais complexo é o do Sport. O leão perdeu o rumo depois da Série B do ano passado, fazendo campanha regular no estadual e começando a Série B de forma ciclotímica. Estreou com uma goleada pouco convincente (existe isso?) sobre o Caxias e logo depois levou um absurdo 7x1 do Marília. A demissão da comissão técnica e de sete jogadores é uma mostra de como o clube da Ilha do Retiro está sem rumo definido. Pela tradição até pode subir. Mas não é o que o cenário atual indica. E justamente no ano do 99º aniversário, com os preparativos para as comemorações do centenário em andamento desde 13 de maio. O Bahia, sem dúvida o mais vitorioso clube dos nordestinos que estão na Série B, anunciou um plano de investimentos mais contidos, buscando revelar jogadores e apostar em um ou outro atleta mais experiente. Se o discurso for realmente um sinal de que a diretoria entendeu o motivo do rebaixamento, os tricolores de Salvador podem ficar com mais esperanças. Por hora, Galeano já saiu (não fará tanta falta) e os resultados iniciais são apenas regulares, mas ainda há um pouco de tempo para Oswaldo Alvarez acertar o time. No Ceará, o Fortaleza tem um time ajustado, mas já dispensou quatro jogadores por deficiência técnica ou indisciplina e perdeu o técnico Givanildo para o Paysandu. Ainda assim, o tricolor parece ter condições de passar por isso. O Ceará montou o time durante o estadual, mas os resultados não são ruins até agora. Pode incomodar, mas, como o Sport, não pode ser considerado favorito por enquanto.
Entre os clubes do Norte-Nordeste, um dos que parecem ter um plano mais consistente é o Remo. Os azulinos mantiveram a base que foi bem na Segundona de 2003 (os paraenses foram os terceiros na primeira fase e os únicos a acompanharem a caminhada de Botafogo e Palmeiras por um tempo considerável) e conquistou o estadual de maneira contundente. Talvez 2004 seja um grande ano para a torcida do Remo, pois, além de seu time estar forte, o Paysandu se enfraqueceu muito e está cotado ao rebaixamento. Na realidade, o bicolor se encorpou e valorizou em 2003 por causa da Libertadores. Sem a competição continental, o clube belenense sofreu o natural processo de se redimensionar. No entanto, pode ter exagerado um pouco e se enfraquecido demais. Há ainda três clubes do Norte-Nordeste na Série B. Mas as ambições de América-RN, CRB e São Raimundo são inversas às de seus conterrâneos. Até segunda ordem, esses clubes se preocupam mais com o fundo da tabela do que com o topo. Participando de torneios estaduais sem tanta projeção (e dinheiro), os elencos são modestos. E, como caem seis times, é estatisticamente provável que algum nortista ou nordestino caia. O que não elimina o fato de que 2004 é o ano em que o futebol do Norte-Nordeste tem boas condições para se reeguer. *
Ah, apesar das boas perspectivas dos nortistas e nordestinos e de ser uma medida economicamente boa (pedido da televisão), é difícil concordar com partidas sendo disputadas no Norte e Nordeste às 11h da manhã de domingo. Ubiratan Leal Imagens: Lancenet, Fortaleza, Correio da Bahia, Santa Cruz e CRB Posted by ubiraleal at 05:19 AM maio 11, 2004 A culpa não é do Coritiba
A discussão legal fica a cargo dos advogados. Se nem eles, que deveriam entender o que quer dizer cada linha de regulamentações, chegam a um acordo, não sou eu que o farei. A questão aqui é ética, moral e lógica. E, por esse aspecto, o Coritiba não deveria ser punido pela utilização de Ataliba de forma “irregular”. Como o Atlético-PR também não deveria perder os pontos por utilizar o goleiro Diego. Legalmente, talvez seja correto tirar os pontos dos clubes paranaenses. Mas isso mostra uma distorção conceitual do regulamento. O Coritiba foi punido em primeira instância porque seu jogador, apesar de ter o contrato registrado na CBF, não apareceu no BID, o tal do Boletim Informativo Diário da entidade. De acordo com a própria confederação, o BID serve para “comunicar a movimentação de registro de jogadores”. Assim, a CBF admite que o tal documento deve “comunicar” (afinal, o próprio nome diz que é um boletim informativo) a todos que jogador cada clube contratou, não tem por vocação confirmar ou oficializar a contratação de ninguém. Se um meio de comunicação não passa alguma informação, não significa que o fato não tenha efetivamente ocorrido. O responsável pelo boletim é que deve ser culpado pela ausência do nome de Ataliba no informativo. O clube deve apenas levar a documentação correta à CBF. Se a entidade recebeu a papelada e a aprovou, é ela que deve levar essa informação ao público. Da forma como está, a responsabilidade de inscrever um jogador não é do clube que o contrata, mas da confederação. Isso é absurdo, pois permite “atrasos”, “esquecimentos” e “equívocos” inexplicáveis, colocando em dúvida a real intenção de cada atitude e em risco a credibilidade do campeonato todo. Como já ocorreu no ano passado com a retirada de pontos de Ponte Preta e Paysandu. Claro, o Coritiba poderia ter sido mais atencioso e perceber a falta do nome de Ataliba nas edições do BID. Mas isso não elimina o fato de que o erro original foi cometido pela CBF e essa deveria ser punida de alguma forma. Ao clube paranaense caberia uma advertência ou, no máximo, uma multa. Mas tudo isso é falatório filosófico. O regulamento do Campeonato Brasileiro diz que um jogador só pode entrar em campo se o seu nome aparecer no BID, dando ao informativo uma função de Diário Oficial. Um evidente exagero. Mas, se tem gente na CBF que se acha acima das leis, não é de se estranhar que o boletim informativo da entidade tenha tanta importância jurídica. Ruim para o torcedor, que continua vendo partidas que podem não ter valor algum, pois o campeonato pode ser decidido nos tribunais. Imagem: Coxanautas Posted by ubiraleal at 06:14 PM abril 14, 2004 O Flamengo erra o foco
Antes e depois de assumir, o presidente do Flamengo Márcio Braga disse que iria colocar o rubro-negro ao lugar que lhe é devido, entre os maiores e melhores do Brasil e do mundo. No entanto, o clube (seu presidente, na verdade) vem tomando diversas atitudes que, mesmo que repletas boas intenções, mostram um Flamengo que se vê apequenado. Um clube melhor, sem dúvida, mas com auto-estima no chão. O pior é que ninguém na Gávea parece perceber isso. A situação mais recente e que escancarou isso de vez foi a decisão de disputar a partida de ida das oitavas-de-final da Copa do Brasil, contra o perigoso Santa Cruz, com a formação reserva. Apenas o volante Da Silva representará os titulares no Arruda. Motivo: poupar os jogadores para a segunda parte da final do Campeonato Estadual contra o rivalíssimo Vasco no domingo. É a típica escolha populista e para consumo imediato. Afinal, um eventual revés em Recife (esse texto foi escrito na terça, 13 de abril) será esquecido se o título estadual realmente for para a Gávea. No entanto, o Flamengo corre o sério risco de ficar fora do torneio nacional por priorizar um desvalorizado estadual. Essa atitude só se explica de duas formas. Ou o rubro-negro se acha tão superior ao Santa Cruz que resolveu colocar os garotos para segurar o resultado em Pernambuco (não faz muito sentido) ou o clube considera a competição local mais importante.
A segunda é a mais provável, o que mostra a total falta de visão estratégica do clube. Voltando-se para dentro do Rio de Janeiro, o Flamengo assume sua falta de capacidade de conquistar o país. Realmente, o time mais popular da antiga capital federal não tem uma das melhores equipes do país, mas poderia se aproveitar do regulamento em mata-mata e vencer a Copa do Brasil. Mas o Flamengo não sonha, admite que ser o melhor de sua cidade já é suficiente. Isso acaba alimentando os que defendem a tese de que o Campeonato Estadual do Rio só atrai tantos torcedores porque é o máximo que os grandes cariocas almejam no ano. Há uma certa maldade no argumento, mas tem um fundo de verdade. Os clubes do Rio de Janeiro, hoje, só se preocupam em vencer seus rivais locais, esquecendo que perdem terreno para mineiros, paulistas, gaúchos e até paranaenses. Ninguém melhor que o Flamengo para reverter esse curso. Mas parece que pensar no título estadual é mais interessante na Gávea. Se os equívocos do rubro-negro se limitassem ao fato de escalar o time reserva contra o Santa Cruz não seriam tão graves. Mas a diretoria flamenguista cai em erros bobos, mesmo que tendo as melhores intenções. Como, por exemplo, usar o estádio Raulino de Oliveira, em Volta Redonda, como cenário de 16 das 23 partidas que o Flamengo tiver o mando no Brasileirão.
O plano tem alguns pontos positivos. A prefeitura da capital do aço está incentivando o rubro-negro a mandar os jogos no Raulino, como forma de dar sentido às obras de modernização da casa do Volta Redonda (atualmente na Segunda Divisão estadual). Além disso, deixa jogos de menos apelo popular em um estádio menor. Também é de se louvar a antecedência com que a diretoria do clube anunciou o plano, com carnê para os jogos no interior e outro para o Maracanã e definição clara de quais jogos serão em cada estádio. Ainda assim, expõe o Flamengo como um clube que não crê em si mesmo, que não acha que tem apelo suficiente para levar pelo menos 15 mil pessoas a cada semana ao Maracanã. Financeiramente, a decisão da diretoria pode ser a melhor, mas mostra como o time mais popular do Brasil cai como instituição, não tem mais força diante dos próprios torcedores. O mesmo raciocínio vale para a busca de recursos públicos (e não me refiro ao patrocínio da Petrobrás, mas de subsídios da prefeitura carioca). O erro maior é do poder público, já que o Rio de Janeiro tem problemas mais graves do que as pendências financeiras de suas equipes de futebol. Ainda assim, o Flamengo deveria ser auto-suficiente, criar mecanismos de atrair recursos próprios para resolver suas querelas. Claro, isso levaria um tempo, mas o Botafogo segue mais ou menos por esse caminho e vem obtendo sucesso. É importante salientar que o alvinegro tem uma torcida bastante menor e estava na Série B nacional. O caminho era muito mais árduo para a turma comandada por Bebeto de Freitas.
Voltando à Gávea, o próprio presidente Márcio Braga disse em entrevista concedida pouco antes de assumir ao programa Bola da vez da ESPN Brasil que o estádio do Flamengo era o Maracanã (e realmente é, como o Pacaembu é o estádio do Corinthians). Então, por que o dirigente se mexeu para ampliar a Gávea, conversou sobre a cessão do futuro estádio Olímpico (palco principal do Pan-Americano de 2007) e ainda mandou o time para Volta Redonda no Brasileirão? O caso do Raulino de Oliveira deve ser temporário, mas ainda não deu para saber em qual estádio a diretoria quer que o Flamengo mande suas partidas nos próximos anos. A nova Gávea, segundo o projeto, terá capacidade para algo em torno de 25 mil pessoas, 15 mil a menos que o estádio Olímpico. O suficiente para praticamente inutilizar o Maracanã, que, segundo Braga, é o estádio do rubro-negro. Além disso, o Flamengo não deve se valer de empréstimos da prefeitura carioca. A lei Pelé já dá condições legais para que um clube se profissionalize e atraia investidores. Com uma diretoria que – apesar dos equívocos – parece séria, torcida apaixonada e potencial na geração de jogadores que o rubro-negro sempre teve, não deve ser difícil chamar parceiros para projetos de reestruturação em médio/longo prazo.
As contradições também podem ser vistas no campo. O time atual não é o melhor do Brasil, mas pode ser forte em alguns anos se bem conduzido. Por isso, não faz sentido a contratação de estrelas como Athirson e Rivaldo (que não acertou com o clube, mas foi sondado), que jogam na mesma região de dois jogadores que vêm bem: Roger e Felipe. Além disso, jogadores como esses aumentam significativamente a folha salarial. Mesmo que empresas paguem parte do salário desses jogadores, isso não deve ser bem-visto, pois ratifica a condição de falta de auto-suficiência do clube. E porque a auto-suficiência é tão importante? Simples, se o Flamengo (ou qualquer outro clube) depender de ajuda, pode voltar à crise assim que esse auxílio acabar. Não importa se é a prefeitura do Rio de Janeiro, de Volta Redonda ou de patrocinadores interessados apenas em vincular sua marca a um jogador específico. No final das contas, o caminho do Flamengo é torto, com acertos pelas boas intenções e equívocos conceituais. Considerando os últimos anos do clube, 2004 pode ser um ano de evolução, mas não levará o rubro-negro a ter o melhor time do mundo em dois anos, como prometido por Márcio Braga antes de sua posse. *
O Flamengo jogará no Maracanã contra Vasco, Fluminense, Botafogo, Corinthians, Santos, Cruzeiro e Grêmio. Os demais jogos que mandar serão em Volta Redonda. *
Quando se diz que o Maracanã é o estádio do Flamengo e o Pacaembu é o estádio do Corinthians, entenda-se que em valor sentimental. A propriedade dos dois estádios é do poder público. Ubiratan Leal Imagens: JB Online, Terra, Flamengo e Pelé.net Posted by ubiraleal at 02:24 AM abril 09, 2004 Sem grandes decadentes, nem interior poderoso
Quando Bragantino e Novorizontino chegaram à final do Campeonato Paulista de 1990, logo se ouviram vozes decretando o fundo do poço do futebol de São Paulo. Menos de um ano depois, os paulistas haviam monopolizado a final de dois Brasileirões. Isso é uma mostra de como é precipitado dizer que a final do Estadual com São Caetano e Paulista é prova da decadência dos grandes de São Paulo. Na realidade, é cedo para tirar qualquer conclusão. Excetuando o Paulista, todos os outros estaduais de importância terão na final seus times mais tradicionais, como o Ba-Vi na Bahia, o Vasco-Flamengo no Rio de Janeiro, o Gre-Nal no Rio Grande do Sul (tudo bem, é final de turno, mas o regulamento do Gauchão é complicado demais), o Atle-Tiba no Paranaense e o Atlético-Cruzeiro em Minas. Pronto! Já foi suficiente para alguns comentaristas anunciarem uma “lição aos decandentes grandes de São Paulo”. Então, voltemos um pouco ao Bragantino x Novorizontino, a famosa “final caipira”. A década de 80 não foi das mais felizes para os clubes paulistas. No Campeonato Brasileiro, apenas um título entre 1980 e 1989, o do São Paulo em 86. Enquanto isso, os cariocas levavam 5 taças, isso se não for contada a Copa União de 1987. Naquela época, o Corinthians ainda não emplacava em competições nacionais, o Palmeiras estava em sua pior estiagem de títulos e o Santos vivia de suspiros desde a aposentadoria de Pelé. Então, quando Bragantino e Novorizontino foram à final do Estadual, era mais fácil imaginar que os grandes de São Paulo estavam realmente mal.
Hoje, a situação é diferente. O São Caetano já provou ter capacidade de se colocar entre os grandes, ao contrário do Bragantino de 1990, que ainda era uma novidade. Além disso, Santos e São Paulo reconhecidamente e têm dois dos melhores times do país e o Palmeiras está com um projeto que, se não é uma revolução, ao menos merece crédito. Dos grandes, só o Corinthians destoa. Assim, é possível concluir que o São Caetano x Paulista é conseqüência do regulamento e/ou de méritos dos dois clubes. Não chega a ser uma vergonha dos grandes. O que também abriu espaço para uma reação exagerada de parte dos paulistas mais bairristas. Durante os primeiros meses de 2004, se falou muito em como o Estadual do Rio de Janeiro estava melhor que o Paulista. Era um equívoco. O torneio fluminense é mais divertido e empolgante no confronto entre os grandes, mas tem nível técnico mais baixo, principalmente na comparação entre os pequenos de ambos Estados.
Pois foi só passar a rodada desse meio de semana da Copa do Brasil para o “revide” bandeirante. A derrota do Vasco para o 15 de Campo Bom (0x3, na foto) e do Botafogo para o Gama (2x3), ambas no Rio de Janeiro, seriam provas da falta de qualidade dos clubes da antiga capital federal. O enfraquecimento do Rio de Janeiro é visível há anos e tais resultados confirmam isso. Mas também não podem ser levados como definitivos. A coisa não anda boa entre os cariocas, mas achar que o 15 de Campo Bom é superior ao Vasco é leviano. Da mesma forma como a eliminação do Atlético-MG para o Santo André não é mostra de que os pequenos de São Paulo são melhores que os grandes dos outros Estados. Esse site já falou sobre o bom trabalho do Santo André, mas o clube mais tradicional do ABC não pode ser visto como regra. Generalizando um pouco (e assumindo os riscos de tal atitude), o interior paulista está decadente, dependendo de empresários para formar times temporários. Todas essas conclusões comparativas são precipitadas. O mais correto, por hora, é analisar as semifinais do Paulistão sem tentar descobrir fenômenos mais profundos. O São Caetano tem um dos melhores times do Brasil há anos. Em 2004, contratou bem e reforçou ainda mais sua condição. Então, é natural que vença dois adversários mais tradicionais e chegue à final. O Paulista pegou um grande ainda se recuperando (o Palmeiras) e venceu com méritos em uma partida que entrará na história do Galo da Japi. O triunfo de caetanenses e jundiaienses não torna os grandes de São Paulo piores ou decadentes, nem glorificam o Estadual bandeirante. *
O regulamento previa o sorteio, mas foi um absurdo que ninguém falou. A campanha do Santos no Paulistão foi muito melhor que a do São Caetano. Então, o mais correto não seria organizar a partida de volta na Vila Belmiro? *
A grande final dos Estaduais de 2004 deve ser a de Minas Gerais. Atlético-MG e Cruzeiro estão em um momento mais feliz que os grandes gaúchos, têm times melhores que os finalistas cariocas e vivem com uma rivalidade muito maior que os sobreviventes paulistas. *
E não é que o Crac acabou eliminando o Goiás? Ubiratan Leal Imagens: Rogério Lorenzoni/Terra e Jornal do Brasil Posted by ubiraleal at 08:14 PM março 30, 2004 Futebol para as massas?
A notícia foi capa dos principais cadernos de esporte do Paraná no início de março: a diretoria do Atlético-PR fixou em R$ 30 o preço mínimo do ingresso para os jogos da equipe durante o Campeonato Brasileiro, que começa em abril. Os torcedores se engasgaram com a notícia do reajuste e a chiadeira foi instantânea – em uma enquete promovida por um portal de comunicação do Paraná, mais de 70% dos participantes disseram que o preço era abusivo para os padrões brasileiros. Representantes das torcidas organizadas (Fanáticos, Ultras, Esquadrão da Torcida Atleticana) aproveitaram a partida contra o União Bandeirantes, pelo campeonato estadual, para protestar nas arquibancadas. No Campeonato Brasileiro de 2003, o ingresso mais barato para os jogos do rubro-negro custava R$ 15, valor que na atual tabela será o da meia-entrada. O conselho deliberativo do clube se pronunciou em seguida, alegando uma série de motivos. Um deles é que, até o início do Brasileirão, a Arena da Baixada terá somente cadeiras numeradas em função do cumprimento do Estatuto do Torcedor. Outro argumento é que, por causa da instalação de cadeiras, o torcedor que pagava R$ 60 por uma cativa vai levar o mesmo benefício pela metade do preço. Para completar, a diretoria lembrou que, quando a Arena foi inaugurada em meados de 1999, o ingresso custava o equivalente a US$ 15 – pelo câmbio de hoje, R$ 43. “Na verdade, nós baixamos o preço do ingresso”, afirmou há algumas semanas o ex-presidente Mário Celso Petraglia, atualmente no Conselho Deliberativo do clube. No mesmo dia, o rival Paraná anunciou que o preço do ingresso mais barato para ver o time no Brasileiro 2004 ficaria em R$ 10 – um estímulo à torcida, preocupada com a ameaça, na época, do rebaixamento no Estadual.
O aumento no preço dos ingressos e a colocação de cadeiras em todo o estádio é apenas parte de um processo considerado “revolucionário” para os dirigentes atleticanos, que fecharam recentemente uma parceria com o canal a cabo Clear Channel para a exploração da marca do clube e da “identidade” do estádio. A intenção é tornar o visual da Arena da Baixada em um símbolo tal como a camisa e o escudo rubro-negros – o que já pôde ser visto em outdoors espalhados por Curitiba nas últimas semanas. Além disso, o Atlético pretende, com o ingresso a R$ 30, aumentar de 8% para 26% a participação da bilheteria nos rendimentos do clube e incentivar o torcedor a comprar o pacote para toda a temporada com preços promocionais. As reivindicações e a polêmica, contudo, não esfriaram as comemorações pelos 80 anos de existência do Atlético-PR, comemorados no dia 26 de março. Até porque o time vem bem no Campeonato Paranaense, está invicto e tem a vantagem de jogar por quatro resultados iguais para levantar a taça. Depois das bodas, os torcedores voltaram a rivalizar com a diretoria. A Esquadrão (torcida organizada do clube) chegou a procurar o Procon na tentativa de congelar o preço da entrada a R$ 15. Como contrapartida, garantiriam estádio cheio nas partidas realizadas no Joaquim Américo. Em 2003, o Atlético teve a melhor média de público entre os times da cidade na série A – cerca de 10 mil espectadores por jogo, apesar da campanha inferior à de Coritiba e Paraná. O presidente do clube, João Augusto Fleury da Rocha, negou na terça, dia 30, qualquer possibilidade de discutir a questão do “congelamento”.
Mesmo tendo se afastado da presidência, Mário Celso Petraglia é, sem dúvida, o mais lembrado pelos torcedores durante as reivindicações. Por mais que o dirigente se defenda dizendo que o valor do ingresso não foi estipulado por ele ou pelo presidente do clube, mas pelo Conselho Deliberativo a partir de uma série de estudos, a onipresença de Petraglia à frente do clube nos últimos anos o deixou no papel de vidraça. A bem da verdade, foi em sua gestão que o Atlético remodelou seu perfil e cresceu no cenário nacional. Do time que disputava a Segundona, que vivia à margem do título de campeão brasileiro do Coritiba em 1985, que não tinha um estádio com as dimensões do Couto Pereira e que não ofereceu resistência a uma equipe recém-criada (Paraná) que enfileirou um pentacampeonato estadual (93 a 97) ao Atlético que se conhece hoje, foram passos longos em um espaço de tempo razoavelmente curto. Depois de um tricampeonato paranaense (2000 a 2002), um título brasileiro (2001), duas participações na Taça Libertadores da América e de ter revelado jogadores de qualidade (Paulo Rink, Oséas, Adriano, Lucas, Kléberson e Dagoberto), o Atlético-PR hoje utiliza em sua defesa a decantada organização enquanto clube de futebol, que tem um centro de treinamentos completo e um dos estádios mais modernos da América Latina, para tascar um valor de R$ 30 para o seus jogos. Se é justo ou não, é um referencial relativo. Se o time começar a ganhar e ameaçar com uma campanha como a que o levou ao título em 2001, vai sair barato para a sua fanática torcida. Mas se os resultados forem como aqueles dos últimos dois Brasileiros, as cadeiras numeradas não vão perder a tinta tão cedo. *
Antes do Atlético-PR, a Federação Paulista já havia aumentado os ingressos. No Campeonato Paulista, o torcedor tinha de pagar ao menos R$ 20 para entrar no estádio. O que criou muita confusão e revolta de torcidas organizadas. Veja mais aqui e aqui. Fabrício Rodrigues Imagens: Lancenet, Guia Geográfico Curitiba e Furacão.com Posted by ubiraleal at 01:47 AM março 22, 2004 Falta um projeto ao Fluminense. De novo
Quando caiu para a Série C do Brasileiro, o Fluminense resolveu parar para pensar. Contratou Carlos Alberto Parreira (um luxo para um time da Terceira Divisão) e reestruturou seu futebol. Deixou a sangria financeira a níveis aceitáveis e montou uma equipe competitiva sem fugir da própria realidade. Pois está na hora de o tricolor carioca fazer isso novamente. O Fluminense de hoje está à deriva em relação a planejamento. Para sorte da torcida tricolor, isso ainda não prejudicou o time como no final da década passada. Naquela época, empresários colocavam jogadores no clube. Em 1995 deu certo, com o título Estadual e o quarto lugar no Brasileiro. Mas, no ano seguinte, a sorte não foi a mesma e a seqüência de rebaixamentos teve início. A situação atual não parece tão grave. Economicamente a pindaíba é praticamente a mesma. Tanto que, ao invés de empresários de jogadores, o clube agora é dependente de seu patrocinador, que tem bancado as principais contratações da equipe. Tal cenário nem seria tão ruim se, na falta de um projeto por parte da diretoria tricolor, a Unimed apresentasse um. Mas não é o que acontece. Prova disso é que há sérias dúvidas se os jogadores trazidos pela empresa do setor de saúde acrescentam algo ao futebol do Fluminense. Romário, Ramón, Edmundo, Roger, André Luiz e até Odvan e Danrlei já tiveram seus momentos, mas estão, na melhor das hipóteses, em um logo período de instabilidade. Talvez a chega de um ou outro desses nomes fosse extremamente saudável ao clube das Laranjeiras, mas todos ao mesmo tempo não é uma solução viável. Para o patrocinador está ótimo. São estrelas que recebem bastante atenção da mídia. A marca da empresa é mostrada em jornais e televisões todo dia, sem que se compre o espaço publicitário (dependendo do horário e veículo, mais caro que o salário desses atletas). O retorno é mais ou menos assegurado.
O problema fica para o clube. O que fazer com esses jogadores? Em campo, o rendimento não é proporcional à atenção que recebem. Taticamente é um desafio montar uma equipe com os contratados sem sacrificar alguns setores. E só não é pior porque dificilmente todos jogarão ao mesmo tempo. No início da década passada, a Parmalat investiu e contratou muitos jogadores para o Palmeiras. Mas era uma situação diferente. Em princípio, a empresa de laticínios italiana comprava esses atletas e podia revende-los depois. Além disso, só trazia jogadores que pudessem ajudar na formação de um esquadrão com a camisa alviverde. Agora, há suspeitas que a Parmalat lavou dinheiro nas operações financeiras envolvendo o futebol, o que não influi no fato de que as contratações eram tecnicamente bem feitas. Para o Fluminense, é mais triste ainda pensar que o clube conta com uma excelente equipe de jovens. Ainda como resultado da estruturação promovida na época em que foi para a Terceira Divisão, o tricolor montou um invejável centro de formação na Baixada Fluminense. De lá saíram jogadores como Carlos Alberto, hoje no Porto, de Portugal. Era a oportunidade de o clube reformular o elenco, com bons jogadores a baixo custo. Com um ou outro veterano (poderiam até ser algumas das atuais “estrelas”), comporiam um grupo sólido. Os resultados poderiam demorar uns anos, mas viriam. Em médio prazo, o ganho com a venda de algum desses atletas reduziria o rombo financeiro do clube. Mas não. O Fluminense preferiu atender às necessidades imediatistas de seu patrocinador. Os jovens ganham poucas oportunidades e, quando podem, têm sido decisivos. Mas o time-base, até segunda ordem, conta com Ramón, Roger, Edmundo, Odvan e Romário. As revelações podem nunca vir por passar do tempo de aparecer ou até por desencanto pela falta de oportunidade.
Por enquanto, o clube tem sobrevivido no Estadual e na Copa do Brasil com certa desenvoltura. Mas, no Brasileiro, um planejamento equivocado é escancarado. Prova disso é que o Fluminense foi o único grande que não venceu nenhum clássico no Estadual do Rio. Pior, empatar já foi difícil. Perdeu duas para o Flamengo (3x4 e 2x3), uma para o Vasco (0x4, foto) e só então fez ponto, contra o Botafogo (0x0). Por isso, o tricolor precisa saber logo qual seu projeto. Montar pseudo-esquadrões e botar em risco sua condição financeira e técnica ou investir na base que, afinal, já está lá nas Laranjeiras. *
Com uma característica bem diferente, o Corinthians também deve ter muito cuidado. A falta de planejamento é tão grave quanto a do Fluminense, mas, em campo, o time alvinegro é muito mais fraco. *
Copiando um pouco o discurso do então presidente eleito Lula, o São Paulo precisa urgentemente articular um “pacto social” interno. Enquanto os dirigentes continuarem brigando por poder e a torcida mudando do deslumbre para o desencanto em segundos, será difícil o clube do Morumbi conquistar algum título importante. As brincadeiras de corintianos e palmeirenses de que o São Paulo “amarela” nas decisões se torna uma realidade cada vez mais incômoda. *
A Federação Gaúcha está aliviada. O Grêmio aparentemente vai livrar a cara dos dirigentes e eliminar o Glória. Ubiratan Leal Imagem: Pelé.net e Léo Corrêa/O Dia Posted by ubiraleal at 03:05 AM março 08, 2004 Aumentar os ingressos é um contra-senso
Acompanhe o raciocínio. Os clubes de futebol aumentam o preço dos ingressos. Dos atuais R$ 10 (atuais para quem não é de São Paulo, onde já se paga R$ 20) para R$ 30 ou 40 por torcedor. Eventualmente pode-se fazer alguma promoção. Com isso, reduz-se a quantidade de torcedores uniformizados pobres e os estádios ficam cheios de torcedores de classe média e alta, mais pacíficos e consumistas. As rendas dos jogos aumentam e os clubes ficam com mais dinheiro. É simples, mas de uma falta de profundidade atroz. O princípio dessa sucessão de acontecimentos não se sustenta. É baseada no modelo inglês, mas simplificada até não fazer mais sentido algum. O pior é que já há uma movimentação grande para que o aumento de preço nos ingressos de futebol seja implementado. No Campeonato Paulista, o valor mínimo passou para R$ 20, mas as organizadas boicotaram as partidas e o Ministério Público investiga se tal aumento não seria abusivo. Mesmo assim, isso não deve parar. Para o Campeonato Brasileiro, os torcedores terão de pagar ao menos R$ 15 para acompanhar seus times de perto. Está no regulamento. Antes de qualquer consideração conceitual, é importante lembrar dois pontos ignorados por dirigentes e marqueteiros. Considerar pobre todo torcedor organizado é bobagem. Uma grande quantidade de associados dessas agremiações é integrante da classe média e está dentro do mercado A e B que, em tese, poderia pagar R$ 30 por jogo. “Em tese” porque os defensores dessa medida parecem ignorar que a classe média brasileira está apertada. Para levar a mulher e um filho – ou deixar a mulher em casa e levar dois rebentos – ao estádio, um pai de família gastaria R$ 90 por jogo apenas em ingressos. Considerando que um clube atua em casa uma vez por semana, ir ao estádio em todas as partidas representaria uma despesa mensal de R$ 360. Se incluirmos na conta o gasto em transporte (e ninguém pode desprezar o custo da gasolina hoje), estacionamento e alimentação, os valores pulam para cerca de R$ 500 ao mês. É muito dinheiro para uma família típica da classe média brasileira que, para manter os filhos no colégio particular, já cancelou a assinatura da TV a cabo, abandonou os planos de comprar uma casa na praia (ou no interior, dependendo de onde for essa família imaginária) e tirou a criançada do curso de inglês. Ou seja, cobrar R$ 30 por ingresso é tornar o estádio de futebol um lugar para passeios esporádicos de famílias de classe média (ocasiões especiais como a comemoração do aniversário do filho fanático) e contar apenas com a assiduidade da camada mais abastada financeiramente da população. O ingresso-família poderia até ajudar, mas não se pode perder de vista que parte dos “torcedores comuns” vai sozinha ou com amigos ao estádio. E, com ingressos a R$ 30, a despesa mensal seria de R$ 200, um montante razoável. O mais engraçado é ouvir os defensores da política de preços altos afirmarem que o futebol não pode custar menos que o teatro. Provavelmente essas pessoas só vão ao teatro (se é que vão) em óperas ou outras produções elaboradas e caras, pois a maioria das peças é de graça ou tem ingressos por valores em torno de R$ 10 e 15. Sem contar que o princípio da comparação é pouco inteligente. Em geral, uma pessoa vê apenas uma vez cada peça. Assim, o teatro até poderia cobrar ingressos mais caro, pois seu público só fará aquele desembolso uma vez. Mesmo que ele vá ver outras produções, dá uma média de duas peças caras por mês. Um clube de futebol não pode depender de espectadores bissextos. No esporte em geral, o importante é levar o torcedor à arquibancada todo jogo. Por fim, vale dizer que encarecer a entrada do futebol é tentar combater a lei da oferta e da procura. Não há procura por ingressos no Brasil – é só olhar os vazios nas arquibancadas – e a lógica econômica seria reduzir o preço ou melhorar o serviço para tornar esse “produto” mais atrativo comercialmente. O Estatuto do Torcedor melhorou bastante as condições dos estádios, mas ainda não é suficiente para valer um aumento de preços. Na realidade, o ingresso até está caro. As pessoas que vão ao estádio com freqüência sabem o quanto R$ 10 ou 15 por jogo (mais estacionamento, gasolina ou ônibus e alimentação) pesam no final do mês. Ubiratan Leal Imagem: A Notícia Posted by ubiraleal at 08:54 AM fevereiro 27, 2004 A uniformizada só representa a si mesma
As torcidas organizadas, pelo menos a dos grandes, nunca tiveram legitimidade como representantes dos simpatizantes de seus clubes. Ainda assim, há muitos torcedores que vêem alguma ligação entre entidade esportiva e o pessoal da arquibancada. Mas, na última semana, a Mancha (Alvi)Verde, do Palmeiras, resolveu escancarar suas intenções. A bem da verdade, não muito diferentes das torcidas organizadas de outros grandes clubes. Tudo por causa da pouco inteligente decisão da Federação Paulista de aumentar o preço dos ingressos para R$ 20 (tema que trataremos na próxima semana). Medida, inclusive, cuja legalidade é analisada pelo Ministério Público. Pressionada pelas organizadas, a entidade resolveu negociar. Para pagar apenas R$ 10, os “uniformizados” teriam de passar o cadastro de seus associados para a polícia. Apenas a Mancha aceitou. Antes de tudo, o acordo tem sérias questões jurídicas por resolver. Afinal, não estamos mais nos anos 70, quando qualquer cidadão podia ser fichado na polícia sem sua autorização ou em troca de algum benefício? O mais estranho são autoridades públicas incentivarem essa medida. Além disso, o assunto levanta outras questões mais antigas: o papel das torcidas organizadas para o espetáculo. Acusadas (com razão) de incitação e promoção de violência, essas agremiações teriam um papel que ignoram solenemente, que é de promover o esporte, unir a torcida e trazer beleza ao produto futebol. Até hoje, torcedores “comuns” se perguntam se os “uniformizados” representam a si próprios ou ao time para o qual torcem, fato motivado por gritos de guerra que não mais são estímulo ao time, mas sim, um exercício de glorificação da própria torcida. Do outro lado, “organizados” tendem a pensar que são melhores torcedores do que os “comuns”, que acompanham mais o time, que são mais dedicados e outras coisas. Não faz sentido, pois, no máximo, vão em grupos maiores. Até porque não há nada que afirme que o fato de alguém ser membro de torcida organizada sirva como atestado de amor pelo time. A partir de agora, será que esta torcida tem moral para questionar atitudes da federação ou do atual presidente do Palmeiras? Em tese, o torcedor deveria se preocupar apenas em apoiar a equipe, não em tirar vantagens de situações. Para o Palmeiras, em tese, seria melhor que todos os torcedores tivessem de pagar apenas R$ 10. Por essa medida as organizadas não brigaram. Pensaram apenas nos próprio benefícios, não vendo a torcida (soma de “uniformizados” com “comuns”) como uma coisa só. Vale lembrar que a Mancha (Alvi)Verde se absteve durante os protestos contra a reeleição de Mustafá Contursi. A preocupação não é com o Palmeiras, mas com a Mancha. Claro, a Mancha ficou mais exposta, mas não é o caso único. Muitos corintianos, por exemplo, não se vêem na Gaviões da Fiel e não se importaram muito com o rebaixamento da escola de samba mantida pela uniformizada. O curioso é que a Mancha estava em um bom momento perante parte da torcida palmeirense, tudo resultado ainda da empolgação pós-título da Série B. George Bandi Imagem: Pelé.net Posted by ubiraleal at 12:14 PM fevereiro 11, 2004 Até onde pode ir esse Palmeiras?
Depois de metade do último clássico entre Santos e Palmeiras, o placar do Morumbi mostrava o renascimento verde: 2x0, que só não eram 3 porque Vágner perdera um pênalti. Mesmo com a reação santista, o empate contra o vice-campeão brasileiro mostrou que o alviverde não era mais um time de Segunda Divisão e tinha força para encarar os grandes times do país. Pensamento reforçado com o desempenho da equipe nos demais jogos de 2004. Mas é possível já tirar alguma conclusão? Ainda não se pode falar em nada definitivo. Afinal, o Palmeiras encontrou apenas um adversário forte: o Santos. O Guarani está claramente sem um norte nessa temporada e os demais – Paulista, Marília e Ituano – não servem de parâmetro por serem integrantes da Série B nacional, a mesma que foi vencida com folga pelos verdes. A Tuna Luso, então, milita na esquecida e abandonada Série C. Então, o clássico de 1º de fevereiro foi o único jogo em que se pôde efetivamente medir o poderio palestrino. E uma partida isolada – independente de qual seja – pode induzir a erros de avaliação. O que também não quer dizer que o Palmeiras ainda tem de provar que pode encarar os adversários da Série A. Os resultados até agora não são conclusivos, mas é um erro infantil descartá-los sumariamente. Talvez a equipe do bairro de Sumaré seja, até a metade de fevereiro, a mais equilibrada e consistente do Brasil. Em um país em que o planejamento está longe de ser lugar-comum no futebol, a base montada dá uma vantagem respeitável aos alviverdes. Tudo porque a estrutura do time do ano passado ficou intacta. Marcos é o melhor goleiro em atividade no Brasil. A defesa não é das melhores, mas poucos clubes brasileiros podem se orgulhar de seus zagueiros. Os laterais Baiano e Lúcio são bons, sobretudo nas funções ofensivas. O volante Marcinho é muito eficiente no desarme e Magrão faz o papel de líder em campo. Na frente, Diego Souza não compromete na armação e Vágner mostrou potencial para ser um grande atacante. Tudo muito bem ajeitado por Jair Picerni durante a campanha na Série B.
Nada mal. Mas poderia ser melhor. O time é muito jovem e afoito. Assim, é dominador quando tem o contra-ataque à disposição, pois os laterais, Diego Souza e os dois atacantes são extremamente velozes. No entanto, quando é necessário tocar a bola, cadenciar, perfurar uma defesa fechada, segurar o resultado ou adotar qualquer outra mudança na estratégia de jogo, o Palmeiras se perde. Se recuperar a forma, Pedrinho pode ser útil no toque de bola do meio-campo. Um atacante mais plantado (já que o reserva imediato de Vágner é Muñoz, outro corredor) e fisicamente forte também poderia dar mais variação ao jogo alviverde. Por fim, um zagueiro central mais confiável para fazer companhia a Daniel daria mais tranqüilidade a Marcos. Como, além dessas posições estratégicas, o Palmeiras também carece de um banco de reserva mais abastecido (principalmente para os meias e atacantes), não dá para projetar um sucesso estrondoso em um torneio longo como um Brasileirão de 46 rodadas. No máximo, é possível torcer por boas campanhas no Paulista e na Copa do Brasil. Afinal, boa parte dos times da Primeira Divisão de 2003 conseguiu se desarrumar mais ainda na pré-temporada, o que deixou o Palmeiras no mesmo nível de quase todos eles. Talvez só Cruzeiro, Santos e, em menor escala, São Paulo estejam melhores que os palestrinos hoje. Em alguns meses, outros também podem ficar à frente dos alviverdes, como São Caetano, Internacional e Atlético-MG. No mais, o Palmeiras tem condições de fazer uma boa temporada na Série A, brigando por posições no segundo pelotão e enfrentando sem medo os líderes. Se ganhar alguns reforços pontuais, pode lutar pelas últimas vagas para a Libertadores. Título ainda é exagero. *
O Corinthians precisa definir logo o que quer fazer em 2004. Teve os 3 últimos meses de 2003 para isso e parece que não adiantou. Se for para demitir Juninho, que se faça isso logo, enquanto a Copa do Brasil ainda não terminou para o clube e o Campeonato Brasileiro está distante. Se a idéia for manter Juninho, que se garanta a estabilidade do trabalho dele, com o fim de declarações desconfortáveis para a imprensa e pressões nos corredores do Parque São Jorge. *
Será que é muito difícil tirar o Júnior Baiano do time titular do Flamengo e dar mais tempo para ele recuperar a forma? Ubiratan Leal Imagens: Marcelo Ferrelli/Gazeta Esportiva e Santos Posted by ubiraleal at 12:16 AM fevereiro 04, 2004 A Copa do Brasil não tem mais identidade
A Copa do Brasil – cuja edição 2004 começa hoje – é um dos torneios mais interessantes do nosso futebol. Não apenas por suprir a carência de mata-matas resultante do campeonato nacional de pontos corridos, mas também pelo fato de juntar grandes, médios, pequenos e minúsculos. O pior é que, mesmo com esses atrativos, a Copa do Brasil está desfigurada, não se sabe mais que ela é. O torneio foi criado pelo recém-eleito Ricardo Teixeira como compensação às federações de Estados menos representativos pelo enxugamento do Campeonato Brasileiro. Foi uma medida política, mas com um resultado bom. Eram apenas 32 participantes, compostos pelos campeões estaduais e os 10 vices de Estados mais importantes (naquela época não existiam os Estaduais de Rondônia, Roraima, Amapá, Tocantins e Acre). Manter os 32 times realmente seria exagerado. Com a criação de 5 novos Estaduais, seria um torneio para o campeão de cada Estado e apenas 5 vices. Nisso, os 64 clubes atuais até podem fazer algum sentido. O problema é a dúvida filosófica que ronda em torno da competição. A CBF tem de definir se a Copa do Brasil continuará tendo como base para sua classificação os Estaduais ou se vai abrir mais.
Hoje, há um meio-termo bastante esquisito. Um ranking da CBF define uma parte dos participantes a as federações (pelos campeonatos Estaduais ou por seletivas) apontam outros. Muito estranho e pouco convincente. No fundo, fica a sensação de que são desculpas técnicas para convidar quem os dirigentes acham interessantes. Pelo Estatuto do Torcedor, é obrigatório haver um critério técnico para a escolha dos participantes de uma competição no país. Por tradição (que nos remeteria à antiga Taça Brasil), ter a definição pelos Estaduais seria a melhor alternativa. É um método claro para o torcedor e, além de tudo, valorizaria um pouco os semi-abandonados (quando não completamente abandonados) Estaduais. Se for assim, o ideal seria fazer como os europeus com a Copa da Uefa. Dá um peso para cada federação de acordo com o desempenho dos clubes nos últimos anos e define as vagas pelo Estadual. Por exemplo, São Paulo teria 6 vagas, seguido por Rio de Janeiro (5), Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Paraná (4), Bahia, Santa Catarina, Pernambuco, Pará, Ceará e Goiás (3), Distrito Federal, Paraíba, Rio Grande do Norte, Alagoas, Sergipe e Amazonas (2), e os demais (1). Essa relação poderia mudar a cada ano de acordo com o desempenho dos times.
Outra opção é adotar o modelo europeu. A Copa nacional tem a função de unificar o futebol do país, levá-lo aos locais mais improváveis. Assim, torneios com mais de 100 ou 200 clubes são comuns. É uma idéia interessante e que teria sucesso no Brasil se adotada com cuidado. O regulamento deve impedir que isso se torne uma bagunça generalizada. Os clubes minúsculos entrariam em fases preliminares para evitar jogos inúteis entre os grandes e clubes que estariam na quarta divisão se essa existisse. Para dar mais emoção, países como França e Espanha adotam o mata-mata em jogos de ida até as quartas-de-final. O mando de campo é sempre do clube de divisão mais baixa (no caso de jogos entre times da mesma categoria, o mando é definido por sorteio). Assim, a chance de o São Paulo ser desclassificado pelo Botafogo-PB seria muito maior, já que não haveria partida no Morumbi. Mas enquanto não se descobre se a Copa do Brasil tem como base os Estaduais ou se engloba times de todos os rincões do país, a saída é acompanhar o que temos para esse ano. Novamente, em um equívoco cretino de quem organiza o calendário brasileiro, os clubes classificados para a Libertadores estão de fora. E a ausência de Cruzeiro, Santos, São Paulo, São Caetano e Coritiba serão sentidas.
A Copa do Brasil 2004 se caracteriza por apresentar vários clubes incomuns para competições nacionais. Com o Coritiba de fora e as más campanhas de Atlético e Paraná no Estadual de 2003, o Paraná é representado por Paranavaí (foto), Londrina e Prudentópolis. São Paulo terá Corinthians, Palmeiras, Portuguesa Santista, Santo André, Guarani e União Barbarense. Nada de Ponte Preta e Portuguesa. Minas Gerais, além do eterno Atlético e do América, terá o Uberlândia e o Tupi de Juiz de Fora. O Bahia também ficou de fora, dando espaço para Vitória (claro) e Catuense. É difícil fazer um prognóstico ou qualquer coisa mais analítica com tantos clubes desconhecidos. Seria leviano ou preconceituoso julgar equipes sem ao menos, conhecer um pouco o trabalho feito por lá. Pelo que se sabe, dá para destacar confrontos como Caxias-SC x Fluminense-RJ, CRB-AL x Flamengo-RJ e Botafogo-PB x Corinthians por existir uma pequena possibilidade de surpresas. Os demais grandes como Botafogo-RJ (pega o Maranhão), Palmeiras (Tuna Luso-PA), Vasco (Flamengo-PI), Grêmio (Chapadão), Atlético-MG (Catuense) e Internacional (Confiança), devem passar nessa primeira fase. Outros jogos que, em teoria, parecem interessantes pelo equilíbrio e por colocar à prova alguns clubes. Como Londrina-PR x América-RJ e ASA-AL x Brasiliense-DF (as duas surpresas da Copa do Brasil de 2002). Mas é justamente essa função da Copa do Brasil, confundir (no bom sentido) o torcedor, trazendo novas caras e derrubando favoritos. Pena que esse tipo de confusão tenha contaminado a forma de definição dos participantes. Esse aspecto deveria ser bastante previsível.
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Outra medida que melhoraria a Copa do Brasil é realizar todos o sjogos de uma fase na mesma semana. Por exemplo, nesse meio de semana poderiam ser todos os jogos de ida da primeira fase. Em duas semanas poderiam ser todas as partidas de volta. Mas não. De acordo com a tabela da CBF, a primeira fase ocupará 3 datas. Em 4 de fevereiro serão realizadas 20 partidas (todas de ida). Em 17/18 outras 32 (sendo 20 de volta e 12 de ida). E em 3/4 de março ocorrerão as outras 12 partidas de volta. Uma data foi desperdiçada e o calendário apertado do nosso futebol não pode se dar a esse luxo. *
Vejam os confrontos da Copa do Brasil. Abaixo vai de forma que você possa montar sua tabela. O vencedor do primeiro jogo pega o vencedor do segundo. Quem passar pega o ganhador do confronto entre os classificados do 3º e do 4º jogo. E assim por diante. Tuna Luso-PA x Palmeiras-SP Ubiratan Leal Imagens: A Notícia, NotíciasNet, O Diário, Butuca Ligada e Paranavaí site não -oficial Posted by ubiraleal at 01:08 AM janeiro 28, 2004 Ainda não é hora de acabar com os Estaduais
Excetuando o Rio Grande do Sul, todos os demais campeonatos estaduais importantes do Brasil já começaram. E volta a discussão sobre a permanência ou não desse tipo de torneio, se os regionais deveriam substitui-los ou se o Brasileirão mesmo deveria ser mais espaçoso. Quando o nível do debate é bom, sobram argumentos válidos para todos os lados e a conclusão se torna pessoal. Um dos problemas não abordado nessas discussões é o papel secundário dos Estaduais. O importante nos estaduais de hoje é permitir que um clube pequeno tenha a possibilidade de crescer. Afinal, contar com a confusa Série C para ascender é ridículo. Para os pequenos (incluindo seus torcedores), é importante não perder a referência do grande, jogar partidas oficiais contra esses clubes e mostrar serviço. Além disso, os Estaduais permitem que um futebol pretensamente profissional chegue diversos cantos do país. Claro, partindo do princípio que lugar de time grande é em seu estádio. Alugar o mando de campo para outras cidades vai contra qualquer suspiro de administração séria que se pode implementar em um clube. Assim, as cidades longe dos principais centros teria de contar com suas equipes para ver futebol de perto. Pode parecer picuinha, mas pergunte a um torcedor de time pequeno como ele se sentiria se soubesse que seu clube provavelmente nunca mais jogará com um grande. Essa pessoas não podem ficar de fora dos debates simplesmente por escolherem uma equipe com pouco destaque.
É claro que boa parte dos pequenos é mantida por empresários com pouco compromisso esportivo. Esses, no fundo, já estão condenados em médio prazo. Ainda assim, o futebol brasileiro tem de contar com algum mecanismo que possibilite que os poucos que fazem trabalhos sérios possam ascender. O Estadual não é a melhor opção, mas ajuda um pouco. Por isso, antes de extinguir com os Estaduais, deve-se criar uma estrutura mais sólida para os pequenos, com Série C e D divididas regionalmente e com jogos em todo o ano. Terminar os Estaduais antes disso pode causar um genocídio de clubes pequenos. Isso já está acontecendo, pois os Estaduais estão apequenados, os regionais foram extintos antes que pudessem dar resultados mais duradouros e as competições nacionais ignoram os clubes menores. Algo precisa ser feito. Talvez nem seja a continuidade dos Estaduais. Mas o que não se pode perder de vista é que a extinção desses campeonatos está ligada a um projeto de calendário do futebol brasileiro. E de se definir o que fazer com os times pequenos desse país. *
Alguns podem pensar que, nos Estados Unidos, as ligas profissionais são restritas a algumas cidades, sinal de um modelo que privilegia apenas os grandes e deixa de lado as pequens cidades. Mas não é verdade. Apesar de não haver rebaixamento e promoção, cada esporte norte-americano conta com várias ligas profissionais, cada uma com um nível de qualidade. Assim, o torcedor de centros menores pode contar com equipes profissionais, sim. Isso sem falar nas populares ligas universitárias. Há esporte para todos nos Estados Unidos, mesmo adotando um modelo completamente inexeqüível o Brasil. *
Perder do Paraguai é relativamente normal e esperado. Anormal é achar que, depois de tantas derrotas, o Brasil ganhará quando e como bem entender dos guaranis. Como já foi dito aqui. *
A Federação Gaúcha conseguiu piorar o regulamento do Gauchão de 2003. Parece querer garantir o bicampeonato do Prêmio Balípodo para os Melhores do Ano. Ubiratan Leal Imagens: Daniel Augusto Jr./Corinthians e Vasco Posted by ubiraleal at 12:54 AM janeiro 19, 2004 Pouca gente acertou nas contratações
Depois de uma temporada em que toda a falta planejamento foi exposta, pseudo-elencos não se salvaram psicologicamente com enganadores avanços de fase e o melhor (quem diria?) foi premiado, era de se esperar que os principais clubes brasileiros aprendessem algo para 2004. Ou, para não ser muito exigente, que parte o fizesse. Mas, com alguns estaduais já em andamento e outros prestes a começar, vê-se que pouca coisa mudou, já que a regra continua sendo contratações precipitadas e políticas pouco convincentes. Pensando bem, o cenário é ainda pior, pois os poucos que adotaram uma estratégia inteligente no mercado de começo de ano foram justamente os que planejaram bem em 2003. Portanto, não é descartada a hipótese de o Brasileirão 2004 (os Estaduais são competições curtas e simultâneas com Libertadores e Copa do Brasil, dando mais espaço para surpresas) ter um desenho parecido com o do ano passado. Aliás, pelo cenário de hoje, é provável que isso aconteça. Antes de analisar alguns casos mais interessantes, vamos imaginar o que seria uma boa estratégia entre temporadas. Antes de tudo, o clube deve assegurar que só montará um elenco dentro das possibilidades financeiras, isso não merece nem explicações a mais de tão óbvio que é. Sempre com isso em mente, a diretoria e a comissão técnica devem visualizar o que seria um grupo adequado para atingir o objetivo traçado (dependendo do time, a meta pode ser escapar do rebaixamento).
A não ser em casos especiais, imagina-se que um elenco completo seria formado por 11 titulares homogêneos, com alguns jogadores um pouco acima da média para dar a estrutura à equipe. No banco, é recomendável pelo menos 5 reservas em condições de entrar a qualquer momento e outros que, se entrarem em campo, não provoquem uma queda acentuada no desempenho do time todo. Se a temporada anterior foi feliz, a estratégia pode se basear em manter a maior parte do elenco e buscar apenas reforços pontuais ou para deixar o banco de reservas mais abastecido. Como os clubes não esbanjam dinheiro, nem sempre seguir todos os passos acima é possível, o que é perdoável em curto prazo (em longo prazo, deve ser feito algo para aumentar as receitas, mas isso é outro assunto). O problema é que alguns clubes não chegaram nem perto disso. Pior, alguns pareceram fazer exatamente o contrário sem apresentar argumentos válidos para isso. Um caso muito claro é o do Corinthians. O alvinegro pareceu priorizar a quantidade, com 13 contratados até agora. Porém, a atuação do clube no mercado foi pouco criteriosa e a reação da torcida deveria ser de espera, no máximo. Além de contratar jogadores de qualidade duvidosa (e que nem ficam no grupo de revelações, pois já são experientes), houve uma superpopulação em algumas posições, enquanto outras continuam no vácuo. Assim, de nada adiantará contar com Gil, Régis, Samir, Marcelo Ramos, Dinélson, Rodrigo, Rafael Silva, Jô, Bobô, Abuda, Wilson, Adrianinho e Renato no setor ofensivo se a defesa continua dependendo dos instáveis Ânderson e Marquinhos ou Váldson. O único alívio para o corintiano é que a diretoria diz estar protegida de um eventual êxodo no meio do ano. Outra torcida relativamente eufórica sem tantos motivos é a do Palmeiras. O time-base de hoje (Marcos; Baiano, Daniel, Leonardo e Lúcio; Marcinho Magrão, Élson e Diego Souza; Vagner Love e Edmílson) é o mesmo que levou os verdes ao título folgado na Série B. Mas deve ficar bem claro que, na elite, esse grupo pode, no máximo, lutar por posições intermediárias. Para piorar, a diretoria não mostra a menor disposição em investir, pois considera – como parte da torcida – que essa equipe pode brigar pelo título brasileiro. Pior, como São Paulo, Santos e São Caetano estarão envolvidos na Libertadores, provavelmente um bom resultado no Campeonato Paulista não deve servir de parâmetro (isso vale também para o Corinthians, especialista em se iludir com a campanha no estadual).
O São Paulo foi um dos poucos clubes que realmente mudou de tática. Inclusive, o tricolor foi contra uma tendência histórica e preteriu jogadores de nome, trauma da desafortunada passagem de Ricardinho pelo Morumbi. A filosofia é apostar em revelações já avalizadas pelo novo treinador Cuca, outra aposta em revelação. Pelo menos no papel, o time são-paulino é equilibrado, sem esquecer as referências de Luís Fabiano e Rogério Ceni. Pode dar certo. Do Santos há pouco a se falar. A melhor coisa que a diretoria do peixe poderia fazer era manter o elenco do ano passado. Perdeu Fábio Costa para o Corinthians, o que deve ser considerado como um ponto negativo. Mas ganhou na lateral-direita, com a chegada de Paulo César (ex-Fluminense e Paris Saint-Germain) no lugar de Reginaldo Araújo. Para completar os paulistas, o São Caetano, novamente, saiu fortalecido com as chegadas de Gilberto, Ânderson Lima e Edu Sales, além da permanência de Tite e Marcinho. Mas quem melhor trabalhou nesse período de férias foi o Cruzeiro. De novo. No fundo, apenas o ataque mudou, coma saída de Aristizábal, Mota e Márcio nobre para a entrada de Rivaldo e Guilherme. A contratação do segundo é duvidosa do ponto de vista técnico, pois faz tempo que Guilherme não é o artilheiro quase infalível de sua primeira passagem pelo Atlético-MG. Mas a chegada de Rivaldo compensa. Com Vanderlei Luxemburgo no banco, provavelmente o meia-atacante terá uma função tática que facilite seu jogo.
Sem o dinheiro dos cruzeirenses, o Atlético-MG apostou certo: buscou o técnico Bonamigo (foto) no Coritiba e trouxe jogadores medianos, mas capazes de formarem um grupo relativamente competitivo. Mas a torcida do galo pode sofrer um pouco com o período de montagem desse time. Talvez o preço seja campanhas discretas no Estadual e na Copa do Brasil. Concluindo o quinteto de brasileiros na Libertadores, o Coritiba se mostrou pouco ousado. Para uma equipe que disputará a principal competição do continente, limitar as contratações de peso a Aristizábal e Luís Mário é pouco. Os outros recém-chegados (como Reginaldo Araújo, Josafá, Capixaba e Éder) são capazes de, na melhor das hipóteses, manter o coxa no mesmo nível de 2003, o que é bom, mas longe do suficiente. Para piorar as perspectivas alviverdes, o treinador mudou. Bonamigo, maior responsável pelas boas campanhas do time nos últimos anos, foi substituído por Antônio Lopes, um técnico que dificilmente trará alguma novidade ao Alto da Glória. Muito menos uma solução para resolver a falta de jogador no meio-campo do time. O maior rival do coxa teve uma atitude semelhante á do Corinthians. O Atlético-PR também comprou 13 jogadores. Mas os rubro-negros tiveram mais critério que os corintianos. Muitos dos recém-chegados devem reforçar o banco de reservas, enquanto os demais têm nível técnico dentro das expectativas da torcida atleticana. Ainda assim, está longe de ser a equipe campeã brasileira. O Paraná não teve tanto sucesso e se desfez de boa parte do time que fez boa campanha no Brasileirão 2003. Como os resultados do ano passado também não eram planejados, a esperança é que esse ano ocorra o mesmo. Mas parece improvável.
No Rio Grande do Sul, o Grêmio teve algumas melhoras, como o bom goleiro paraguaio Tavarelli e o sumido Fábio Pinto (foto), que, nas categorias menores, mostrava talento. Em teoria, o time titular do tricolor gaúcho é razoável. Mas o grande problema não está no gramado do Olímpico, mas nos vestiários e na sala de administração. Manter Adílson Batista foi um importante passo para resolver o problema interno no grupo. O resto depende da diretoria. O Internacional tem méritos parecidos com o do Santos, o de sobreviver a dezembro e janeiro sem vender seus principais jovens. O único problema do colorado é de não ter jogadores mais experientes que comandem a garotada. Talvez Oséas chegue, mas o atacante terá mais importância na conclusão de jogadas do que no comando do grupo. E mesmo do ponto de vista técnico-tático essa contratação não parece ser das melhores. Para terminar, o Rio de Janeiro. Os cariocas ficaram para o final justamente por serem os clubes que menos acertaram a mão nesse período de férias, o que já deixou de ser novidade há muitos anos. Um sinal disso é que o clube mais discreto – o Botafogo – foi o que mais acertou. Manteve praticamente todo o time vice-campeão da Série B, substituindo Leandrão pelo competente Alex Alves (ex-Portuguesa e Juventus). O maior mérito alvinegro foi o de resistir a tentações e manter um elenco dentro das possibilidades financeiras do clube, algo raro no futebol do Rio de Janeiro.
Talvez o Botafogo pague um preço por gastar o que ganha. Coisa que o Fluminense não se dispôs a fazer. O tricolor foi o carioca que mais investiu e, por isso, sai como favorito ao Estadual. Se Edmundo, Romário, Ramón, André Luiz e Rodolfo estiverem em boa fase, o Flu tem uma base melhor que a dos rivais locais. Porém, isso não quer dizer que o time das Laranjeiras foi o mais bem sucedido dos cariocas. É justamente o contrário. Um elenco desse pode até ter bons resultados para consumo imediato (o Estadual), mas está fora das possibilidades financeiras do clube, por mais que investidores ajudem a pagar os salários mais vultosos. É insistir em uma política que há anos dá errado no futebol brasileiro e que pode levar o tricolor novamente ao fundo da tabela no campeonato nacional. O atual campeão do Rio, o Vasco, deve ter um período meio “sabático” após a saída de mais de 16 jogadores. Provavelmente Geninho levará um tempo para dar padrão a uma equipe com muitos jovens como Cadu, Claudemir e Rodrigo Souto, e veteranos com pouco a acrescentar como Beto, Donizetti e Valdir. A esperança é a segurança de Fábio no gol e os lampejos de Marcelinho Carioca. Por fim, o Flamengo de diretoria nova, mas de (poucas) expectativas já antigas. O maior destaque foi a volta de Júnior Baiano, que deve ser insossa do ponto de vista técnico. O restante do time tem característica semelhante ao de 2003, com vários garotos, Júlio César e Felipe. É o que o Flamengo de hoje pode fazer, algo muito longe do tanto que vem prometendo Márcio Braga. Claro que ainda há tempo de corrigir os equívocos de pré-temporada. Os campeonatos estaduais, se forem usados como um meio no processo de preparação, não como um fim, permitem uma análise adequada do potencial de cada elenco para que correções sejam feitas antes do Brasileirão. De qualquer forma, é importante lembrar que os melhores times do Campeonato Brasileiro de 2003 já estavam com a base formada no Estadual. *
Antes que os nordestinos se revoltem, nós não nos esquecemos dos clubes baianos e pernambucanos. Só deixamos de lado para falar com mais destaque em breve. *
Por que a Força Sindical tem um time de futebol profissional? Será que seus associados (os trabalhadores) não prefeririam que esses recursos fossem direcionados a projetos ou ações que tivessem relação com o movimento sindical/trabalhista? Ainda mais um clube que paga bonificação para a equipe júnior por ter passado de fase na Copa São Paulo. *
Para piorar, a Folha de São Paulo mostrou que a camisa dos jogadores do Força divulgam o nome de Paulinho, presidente da entidade e pré-candidato do PDT para a prefeitura da capital paulista. Essa medida fere a lei eleitoral. Para quem não é de São Paulo, Paulinho foi o vice da chapa de Ciro Gomes à presidência em 2002. *
Dos seis quadrifinalistas (bizarrice criada pela Federação Paulista) da Copa São Paulo, cinco são paulistas (São Paulo, Palmeiras, Corinthians, Santos e Rio Branco). Apenas o Coritiba defende o resto do Brasil. Esse domínio já se mostrava na fase anterior, com 8 bandeirantes (os citados mais Portuguesa, Santo André e Força) e 2 de outros estados (o coxa e o Flamengo). Pode parecer um sinal de uma suposta supremacia dos paulistas nas categorias menores, uma mostra de que os clubes do estado mais rico do país estão mais organizados nesse aspecto. Não é verdade. Isso é apenas uma conseqüência de um regulamento que favorece as equipes de São Paulo, colocando um número desproporcional de equipes bandeirantes, dando mais espaço para equipes de aluguel, tirando espaço de equipes fortes de outros estados e escolhendo sedes que acabam por eliminar, um a um, os times do resto do Brasil. Ubiratan Leal Imagens: César Trópia/Cruzeiro, Paraná On Line, Rubens Chiri/São Paulo, Atlético-MG, Grêmio e Fluminense Posted by ubiraleal at 10:52 PM janeiro 11, 2004 A Copa São Paulo poderia ser legal, mas...
A idéia é ótima. Em janeiro, quando praticamente todos os clubes brasileiros estão se preparando para a temporada, é organizado uma competição apenas com jogadores juniores. E não se trata um torneiozinho qualquer. É uma Copa que reúne os principais clubes do Brasil, utilizando uma fórmula rápida – como em uma Copa do Mundo – e fazendo da final um dos eventos mais tradicionais das comemorações de aniversário da cidade-sede. Mas a desorganização e a falta de vontade de fazer algo sério consegue ser mais forte e a Copa São Paulo de Juniores nunca é tão boa quando poderia. O pior de tudo isso é que muita gente defende a extinção da Copinha sempre que aparece algum problema como briga de torcidas ou a denúncia de jogadores co idade adulterada. É falta de boa vontade ou simplificação infantil das análises. Como se algo não está bom, deve ser extinto. Não é por aí, até porque a Copa São Paulo já provou – há anos, é bem verdade – que pode ser interessante e ter valor na revelação de jogadores. Mas, antes de tudo, é preciso que quem organiza a Copinha – a Federação Paulista de Futebol – tenha vontade política e desportiva de fazer algo sério. Hoje, a intenção é contentar dirigentes de clubes para lá de periféricos dando vagas como cidade-sede. Para piorar, a organização também é bastante amigável a empresários, permitindo que diversos times de aluguel sejam montados às vésperas da competição, sem critério técnico e sem que os resultados sejam conseqüência de um trabalho decente de um clube.
Assim, algumas equipes mostram bom futebol, mas não ficam inteiras até fevereiro. Ou o Roma (agora Grêmio) Barueri aproveitou o grupo que se tornou campeão da Copinha em 2001 (foto)? O inchaço sem critério dá mais espaço para clubes/empresários aventureiros e, pior, dá mais chances para o aparecimento de jogadores com, digamos eufemisticamente, “idade otimizada”. Talvez seja impossível acabar completamente com essas coisas, pois elas existem até no profissional e são, também, conseqüências da desorganização de todo o futebol brasileiro. Mas é possível diminuir o risco sem ter de criar uma máquina burocrática inoperável. Partindo do princípio – inexistente e utópico – de que alguém com poder de decisão quer tornar a Copa São Paulo uma competição séria para quem trabalha com o futebol e divertida para o público, é possível imaginar soluções simples e que poderiam melhorar bastante a realidade da Copinha. Antes de tudo, a Copa São Paulo tem de incorporar de verdade o papel simbólico que ela tem há anos, o de ser uma espécie de Copa do Brasil de Juniores. Afinal, como a CBF não organiza nenhum torneio e as outras copas organizadas durante o ano (como a Copa Belo Horizonte ou a Taça Cidade de Londrina) não têm projeção suficiente, a competição paulista é – ou deveria ser – a melhor referência dos trabalhos dos principais clubes nas categorias menores. Por isso, a organização da Copa São Paulo tem, forçando um pouco, o dever esportivamente moral de fazer algo sério e que realce essa vocação. Como o princípio é revelar jogadores, o primeiro passo seria definir um regulamento que favorecesse o aparecimento dos jogadores. Atualmente, muitos times ficam escondidos em alguns dos 20 grupos e nunca serão vistos. Ainda mais se for considerado que 75% das equipes (e dos jogadores) voltarão para casa com apenas três partidas disputadas.
Assim, o jogador precisa ter mais chance de aparecer, jogar mais. Uma forma de fazer isso é dividir a competição em grupos com 6 times cada. Assim, cada equipe disputa 5 partidas, dando mais oportunidade para os jogadores mostrarem suas virtudes e defeitos. A diminuição do número de grupos também é importante para evitar que clubes passem anônimos pelo Estado de São Paulo. Um bom número de participantes seria 48. Com isso, é possível montar 8 grupos de 6 times. Com os dois primeiros de cada grupo passando de fase, faz-se o mata-mata. É verdade que 48 clubes parece muito, mas não é se as vagas forem distribuídas de forma justa, sempre pensando que seria como uma “Copa do Brasil Sub-21”. As vagas seriam, por regulamento, dadas de acordo com o desempenho dos clubes em cada Estadual Sub-21. O Rio de Janeiro poderia levar os 4 primeiros colocados de seu torneio. Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Bahia e Paraná levariam mais três equipes. Pernambuco, Goiás e Santa Catarina teriam direito a duas vagas. Outros 18 Estados – Acre, Alagoas, Amapá, Amazonas, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraíba, Piauí, Rio Grande do Norte, Rondônia, Roraima, Sergipe e Tocantins – levariam seu campeão. Somados, já foram 40 clubes. Os outros 8 seriam definidos pelo Campeonato Paulista da categoria. Essa supremacia numérica dos paulistas não se daria por uma eventual superioridade do Estado, mas apenas porque é a sede do evento. Esse modelo poderia tirar espaço de grandes clubes, mas valorizaria não só a Copa São Paulo, mas também os hoje esquecidos Estaduais Sub-21 e os trabalhos de médio/longo prazo, evitando times montados por empresários um mês antes do torneio.
Claro que seriam necessárias algumas adaptações. As cidades-sedes seriam definidas, em primeiro momento, pelos clubes paulistas classificados. Se fôssemos usar o Paulista Sub-21 de 2003 como exemplo, os times do Estado seriam Internacional, Paulista, São Paulo, Santos, Guarani, Ponte Preta, XV de Piracicaba e Corinthians. Assim, Limeira, Jundiaí, Campinas e Piracicaba receberiam jogos. São Paulo, Santos e Corinthians poderiam ser deslocados para outras cidades na primeira fase, pois atraem público por si só. Como haveria rodadas triplas, cada chave poderia ter uma subsede. Outra adequação é no calendário, já que seriam necessárias 9 datas, ao invés das 8 atuais. Em último caso, pode-se classificar o primeiro colocado de cada grupo apenas, acabando com as oitavas-de-final. Ou fazer uma rodada nos últimos dias de dezembro. É uma proposta. Outras deveriam surgir. O que não pode, na realidade, é deixar a Copinha, uma boa opção de lazer para os paulistas que gostam de futebol quando é bem organizada, como está, ao bel-prazer de dirigentes com muito pouco compromisso esportivo. *
Ainda não é possível fazer um balanço da Copa São Paulo, pois houve um desnível muito grande entre os times e entre um grupo e outro. Por isso, não dá para saber se o Flamengo teve mais dificuldades que o Santos por ter enfrentado adversários mais fortes ou porque o rubro-negro e mais fraco. *
Pela forma como terminou a temporada brasileira em 2003, era de se esperar que essa pré-temporada mostrasse evolução conceitual em muitos clubes. Até a primeira semana de janeiro, prevaleceu a insistência em idéias já testadas. Melhor para os poucos que ousaram um pouco. Falaremos mais disso em breve. Ubiratan Leal Imagens: Rubens Chiri/São Paulo, A Notícia e Luiz Bittar e Wander Roberto/Gazeta Esportiva Posted by ubiraleal at 11:53 PM janeiro 06, 2004 Os pontos corridos deram certo
As boas notícias de 2004 chegaram ainda no final de 2003. Afinal, o que mais dizer do fato de a CBF ter divulgado a estrutura básica do regulamento e a tabela do Brasileirão quatro meses antes do início do torneio? E, melhor, mantendo uma fórmula que se mostrou acertada e tendo a intenção de resolver um dos problemas detectados. Porque, apesar de vozes contrárias e de alguns problemas inegáveis, o Campeonato Brasileiro de pontos corridos foi bem-sucedido. Demorou 44 rodadas para boa parte dos torcedores e jornalistas entenderem, mas um campeonato nacional não se limita à disputa do título. A adoção de fases eliminatórias no final maquia essa realidade, exposta pelo turno e returno direto. Por isso, a análise parte do final da 44ª rodada, exatamente quando o Cruzeiro confirmou um justíssimo | |||||||||||