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janeiro 13, 2004 E se Kaká fosse um fiasco na Europa?
Futebol é um esporte de chutes. Principalmente fora de campo, onde dirigentes, torcedores e jornalistas praticam o exercício da adivinhação a cada rodada. O texto a seguir é o primeiro de uma série chamada "E se...". Nele, vamos esquecer que Kaká foi capa da Newsweek especial “Quem será capa em 2004”, que seus primeiros seis meses de Itália foram de pleno sucesso e vamos imaginar o que aconteceria se tudo tivesse dado errado. Voltemos um pouco no tempo. No início de 2003, todos davam como certa a transferência de Kaká para o Milan. Não fosse a fraca campanha da Internazionale em 2002, isso seria verdade. Ex-jogador do Milan e do São Paulo, Leonardo já havia convencido o jogador e seu empresário, lançando mão de argumentos como as inúmeras vantagens de jogar no calcio, de viver em Milão e da boa quantia de dinheiro que isso lhes renderia. Porém a rivalidade milanesa falou mais alto. Os dirigentes da Inter faturaram alto com a venda de Crespo para o Chelsea e queriam um atacante leve, técnico e jovem para fazer dupla com Vieri. Não deu outra. A Inter dobrou a proposta do rival e Kaká foi, como esperado, a Milão, mas para jogar de azul. Ao chegar na Bota, o atacante leu nas páginas cor-de-rosa da Gazzeta dello Sport mais uma frase polêmica de seu futuro técnico, o argentino Hector Cúper: “Nunca mais gostaria de treinar um brasileiro'”. O pior: a torcida nerazurra, ainda ressentida com a saída de Ronaldo, também recebeu o brasileiro de maneira hostil. Alguns tifosi ergueram faixas dizendo: “ACABOU O CARNAVAL”. A metade rubro-negra de Milão teve outra decepção quando seu capitão de tantos anos, Paolo Maldini, sofreu estúpido acidente de carro que tirou sua vida. Com a bola rolando no calcio, as equipes surpreenderam e mudaram de papel. Enquanto isso, o relacionamento de Kaká com Cúper se deteriorava a cada jogo. A imprensa dizia que Kaká só vestia camisa interista por causa da pressão dos dirigentes. Na 10ª rodada, Cuper respondeu aos comentários deixando Kaká fora da relação de jogadores que participariam do jogo contra o Chievo. Partida que a Inter perdeu em casa, o que provocou a demissão do argentino.
Kaká teria finalmente a oportunidade de jogar em um esquema mais ofensivo e mostrar seu futebol, já esquecido por Parreira e até por Ricardo Gomes, que entendiam que o atleta passava por um difícil período de adaptação. A própria imprensa brasileira já deixava de lado seu xodó. Agora, o destaque era Jorge Wágner (foto), sensação da Liga dos Campeões pelo Lokomotiv Moscou e pretendido por clubes ingleses, italianos, espanhóis e alemães. A primeira oportunidade veio contra logo contra a Juventus, vice-líder na liga e único time que conseguiu perder de menos de 3 gols do Milan. Kaká fez um bom primeiro tempo, porém, uma dividida desastrada com o francês Thuram transformou os ligamentos cruzados de seu joelho direito em migalhas. A complicada contusão rendeu boatos de que Kaká apenas inventou uma desculpa para rescindir com a Inter e voltar chorando para o Brasil. Nada mais injusto. Mesmo jovem e sem um histórico de contusões, o antigo craque do Morumbi sofreu três cirurgias. Mas nem a fisioterapia não dava resultados depois de oito meses de trabalhos com os melhores profissionais. A Internazionale emprestou Kaká para o Bologna na temporada seguinte. Em um clube fraco e sem motivação, seu desempenho foi decepcionante e, para tentar uma vaga entre os titulares, o atacante brasileiro aceitou jogar até de lateral-direito improvisado. Após seis meses, o grande mercado europeu fechava as portas a ele. Em uma jogada de sorte, Kaká conseguiu uma transferência para o futebol grego. Giovanni, craque que levou o Santos ao vice-campeonato brasileiro em 1995, anunciou que deixaria o Olimpiakos. Os dirigentes logo foram atrás de Kaká. O novo craque brasileiro, foi bem no Campeonato Grego e teve atuações medíocres na Liga dos Campeões e na Copa da UEFA, o que lhe garantiu o emprego e uma bela vista para o mar mediterrâneo durante muitos anos. Em 2006, Milton Neves apresenta o quadro “Por onde anda?” na rádio Jovem Pan falando sobre Kaká. Um ouvinte declarou por telefone: “Ele era tão bom. Por que será que não deu certo?”
Juliano Barreto Obs.: Essa “reportagem” é uma obra de ficção e, portanto, não deve ser levada a sério. Nenhuma das pessoas, empresas, entidades ou associações citadas no texto foi efetivamente entrevistada ou consultada. Ah, e como ninguém aqui tem talento para ler mãos, i-ching, tarô, búzios, mapa astral ou bola de cristal, qualquer semelhança com a vida real foi uma grande coincidência. Imagens: Kaká site não-oficial, Lokomotiv Moscou e Energia 97 FM Posted by ubiraleal at 08:30 PM dezembro 15, 2003 Uma nova forma de transmitir jogos
Na final da Copa do Brasil entre Cruzeiro e Flamengo, o narrador Galvão Bueno foi alvo de xingamentos, ameaças e outras coisas pouco agradáveis de parte da torcida azul que estava no Mineirão. Por esse motivo, ele não foi a Belo Horizonte transmitir o decisivo Cruzeiro x Paysandu, o que, claro, reduziu a qualidade de seu trabalho. Mas já surge uma alternativa mais barata para se transmitir jogos “no estádio” sem sofrer ameaças ou arcar com os custos de passagem aérea e hospedagem de narrador e comentarista. É a videoconferência chegando no futebol. O sistema é um meio termo entre a transmissão nas cabines e a feita do estúdio, diante de um aparelho de televisão. Nesse método, o narrador e o comentarista ficam no estúdio, mas vêm tudo o que acontece em campo por um monitor de computador com câmera ligado na internet. E quem olhar a cabine poderá ver a equipe de transmissão em um monitor instalado no estádio. “Essa tecnologia permite uma transmissão menos fria que a tradicional feita do estúdio, pois, de alguma forma, estamos dentro do estádio”, comenta um narrador de rádio que utilizou a tecnologia de forma experimental. Em comparação com a transmissão diante do vídeo, a videoconferência tem a vantagem de permitir que a visão de narrador e comentarista não se limitem às câmeras da transmissão. Como a visão deles é feita pela câmera instalada no monitor, é possível virar o monitor para ver um detalhe do campo ou do estádio sem prejudicar a imagem que chega aos telespectadores. Para isso, basta haver um produtor na cabine em contato com a equipe de transmissão, direcionando a câmera do computador sempre que for requisitado. Na verdade, as melhorias nas condições de segurança dos jornalistas é uma questão secundária. O grande benefício é mesmo financeiro. Sem ter de bancar a ida de narrador, repórter e comentarista para outra cidade, as emissoras de televisão economizarão um bom dinheiro, medida importante em um período de crise financeira nos meios de comunicação. Márcio Mazzetti Obs.: Essa “reportagem” é uma obra de ficção e, portanto, não deve ser levada a sério. Nenhuma das pessoas, empresas, entidades ou associações citadas no texto foi efetivamente entrevistada ou consultada. Ah, e como ninguém aqui tem talento para ler mãos, i-ching, tarô, búzios, mapa astral ou bola de cristal, qualquer semelhança com a vida real foi uma grande coincidência. Posted by ubiraleal at 10:17 PM outubro 05, 2003 Meio-time no Paulistão
Mudou a direção da Federação Paulista de Futebol, mas a filosofia de inventar no regulamento do campeonato estadual continua. A primeira novidade é dividir um torneio de 21 clubes em dois grupos. Oficialmente, a proposta é de fazer um grupo com 11 e outro com 10 clubes. Mas ainda pode haver novidades. Muitos clubes paulistas (como qualquer pessoa sensata) acham fora de propósito fazer um campeonato com número desigual de participantes em cada grupo. Assim, já há conversas nos bastidores para que a divisão seja igual, mas sem repescar nenhum clube (em tese seria o Botafogo de Ribeirão Preto), pois não seria ético. Dessa forma, tenta-se criar um modelo em que cada chave tivesse 10 participantes e meio. Além de igualar aos grupos, a medida pode servir como salvação econômica de muitos clubes. Com a crise financeira no futebol brasileiro em geral, muitas equipes terão dificuldade para fechar as contas no final do campeonato, pagando salários para 22 jogadores, comissão técnica e custos administrativos com a cota da TV e a arrecadação de apenas 5 ou 4 jogos como mandante (caso o time não passe de fase). Nessa proposta, o clube que se dividir ao meio poderá participar nos dois grupos. Dos 22 atletas do elenco, metade vai para o Grupo A e metade para o B. O clube decidiria quantos jogadores os meio-times colocariam em campo e quantos ficariam no banco. É evidente que a equipe que se dividir estará renunciando às suas chances de classificação. Mesmo assim, ela dobraria o número de partidas em casa sem aumentar os gastos com salários. Pode ser o suficiente para tornar o Paulistão rentável. O maior problema para implementar essa idéia não é o regulamento, mas criar um método aceito por todos para escolher que clube se dividirá. Dizem nos bastidores que sobram candidatos para esse posto. Márcio Mazzetti Imagem: Consladel Obs.: Essa “reportagem” é uma obra de ficção e, portanto, não deve ser levada à sério. Nenhuma das pessoas, empresas, entidades ou associações citadas no texto foi efetivamente entrevistada ou consultada. Ah, e como ninguém aqui tem talento para ler mãos, i-ching, tarô, búzios, mapa astral ou bola de cristal, qualquer semelhança com a vida real foi uma grande coincidência. Posted by ubiraleal at 02:59 AM setembro 11, 2003 O Estatuto da Bola
Além de amargar a última posição no Campeonato Brasileiro, ver a Série B cada vez mais perto e conviver com uma enorme dívida, o Grêmio sofre, agora, mais uma ameaça. Um grupo de profissionais está analisando diversas partidas do tricolor gaúcho e pretende enquadrar o clube no recém-aprovado Estatuto da Bola. Motivo: maltratar o esférico. A punição vai de uma simples multa à uma suspensão de 12 meses, período no qual a equipe deveria passar por cursos de reciclagem até voltar a respeitar os direitos da bola. A notícia surpreendeu a todos no Olímpico. Afinal, ninguém sequer sabia da existência de tal lei. Por ter sido sancionada na mesma época do Estatuto do Torcedor, mesmo a imprensa pouco falou do Estatuto da Bola. “Sabia que não devíamos jogar mal, mas nunca imaginei que pudesse virar caso judicial”, admite um jogador do elenco gremista. “Agora, se maltratar a bola é crime, admito que estamos com a ficha suja” completa. Mas nem todos no Olímpico estão resignados. “Essa lei é um absurdo porque não respeita diferenças culturais”, brada um integrante da comissão técnica. “Não maltratamos a bola, só jogamos no estilo gaúcho, como sempre fizemos.” Mas as reclamações gremistas não têm base legal. O Estatuto da Bola não fala nada a respeito de jogar bonito e aberto, pois não abrange a qualidade das partidas em si. O Estatuto apenas busca proteger a bola de futebol de agressões como furadas, divididas, erros no domínio, chutões para a arquibancada, passes tortos e gramados esburacados. A idéia partiu do Sindibola (Sindicato das Bolas de Futebol) depois da quantidade enorme de reclamações de seus associados. Os números da entidade, realmente, assustam. Em 2002, mais de 500 bolas de futebol passaram por tratamento psicológico após os traumas. Outras 600 pediram licença médica. “As companhias de seguro saúde já estão cobrando muito alto para fornecer o plano que o sindicato acha justo para seus associados”, conta Tricolore, presidente do Sindibola. A dirigente sindical comenta que uma bola sofre muito durante a partida, porém, ninguém se importa. Por exemplo, quando um jogador não acerta um chute em cheio, o esférico anda lentamente e pingando. “Ninguém percebe, mas a bola está mancando de dor”, revolta-se.
Como o Estatuto ainda é desconhecido da maioria, pouca coisa mudou nesse ano. Ainda assim, já se vê sinais de evolução. Após a ameaça de multa, o Goiás resolveu se enquadrar no estatuto. O mesmo ocorreu com o Fluminense há duas semanas. “Até mandamos uma carta agradecendo a jogadores e à comissão técnica do Goiás pela forma como entenderam perfeitamente o espírito do Estatuto da Bola”, afirma a sindicalista. “Só o Grêmio que ainda desrespeita a lei, com a alegação vazia de diferenças culturais.” Mas não é só o tricolor gaúcho que está confrontando o Sindibola. Nos bastidores, diversos jogadores se dizem contrários à lei, afirmando que o exercício da profissão fica cerceado e que futebolistas não podem responder penalmente por jogar mal o esporte. Em comunicado oficial, o sindicato dos atletas profissionais do Rio de Janeiro diz que “em muitos casos, os erros de passe e domínio são de responsabilidade das bolas, que não atendem às especificações da Fifa”. Mas, se isso for verdade, a culpa recai sobre as federações, que autorizam jogos com bolas despreparadas para participarem de um jogo profissional. A FBA (Futebol Brasil Associados, entidade que reúne a maior parte dos integrantes da Série B) também se movimenta. “Nas Séries B e C há muito jogador ruim. Se aplicarem o infeliz estatuto com rigor, será impossível fazer qualquer partida nesses campeonatos”, brada o presidente de um clube integrante da Série B. “Estão querendo acabar com o espírito do futebol, transformá-lo em espetáculo para uma elite que poderá pagar por 22 jogadores tecnicamente bons.” Mas o Sindibol se defende afirmando que, nessa primeira fase, poupará a Série B para permitir uma adaptação mais cuidadosa. Inclusive, observadores e advogados da entidade estiveram no Parque Antárctica para assistir ao jogo Palmeiras x Botafogo. A idéia era estudar as condições de trabalho das bolas na Segundona. “Escolhemos um jogo de dois grandes porque pensamos que teríamos bons resultados”, conta Precision, diretor jurídico do sindicato. “Ficamos horrorizados com a maneira como botafoguenses e palmeirenses machucaram nossas companheiras.” Se foi assim a Segunda Divisão, é bom a entidade ficar preparada, pois em 17 desse mês começa a Série C.
Rodrigo Leme e Ubiratan Leal Imagens: 3D Online; Grêmio e Rogério Lorenzoni; Terra Obs.: Essa “reportagem” é uma obra de ficção e, portanto, não deve ser levada à sério. Nenhuma das pessoas, empresas, entidades ou associações citadas no texto foi efetivamente entrevistada ou consultada. Ah, e como ninguém aqui tem talento para ler mãos, i-ching, tarô, búzios, mapa astral ou bola de cristal, qualquer semelhança com a vida real foi uma grande coincidência. Posted by ubiraleal at 02:46 AM agosto 27, 2003 Springfield quer um lugar na MLS
Criada logo após a Copa de 1994, a MLS (Major League Soccer, a liga norte-americana do futebol tradicional) já teve momentos de euforia e crise. Inicialmente disputada por 10 equipes, teve uma expansão para 12 alguns anos depois. No entanto, a falta de retorno financeiro provocou o fechamento de duas franquias e a liga voltou para os 10. Pois agora há planos de crescer novamente. E não faltam candidatos. O primeiro é inusitado: o Chivas Guadalajara. O clube mais popular do México estaria pensando em formar uma segunda equipe (com sede em alguma cidade do sul dos Estados Unidos) para disputar a liga do vizinho do norte. O fato de o clube mexicano disputar o All Star Game da MLS esse ano seria um sinal da aproximação. Mas os planos da liga estão mais ao norte. Há uma idéia de montar um time na Filadélfia. Mas ainda faltam encontrar empresários que banquem a iniciativa e acertar com prefeitura ou alguma universidade local o uso de um estádio (considerando que a liga dá preferência para locais construídos especificamente para o soccer).
Por isso, um candidato que corre por fora pode ganhar essa corrida. Os Isotopes, da pequena Springfield, planejam abandonar o beisebol e tentar a sorte no futebol. Os isótopos contam com estádio próprio e o apoio da população local. Tudo começou quando a cidade recebeu um amistoso entre México e Portugal. As arquibancadas ficaram cheias e nem o quebra-quebra promovido pelos torcedores diminuiu o entusiasmo dos habitantes de Springfield pelo esporte. Além disso, Charles Montgomery Burns, proprietário de uma usina de energia nuclear na cidade, já teria demonstrado interesse em investir no esporte. “Excelente, excelente”, disse ele quando perguntado a respeito da idéia. A ligação entre a franquia e a usina nuclear não é nova, tanto que o nome do time é uma forma de promover a empresa energética. Mas há vozes contrárias ao ingresso dos Isotopes na MLS. A principal é de Homer Simpson, conhecido como Dancin’ Homer, mascote e torcedor-símbolo do time. “Futebol é coisa de boiola”, diz, deixando claro que prefere que a cidade continue com uma equipe de beisebol. “Duh”, completa.
Márcio Mazzetti Imagens: MLS, Tribute to the Simpsons, The Simpsons Showcase e Baseball America.
Obs.: Essa “reportagem” é uma obra de ficção e, portanto, não deve ser levada à sério. Nenhuma das pessoas, empresas, entidades ou associações citadas no texto foi efetivamente entrevistada ou consultada. Ah, e como ninguém aqui tem talento para ler mãos, i-ching, tarô, búzios, mapa astral ou bola de cristal, qualquer semelhança com a vida real foi uma grande coincidência. Na realidade, as partes verdadeiras do texto são as que se referem ao Chivas Guadalajara e um eventual time na Filadélfia. Ah, quanto aos isótopos, eles existem de fato. O Calgary Cannons, que diputa a Pacific Coast League de beisebol, se mudará para Albuquerque, no Novo México, com o novo nome de Albuquerque Isotopes (vale lembrar que os primeiros testes com a bomba atômica foram realizados no Novo México, mas os próprios donos da franquia admitem que a inspiração para o nome veio do desenho animado). Além disso, Springfield Isotopes é o nome de uma banda alemã de punkrock. Posted by ubiraleal at 03:53 AM |
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