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maio 20, 2004 Troca de técnicos é saída natural Dirigente brasileiro não costuma ser muito paciente com o técnico de seu time em uma má fase. Os técnicos brasileiros não conseguem muito espaço em clubes estrangeiros, tendo mercado limitado ao Brasil e a poucos países periféricos. Como o número de equipes de futebol não cresce no país, é inevitável que um grupo reduzido de treinadores trabalhe em um número reduzido de clubes. Pensando nisso, não seria má idéia a criação de um sistema oficial de troca de técnicos. Pense bem: um time está descontente com seu treinador, mas sabe que é um profissional com projeção no mercado e que dificilmente terá um desempregado que o substitua à altura. Então, ao invés de despedi-lo e procurar por semanas um novo comandante (correndo os riscos naturais de ficar com um interino), seria inteligente oficializar a relação, oferecendo esse técnico para uma troca com clubes que também estão pensando em mudar de treinador.
Seria bom para os treinadores, pois os contratos com os clubes seriam mais respeitados (afinal, podem ser usados como instrumento de negociação) e as demissões seriam feitas de frente, sem conversas secretas, telefonemas escondidos ou medidas para forçar a saída do técnico. Por exemplo, se Santos e Cruzeiro tivessem negociado a troca de Luxemburgo por Leão, Marcelo Teixeira não teria a necessidade de desestabilizar o ambiente, enquanto que o trauma da queda de Luxemburgo na Toca da Raposa seria minimizado. Também acabariam as perguntas como “vai demitir o fulano, mas que treinador do mesmo nível está disponível no mercado?”. Todos os treinadores estariam disponíveis, desde que os clubes estivessem abertos a conversas. No aspecto técnico-tático, as diferenças não seriam grandes, pois muitos treinadores (principalmente aqueles “de sempre”) escalariam o time em um 4-4-2 tradicional ou tentariam um 3-5-2 que, na verdade, é um 5-3-2. Como já acontece hoje, mudaria apenas o discurso motivacional. No fundo, seria apenas oficializar o que mais ou menos já existe. Os clubes que não estão contentes com os técnicos “de sempre”, continuariam buscando novos revelações, como Cuca, Adílson Batista, Mauro Galvão e Ricardo Gomes. O regulamento do campeonato poderia até ser adaptado para incentivar essas medidas. Técnico que se demitir não pode treinar outro clube no mesmo torneio, bem como um time que dispensar seu comandante deverá arcar com a multa rescisória. No entanto, se houver trocas, não há multas, nem restrição ao trabalho em uma segunda equipe. Ubiratan Leal Imagens: Reinaldo Marques/Terra e César Trópia/Cruzeiro Obs.: Esse “artigo” é uma obra de crítica irônica e, portanto, não deve ser levado a sério. Ah, e como ninguém aqui tem talento para ler mãos, i-ching, tarô, búzios, mapa astral ou bola de cristal, qualquer semelhança com a vida real foi uma grande coincidência. Posted by ubiraleal at 03:08 AM maio 12, 2004 TV deve passar o verdadeiro Brasileirão Ninguém confirma oficialmente, mas já há se fala nos corredores da CBF, do STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) e das emissoras de televisão na possibilidade de transmissão ao vivo das seções do tribunal. A idéia é aproveitar o consenso de torcedores, imprensa e clubes de que o Campeonato Brasileiro cada vez menos é decidido no campo. Agora, a verdadeira final pode ser disputada na Justiça, e isso pode dar bastante audiência. “Imagine se um time assume a liderança do campeonato, mas, a algumas semanas do final, descobre-se que há alguma pendência e o clube pode perder 12 pontos na Justiça”, sugere um dos membros da comissão de estudos para a atração que, como todos os demais entrevistados, não quis ser identificado. “O julgamento pode ser mais importante que as últimas rodadas para confirmar o título dessa equipe.” Isso demonstra como o foco do futebol brasileiro está distorcido, com a Justiça esportiva sendo mais decisiva que os jogos. Mas os responsáveis pela idéia argumentam que seria apenas uma mostra da inventividade do brasileiro, sempre buscando formas criativas de tropicalizar as invenções do hemisfério norte. “Pegamos um limão e fizemos uma limonada”, disse com originalidade um dos responsáveis pelo planejamento de marketing do novo programa. A expectativa é grande. Para dar qualidade jornalística às transmissões, as emissoras já procuram advogados para trabalharem como comentaristas jurídicos. O comando deve ficar por conta dos segundos narradores de cada emissora, exceto nos julgamentos que envolverem jogadores de Corinthians, Flamengo e outros grandes, quando até Galvão Bueno e Luciano do Valle poderão ser designados para a transmissão. Os veículos impressos também tentarão se aproveitar. Já estão em fase de finalização três Guias Jurídicos do Campeonato Brasileiro, com a apresentação dos advogados e os integrantes do departamento jurídico de cada clube, com histórico de causas ganhas, nível de amizade com membros do tribunal e das federações e se seu filho assiste ao desenho do Scooby-Doo. Apesar de a imprensa já estar se preparando, ainda há alguns detalhes a serem acertados. O primeiro é fazer com que os horários dos julgamentos coincidam com os buracos nas grades de programação das emissoras. Outro, e mais importante, é definir quem deve ficar com o dinheiro dos direitos de transmissão. Em princípio, CBF, clubes e jogadores julgados dividirão o montante, porém, ainda não foi acordado o percentual que caberá a cada parte. O STJD daria apoio logístico e teria, em troca, a possibilidade de mostrar seu trabalho e se valorizar. Por ser uma instituição judiciária, não pode receber dinheiro por suas atividades. Ubiratan Leal Obs.: Essa “reportagem” é uma obra de ficção e, portanto, não deve ser levada a sério. Nenhuma das pessoas, empresas, entidades ou associações citadas no texto foi efetivamente entrevistada ou consultada. Ah, e como ninguém aqui tem talento para ler mãos, i-ching, tarô, búzios, mapa astral ou bola de cristal, qualquer semelhança com a vida real foi uma grande coincidência. Posted by ubiraleal at 03:18 AM março 24, 2004 O São Paulo quer respostas
Acabaram as desculpas para o São Paulo. Após a derrota para o São Caetano, a diretoria do clube já admite que o time está com um crônico problema de “amarelar” nas decisões. As velhas explicações – o adversário era mais forte, o time estava em uma jornada infeliz, azar ou o juiz prejudicou – não são mais aceitas, pois a repetição de insucessos já não pode ser mais considerada um acaso. Por isso, o clube contratou uma equipe de psicólogos para recuperar o espírito campeão dos jogadores. Cada um atuará em uma frente. “Em uma análise preliminar identificamos vários focos de abalo da confiança dos jogadores”, comenta Pablo M. Rocha, coordenador do grupo de psicólogos. “Admito que fiquei assustado quando vi que, mesmo com a boa infra-estrutura, o São Paulo tinha vários problemas que afetavam o desempenho em campo”, acrescenta. O primeiro passo é acabar com o trauma do Corinthians. Apesar de ter vencido os últimos três confrontos diretos, ainda se teme a reação da equipe em uma partida decisiva diante dos alvinegros (as três vitórias foram em jogos de meio de campeonato). “Nesse aspecto, ter evitado o rebaixamento do Corinthians não foi muito bom, pois ver o rival na Segunda Divisão daria uma sensação de superioridade aos são-paulinos”, afirma Rocha, que, ainda assim, considera a atitude tricolor correta do ponto de vista esportivo. Assim, os jogadores estão passando por várias seções de vídeo, em que assistem a grandes vitórias tricolores sobre o clube do Parque São Jorge. “A gente já começa a acreditar que é possível derrotar o Corinthians em uma final”, comenta o recém-chegado meia Marquinhos. Outro aspecto que incomoda os são-paulinos é o apelido de Bâmbi, cultivado principalmente pelos corintianos. Gilberto Morais, psicólogo responsável por essa parte do tratamento, enfatiza que a idéia não é a depreciação dos homossexuais, mas tirar o caráter pejorativo do termo. “Da forma como é dito, o sentido literal do apelido se perde e fica só a idéia de diminuir o São Paulo”, conta, deixando claro que tem interesse especial no caso por ser são-paulino fanático. “Ainda não me recuperei da derrota para o Vélez na final da Libertadores de 94”, brinca. A orientação principal para os atletas é, em um primeiro momento, deixar-se chamar de Bâmbi, simplesmente ignorando o rival até que ele desista do apelido. Mas os psicólogos também buscam causas indiretas para a falta de confiança, comenta Pablo Rocha. O excesso de confiança também atrapalha em alguns momentos. “A torcida são-paulina ainda se vê como bicampeã mundial e exige do time um desempenho semelhante ao do Real Madrid”, analisa. “Por mais que tentem evitar, os jogadores acabam acreditando um pouco nisso.” Ao se imaginar acima da média, o time cai muito nos momentos de dificuldade, pois a auto-estima não está consolidada. Esse fenômeno explicaria derrotas como a do último domingo, frente ao São Caetano. Com a confiança de quem venceu 8 de seus 9 jogos da primeira fase, os são-paulinos entraram em campo como se fossem superiores e, ao primeiro sinal de dificuldade, sucumbiram diante das cobranças e da sensação súbita de inferioridade diante de um adversário forte e determinado. A diretoria espera que o trabalho dos psicólogos dê resultado antes do fim da primeira fase da Copa Libertadores, aumentando as possibilidades tricolores nos mata-matas do torneio sul-americano. Os jogadores demonstram boa vontade, cansados também de tantas gozações. “Até domingo, diziam que nós e o São Caetano sempre amarelávamos. Depois do jogo, nem temos mais o consolo de não sermos os únicos”, disse um jogador que não quis se identificar. Quem não está acreditando muito nessa medida é a torcida. Para ela, esse tipo de atitude só joga a responsabilidade nos jogadores e no coro da arquibancada, isentando os erros administrativos e a briga na política interna de culpa. “Enquanto um diretor afagar o jogador e outro criticar, enquanto uma facção defender o Cuca e outra negociar com outro técnico, é difícil de qualquer grupo trabalhar”, reclama Eduardo Ribeiro Filho, torcedor com bom trânsito nos corredores do clube do Morumbi. “Isso está assim há uns 10 anos. Não é à toa que só ganhamos Campeonatos Paulistas e um Rio-São Paulo nesse período.” Ubiratan Leal Imagem: Pelé.net Obs.: Essa “reportagem” é uma obra de ficção e, portanto, não deve ser levada a sério. Nenhuma das pessoas, empresas, entidades ou associações citadas no texto foi efetivamente entrevistada ou consultada. Ah, e como ninguém aqui tem talento para ler mãos, i-ching, tarô, búzios, mapa astral ou bola de cristal, qualquer semelhança com a vida real foi uma grande coincidência. Posted by ubiraleal at 02:35 AM março 14, 2004 O Glória quer perder para ele mesmo
Discretamente, jogadores, comissão técnica e dirigentes do Glória estão levando com muita seriedade a possibilidade de o time fazer a final do Gauchão contra si mesmo. Um sinal disso é que já está em ação um plano para evitar os problemas de batalhar por duas frentes. Por mais absurdo que possa parecer, o clube de Vacaria está amparado no regulamento do campeonato para manter tal pretensão. Devido a uma imprudência da Federação Gaúcha, Glória, 15 de Novembro de Campo Bom, Santa Cruz e São Gabriel foram colocados em dois grupos simultaneamente. Como os vencedores de cada grupo se enfrentam nas semifinais, foi aberta a possibilidade de um desses quatro clubes conseguir duas vagas na decisão. A federação não imaginava que um desses pequenos pudesse desbancar Grêmio, Internacional, Juventude e Caxias. Ao contrário do que pensou a diretoria do Glória. “Quando percebemos que havia essa possibilidade, tratamos de desenvolver um plano para atingirmos esse objetivo”, conta Edu Chaves, supervisor de futebol do clube. “Ver Glória x Glória na final seria um marco na história da cidade.” Por trás do discurso emocional do dirigente vacariense há motivos bastante racionais para o sonho do clube. Com um Glória x Glória, as duas partidas da decisão seriam disputadas no estádio Altos da Glória, em Vacaria. Com isso, os cofres do clube receberiam as arrecadações dos dois jogos. Além disso, pessoas ligadas ao clube já consultaram a CBF sobre a possibilidade de o Glória, como campeão e vice gaúcho, ter direito a duas vagas na Copa do Brasil de 2005. Ainda não obtiveram resposta. Tamanho otimismo pode ser exagerado. Afinal, a equipe celeste tem de passar por Grêmio ou Juventude nas semifinais do Grupo 1, além de ficar em primeiro entre os dois pequenos do Grupo 2. A idéia dos vacarienses é, por enquanto, priorizar os confrontos com os grandes. “Daí, podemos escolher em que posição ficar no grupo 2 e, assim, ter um lugar em cada chave das semifinais”, explica Bagé, o técnico do time. Segundo ele, a maratona de jogos não será problema. “Isso só ocorrerá até abril, quando terminam os jogos pelo Grupo 1.”
Todos no clube parecem confiantes em relação à capacidade de a equipe vencer os dois grupos. O maior receio é o de o elenco sucumbir a contratempos internos. “A equipe vai se dividir, mas o grupo tem de permanecer unido”, prega Bagé. “Se a final for Glória x Glória, com certeza iremos perder para nós mesmos, algo que os jogadores não estão preparados para aceitar, mas será algo normal diante das circunstâncias”, afirma o técnico, lembrando que, nessa hipotética final, amarelar não seria tão condenável. Já surgem alguns problemas. Para a eventual final, o elenco teria de se partir em dois. A comissão técnica tenta convencer os jogadores a usar a mesma divisão de atletas usadas os treinos recreativos, os “rachões”. No entanto, alguns jogadores não querem correr o risco de ficar na metade mais fraca e já buscam se agrupar. Internamente, todos querem contar com o artilheiro Sandro Sotille e o armador Fábio de los Santos. Por enquanto, está determinado que cada um ficaria em um time na eventual decisão. O princípio de divisão interna do elenco do Glória torna mais provável a manutenção de uma tradição do futebol gaúcho: a de o jogo terminar com briga generalizada. Para os vacarienses, seria uma tragédia. “Corremos o risco de termos nosso elenco todo expulso e ficar sem jogadores para jogar a Série C do Brasileiro ou o Gauchão de 2005”, comenta Edu Chaves, supervisor de futebol do clube. Mesmo com os conflitos internos, o Glória ainda acha que pode monopolizar a final. Tanto que seus dirigentes não devem aceitar a mudança de regulamento feita pela Federação Gaúcha, impedindo que uma equipe enfrente ela própria na final. “Temos o Estatuto do Torcedor do nosso lado e vamos lutar pelos nossos direitos na Justiça Comum se for necessário”, brada Chaves. De acordo com o Estatuto, um campeonato não pode ter seu regulamento mudado durante a competição.
Ubiratan Leal Imagens: Diário de Vacaria, Federação Gaúcha de Futebol e Templos do Futebol Obs.: Essa “reportagem” é uma obra de ficção e, portanto, não deve ser levada a sério. Nenhuma das pessoas, empresas, entidades ou associações citadas no texto foi efetivamente entrevistada ou consultada. Ah, e como ninguém aqui tem talento para ler mãos, i-ching, tarô, búzios, mapa astral ou bola de cristal, qualquer semelhança com a vida real foi uma grande coincidência. Posted by ubiraleal at 09:56 PM fevereiro 25, 2004 Auxílio-doença pode tirar jogador do Corinthians
Não se trata de nenhum clube de nome estranho de algum país desconhecido. A própria política corintiana de levar os jogadores ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) pode fazer com que o clube perca uma de suas principais contratações para 2004. Marcelo Ramos não aceita ver seu atual salário, que beira os R$ 40 mil, reduzido a menos que o atual teto da previdência social, R$ 2,4 mil. A polêmica teve início na última quinta-feira, quando o advogado corintiano João Zanforlin se dirigiu ao departamento médico do clube para pedir que Marcelo Ramos assinasse uma procuração com fins de representá-lo junto ao INSS para o requerimento de benefício. O jogador, assustado, não entendeu do que se tratava. Quando explicado, ficou inconformado e saiu do Parque São Jorge sem nem ao menos terminar seu tratamento. Marcelo Ramos se contundiu no dia 8 de fevereiro durante a derrota para a Portuguesa no Morumbi. No domingo de carnaval, o afastamento completou quinze dias e, segundo a lei que rege as relações de trabalho e os benefícios do INSS, acaba a obrigação do Corinthians de pagar o salário. A partir do décimo sexto dia, o jogador tem direito ao Auxílio-Doença, pago pelo INSS. “Eu não sabia dessa política do clube”, disse o atacante em entrevista coletiva convocada pelo procurador do jogador. “Eu tenho todo um nível de vida que faço com base nos meus salários atuais, não posso vê-lo reduzido dessa forma para pouco mais de R$ 1,9 mil. Assim eu não consigo me manter em dia com as contas.” Não o animou a explicação de que, por se tratar de acidente de trabalho, o jogador teria um ano de estabilidade no Corinthians após seu retorno. “Eu tenho contrato até o final do ano. Quem garante que eu vou querer continuar aqui no ano que vem? Aliás, não sei nem se vou continuar aqui nessa segunda-feira.”
A política corintiana de levar os jogadores ao INSS é mais antiga do que parece. Ela foi anunciada pelo clube em junho do ano passado e pode ter sido a responsável pelo êxodo dos jogadores que o levou à crise. Leandro, um dos que saíram no meio do Campeonato Brasileiro de 2002, foi o único que assumiu publicamente ter sido esse medo fundamental na decisão de trocar o clube paulistano pela fria e longínqua Rússia. “Eu sei lá se ia ficar sem receber, se ia ter que pegar fila de madrugada... Para mim, isso foi decisivo, mas não posso falar por outros jogadores. Agora que isso deve ter pesado muito para eles, sem dúvida.” Outros jogadores do alvinegro já tiveram que recorrer ao INSS. O caso mais notório foi de Vampeta, que também criou uma briga com o clube e tentou, sem sucesso, uma ação judicial. O jogador recebeu normalmente seus salários até outubro, quando não compareceu ao clube durante um mês para fazer tratamento. Irritada com a displicência do meio-campista, a diretoria cortou-lhe todos os salários, entregou-lhe uma Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) e um requerimento de afastamento do clube. Sem entender o que se passava, quando se reapresentou ao Corinthians, Zanforlin apenas lhe explicou que o clube o estava afastando e o mandou procurar uma agência da previdência social para que desse entrada no pedido de auxílio-doença.
Inconformado, Vampeta procurou Gisleine Nunes, conhecida advogada do meio esportivo, para que conseguisse a rescisão contratual. A tentativa foi infrutífera. A Justiça do Trabalho indeferiu o pedido alegando que, se um contrato pode ser rescindido com base na legislação trabalhista por falta de pagamento dos direitos de imagens, uma vez que integram o salário, não fazia sentido que o clube fosse obrigado a pagá-lo se o afastamento ocorreu de acordo com a mesma lei. Assim, Vampeta não teve outra alternativa a não ser entrar em auxílio-doença e logo teve alta para voltar a jogar futebol. Como seu benefício foi acidentário, teria direito a um ano de estabilidade no Corinthians, mas entrou em acordo para que houvesse uma rescisão consensual de seu contrato. Já Gil e Coelho passam por dramas causados pela greve dos médicos do INSS, iniciada em dezembro e com fim previsto para a última sexta-feira. O atacante está em auxílio-doença desde outubro do ano passado, mas não conseguiu realizar a perícia que lhe daria alta e o permitiria voltar a jogar. Com permissão do departamento médico do clube, Gil retornou aos gramados, mas ainda recebe o salário de benefício da previdência, aproximadamente 35 vezes menor que sua remuneração. Um companheiro de clube, que não quis se identificar, diz ser esse desânimo a causa do mau rendimento do jogador. Ciente dessa possibilidade, segundo essa mesma fonte, Citadini teria proibido Gil de jogar até ter alta dada pelo perito. O dirigente e o atacante negam esses boatos. No entanto, com a recente medida do governo de permitir a alta voluntária, isto é, a pessoa que recebe auxílio-doença pode comparecer pessoalmente ao posto da previdência e pedir sua alta para retornar ao trabalho sem a necessidade de avaliação do médico perito, Gil já deveria ter voltado a jogar. Isso não ocorreu porque, segundo fontes de dentro do INSS, o jogador esteve presente por três vezes em uma agência localizada na Zona Leste, mas não conseguiu senha para ser atendido. O novo técnico Osvaldo de Oliveira espera contar com ele para o próximo jogo. O drama de Coelho é ainda maior. Afastado do clube em janeiro, o jogador ainda não conseguiu realizar sua primeira perícia. Desta forma, seu benefício ainda não foi concedido e, assim, está sem receber um centavo desde então. A esperança de Osvaldo de Oliveira é que, com o fim da greve, o jogador possa ser avaliado em breve no instituto, tenha alta e esteja liberado para jogar o mais rápido possível. Os outros jogadores que se contundiram recentemente não quiseram dar entrevistas acerca da possibilidade de pararem de receber salários do Corinthians para receber o benefício. Citadini confirmou que, se eles não voltarem aos treinos em quinze dias, serão afastados. “Se o massagista e o roupeiro vão pro INSS, por que jogador de futebol não? Tem que acabar com essa mania de passar a mão na cabeça de jogador. É funcionário do clube como qualquer outro”, conclui o dirigente. Método corintiano ou acordo paulista?
Já o dirigente nega com veemência todas essas acusações e enxerga uma teoria conspiratória da imprensa contra o Corinthians. “Tudo quando é com o Corinthians tem de virar escândalo.” Citadini ainda afirma que se trata de uma decisão comuns aos grandes. “O Ricardinho saiu do São Paulo pela mesma coisa, mas ninguém fala nada, porque são os perfeitinhos do Morumbi. Na verdade, os clubes grandes de São Paulo e o Palmeiras decidiram fazer isso de comum acordo, mas é só aqui que isso gera crise”, esbraveja o vice-presidente corintiano. Marcelo Portugal Gouveia negou que esse acordo exista e atribuiu as declarações de Citadini a uma loucura momentânea gerada pela crise no Parque São Jorge. Nenhum atleta do São Paulo se manifestou sobre o assunto, já que a cartilha do treinador Cuca os proíbe de falar sobre temas polêmicos com a imprensa. Da Inglaterra, nem Ricardinho nem seu procurador Rubens Pozzi quiseram falar sobre o assunto. No Palmeiras, Mustafá Contursi desconversa. Apenas diz que se trata de questões de ordem interna no clube e que assim deve permanecer. No entanto, algumas pessoas ligadas à direção do time, conhecidos como “corneteiros” ou “turma do amendoim”, disseram que Edmílson teria saído por esse motivo e todo o drama na renovação do lateral Lúcio estaria relacionado ao mesmo tema – também causa para ele não ter acertado com o rival Corinthians. Nenhum dos jogadores envolvidos nesses boatos quis se manifestar. Ninguém no Santos quis dizer qualquer coisa sobre o assunto. Leão proibiu que qualquer jogador tocasse no assunto. “Ninguém fala em INSS no Santos. Só falamos sobre futebol. De repente, vocês esqueceram do empate com o Guaraní?”. O ex-corintiano Doni, quando perguntado, apenas riu ironicamente e disse não saber de nada. O presidente do Sindicato dos Atletas Profissionais de Futebol do Estado de São Paulo, Rinaldo Martorelli, diz ainda não ter uma opinião consolidada sobre o tema, mas em breve deve distribuir um comunicado com a posição da entidade. “É uma novidade que deve ser analisada com calma”, explica o ex-jogador. Thales Oliva Imagens: Ministério da Previdência e Terra Obs.: Essa “reportagem” é uma obra de ficção e, portanto, não deve ser levada a sério. Nenhuma das pessoas, empresas, entidades ou associações citadas no texto foi efetivamente entrevistada ou consultada. Ah, e como ninguém aqui tem talento para ler mãos, i-ching, tarô, búzios, mapa astral ou bola de cristal, qualquer semelhança com a vida real foi uma grande coincidência. Posted by ubiraleal at 09:44 PM fevereiro 14, 2004 E se Telê não tivesse se aposentado? – parte 2
Depois da conquista do penta na França, o consagrado Telê declarou que se aposentaria. No segundo semestre de 98, para fazer frente ao super palmeiras-parmalat, o Corinthians acerta uma parceria milionária com a multinacional Nestlé. Isso resultaria em uma enxurrada de contratações e na compra do estádio do Pacaembu. Muita gente, sobretudo no bairro, não gostou da idéia, mas nada impediu a realização do “sonho da casa própria” em sua versão corintiana. Logo no primeiro campeonato disputado, o Brasileirão 98, o Timão já levantou a taça e se qualificou para a Libertadores, ao lado de Palmeiras (campeão da Copa do Brasil) e Vasco (campeão da Libertadores de 98). Para a temporada 99, a diretoria do alvinegro usou o Bétis como ponte para despistar o São Paulo e trouxe Denílson. Edmundo voltou para o Parque São Jorge, mas a cereja no bolo foi Telê. Para se ter uma idéia, o técnico campeão Vanderlei Luxemburgo até aceitou ser auxiliar de Telê. Mesmo com tudo isso, a conquista da primeira Libertadores não foi nem um pouco fácil para o Corinthians. Na primeira fase, o Timão escorregou diante do fraco Cerro Porteño e perdeu de 1 a 0 em casa. Como empatou as duas partidas com o Palmeiras, se classificou apenas com o terceiro lugar do grupo. Graças a esse acidente, nas oitavas de final, o time de Parque São Jorge pegou o Vasco. O clube carioca era o atual campeão da competição e entrou direto na segunda fase. O primeiro jogo, no Pacaembu, foi bastante equilibrado, com Edmundo fazendo o gol corintiano. O empate veio com Juninho (hoje com o sufixo Pernambucano). A decisão ficou para São Januário. Os cruz-maltinos eram favoritos destacados, mas não esperavam a ousadia do treinador corintiano. Ao invés de ter cautela, Telê jogou no mais tradicional 4-3-3, com dois pontas (Edmundo e Denílson) bastante abertos e um centroavante (Fernando Baiano) fixo na área. Deu certo, os dribladores corintianos fizeram a festa nas costas dos laterais vascaínos e os 4x1 finais foram até poucos.
Como, naquela época, a Libertadores não permitia que dois times de um mesmo país chegasse às semifinais, o adversário seguinte do campeão brasileiro foi o rival Palmeiras. Na primeira partida, tudo deu errado e, com gols de Oséas e Rogério os verdes ganahram por 2x0. No jogo de volta, o Corinthians partiu com todas suas forças e conseguiu refazer o placar. Foi uma partida espetacular, com dois times jogando aberto em busca do gol. A decisão foi para os pênaltis. Marcos e Maurício estavam inspirados e defenderam duas cobranças cada. Mas, na hora de decidir, os corintianos Vampeta e Dinei, duas apostas pessoais de Telê para o desempate, não decepcionaram. Mais pedreira nas semifinais. Dessa vez, era o River Plate. Contra os hermanos Telê surpreendeu novamente. No primeiro jogo, quando todos esperavam um Corinthians bem fechado o Monumental de Núñez, o mestre entrou em campo com três volantes em campo, mas substituiu dois deles aos 10 minutos do primeiro tempo. O Timão instantaneamente se transformou no dono da partida, pegando os millonarios desprevenidos e conseguindo uma folgada vitória por 3x0. No jogo de volta, o Corinthians preferiu poupar parte de seus titulares. O que não significa que o time que enfrentou o River no Pacaembu era fraco. O “timãozinho” (modo como Telê apelidou a equipe reserva do alvinegro) era forte e entrosado, pois disputava a maior parte dos jogos do Campeonato Paulista. Além disso, o olho de Telê para identificar jovens talentos dava resultados com uma velocidade impressionante. Assim, a vitória brasileira por 2x1 foi tranqüila, até porque os argentinos se conformaram com a eliminação após sofrer dois gols ainda no primeiro tempo. A final foi contra o desconhecido Deportivo Cáli. Os colombianos mostraram muita iniciativa na partida de ida, mas tomaram dois gols em jogadas fascinantes de Denílson e conclusão do impecável Fernando Baiano, artilheiro da competição. A partida de volta parou a cidade. Era tanto corintiano querendo um ingresso para o jogo do Morumbi que nem se a antiga capacidade de 150 mil pessoas fosse restabelecida no estádio do São Paulo caberia. A saída foi instalar mega-telões em vários pontos da cidade, no Vale do Anhangabaú, na avenida Paulista, no Parque do Ibirapuera, no sambódromo do Anhembi e, claro, no Sesc Itaquera. Os corintianos já davam como certo o título, mas os jogadores entraram relaxados em campo e, as 10 minutos, já tinham tomado dois gols, de Bonilla e Viveros. Telê quase invadiu o campo de tão inconformado com a atitude de seus comandados. Mas, assado o susto inicial, os alvinegros voltaram ao normal e, com uma atuação inesquecível de Edmundo, fizeram 5 gols até o apito final. Festa em toda a cidade. Por todos os lados os corintianos mostravam réplicas de passaporte, rebatendo as críticas de que o clube nada conquistava fora das fronteiras brasileiras. O grito mais comum era “PQP, Libertadores o Palmeiras nunca viu! (e nem vai ver!)”. Com a Libertadores nas mãos do Corinthians, Telê se aposenta em definitivo. Perfeccionista, sabia que as cobranças no clube seriam muito grandes e a chance do trabalho por ele implementado ser implodido era grande. Luxemburgo também saiu. No caso, foi ao Flamengo, tentar se aproximar da CBF para assumir a vaga de Leão na seleção, desde já ameaçada. O Corinthians não conquistou o Mundial em Tóquio. Perdeu para o Manchester United por 3x2. O título só veio em 2000, no Mundial organizado pela Fifa no Brasil. Quanto a Telê, ganhou um busto no Corinthians e outro no Palmeiras. O São Paulo, clube pelo qual conquistou as maiores glórias, até hoje não o homenageou. Juliano Barreto e Ubiratan Leal Imagem: Terra e Corintimão Obs.: Essa “reportagem” é uma obra de ficção e, portanto, não deve ser levada a sério. Nenhuma das pessoas, empresas, entidades ou associações citadas no texto foi efetivamente entrevistada ou consultada. Ah, e como ninguém aqui tem talento para ler mãos, i-ching, tarô, búzios, mapa astral ou bola de cristal, qualquer semelhança com a vida real foi uma grande coincidência. Posted by ubiraleal at 02:11 AM janeiro 29, 2004 E se Telê não tivesse se aposentado?
No começo de 1997, o vitorioso técnico Telê Santana se recuperou do tratamento de saúde por que passou e pôde retornar ao futebol. Com contrato já assinado, o treinador chegou ao Parque Antártica com a missão de levar o Palmeiras à sua (do clube) primeira Taça Libertadores da América. O maravilhoso time de Wanderley Luxemburgo (ainda com W e Y) havia ganhado o Campeonato Brasileiro de 1996 – desbancando os botinudos do Grêmio e a esforçada e surpreendente Portuguesa – e estava pronto para conquistar a América. Porém, Luxemburgo foi tentar a sorte na Espanha como técnico do Valencia e a Parmalat trouxe Telê. Todos sabiam que, com o dinheiro da multinacional e o talento do técnico, o Palmeiras se manteria entre os times mais fortes do mundo. Além disso, seria a consolidação do domínio alviverde na última década do século XX. Até as quartas de final, o Verdão foi um time impecável. Só vitórias e futebol bonito, apesar de Galeano ser considerado o novo Pintado e Junior Touché, o novo Ronaldão. Com Telê no banco nem a turma do amendoim tinha coragem de reclamar. Nas quartas-de-final, o Grêmio, que havia perdido o título do Brasileirão para o Palmeiras, veio mordido e Felipão armou um time surpreendentemente ofensivo para o segundo jogo, no Olímpico.
Semanas depois ainda discutiam o placar daquele jogo: 7 a 7, com três gols de Oséias para o Palmeiras e três de Jardel para o Grêmio. Os outros quatro ninguém conseguia lembrar, pois as jogadas que os originaram foram coletivas e tão bem trabalhadas que o crédito do feito deveria ser dividido entre os 11 de cada time. Com o espetacular empate, o Palmeiras se classificou e não parou de golear até levantar a taça contra o Atlético Nacional de Medellín, na Colômbia. O Mundial nunca esteve tão próximo da Academia de Futebol. Mas, para variar, um time vencedor gera interesses, que geram verdadeiros desmanches. O Palestra segurou quase todos os jogadores, exceto Oséias, que foi para o La Coruña. Porém, o desfalque mais sentido foi no banco: Depois de uma semana do título continental, Telê era anunciado como novo técnico da seleção. O Palmeiras perdeu seu rumo e seu futebol. Chegou a Tóquio descaracterizado tática e espiritualmente e armou uma retranca para não perder para o Ajax. O título dos holandeses só veio nos pênaltis após 120 minutos sem gols. Quanto a Tele... Bem, na Copa de 98, as expectativas eram gigantescas: será que o time de 82 será reeditado? O futebol de Telê ainda é moderno o suficiente para trazer o Penta? A resposta era: Taffarel; Junior Baiano, Junior Touche e Antonio Carlos (como libero); Dunga (como capitão), Roberto Carlos e Denílson (pela esquerda) e Juninho e Edmundo (pela direita). O esquema do time fugia a compreensão simples do 3-5-2 ou do 4-4-2. Alas e atacantes mudavam de posição e o vigor da defesa garantia o espetáculo do ataque. A resposta das perguntas foi “sim”. Telê conseguiu ser moderno, mas não deixou de ser mágico. Chamá-lo de mestre era pouco. Continua... Juliano Barreto Obs.: Essa “reportagem” é uma obra de ficção e, portanto, não deve ser levada a sério. Nenhuma das pessoas, empresas, entidades ou associações citadas no texto foi efetivamente entrevistada ou consultada. Ah, e como ninguém aqui tem talento para ler mãos, i-ching, tarô, búzios, mapa astral ou bola de cristal, qualquer semelhança com a vida real foi uma grande coincidência. Posted by ubiraleal at 08:38 PM janeiro 13, 2004 E se Kaká fosse um fiasco na Europa?
Futebol é um esporte de chutes. Principalmente fora de campo, onde dirigentes, torcedores e jornalistas praticam o exercício da adivinhação a cada rodada. O texto a seguir é o primeiro de uma série chamada "E se...". Nele, vamos esquecer que Kaká foi capa da Newsweek especial “Quem será capa em 2004”, que seus primeiros seis meses de Itália foram de pleno sucesso e vamos imaginar o que aconteceria se tudo tivesse dado errado. Voltemos um pouco no tempo. No início de 2003, todos davam como certa a transferência de Kaká para o Milan. Não fosse a fraca campanha da Internazionale em 2002, isso seria verdade. Ex-jogador do Milan e do São Paulo, Leonardo já havia convencido o jogador e seu empresário, lançando mão de argumentos como as inúmeras vantagens de jogar no calcio, de viver em Milão e da boa quantia de dinheiro que isso lhes renderia. Porém a rivalidade milanesa falou mais alto. Os dirigentes da Inter faturaram alto com a venda de Crespo para o Chelsea e queriam um atacante leve, técnico e jovem para fazer dupla com Vieri. Não deu outra. A Inter dobrou a proposta do rival e Kaká foi, como esperado, a Milão, mas para jogar de azul. Ao chegar na Bota, o atacante leu nas páginas cor-de-rosa da Gazzeta dello Sport mais uma frase polêmica de seu futuro técnico, o argentino Hector Cúper: “Nunca mais gostaria de treinar um brasileiro'”. O pior: a torcida nerazurra, ainda ressentida com a saída de Ronaldo, também recebeu o brasileiro de maneira hostil. Alguns tifosi ergueram faixas dizendo: “ACABOU O CARNAVAL”. A metade rubro-negra de Milão teve outra decepção quando seu capitão de tantos anos, Paolo Maldini, sofreu estúpido acidente de carro que tirou sua vida. Com a bola rolando no calcio, as equipes surpreenderam e mudaram de papel. Enquanto isso, o relacionamento de Kaká com Cúper se deteriorava a cada jogo. A imprensa dizia que Kaká só vestia camisa interista por causa da pressão dos dirigentes. Na 10ª rodada, Cuper respondeu aos comentários deixando Kaká fora da relação de jogadores que participariam do jogo contra o Chievo. Partida que a Inter perdeu em casa, o que provocou a demissão do argentino.
Kaká teria finalmente a oportunidade de jogar em um esquema mais ofensivo e mostrar seu futebol, já esquecido por Parreira e até por Ricardo Gomes, que entendiam que o atleta passava por um difícil período de adaptação. A própria imprensa brasileira já deixava de lado seu xodó. Agora, o destaque era Jorge Wágner (foto), sensação da Liga dos Campeões pelo Lokomotiv Moscou e pretendido por clubes ingleses, italianos, espanhóis e alemães. A primeira oportunidade veio contra logo contra a Juventus, vice-líder na liga e único time que conseguiu perder de menos de 3 gols do Milan. Kaká fez um bom primeiro tempo, porém, uma dividida desastrada com o francês Thuram transformou os ligamentos cruzados de seu joelho direito em migalhas. A complicada contusão rendeu boatos de que Kaká apenas inventou uma desculpa para rescindir com a Inter e voltar chorando para o Brasil. Nada mais injusto. Mesmo jovem e sem um histórico de contusões, o antigo craque do Morumbi sofreu três cirurgias. Mas nem a fisioterapia não dava resultados depois de oito meses de trabalhos com os melhores profissionais. A Internazionale emprestou Kaká para o Bologna na temporada seguinte. Em um clube fraco e sem motivação, seu desempenho foi decepcionante e, para tentar uma vaga entre os titulares, o atacante brasileiro aceitou jogar até de lateral-direito improvisado. Após seis meses, o grande mercado europeu fechava as portas a ele. Em uma jogada de sorte, Kaká conseguiu uma transferência para o futebol grego. Giovanni, craque que levou o Santos ao vice-campeonato brasileiro em 1995, anunciou que deixaria o Olimpiakos. Os dirigentes logo foram atrás de Kaká. O novo craque brasileiro, foi bem no Campeonato Grego e teve atuações medíocres na Liga dos Campeões e na Copa da UEFA, o que lhe garantiu o emprego e uma bela vista para o mar mediterrâneo durante muitos anos. Em 2006, Milton Neves apresenta o quadro “Por onde anda?” na rádio Jovem Pan falando sobre Kaká. Um ouvinte declarou por telefone: “Ele era tão bom. Por que será que não deu certo?”
Juliano Barreto Obs.: Essa “reportagem” é uma obra de ficção e, portanto, não deve ser levada a sério. Nenhuma das pessoas, empresas, entidades ou associações citadas no texto foi efetivamente entrevistada ou consultada. Ah, e como ninguém aqui tem talento para ler mãos, i-ching, tarô, búzios, mapa astral ou bola de cristal, qualquer semelhança com a vida real foi uma grande coincidência. Imagens: Kaká site não-oficial, Lokomotiv Moscou e Energia 97 FM Posted by ubiraleal at 08:30 PM dezembro 15, 2003 Uma nova forma de transmitir jogos
Na final da Copa do Brasil entre Cruzeiro e Flamengo, o narrador Galvão Bueno foi alvo de xingamentos, ameaças e outras coisas pouco agradáveis de parte da torcida azul que estava no Mineirão. Por esse motivo, ele não foi a Belo Horizonte transmitir o decisivo Cruzeiro x Paysandu, o que, claro, reduziu a qualidade de seu trabalho. Mas já surge uma alternativa mais barata para se transmitir jogos “no estádio” sem sofrer ameaças ou arcar com os custos de passagem aérea e hospedagem de narrador e comentarista. É a videoconferência chegando no futebol. O sistema é um meio termo entre a transmissão nas cabines e a feita do estúdio, diante de um aparelho de televisão. Nesse método, o narrador e o comentarista ficam no estúdio, mas vêm tudo o que acontece em campo por um monitor de computador com câmera ligado na internet. E quem olhar a cabine poderá ver a equipe de transmissão em um monitor instalado no estádio. “Essa tecnologia permite uma transmissão menos fria que a tradicional feita do estúdio, pois, de alguma forma, estamos dentro do estádio”, comenta um narrador de rádio que utilizou a tecnologia de forma experimental. Em comparação com a transmissão diante do vídeo, a videoconferência tem a vantagem de permitir que a visão de narrador e comentarista não se limitem às câmeras da transmissão. Como a visão deles é feita pela câmera instalada no monitor, é possível virar o monitor para ver um detalhe do campo ou do estádio sem prejudicar a imagem que chega aos telespectadores. Para isso, basta haver um produtor na cabine em contato com a equipe de transmissão, direcionando a câmera do computador sempre que for requisitado. Na verdade, as melhorias nas condições de segurança dos jornalistas é uma questão secundária. O grande benefício é mesmo financeiro. Sem ter de bancar a ida de narrador, repórter e comentarista para outra cidade, as emissoras de televisão economizarão um bom dinheiro, medida importante em um período de crise financeira nos meios de comunicação. Márcio Mazzetti Obs.: Essa “reportagem” é uma obra de ficção e, portanto, não deve ser levada a sério. Nenhuma das pessoas, empresas, entidades ou associações citadas no texto foi efetivamente entrevistada ou consultada. Ah, e como ninguém aqui tem talento para ler mãos, i-ching, tarô, búzios, mapa astral ou bola de cristal, qualquer semelhança com a vida real foi uma grande coincidência. Posted by ubiraleal at 10:17 PM dezembro 02, 2003 A magia do Chievo Verona
Em 2001, o Chievo estreava na Serie A italiana sem as menores perspectivas. Afinal, o clube sequer era o principal representante de Verona no calcio e o rebaixamento era mais do que esperado. Surpreendentemente, o clube largou bem e liderou o campeonato por várias rodadas. Perdeu o ritmo e acabou em 5º. No ano seguinte, o elenco foi desmanchado, mas os rapazes da represa (o distrito de Chievo fica perto de uma represa nos subúrbios de Verona) continuaram na metade de cima da tabela, sempre com um belo futebol. Falou-se muito no milagre do Chievo. Na verdade, não era milagre, era magia. O principal artífice dessas campanhas não foi o treinador Luigi Del Neri, como muitos apregoam, mas o presidente Luca Campedelli (foto). Pouco se sabia dele, apenas que se dizia torcedor da Internazionale, tinha formação na Inglaterra e que decidira investir no futebol como hobby. Mas muitos na Bota estranharam as campanhas seguidas dos gialli na Serie A e decidiram investigar seu passado. Em seu período na Inglaterra, Campedelli sofreu perseguições e decidiu ir à Itália como refúgio. Comparando fotos da época e as atuais e seu diploma do Instituto Hogwarts, ficou óbvio o que ocorria no clube vêneto. Luca Campedelli é um nome falso. Na realidade, o presidente do Chievo Verona é Harry Potter. O mago mudou de nome para se proteger da perseguição de seu inimigo Voldemort. “Enquanto eu carregasse comigo o mesmo nome de meu pai, James Potter, não teria paz”, contou depois de descoberto. Mesmo assim, o mago-cartola decidiu manter sua aparência. Assim que se instalou em Verona, Campedelli/Potter decidiu permanecer anônimo por alguns anos. Montou uma panificadora e tentava levar a vida da forma mais tranqüila possível. Porém, o amor pelo esporte o chamou. “Queria montar uma equipe de quadribol em Verona, como a de Grifinória”, afirma. A falta de vassouras mágicas na Itália o obrigou a investir no futebol. Verificando as regras oficiais do futebol e as regulamentações da Lega Calcio, Campedelli/Potter percebeu que não havia nenhuma restrição ao uso de magia. Por isso decidiu, mesmo de fora, ajudar o seu Chievo. Por enquanto, tem sido suficiente para fazer o clube se destacar. Enquanto isso, a torcida dos gialli da represa comemora o sucesso inesperado e torce para que Voldemort demore a reaparecer.
Ubiratan Leal Imagens: Il Nuovo, Sportal e Slovak Radio Obs.: Essa “reportagem” é uma obra de ficção e, portanto, não deve ser levada a sério. Nenhuma das pessoas, empresas, entidades ou associações citadas no texto foi efetivamente entrevistada ou consultada. Ah, e como ninguém aqui tem talento para ler mãos, i-ching, tarô, búzios, mapa astral ou bola de cristal, qualquer semelhança com a vida real foi uma grande coincidência. Posted by ubiraleal at 11:36 PM novembro 17, 2003 Futebol via satélite
Por mais simples e antigas que sejam as regras do futebol, os erros de arbitragem continuam. Por isso, muitos defendem o uso de novas tecnologias como o vídeo para auxiliar o trabalho dos apitadores no campo. Mas, pense bem: o vídeo foi uma nova tecnologia nos anos 70. Hoje, já há aparatos muito mais avançados para eliminar as dúvidas que surgem em uma partida de futebol. Um exemplo é o GPS (sistema de posicionamento global em inglês), que permite a localização de pontos na Terra a partir de um sinal captado e retransmitido via satélite. A idéia seria simples. Os 22 jogadores em campo carregariam um aparelho de localização consigo. A bola também teria um desses em seu interior. Para completar o sistema, o árbitro teria um leitor dos sinais emitidos pelos localizadores, com um desenho do campo de futebol mostrando a colocação dos atletas e da bola. O jogo rola normalmente, com o juiz fazendo seu papel. Mas, no momento em que um passe para um atacante em posição duvidosa ocorre, ao invés de tentar adivinhar o que ocorreu, o árbitro apertaria um botão que congelaria em seu visor o posicionamento dos jogadores ou da bola em campo. Caso ele não aperte o botão a tempo, o aparelho poderia contar com uma memória do que ocorreu nos últimos 60 segundos. Assim, ele também pode voltar no tempo para ver o posicionamento. Pronto! É só observar para saber se havia ou não impedido. O mesmo vale para bolas que não se sabe se passou ou não pela linha de gol. O sistema, além de eficiente, teria a vantagem de ser mais rápido que parar o jogo para ver um vídeo-teipe. Além disso, elimina os problemas de interpretação por posicionamento de câmera. Márcio Mazzetti Imagem: TGRC Obs.: Esse “artigo” é uma obra de ficção e, portanto, não deve ser levada à sério. Nenhuma das opiniões ou sugestões contidas no texto tem pé ou cabeça. Ah, e como ninguém aqui tem talento para ler mãos, i-ching, tarô, búzios, mapa astral ou bola de cristal, qualquer semelhança com a vida real foi uma grande coincidência. Posted by ubiraleal at 08:31 PM outubro 21, 2003 Mudanças no Fluminense para 2004
Com a trágica temporada de 2003 terminando, o Fluminense já traça seus planos para o próximo ano. A intenção é renovar todo o departamento de futebol para retomar o processo de reestruturação iniciado por Carlos Alberto Parreira em 1999 e interrompido após a Copa João Havelange. Há duas ações bem definidas. Uma, mais conservadora, considera que o tricolor escape do rebaixamento. Outra, radical e inédita, caso o time vá apra a Série B. E é para implantar esses projetos que Renato Gaúcho voltou, já que ele teria o perfil ideal para isso. Uma coisa é certa, os jogadores mais experientes – e de maiores salários – serão dispensados ao final do ano. O clube não tem dinheiro para manter a folha de pagamento no nível atual e tais jogadores não estão justificando, em campo, tamanho esforço financeiro. O primeiro deve ser Romário, ainda mais depois da intempestiva reação às críticas de um torcedor no treino da última terça-feira. Se a equipe conseguir os pontos que precisa para se manter na Primeira Divisão, a idéia é aproveitar a garotada e, dentro do possível, fazer dinheiro. Por isso, a saída da maior revelação tricolor, o meia Carlos Alberto, não é descartada, desde que por uma boa quantia de dólares. De resto, seria aproveitada a garotada revelada no centro de treinamento de Xerém, na Baixada Fluminense. Nessa hipótese, o Campeonato Estadual do Rio de Janeiro de 2004 seria usado apenas como torneio de preparação. No entanto, a revolução maior ocorrerá se o Fluminense for rebaixado. Nesse caso, boa parte do elenco será formado por... mulheres grávidas. É isso mesmo. A idéia surgiu após o Perugia, da Itália, anunciar que contrataria uma mulher, medida que não é vetada por nenhum regulamento da Fifa (que só vetam a participação de homens no futebol feminino). A escolha de mulheres grávidas (e não de outras, em condições teoricamente mais apropriadas para a prática de esportes como o futebol) faz parte de um planos de longo prazo. A diretoria quer não apenas que as grávidas joguem pelo Fluminense, mas que gerem filhos que torçam pelo clube. O temor é que, com a escassez de títulos, os jovens torçam apenas por Flamengo, Vasco ou clubes de outros Estados, como Corinthians e Cruzeiro.
Mas fontes do clube confirmaram que há uma grande dose de superstição na história. A última grande conquista do Fluminense foi o Campeonato Estadual de 1995, com uma vitória sobre o Flamengo, no Maracanã, com um gol de barriga de Renato Gaúcho. “A idéia é juntar o Renato Gaúcho com várias jogadoras de barriga saliente. Quem sabe se, assim, o time não volta às glórias?”, pergunta-se Marcos R. Cardoso, torcedor intimamente ligado nos bastidores do clube. Esse foi o motivo de Renato Gaúcho ter declarado, após a humilhante derrota por 1x6 contra o Goiás, que mulheres grávidas jogariam melhor que os jogadores que estavam no gramado do estádio Serra Dourada. “O que Renato fez naquele momento foi preparar o torcedor tricolor para as mudanças.” Por hora, o clube ainda estuda as repercussões legais da medida. A primeira é contratar mulheres em estágios diferentes de gravidez, para não correr o risco de todas pedirem licença maternidade na fase decisiva do campeonato. A outra é se antecipar para evitar recursos no STJD. A dúvida é se 11 mulheres grávidas não representariam 22 atletas tricolores em campo.
Márcio Mazzetti Imagens: Carlos Wrede / O Dia, Lancenet e Rai Sport Obs.: Essa “reportagem” é uma obra de ficção e, portanto, não deve ser levada à sério. Nenhuma das pessoas, empresas, entidades ou associações citadas no texto foi efetivamente entrevistada ou consultada. Ah, e como ninguém aqui tem talento para ler mãos, i-ching, tarô, búzios, mapa astral ou bola de cristal, qualquer semelhança com a vida real foi uma grande coincidência. Posted by ubiraleal at 11:53 PM outubro 07, 2003 A verdadeira inovação corintiana
Muitos saudaram a contratação de Júnior e Rivellino como o início de uma nova era no Corinthians, a tentativa de mudar, de buscar algo novo e sair da mesmice do futebol brasileiro. Realmente, o Corinthians inovou. Mas não foi com os motivos técnicos como todos estão pensando, mas sim, como uma busca por novos negócios. Para explicar como isso ocorreu, devemos voltar ao primeiro semestre. Após duas partidas desastradas, o Corinthians perdeu do River Plate na Libertadores da América. Sem as rendas das partidas finais do torneio continental, o Corinthians iniciou o desmanche. Era a forma de resolver os problemas financeiros que enfrentava. Desvalorizados pela derrocada sul-americana, não havia tanto espaço para os corintianos na Europa. Exceto na Rússia, onde até o atacante Róbson (ex-Corinthians e Mogi Mirim) consegue ser ídolo. Seria a salvação financeira do time, já que os russos pareciam ávidos a comprar qualquer coisa por um bom dinheiro. Assim, saíram Jorge Wagner e Leandro. O problema é que o primeiro sequer era do Corinthians e o segundo não estava longe de ser dos maiores salários do elenco. Ou seja, o sufoco continuou, mas descobriu-se uma segunda vantagem de apostar nos russos: reformular sem ter de demitir. Quando a temporada de compra dos russos arrefeceu, ainda tinha muito o que fazer com o elenco corintiano. Então a diretoria resolveu atacar. Se os russos não vão ao Corinthians, o Corinthians foi aos russos. Esse foi o real motivo daquele amistoso com o Saturn: ver se convencia alguém a levar mais um ou outro jogador do time.
Deu para ver que o Corinthians voltou de Moscou sem vender ninguém. Talvez as atuações de Leandro e Jorge Wagner tenham desencorajado os dirigentes locais. Assim, o plantel corintiano continuou com vários candidatos ao “emergente” futebol da antiga União Soviética. Os principais nomes eram os de Fumagalli (na foto, dividindo no alto no jogo realizado em Ramenskoye) e Roger. O primeiro começou muito mal pois ficou um bom tempo (quase um ano entre 2002 e 2003) sem jogar devido a uma briga judicial que envolvia Santos, Guarani e Corinthians. Havia a famosa desculpa da “falta de ritmo”. Mas esse ritmo nunca veio. Em todas as chances de jogar aqueles quinze minutos finais que consagram os atacantes, Fumagalli decepcionou conseguindo tomar cartões desnecessários e rendendo menos que os fracos concorrentes a vaga. Por sua vez, o jovem lateral esquerdo Roger corre o sério risco de ficar marcado pela expulsa contra o River. Tanto que, mesmo com o empréstimo de Kléber, o jogador não assumiu a posição de titular. Com tudo isso, até hoje há conselheiros corintianos que lamentam a pouca quantidade de vodca ingerida pelos cartolas do Saturn antes do jogo amistoso. E onde Rivellino e Júnior entram nessa história? Simples, o Corinthians percebeu que desenvolver seus próprios jogadores e vendê-los dá dinheiro, mas depende muito da temporada de inscrições e há o risco de o desempenho da equipe cair muito. Assim, a nova aposta é a de criar treinadores. Como não há mais passe, o vínculo de um jogador e o de um treinador são os mesmos: um contrato. E é com base nisso que a diretoria corintiana inova, criando seus próprios técnicos para exportá-los. Juliano Barreto e Márcio Mazzetti Imagens: Pelé.net e Saturn-Ren TV Obs.: Essa “reportagem” é uma obra de ficção e, portanto, não deve ser levada à sério. Nenhuma das pessoas, empresas, entidades ou associações citadas no texto foi efetivamente entrevistada ou consultada. Ah, e como ninguém aqui tem talento para ler mãos, i-ching, tarô, búzios, mapa astral ou bola de cristal, qualquer semelhança com a vida real foi uma grande coincidência. Posted by ubiraleal at 01:32 AM outubro 05, 2003 Meio-time no Paulistão
Mudou a direção da Federação Paulista de Futebol, mas a filosofia de inventar no regulamento do campeonato estadual continua. A primeira novidade é dividir um torneio de 21 clubes em dois grupos. Oficialmente, a proposta é de fazer um grupo com 11 e outro com 10 clubes. Mas ainda pode haver novidades. Muitos clubes paulistas (como qualquer pessoa sensata) acham fora de propósito fazer um campeonato com número desigual de participantes em cada grupo. Assim, já há conversas nos bastidores para que a divisão seja igual, mas sem repescar nenhum clube (em tese seria o Botafogo de Ribeirão Preto), pois não seria ético. Dessa forma, tenta-se criar um modelo em que cada chave tivesse 10 participantes e meio. Além de igualar aos grupos, a medida pode servir como salvação econômica de muitos clubes. Com a crise financeira no futebol brasileiro em geral, muitas equipes terão dificuldade para fechar as contas no final do campeonato, pagando salários para 22 jogadores, comissão técnica e custos administrativos com a cota da TV e a arrecadação de apenas 5 ou 4 jogos como mandante (caso o time não passe de fase). Nessa proposta, o clube que se dividir ao meio poderá participar nos dois grupos. Dos 22 atletas do elenco, metade vai para o Grupo A e metade para o B. O clube decidiria quantos jogadores os meio-times colocariam em campo e quantos ficariam no banco. É evidente que a equipe que se dividir estará renunciando às suas chances de classificação. Mesmo assim, ela dobraria o número de partidas em casa sem aumentar os gastos com salários. Pode ser o suficiente para tornar o Paulistão rentável. O maior problema para implementar essa idéia não é o regulamento, mas criar um método aceito por todos para escolher que clube se dividirá. Dizem nos bastidores que sobram candidatos para esse posto. Márcio Mazzetti Imagem: Consladel Obs.: Essa “reportagem” é uma obra de ficção e, portanto, não deve ser levada à sério. Nenhuma das pessoas, empresas, entidades ou associações citadas no texto foi efetivamente entrevistada ou consultada. Ah, e como ninguém aqui tem talento para ler mãos, i-ching, tarô, búzios, mapa astral ou bola de cristal, qualquer semelhança com a vida real foi uma grande coincidência. Posted by ubiraleal at 02:59 AM setembro 11, 2003 O Estatuto da Bola
Além de amargar a última posição no Campeonato Brasileiro, ver a Série B cada vez mais perto e conviver com uma enorme dívida, o Grêmio sofre, agora, mais uma ameaça. Um grupo de profissionais está analisando diversas partidas do tricolor gaúcho e pretende enquadrar o clube no recém-aprovado Estatuto da Bola. Motivo: maltratar o esférico. A punição vai de uma simples multa à uma suspensão de 12 meses, período no qual a equipe deveria passar por cursos de reciclagem até voltar a respeitar os direitos da bola. A notícia surpreendeu a todos no Olímpico. Afinal, ninguém sequer sabia da existência de tal lei. Por ter sido sancionada na mesma época do Estatuto do Torcedor, mesmo a imprensa pouco falou do Estatuto da Bola. “Sabia que não devíamos jogar mal, mas nunca imaginei que pudesse virar caso judicial”, admite um jogador do elenco gremista. “Agora, se maltratar a bola é crime, admito que estamos com a ficha suja” completa. Mas nem todos no Olímpico estão resignados. “Essa lei é um absurdo porque não respeita diferenças culturais”, brada um integrante da comissão técnica. “Não maltratamos a bola, só jogamos no estilo gaúcho, como sempre fizemos.” Mas as reclamações gremistas não têm base legal. O Estatuto da Bola não fala nada a respeito de jogar bonito e aberto, pois não abrange a qualidade das partidas em si. O Estatuto apenas busca proteger a bola de futebol de agressões como furadas, divididas, erros no domínio, chutões para a arquibancada, passes tortos e gramados esburacados. A idéia partiu do Sindibola (Sindicato das Bolas de Futebol) depois da quantidade enorme de reclamações de seus associados. Os números da entidade, realmente, assustam. Em 2002, mais de 500 bolas de futebol passaram por tratamento psicológico após os traumas. Outras 600 pediram licença médica. “As companhias de seguro saúde já estão cobrando muito alto para fornecer o plano que o sindicato acha justo para seus associados”, conta Tricolore, presidente do Sindibola. A dirigente sindical comenta que uma bola sofre muito durante a partida, porém, ninguém se importa. Por exemplo, quando um jogador não acerta um chute em cheio, o esférico anda lentamente e pingando. “Ninguém percebe, mas a bola está mancando de dor”, revolta-se.
Como o Estatuto ainda é desconhecido da maioria, pouca coisa mudou nesse ano. Ainda assim, já se vê sinais de evolução. Após a ameaça de multa, o Goiás resolveu se enquadrar no estatuto. O mesmo ocorreu com o Fluminense há duas semanas. “Até mandamos uma carta agradecendo a jogadores e à comissão técnica do Goiás pela forma como entenderam perfeitamente o espírito do Estatuto da Bola”, afirma a sindicalista. “Só o Grêmio que ainda desrespeita a lei, com a alegação vazia de diferenças culturais.” Mas não é só o tricolor gaúcho que está confrontando o Sindibola. Nos bastidores, diversos jogadores se dizem contrários à lei, afirmando que o exercício da profissão fica cerceado e que futebolistas não podem responder penalmente por jogar mal o esporte. Em comunicado oficial, o sindicato dos atletas profissionais do Rio de Janeiro diz que “em muitos casos, os erros de passe e domínio são de responsabilidade das bolas, que não atendem às especificações da Fifa”. Mas, se isso for verdade, a culpa recai sobre as federações, que autorizam jogos com bolas despreparadas para participarem de um jogo profissional. A FBA (Futebol Brasil Associados, entidade que reúne a maior parte dos integrantes da Série B) também se movimenta. “Nas Séries B e C há muito jogador ruim. Se aplicarem o infeliz estatuto com rigor, será impossível fazer qualquer partida nesses campeonatos”, brada o presidente de um clube integrante da Série B. “Estão querendo acabar com o espírito do futebol, transformá-lo em espetáculo para uma elite que poderá pagar por 22 jogadores tecnicamente bons.” Mas o Sindibol se defende afirmando que, nessa primeira fase, poupará a Série B para permitir uma adaptação mais cuidadosa. Inclusive, observadores e advogados da entidade estiveram no Parque Antárctica para assistir ao jogo Palmeiras x Botafogo. A idéia era estudar as condições de trabalho das bolas na Segundona. “Escolhemos um jogo de dois grandes porque pensamos que teríamos bons resultados”, conta Precision, diretor jurídico do sindicato. “Ficamos horrorizados com a maneira como botafoguenses e palmeirenses machucaram nossas companheiras.” Se foi assim a Segunda Divisão, é bom a entidade ficar preparada, pois em 17 desse mês começa a Série C.
Rodrigo Leme e Ubiratan Leal Imagens: 3D Online; Grêmio e Rogério Lorenzoni; Terra Obs.: Essa “reportagem” é uma obra de ficção e, portanto, não deve ser levada à sério. Nenhuma das pessoas, empresas, entidades ou associações citadas no texto foi efetivamente entrevistada ou consultada. Ah, e como ninguém aqui tem talento para ler mãos, i-ching, tarô, búzios, mapa astral ou bola de cristal, qualquer semelhança com a vida real foi uma grande coincidência. Posted by ubiraleal at 02:46 AM agosto 27, 2003 Springfield quer um lugar na MLS
Criada logo após a Copa de 1994, a MLS (Major League Soccer, a liga norte-americana do futebol tradicional) já teve momentos de euforia e crise. Inicialmente disputada por 10 equipes, teve uma expansão para 12 alguns anos depois. No entanto, a falta de retorno financeiro provocou o fechamento de duas franquias e a liga voltou para os 10. Pois agora há planos de crescer novamente. E não faltam candidatos. O primeiro é inusitado: o Chivas Guadalajara. O clube mais popular do México estaria pensando em formar uma segunda equipe (com sede em alguma cidade do sul dos Estados Unidos) para disputar a liga do vizinho do norte. O fato de o clube mexicano disputar o All Star Game da MLS esse ano seria um sinal da aproximação. Mas os planos da liga estão mais ao norte. Há uma idéia de montar um time na Filadélfia. Mas ainda faltam encontrar empresários que banquem a iniciativa e acertar com prefeitura ou alguma universidade local o uso de um estádio (considerando que a liga dá preferência para locais construídos especificamente para o soccer).
Por isso, um candidato que corre por fora pode ganhar essa corrida. Os Isotopes, da pequena Springfield, planejam abandonar o beisebol e tentar a sorte no futebol. Os isótopos contam com estádio próprio e o apoio da população local. Tudo começou quando a cidade recebeu um amistoso entre México e Portugal. As arquibancadas ficaram cheias e nem o quebra-quebra promovido pelos torcedores diminuiu o entusiasmo dos habitantes de Springfield pelo esporte. Além disso, Charles Montgomery Burns, proprietário de uma usina de energia nuclear na cidade, já teria demonstrado interesse em investir no esporte. “Excelente, excelente”, disse ele quando perguntado a respeito da idéia. A ligação entre a franquia e a usina nuclear não é nova, tanto que o nome do time é uma forma de promover a empresa energética. Mas há vozes contrárias ao ingresso dos Isotopes na MLS. A principal é de Homer Simpson, conhecido como Dancin’ Homer, mascote e torcedor-símbolo do time. “Futebol é coisa de boiola”, diz, deixando claro que prefere que a cidade continue com uma equipe de beisebol. “Duh”, completa.
Márcio Mazzetti Imagens: MLS, Tribute to the Simpsons, The Simpsons Showcase e Baseball America.
Obs.: Essa “reportagem” é uma obra de ficção e, portanto, não deve ser levada à sério. Nenhuma das pessoas, empresas, entidades ou associações citadas no texto foi efetivamente entrevistada ou consultada. Ah, e como ninguém aqui tem talento para ler mãos, i-ching, tarô, búzios, mapa astral ou bola de cristal, qualquer semelhança com a vida real foi uma grande coincidência. Na realidade, as partes verdadeiras do texto são as que se referem ao Chivas Guadalajara e um eventual time na Filadélfia. Ah, quanto aos isótopos, eles existem de fato. O Calgary Cannons, que diputa a Pacific Coast League de beisebol, se mudará para Albuquerque, no Novo México, com o novo nome de Albuquerque Isotopes (vale lembrar que os primeiros testes com a bomba atômica foram realizados no Novo México, mas os próprios donos da franquia admitem que a inspiração para o nome veio do desenho animado). Além disso, Springfield Isotopes é o nome de uma banda alemã de punkrock. Posted by ubiraleal at 03:53 AM agosto 12, 2003 Tricolores Anônimos
O receio de ser rebaixado mais uma vez já está mudando os costumes de tricolores do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro. Semifinalistas no Brasileirão do ano passado, ambos já dividiam os postos de descenso após a rodada do meio de semana. E estão percebendo que a saída pode estar em palavras e atitudes de apoio do mais próximo. Na realidade, o que ocorre com gremistas e tricolores cariocas são dois fenômenos relativamente independentes, mas iguais em seus princípios e no nome. Assim, já foram organizadas as primeiras reuniões dos "Tricolores Anônimos", tanto os gaúchos quanto os cariocas. Nelas, torcedores de Fluminense e Grêmio contam as dificuldades que passam por insistirem em torcer por seus times, no sofrimento que isso vem causando e, inclusive, em como tem atrapalhado a vida pessoal. É como uma reunião dos Alcoólicos Anônimos futebolística. "Eu vim para cá porque não conseguia mais parar de torcer pelo Fluminense. Tentei, minha mulher até me apoiou e fiquei dois meses sem ver um jogo", conta, com certo orgulho, Alencar (nenhum dos entrevistados para essa reportagem quis dar o nome completo). "Mas, esse fim-de-semana, depois do empate com o Cruzeiro, eu tive uma recaída. Vibrei, comecei a achar que o Joel Santana era um gênio e que o Lopes tinha dado um jeito no meio-campo do time", conta. "Depois de perder para o Fortaleza, voltei à realidade e vi que era hora de vir aqui conversar com vocês". Segundo os organizadores das reuniões, o mais difícil é assumir o problema, já que muitos viciados ainda pensam que são capazes de torcer pelos seus trcolores apenas socialmente e que, se precisarem, param. As reuniões do Fluminense são as mais emocionais, pois há torcedores que insistiram com o clube mesmo depois de 3 rebaixamentos seguidos. Alípio, por exemplo, achou que, com Branco, Paulinho McLaren e Ronaldo, o Flu ia subir para a Série A em 1998. Praxedes admite que, às vezes, pensa que Roger é tão bom quanto o Paulo César Caju e que Ézio é o novo Washington. "Só sairemos dessa se ficarmos juntos", resume Medeiros, o criador do grupo.
Em Porto Alegre a situação é parecida. As reuniões dos tricolores gaúchos começaram depois que Fagundes soube do trabalho dos colegas do Rio. "Lembro-me bem de 91 e não quero passar por aqui de novo", comenta. Por isso, se juntou a seu amigo André e criaram a versão sulista dos Tricolores Anônimos. Não há muitas diferenças conceituais em relação aos torcedores do Fluminense. Mas os gremistas desenvolveram técnicas radicais para os viciados mais graves. Um dos testes implementados para mostrar que a pessoa consegue deixar o Grêmio de lado consiste em vestir uma camisa vermelha durante uma reunião inteira. "Ninguém consegue, o que mostra que ainda há gente muito apegada ao clube. Essas estão fadadas a sofrer", conta Lobo, um dos gremistas que freqüenta as reuniões há mais tempo. Ele conta que, até agora, apenas André e Fagundes, os criadores dos Tricolores Anônimos porto-alegrenses conseguem usar roupas vermelhas por mais de 20 minutos. O maior problema do grupo de gremistas é a infidelidade de seus membros. O fato de o time só ter caído uma vez, e há 12 anos, desmemoriou muitos tricolores gaúchos. "É só o time ganhar um joguinho, como aquele contra o Santos no fim-de-semana passado, que já tem gente que põe foto do Jorge Mutt em um <i>t;, dizendo que agora já está tudo bem", comenta Fagundes. "Eles têm de tomar cuidado. Eu já estive no fundo do poço e sei como é difícil sair de lá&", acrescenta. Tanto os tricolores cariocas quanto os gaúchos confirmam a informação de que foram sondados por um grupo de Salvador. Seriam torcedores do Bahia, motivados pela derrota de 6x0 para o Flamengo, querendo criar outra versão dos Tricolores Anônimos. Ubiratan Leal Imagens: O Diário e Ari Ferreira / Lancenet Obs.: Essa "reportagem" é uma obra de ficção e, portanto, não deve ser levada à sério. Nenhuma das pessoas, empresas, entidades ou associações citadas no texto foi efetivamente entrevistada ou consultada. Ah, e como ninguém aqui tem talento para ler mãos, i-ching, tarô, búzios, mapa astral ou bola de cristal, qualquer semelhança com a vida real foi uma grande coincidência. Posted by ubiraleal at 06:02 AM julho 28, 2003 Paranaense 2x0 Porto-Alegrense Um grupo de defensores da língua portuguesa está tentando acabar com os erros gramaticais tão comuns no mundo do futebol. Ao contrário de outras investidas pela preservação do idioma no futebol, a intenção do Movimento pela Manutenção do Português Correto (MMPC) não é atacar os estrangeirismos. A organização busca apenas corrigir diversos termos futebolísticos gramaticalmente inadequados, de nomes de clubes a expressões utilizados nas transmissões. O primeiro item a ser atingido são os nomes dos clubes. O movimento defende que a definição de feminino ou masculino deva ser dada pela designação oficial da associação. Por exemplo, o Internacional de Porto Alegre é masculino porque é o Sport Club Internacional, enquanto que a Internacional de Limeira fica no feminino porque é a Associação Atlética Internacional. Da mesma forma, o Marília é masculino, mesmo “Marília” sendo uma palavra feminina. O nome completo da equipe do interior paulista é Marília Atlético Clube. Resumindo, equipes que se definem como “clube” e “grêmio” deveriam ser chamadas no masculino. “Associações”, “agremiações” e “sociedades” ficam no feminino. “Tem gente que não entendeu nossa proposta e acha isso desnecessário”, afirma Washington Rossi, presidente e fundador do MMPC. “Mas um dos maiores clubes do Brasil é chamado incorretamente no masculino.” Ele se refere ao Palmeiras que, por ser uma sociedade esportiva, deveria ter o nome no feminino. O segundo ponto, mais polêmico, é a denominação popular dos clubes. Os integrantes do movimento defendem que as equipes sejam conhecidas pelo nome real, não por definições. Assim, mudariam de nome Náutico, Grêmios, Esportivos, Sports e Atléticos. “Chamar um clube de ‘Náutico’ é como chamar o Flamengo de ‘Regatas’”, explica Rossi. Ele considera que o Atlético-PR deveria ser Paranaense, Atlético-MG ficaria como Mineiro, Atlético-GO seria o Goianiense, Grêmio mudaria para Porto-Alegrense, o Náutico passaria a Capibaribe e o Sport viraria Recife. Indagado se isso não poderia desagradar às torcidas, o presidente do MMPC acha que isso é apenas uma questão de falta de costume. O último item é a ordem da nomenclatura. “atlético clube”, “esporte clube” e “futebol clube” estão vetados, por serem uma tradução literal do inglês “athletic club”, “sport club” e “football club”. De acordo com o uso mais comum na língua portuguesa, o adjetivo fica depois do substantivo, como em “grêmio esportivo”, “sociedade esportiva”, “clube atlético” e “associação atlética”. Assim, clubes com “futebol clube” devem mudar para “clube de futebol” e “esporte clube” passaria a “clube esportivo”. “Pode parecer meio exótico, mas é porque não estamos acostumados”, afirma Rossi. “O Real Madrid, por exemplo, é Real Madrid Club de Fútbol.” Apesar das polêmicas, a organização não se considera radical. Para eles, radicais eram os que defendiam a latinização da palavra futebol para balípodo ou ludopédio. “Não faz o mínimo sentido, já que futebol já é uma aportuguesação mais que suficiente.” Outro ponto pelo qual os membros do MMPC não se vêem como intransigentes é o fato de aceitarem que clubes como Sport Club Corinthians Paulista, Sport Club Internacional, Fluminense Football Club e Coritiba Football Club mantenham suas designações em inglês, contanto que sigam as normas do idioma anglo-saxão. Para que as idéias tenham resultado mais efetivo, eles prepararam uma cartilha e pretendem transformar alguns pontos em lei federal. Para tanto, imaginam ter o apoio do deputado federal Aldo Rebello (PC do B-SP). “Ele sempre se disse defensor da língua portuguesa e do futebol brasileiro”, afirma o presidente da associação. “Porque não defender a língua portuguesa dentro do futebol brasileiro?”, completa. Gilberto Meazza e Márcio Mazzetti Obs.: Essa “reportagem” é uma obra de ficção e, portanto, não deve ser levada à sério. Nenhuma das pessoas, empresas, entidades ou associações citadas no texto foi efetivamente entrevistada ou consultada. Inclusive, nesse caso, elas sequer existem. Ah, e como ninguém aqui tem talento para ler mãos, i-ching, tarô, búzios, mapa astral ou bola de cristal, qualquer semelhança com a vida real foi uma grande coincidência. Posted by ubiraleal at 11:57 PM julho 11, 2003 O veto às mensagens nas camisas Durante a Copa das Confederações, a Fifa determinou que nenhum jogador poderá, em qualquer parte do mundo, tirar a camisa de seu clube para mostrar alguma mensagem por baixo. Essa é uma forma de preservar os patrocinadores que compram espaço nos uniformes e evitar desconforto ou choques culturais por manifestações políticas ou religiosas por parte dos atletas. Pelo menos essa é a versão oficial. Mas o <i>Balípodo</i> descobriu a verdadeira razão para tal proibição. O uso de camisas com mensagens desmoralizava a indústria de materiais esportivos, afetando, conseqüentemente, a venda de seus produtos. O motivo é simples: para cobrar R$ 100 por uma camisa de futebol, os fabricantes alegam que investem em pesquisas para desenvolver tecidos leves e frescos, que expulsem o suor e dêem mais conforto ao jogador, que teria mais condições de soltar seu talento. No entanto, isso vai por água abaixo quando todo mundo vê que alguns dos principais jogadores do mundo jogam com uma vestimenta básica de algodão, com uma estampa improvisada, em contato direto com o suor. “Por mais que tentemos, fica difícil explicar os benefícios advindos dos tecidos que empregamos em nossos produtos”, confirma o diretor técnico de uma empresa italiana de materiais esportivos. “O departamento financeiro colocava sempre em dúvida a necessidade de manter a verba para pesquisas em novos tecidos.” Na realidade, os empresários do setor tentaram tirar proveito da situação em um primeiro momento. Alguns jogadores usaram camisas com mensagens fabricadas pelos seus patrocinadores pessoais. O tecido utilizado era o mesmo dos uniformes. Assim, a empresa poderia justificar o uso de tecidos caros nas vestimentas dos clubes. Até houve uma tentativa de comercialização de tais vestimentas. Por ser um dos mercados que mais consome artigos futebolísticos, uma empresa do setor escolheu a Inglaterra como campo de treinamento. Em Liverpool, essa marca vendeu uniformes do Liverpool com o nome do centroavante Robbie Fowler nas costas e, por baixo, uma segunda camisa com inscrições a favor do Partido Trabalhista britânico. Foi um fracasso, pois o produto foi rejeitado pelos torcedores que não simpatizam com o primeiro-ministro Tony Blair. O mesmo ocorreu em Portugal. O fornecedor de material esportivo do Sporting chegou a fabricar camisas do brasileiro Jardel com a inscrição “Será?” por baixo. O uniforme só não foi colocado nas lojas porque a direção da empresa de material esportivo considerou a frase boba e pouco carismática. Mensagens religiosas Mesmo assim, a maior dificuldade foi a concorrência entre os próprios fabricantes. Cada empresa quis comercializar camisas com as inscrições de seus principais patrocinados. No entanto, o registro das frases – meio de evitar a pirataria e o plágio – causou diversos impasses. Todos os fabricantes queriam usar as frases “Jesus Salva” e “Deus é fiel”. “Foi ridículo. Cada empresa de material esportivo tinha sob contrato pelo menos 15 jogadores que usavam camisas escritas ‘Jesus Salva’ sob o uniforme”, conta um dos advogados chamados para tentar resolver o litígio e que preferiu permanecer no anonimato. As negociações foram difíceis porque pouca coisa sobrava além das duas frases de cunho religioso. Nenhum fabricante quis registrar mensagem a esposas de atletas. “E se o cara resolve se separar? O que fazemos com a camisa?”, pergunta o gerente de marketing de uma das empresas brasileiras envolvidas no caso. “Além disso, mensagens a esposas teriam pouca vendagem. Um consumidor que namorasse uma Joana nunca compraria uma camisa com mensagem de amor a uma Fernanda”, completa. A fabricação de camisas com fotos da família dos jogadores não vingou pelo alto custo. Os advogados das empresas alertaram que quem comercializasse esse produto teria de pagar direito de imagem a todas as pessoas que aparecessem, incluindo bebês recém-nascidos. De acordo com uma fonte bastante envolvida no caso, mas que não quis se identificar, a empresa norte-americana que mantém contrato com a CBF já tinha modelos prontos com inscrições por baixo. Tais peças seriam utilizadas na Copa do Mundo de 2002. Mas, como não se chegou a um acordo, tiveram de deixar a camisa de baixo lisa, sem nenhuma mensagem. Seria esse, e não uma tecnologia especial, o motivo de os jogadores brasileiros vestirem uniformes duplos no torneio realizado na Ásia. Segundo essa mesma fonte, diretores desse fabricante ficaram furiosos durante a final da Copa, quando Edmílson se confundiu com a dupla camisa e quando Cafu escreveu, em caneta hidrocor, uma mensagem sobre a camada principal do uniforme. A situação vivida pela empresa que fabrica os uniformes do Brasil esgotou a paciência da Fifa. Percebendo que as mensagens em camisas não trariam lucro e ainda diminuíam a exposição de patrocinadores, a entidade resolveu banir tais peças dos vestuários dos atletas de futebol. Márcio Mazzetti Obs.: Essa “reportagem” é uma obra de ficção e, portanto, não deve ser levada à sério. Nenhuma das pessoas, empresas, entidades ou associações citadas no texto foi efetivamente entrevistada ou consultada. Ah, e como ninguém aqui tem talento para ler mãos, i-ching, tarô, búzios, mapa astral ou bola de cristal, qualquer semelhança com a vida real foi uma grande coincidência. Posted by ubiraleal at 11:01 PM Big Brother Seleção Brasileira Fontes ligadas à Rede Globo confirmam planos ousados da emissora para o futebol. De uma parceria entre as Centrais de Produção e Jornalismo pode surgir o Big Brother Seleção Brasileira (nome provisório). A idéia é usar a concentração dos jogadores como se fosse a casa do reality show. À medida que os jogos ocorrem, alguns jogadores são eliminados. Há indícios de que o projeto já está em fase adiantada de planejamento. Tanto que uma equipe de profissionais da emissora carioca acompanhou a concentração da seleção na França durante a Copa das Confederações. Cada mês representaria uma fase. O jogador que atuar mal ou não tiver comportamento adequado na concentração poderá ser eliminado pelos telespectadores. “Já pensou se, no paredão, vai um jogador desagregador e outro que leva mulheres para a concentração?”, indaga-se um funcionário da Globo envolvido na criação do programa. A CBF já teria aprovado o programa. No entanto, a emissora enfrenta dois problemas: a resistência do técnico Carlos Alberto Parreira, que teme ingerência no comando da seleção, e as negociações do direito de imagens dos jogadores. Mas há pressa por parte da rede de TV. O motivo não é apenas técnico. Há receio de que o SBT se adiante e coloque no ar uma atração parecida. O programa da emissora de Sílvio Santos já teria até nome e formato definidos: chamar-se-ia “Casa dos Atletas” e mostraria o dia-a-dia do Palmeiras na Série B. “O Picerni e a diretoria do Palmeiras já costumam afastar jogadores”, comenta um funcionário do SBT que não quis ser identificado. “O ‘Casa dos Atletas’ apenas daria um empurrãozinho a eles”, acrescenta. De acordo com esse funcionário, usar profissionais decadentes ou desconhecidos já teria dado certo no ‘Casa dos Artistas’. “Não tem como dar errado com um clube decadente”, ironiza ele, que admite ser são-paulino. A cartilha de conduta e a limitação das entrevistas no alviverde já fariam parte das exigências da emissora paulista para produzir o programa. O SBT teme que um excesso de exposição dos jogadores em noticiários possa roubar audiência do programa. Segundo diretores do clube, o “Casa dos Atletas” só não estaria no ar porque a emissora insiste em integrar o ator Alexandre Frota ao elenco palmeirense como forma de atrair mais telespectadores. “O Palmeiras contrata jogador sem nenhum critério, mas aceitar o Alexandre Frota é demais até para o Mustafá”, afirma um conselheiro. Ubiratan Leal Obs.: Essa “reportagem” é uma obra de ficção e, portanto, não deve ser levada à sério. Nenhuma das pessoas, empresas, entidades ou associações citadas no texto foi efetivamente entrevistada ou consultada. Ah, e como ninguém aqui tem talento para ler mãos, i-ching, tarô, búzios, mapa astral ou bola de cristal, qualquer semelhança com a vida real foi uma grande coincidência. Posted by ubiraleal at 10:56 PM |
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