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outubro 06, 2004 A versão inglesa da Ponte Preta 2004
O fato de a Ponte Preta, mesmo com um saldo de gols absurdamente negativo (-19), se manter entre os líderes do Campeonato Brasileiro ainda causa estranhamento. Pois, há 12 anos, começava uma história parecida – no fundo, matematicamente até mais impressionante – com essa na Inglaterra. Justamente com um clube que reapareceu na elite nessa temporada, o Norwich City. Em 1991-92, como a Ponte em 2003, os canários ingleses só escaparam do rebaixamento nas últimas rodadas. Ficaram em 18º, (entre 22), apenas três pontos à frente do Luton Town, 20º e o melhor dos rebaixados. Vale lembrar que, naquela época, a vitória já valia três pontos no Campeonato Inglês. Assim, era lógico que entrassem no torneio em 1992-93 com o objetivo de fugir mais uma vez da Segunda Divisão. Porém, a estréia já mostrou que o Norwich City teria melhor sorte naquele ano. Jogando em Highbury, os canários venceram o Arsenal por 4x2, mesmo voltando do intervalo tendo de recuperar um 0x2. Aquele jogo ficou famoso pelo fato de a diretoria do Arsenal ter colocado um grande paredão pintado com uma arquibancada lotada para cobrir os trabalhos de reforma de uma das arquibancadas. As rodadas seguintes foram cheias de vitórias apertadas do Norwich. Dessa forma, nem uma derrota normal e esperada para o Manchester United por 3x1 impediu que, na quinta rodada, os canários fossem lideres isolados da competição. Assim continuou até a 11ª rodada, quando enfrentaram fora de casa o Blackburn, então vice-líder da competição. Era 3 de outubro de 1992 e naquele momento, o Norwich do técnico Mike Walker e do atacante Chris Sutton colecionava 23 pontos, com 7 vitórias, 2 empates e uma derrota, 19 gols feitos e 12 sofridos. Nada mal. No entanto, em uma atuação feliz dos atacantes Wegerle e Shearer, o Blackburn venceu por incontestáveis 7x1 e assumiu a liderança, com 24 pontos. Além disso, colocou o saldo dos canários perto do limite (+1). Na rodada segunte, uma vitória por 2x1 sobre o Queen’s Park Rangers, associada ao empate entre Blackburn e Aston Villa, recolocou o Norwich na ponta. Na semana seguinte, os canários foram novamente goleados (1x4 para o Liverpool), mas, com o empate entre Blackburn e Manchester United, permaneceram na dianteira. E, como a Ponte Preta, já estava com saldo de gols negativos.
Na 15ª rodada, o Norwich aproveitou uma combinação feliz de resultados e abriu 3 pontos de vantagem para o segundo colocado. E nem assim conseguia estar com saldo no azul. Estava justamente com 0. Era inevitável que a seqüência de vitórias magras melhorasse esse cenário. Após 18 jogos, os canários já estavam com saldo de +3, ainda assim, muito pouco para quem estava com uma folga de 8 pontos para os segundos colocados Aston Villa, Blackburn e Chelsea. Duas derrotas seguidas já puseram a campanha do Norwich em seu estranho caminho, com saldo negativo e liderança. Essa situação anacrônica permaneceu até a 23ª rodada (a segunda do returno), quando o Norwich, com saldo de -1, foi ultrapassado por Aston Villa e Manchester United. Os canários ainda brigariam pelo título por muitas rodadas, perdendo e reassumindo a liderança. Aos poucos, o ritmo de várias vitórias pequenas e algumas derrotas duras foi deixando o Norwich um pouco para trás, até porque Aston Villa a Manchester United entraram em uma grande seqüência de bons resultados. Mesmo assim, os canários ingleses conseguiram 72 pontos (o campeão, Manchester United, ficou com 84), com 21 vitórias, 9 empates e 12 derrotas, o suficiente para assegurar um extraordinário 3º lugar e garantir sua primeira participação na Copa da Uefa. Ah, claro, terminou com saldo de gols negativos. Fez 61 gols e sofreu 65. *
A bizarra campanha do Norwich City foi ofuscada por dois fatos. A temporada 1992-93 foi a que marcou a instituição da Premier League. Mais que isso, o título do Manchester United marcou o fim de 26 anos de estiagem de títulos do clube mais popular da Inglaterra. Era o início de mais de uma década de domínio dos red devils no futebol britânico. *
Tão impressionante quanto a Ponte Preta de 2004 ou o Norwich de 1993 foi o Coritiba de 1985, que foi campeão brasileiro com saldo de gols -2. Mas esse fenômeno foi ajudado pelo fato de o Brasileirão daquele ano ser composto por várias fases, pequenos grupos classificatórios e outros mecanismos que não premiam a regularidade. *
Em 1993-94, a campanha do Nowich City na Copa da Uefa foi surpreendentemente boa. Na primeira fase, os canários apssaram com facilidade pelo Vitesse, da Holanda. Na segunda, venceram o Bayern de Munique por 2x1 na Baviera (primeira vitória de um clube inglês sobre o Bayern na Alemanha) e empatou em casa, passando às oitavas-de-final. Só então o time inglês caiu, perdendo por 1x0 nos dois confrontos contra a Internazionale (os dois gols foram de Bergkamp). Os milaneses se tornariam campeões, após bater o Casino Salzburg na final. *
Em 1994-95, o Norwich continuou brigando por lugares para a Copa da uefa. O clube terminou o primeiro turno da Premiership em 7º. No entanto, uma seqüência de péssimos resultados na fase decisiva fez com que o clube fosse surpreendentemente rebaixado. Só voltou nessa temporada. Ubiratan Leal Imagens: Premier Gazzetta e Norwich City site não-oficial Posted by ubiraleal at 04:08 AM agosto 10, 2004 Período moderno LOS ANGELES 1984 Era a brecha que o Brasil precisava para sonhar pela primeira vez com o ouro olímpico. O fato de muitos clubes não haverem cedido seus jogadores não tirou as possibilidades daquela seleção, composta basicamente por atletas do Internacional e dirigido por Jair Picerni, técnico do Corinthians na época. A primeira fase deu motivos para otimismo, com 100% de aproveitamento que tinha a Alemanha Ocidental (com os futuros campeões mundiais Brehme e Buchwald), Marrocos (time que viria a se tornar a revelação da Copa de 86) e Arábia Saudita. Os alemães-ocidentais ficaram com o segundo lugar no grupo. Nas outras chaves também não houve grandes surpresas. França e Chile superaram Noruega e Catar, Iugoslávia (único país do Leste Europeu a disputar o futebol olímpico em 84) e Canadá passaram por Camarões (de Roger Milla) e Iraque e Itália e Egito deixaram pelo caminho Estados Unidos e Costa Rica. Nas quartas-de-final o Brasil teve problemas. Após um empate em 1x1 com o Canadá (o gol brasileiro foi de Gilmar Popoca), a vaga nas semifinais foi decidida nos pênaltis. O Brasil venceu por 5x3 e continuou sua busca pelo ouro. O favoritismo também prevaleceu nas outras partidas, com vitórias de Itália, França e Iugoslávia sobre Chile, Egito e Alemanha Ocidental. O Brasil decidiu com a Itália uma vaga na final e a garantia da conquista de uma medalha olímpica. A azzurra também estava com um time forte, com Tancredi, Vierchowod, Ferri, Filippo Galli, Franco Baresi, Bagni, Serena, Fanna e Massaro. O jogo terminou em 1x1, mas, na prorrogação, um gol do lateral-direito Ronaldo deu a vitória ao Brasil. Na outra semifinal, a França fez 2x0 no primeiro tempo, mas permitiu o empate iugoslavo. No prolongamento, os franceses fizeram mais dois gols e também chegaram à sua primeira final olímpica na modalidade.
Para azar do Brasil, 1984 parecia ser o ano da França. A seleção principal conquistara, em casa, a Eurocopa dois meses antes. Em Los Angeles, foi a vez da equipe olímpica garantir um título ao futebol gaulês. A vitória por 2x0 sobre o Brasil veio com dois gols no segundo tempo. Ainda assim, a prata foi o melhor resultado dos brasileiros na história do futebol olímpico. FICHA TÉCNICA Classificação final: 1º França 2º Brasil, 3º Iugoslávia, 4º Itália, 5º Alemanha Ocidental, 6º Canadá, 7º Chile, 8º Egito, 9º Estados Unidos, 10º Noruega, 11º Camarões, 12º Marrocos, 13º Costa Rica, 14º Iraque, 15º Catar, 16º Arábia Saudita SEUL 1988 As quatro seleções mais vitoriosas do esporte – Brasil, Alemanha Ocidental, Itália e Argentina – estavam na Coréia do Sul com equipes competitivas. Outra força era a União Soviética, que não contava mais com a vantagem do amadorismo de fachada, mas ainda era uma seleção de respeito. O Brasil estava mais forte que em Los Angeles, levando alguns dos nomes que conquistaram o bicampeonato mundial Junior em 1985 e outros jogadores de destaque no futebol doméstico. Para se ter uma idéia, na seleção de Carlos Alberto Silva estavam atletas como Romário, Taffarel, André Cruz, Jorginho, Neto, Bebeto, Valdo, Ricardo Gomes e Mazinho. Na primeira fase, o Brasil foi supremo, vencendo a forte Iugoslávia (de Stojkovic, Suker e Katanec, com base no time campeão mundial Junior em 1987), a Austrália e a ainda inofensiva Nigéria. Em um resultado surpreendente, os australianos venceram os iugoslavos e ficaram com o segundo lugar no grupo. Mas nenhuma surpresa foi tão grande quanto a vista no grupo B. Tudo começou como esperado, com goleada da Itália sobre a Guatemala (5x2) e empate entre Zâmbia e Iraque (2x2). No entanto, na segunda rodada, os africanos venceram os italianos por humilhantes 4x0, dois gols do jovem Kalusha Bwalya. Na rodada final, os zambianos fizeram outro 4x0 (agora na Guatemala) e garantiram o primeiro lugar no grupo. A Itália teve de vencer o Iraque para poder passar de fase. Nos outros grupos, resultados relativamente normais. Suécia e Alemanha Ocidental ficaram à frente de Tunísia e China e União Soviética e Argentina passaram por Coréia do Sul e Estados Unidos. Curiosamente, a classificação soviética foi assegurada com uma vitória por 4x2 sobre os norte-americanos. Após os resultados da primeira fase, Zâmbia começou a ser vista com grande respeito. Por isso, a forma como os africanos caíram diante da Alemanha Ocidental foi surpreendente, uma goleada por 4x0. Também fácil foi a vitória da União Soviética sobre a Austrália (3x0). A Itália de Tacconi, Virdis, De Agostini, Rizzitelli e Carnevale, agora vista com desconfiança, venceu a boa Suécia de Limpar, Dahlin e Thern por 2x1 na prorrogação. Para o Brasil, a vaga nas semifinais viria após uma dramática vitória em um clássico contra a Argentina. Claramente superiores, os brasileiros não conseguiam passar pela defesa platina. Até que, aos 31 do segundo tempo, Geovani pegou a bola em um rebote e ameaçou lançar. O goleiro Islãs tentou adivinhar o lance e se deslocou para a esquerda. Vendo o gol aberto, Geovani mudou a jogada e chutou direto ao gol, pegando o goleiro argentino no contra-pé. Na primeira semifinal, a União Soviética empatou em 1x1 com a Itália. Na prorrogação, fizeram dois gols e garantiram a vaga. Os italianos até diminuíram no último minuto, mas não adiantou. Houve emoção nessa partida, mas o melhor jogo do torneio foi protagonizado por brasileiros e alemães-ocidentais. Comandados por Hässler e Klinsmann, os germânicos saíram na frente aos 6 minutos do segundo tempo. Após muita pressão, Romário empatou para o Brasil. Na prorrogação, a Alemanha Ocidental teve um pênalti a seu favor, mas Taffarel defendeu a cobrança de Klinsmann. A decisão foi para os pênaltis e, mais uma vez, o goleiro brasileiro desequilibrou, defendendo mais uma cobrança. O Brasil chegou como favorito à final e o gol de Romário – que assegurou a artilharia do torneio ao atacante vascaíno – só confirmava essa tendência. No entanto, os soviéticos equilibraram a partida no segundo tempo e conseguiram um empate de pênalti. Na prorrogação, o Brasil tomou a iniciativa e, em uma falha de André Cruz, Savichev aproveitou um contra-ataque e deu o ouro aos soviéticos.
FICHA TÉCNICA Classificação final: 1º União Soviética, 2º Brasil, 3º Alemanha Ocidental, 4º Itália, 5º Zâmbia, 6º Suécia, 7º Austrália, 8º Argentina, 9º Iraque, 10º Iugoslávia, 11º Coréia do Sul, 12º Estados Unidos, 13º Tunísia, 14º China, 15º Nigéria, 16º Guatemala BARCELONA 1992 No torneio classificatório, disputado no Paraguai, a seleção começou bem e até bateu a equipe da casa – que contava com Arce e Gamarra – na primeira fase. No entanto, as falhas da defesa foram fatais diante da Colômbia de Asprilla e a decisão da vaga ficou para a última rodada. Bastava uma vitória simples diante da fraca Venezuela, mas o Brasil conseguiu ficar em um empate em 1x1. Na outra chave do pré-Olímpico, a Argentina também se complicou e ficou atrás de Uruguai e Chile. Assim, paraguaios, chilenos, uruguaios e colombianos disputaram as duas vagas para as Olimpíadas de Barcelona. Melhor para os guaranis e os cafeteros. Sem Brasil e Argentina, o favoritismo ficou para Espanha e Itália. Os donos da casa confirmaram as expectativas e ficaram em primeiro lugar em seu grupo, à frente de Catar, Egito e da decepcionante Colômbia (última da chave). A Itália passou, mas não conseguiu desenvolver seu jogo. Venceu os Estados Unidos com dificuldade (2x1), foi goleada pela Polônia (0x3) e bateu o frágil Kuait por 1x0. No grupo mais equilibrado do torneio, Gana e Austrália desclassificaram México e Dinamarca. Na chave restante, Suécia e Paraguai passaram por Coréia do Sul e Marrocos. O primeiro jogo das quartas-de-final colocou as duas equipes favoritas antes das Olimpíadas começarem. Em um jogo equilibrado e pouco empolgante, a Espanha mereceu vencer a Itália por 1x0. Também passaram as duas equipes que despontavam como surpresas e possíveis campeãs: Gana (4x2 sobre o Paraguai na prorrogação) e Polônia (2x0 no Catar). A zebra da fase foi a Austrália, que venceu por 2x1 a Suécia.
A Polônia confirmou que tinha chances sólidas de ficar com o ouro ao massacrar a Austrália por 6x1 na primeira semifinal. Enquanto isso, a Espanha vencia Gana por 2x0. Na final em um Camp Nou lotado, os poloneses saíram na frente. Os espanhóis viraram, mas tomaram o empate em seguida. Nos descontos, após uma cofusão na área eslava, Kiko Narváez fez o gol do título espanhol. FICHA TÉCNICA Classificação final: 1º Espanha, 2º Polônia, 3º Gana, 4º Austrália, 5º Itália, 6º Catar, 7º Suécia, 8º Paraguai, 9º Estados Unidos, 10º México, 11º Coréia do Sul, 12º Egito, 13º Dinamarca, 14º Colômbia, 15º Marrocos, 16º Kuait ATLANTA 1996 O favoritismo brasileiro era evidente. Durante a preparação, um vice-campeonato da Copa Ouro (perdendo do México na final), o título do Pré-Olímpico – disputado na Argentina – e uma vitória sobre uma seleção mundial em um amistoso realizado nos Estados Unidos uma semana antes dos Jogos de Atlanta. Apenas a Argentina parecia ter forças para encarar a seleção brasileira. Os platinos estavam com alguns jogadores que formam parte da base atual, com Cavallero, Crespo, Ortega, Zanetti, Almeyda, Chamot, Simeone, Ayala e Gallardo.
Mas toda expectativa sobre a seleção brasileira ruiu na estréia. Com uma falta de desenvoltura absurda, o time não conseguiu levar perigo ao gol do Japão e, em um contra-ataque, Aldair e Dida trombaram e deixaram a bola livre para Ito dar a vitória aos orientais. Na segunda partida, nova trombada entre Aldair e Dida e o Brasil saiu perdendo da Hungria, de volta ao futebol olímpico depois da prata de 1972. Mas Ronaldo, Juninho Paulista e Bebeto garantiram a virada. A classificação veio com uma vitória magra e sofrida diante da Nigéria, 1x0, gol de Ronaldo. Com isso, Nigéria, Brasil e Japão empataram na liderança, com 6 pontos cada seleção. Sul-americanos e africanos passaram pelo saldo de gols. A Argentina também passou com certo aperto. Após vencer os Estados Unidos e empatar com Portugal, a seleção platina garantiu a classificação com novo empate, contra a Tunísia. Ao lado dos platinos ficaram os portugueses. Estados Unidos ficaram logo atrás, mas estavam fora. Dos grandes, o único que não superou as zebras foi a Itália. Mesmo com talentos como Pagliuca, Cannavaro, Nesta, Delvacchio e Tommasi, a azzurra ficou em último lugar no Grupo C, com uma vitória sobre a Coréia do Sul e derrotas para México e Gana. Os aztecas surpreenderam e ficaram em primeiro, seguido dos africanos. Só não houve resultados inesperados no Grupo B, em que França e Espanha foram muito superiores a Austrália e Arábia Saudita. Nas quartas-de-final, o Brasil jogou sua única partida realmente convincente, ao bater Gana de virada (4x2). A Nigéria passou pelo México por 2x0, Portugal precisou da prorrogação para eliminar a França de Pires, Makelele e Wiltord (2x1) e a Argentina arrasou a Espanha de Raúl (4x0), tomando o favoritismo do instável Brasil. Nas semifinais, o Brasil voltou a enfrentar a Nigéria. Havia um otimismo em torno da seleção verde-amerela após a vitória sobre a própria Nigéria e a boa seleção ganesa. E isso ficou mais acentuado após o gol de Flávio Conceição no primeiro minuto de jogo. A Nigéria empatou em um gol contra de Roberto Carlos, mas, ainda no primeiro tempo, o Brasil fez 3x1 com Flávio Conceição e Bebeto. A vaga na final chegava com certa tranqüilidade até que, aos 33 do segundo tempo, Ikpeba diminui a diferença. Os nigerianos começaram a pressionar em busca do empate e, já nos descontos, conseguiram levar a partida para a prorrogação com um gol de Kanu após confusão na área e falha de Dida. Na morte súbita, Kanu marcou novamente e o Brasil estava fora da final. A outra vaga ficou com a Argentina, que bateu Portugal por 2x0. Com isso, brasileiros e lusitanos disputaram a medalha de bronze. Em um jogo em que os portugueses pareceram extremamente desconcentrados, o Brasil fez 5x0 sem muita dificuldade. Decepcionada com o terceiro lugar, a seleção nem esperou a final, no dia seguinte, para compor o pódio e receber as medalhas. Recebeu após aquela partida e voltou ao Brasil.
Na decisão, os argentinos estiveram duas vezes em vantagem (1x0 e 2x1), mas cederam o empate para os nigerianos nas duas vezes. Vale dizer que o primeiro gol dos africanos foi duramente contestado pelos platinos por suposto impedimento de Babayaro. Quando o jogo aprecia destinado à prorrogação, Amunike virou para os nigerianos, que conquistaram o ouro. FICHA TÉCNICA Classificação final: 1º Nigéria, 2º Argentina, 3º Brasil, 4º Portugal, 5º Fraca, 6º Espanha, 7º México, 8º Gana, 9º Japão, 10º Estados Unidos, 11º Coréia do Sul, 12º Itália, 13º Austrália, 14º Tunísia, 15º Arábia Saudita, 16º Hungria SYDNEY 2000 A idéia inicial era chamar três jogadores acima de 23 anos, como Romário, que dava declarações se “oferecendo” para o técnico Vanderlei Luxemburgo na convocação olímpica. No entanto, o grupo do Pré-Olímpico começou a rejeitar a idéia, considerando que seria suficiente manter os jovens para a disputa dos Jogos de Sydney. Luxemburgo decidiu aceitar a sugestão dos garotos para evitar problemas no ambiente. Mas o próprio treinador tinha problemas. Investigado pela CPI do Futebol, era acusado de ser “gato” (teria mentido a idade quando jovem para jogar em um time de futebol) e de ter negócio ilícitos. Desmoralizado, internamente, teve pouco comando do grupo, que não era bom como o de Atlanta, mas tinha jogadores de nível internacional como Ronaldinho Gaúcho, Alex e Lúcio.
Na primeira fase, o Brasil estreou bem, com uma vitória sobre a Eslováquia de virada (3x1). Em seguida, a seleção perdeu por 3x1 da África do Sul após uma atuação ridícula. A vaga na segunda fase teve de ser decidida contra o Japão, líder e uma das surpresas do torneio. Com um gol de Alex aos 5 minutos do primeiro tempo, o time de Luxemburgo ficou em primeiro lugar, já que a Eslováquia venceu a África do Sul. Houve resultados inesperados em todos os grupos. No A, as favoritas Itália e Nigéria se classificaram, mas tiveram muitas dificuldades para passaram da perigosa seleção de Honduras. A Austrália decepcionou e, em casa, não fez um ponto sequer. No Grupo B, o Chile mostrou o melhor futebol da primeira fase. Liderada pelo atacante Zamorano, la roja venceu Marrocos e Espanha com facilidade. Em um jogo que praticamente não valia nada, perdeu para a Coréia do Sul. Os espanhóis ficaram com a segunda vaga da chave. No Grupo C, a República Tcheca ficou em último, atrás de Kuait, Camarões e Estados Unidos. Os norte-americanos estavam com uma seleção forte e garantiram o primeiro lugar. Os camaroneses também passaram, azar do Brasil. Na segunda fase, os africanos se encontraram com a seleção brasileira. Em outra atuação muito fraca, o Brasil não conseguiu conter os avanços de Camarões e saiu perdendo. Com um jogador a mais, os verde-amarelos tentaram pressionar em busca do empate, mas não conseguiam armar uma jogada com perigo real. Até que, nos descontos, o time africano cometeu uma falta na entrada da área. Ronaldinho Gaúcho empatou na cobrança e levou o jogo para a prorrogação. Melhor, na falta cometida, Camarões teve mais um expulso. Mas, mesmo com dois homens a mais no gramado, o Brasil não conseguiu entrar na defesa camaronesa e, pior, tomou um gol no contra-ataque. Novamente o ouro tinha de esperar. No confronto de surpresas, Estados Unidos e Japão empataram em 2x2. A classificação norte-americana veio nos pênaltis. A Itália, que não entusiasmou em momento algum no torneio, também ficou de fora, perdendo para a Espanha por 1x0 com um gol de Gabri aos 41 do segundo tempo. Por fim, o Chile seguia em sua caminhada impressionante ao fazer 4x1 na favorita Nigéria.
Na primeira semifinal, os espanhóis souberam usar sua superioridade e controlaram os Estados Unidos: 3x1. Na outra partida da fase, o Chile dominou Camarões e saiu na frente aos 33 do segundo tempo com um gol contra de Abanda. Poderiam ter feito mais, mas os árbitros marcaram vários impedimentos inexistentes contra os sul-americanos. No desespero, os camaroneses partiram para o ataque e empataram aos 39, com Mboma (um dos “veteranos” e líder do time). Aos 44, os camaroneses conseguiram um pênalti e viraram de forma inesperada e injusta. Ao Chile restou o consolo da medalha de bronze com uma vitória por 2x0 sobre os Estados Unidos. Camarões chegou à final como favorita, mas as falhas da defesa no primeiro tempo permitiram que a Espanha fizesse 2x0. Na segunda parte, os africanos conseguiram empatar em 15 minutos. Estranhamente, não conseguiram a vitória, a gol provável, já que os ibéricos ficaram com dois jogadores a menos. Na decisão por pênaltis (a primeira de uma final olímpica), Camarões conseguiu o segundo ouro consecutivo para o futebol africano. FICHA TÉCNICA Classificação final: 1º Camarões, 2º Espanha, 3º Chile, 4º Estados Unidos, 5º Itália, 6º Japão, 7º Brasil, 8º Nigéria, 9º Coréia do Sul, 10º Honduras, 11º África do Sul 12º Kuait, 13º Eslováquia, 14º República Tcheca, 15º Austrália, 16º Marrocos Ubiratan Leal Voltar à página principal da história do futebol olímpico Posted by ubiraleal at 02:49 AM Período comunista HELSINQUE 1952 Realmente, a seleção húngara de 1952 pode ser considerada a melhor a atuar na história das Olimpíadas. Os magiares chegaram a Helsinque com uma invencibilidade de três anos, um projeto claro e realista de conquista do ouro olímpico e da Copa de 1954. Coincidentemente, os Jogos de 1952 também viram a estréia da seleção brasileira. Formado por jovens, o time não teve forças para buscar o ouro. A formação-base era Carlos Alberto; Valdir, Mauro, Zózimo e Adésio; Édson e Milton; Larry, Vavá, Humberto Tozzi e Jansen. Desses, os que mais se destacariam no futuro seriam Mauro (capitão do título de 62), Vavá (campeão mundial em 58 e 62), Zózimo (reserva em 1958), Larry e Humberto Tozzi. O Brasil estreou na fase preliminar goleando a Holanda por 5x1, gols de Larry (2), Humberto Tozzi, Jansen e Vavá. Nas outras partidas, a Hungria passou pela Romênia (2x1), a Itália massacrou os Estados Unidos (8x0), o Egito passou com muitas dificuldades pelo Chile (5x4), Luxemburgo armou uma enorme zebra contra a Grã-Bretanha (5x3), a Dinamarca eliminou a Grécia (2x1) e o leste Europeu começava a mostrar sua força, com vitórias de Polônia (2x1 na França), União Soviética (2x1 na Bulgária) e Iugoslávia (10x1 na Índia). Nas oitavas-de-final, os brasileiros passaram um certo sufoco com a surpresa luxemburguesa, mas venceram por 2x1 (gols de Larry e Humberto Tozzi). Também passaram Hungria (3x0 sobre a Itália), Turquia (2x1 nas Índias Holandesas Ocidentais, atuais Antilhas Holandesas), Suécia (4x1 no clássico com a Noruega), Áustria (4x3 na Finlândia), Alemanha Ocidental (3x1 no Egito), Dinamarca (2x0 na Polônia) e Iugoslávia (5x5 e 3x1 no jogo-extra contra a União Soviética). Os algozes da seleção brasileira foram os alemães-ocidentais, que venceram por 4x2 (gols brasileiros de Zózimo e Larry) nas quartas-de-final. A Hungria continuava sua caminhada inabalável com um sonoro 7x1 sobre a Turquia, a Suécia buscava o segundo ouro consecutivo e a Iugoslávia tentava um novo pódio. Nas semifinais, a Hungria deixou claro aos suecos que aquele torneio tinha um time muito superior aos demais. Fez 6x0 e esperou a definição do adversário no dia seguinte. A Iugoslávia bateu a Alemanha Ocidental por 3x1 e garantiu um lugar na final olímpica pela segunda vez em seqüência. A final foi relativamente mais equilibrada. O que não significa que tenha sido difícil para os húngaros: 2x0, gols de Puskas e Czibor.
FICHA TÉCNICA Classificação final: 1º Hungria, 2º Iugoslávia, 3º Suécia, 4º Alemanha Ocidental, 5º Brasil, 6º Dinamarca, 7º Áustria, 8º Turquia, 9º União Soviética, 10º Itália, 11º Luxemburgo, 12º Egito, 13º Polônia, 14º Finlândia, 15º Índias Holandesas Ocidentais, 16º Noruega, 17º Chile, 18º Grã-Bretanha, 19º Romênia, Grécia, Bulgária e França, 23º Holanda, 24º Estados Unidos, 25º Índia MELBOURNE 1956 Além da distância, um fato político influiu muito na disputa do futebol em Melbourne. Menos de um mês antes do início das competições, tropas da União Soviética invadiram Budapeste para reprimir uma manifestação popular que pedia uma maior autonomia da Hungria em relação ao governo de Moscou. Justamente nessa época, os jogadores da seleção húngara, ainda a melhor do mundo, estavam fora de seu país em compromissos de seus clubes (basicamente o Honvéd e o MTK). Não voltaram mais. Pediram asilo político e alguns até mudaram sua nacionalidade. Era o fim dos Magiares Mágicos. Claro, a Hungria acabou não enviando representante algum ao futebol. Mesmo assim, o favoritismo dos países do Leste Europeu ficou ainda mais enfatizado. Porém, na fase preliminar, a União Soviética sofreu para ganhar da Alemanha Ocidental (com uma equipe de garotos) por 2x1. A Grã-Bretanha humilhou a inexpressiva Tailândia (9x0) e a Austrália passou pelo Japão (2x0). Nas quartas-de-final, o sorteio permitiu uma grande surpresa. Ao colocar indianos e australianos na mesma chave, permitiu que um país sem a menor tradição no esporte chegasse às semifinais. Melhor para a Índia, que ganhou por 4x2. A União Soviética voltava a mostrar um futebol fraco tecnicamente, mesmo com a base da seleção que teve um bom papel na Copa de 1958, com Yashin, Kuznetsov, Netto e Ivanov. Empatou sem gols com a Indonésia e teve de usar a partida-extra para conseguir um lugar nas semifinais. Sem dificuldades foram as classificações de Iugoslávia (9x1 nos Estados Unidos) e Bulgária (6x1 na Grã-Bretanha). O futebol a União Soviética só apareceu um pouco nas semifinais, com uma vitória sobre a Bulgária por 2x1. Enquanto isso, a Iugoslávia passava sem problemas pela Índia (4x1) e garantia sua terceira final olímpica consecutiva. E, também pela terceira vez, ficou com a prata. A União Soviética conseguiu seu gol no início do segundo tempo e segurou ao taque balcânico até o fim da partida. FICHA TÉCNICA Classificação final: 1º União Soviética, 2º Iugoslávia, 3º Bulgária, 4º Índia, 5º Grã-bretanha, 6º Austrália, 7º Indonésia, 8º Estados Unidos, 9º Alemanha Ocidental, 10º Japão, 11º Tailândia. ROMA 1960 O Brasil voltou a aparecer. O time-base (Carlos Alberto; Nono, Décio, Dari e Roberto Dias; Rubens e Gérson; Silva, Paulinho Ferreira, China e Waldyr) tinha algum talento – sobretudo em Gérson, Roberto Dias e Silva – e fez uma boa campanha. Só não passou de fase porque pegou uma esperançosa Itália pelo caminho. Em busca do ouro diante de seus torcedores, os italianos montaram uma equipe com jogadores promissores que tinham reais condições de romper com a hegemonia do leste Europeu. Os principais destaques desse time eram Rivera, Burgnich, Trapattoni e Bulgarelli. Na primeira rodada, o Brasil passou pela Grã-Bretanha (4x3), enquanto os italianos goleavam Taiwan (4x1). Em seguida, o Brasil se isolou na liderança ao fazer 5x0 nos asiáticos, já que a azzurra empatara com os britânicos. Podendo apenas igualar o marcador, os brasileiros não conseguiram segurar os italianos e perderam o jogo decisivo do grupo por 3x1. Nas outras chaves, poucas surpresas. A Iugoslávia superou Bulgária (os búlgaros empataram com os iugoslavos, mas perderam no sorteio), República Árabe Unida (país formado por Egito e Síria entre 1958 e 1961, sendo que o Egito manteve o nome RAU até 1971) e Turquia, a Dinamarca foi melhor que Argentina, Polônia e Tunísia e a reformulada Hungria ficou à frente de França, Peru e Índia. Em uma das semifinais, os empolgados italianos encontraram os iugoslavos, em busca de sua quarta final olímpica seguida. O jogo ficou em 1x1 após a prorrogação. Pelo regulamento do torneio, a definição seria pelo cara-ou-coroa. A Itália perdeu e ficou fora da final do torneio que organizava. A outra vaga ficou com a Dinamarca, que venceu a Hngria por 2x0. Dessa vez, a Iugoslávia não deixou o ouro escapar na decisão. Com um gol em menos de um minuto de jogo, os eslavos se colocaram na frente. Aos 10, já venciam por 2x0. Depois, bastou controlar a vantagem para garantir o título. FICHA TÉCNICA Classificação final: 1º Iugoslávia, 2º Dinamarca, 3º Hungria, 4º Itália, 5º Bulgária, 6º Brasil, 7º Argentina, 8º Grã-Bretanha, 9º França, 10º Polônia, 11º Peru, 12º Índia, 13º República Árabe Unida, 14º Turquia, 15º Tunísia, 16º Taiwan TÓQUIO 1964 O regulamento do torneio de futebol das Olimpíadas de 1964 foi levemente diferente. Agora, os dois primeiros de cada grupo passavam de fase e compunham as quartas-de-final. No grupo A, Alemanha Oriental e Romênia não tiveram problemas diante de México e Irã. No B, Hungria e Iugoslávia passaram por Marrocos (o quarto integrante da chave, a Coréia do Norte, foi desclassificada pelo COI). O Brasil de Roberto Miranda ficou no Grupo C e caiu no saldo de gols para a República Árabe Unida (Egito). O primeiro colocado foi a Tchecoslováquia – vice-campeã mundial da época – e o último, a Coréia do Sul. A chave D foi a mais surpreendente. A Itália desistiu de participar e a Argentina parecia sozinha. Mas os platinos fracassaram diante de Gana e Japão. Nas quartas-de-final, a República Árabe Unida continuou surpreendendo e goleou Gana por 5x1. A Tchecoslováquia também passou com facilidade: 4x0 no Japão. As últimas duas vagas foram definidas em confrotnos exclusivos do leste Europeu. A Alemanha Oriental acabou com a seqüência de finais olímpicas da Iugoslávia ao vencer por 1x0. E a Hungria voltava a mostrar força ao vencer a Romênia por 2x0. Não houve resultados inesperados nas semifinais. A Tchecoslováquia eliminou a Alemanha Oriental (2x1) e a Hungria arrasou a República Árabe Unida (6x0). Na final, os húngaros conquistaram seu segundo ouro olímpico ao vencer por 2x1. O pódio foi intero da Europa comunista, com a vitória da Alemanha Oriental sobre a República Árabe Unida por 3x1. FICHA TÉCNICA Classificação final: 1º Hungria, 2º Tchecoslováquia, 3º Alemanha Oriental, 4º República Árabe Unida, 5º Romênia, 6º Iugoslávia, 7º Gana, 8º Japão, 9º Brasil, 10º Argentina, 11º México, 12º Irã, 13º Marrocos, 14º Coréia do Sul CIDADE DO MÉXICO 1968 Foi uma competição com uma quantidade de resultados inesperados acima da média. A começar pela forma pela qual o Brasil foi desclassificado na primeira fase. Na estréia, uma derrota normal diante da Espanha (0x1). Em seguida, um empate fora dos planos com o Japão (1x1). Com esse retrospecto, o Brasil chegou à última rodada precisando vencer a Nigéria por quatro gols de diferença (ou três gols a partir de 4x1, pois o 3x0 levaria brasileiros e japoneses ao sorteio). No primeiro tempo, os sul-americanos fizeram 3x0 e praticamente garantiram a vaga nas quartas-de-final. No entanto, o time permitiu a reação africana e acabou em um melancólico empate em 3x3. Além da classificação japonesa às custas do Brasil, foi possível ver Bulgária e a improvável Guatemala deixarem a Tchecoslováquia, medalha de prata quatro anos antes, e a figurante Tailândia pelo caminho. Também passaram França, México, Hungria e Israel, eliminando Colômbia, Guiné, Gana e El Salvador. Os resultados esquisitos continuaram nas quartas-de-final, em que o Japão bateu a França por 3x1. Os demais resultados foram mais normais, com vitória da Hungria sobre a Guatemala, da Bulgária sobre Israel (no cara-ou-coroa) e do México sobre a Espanha. O favoritismo só prevaleceu nas semifinais, com vitória tranqüila da Hungria sobre o Japão (5x0) e da Bulgária sobre o México (3x2). Na disputa pela medalha de bronze, mais de 100 mil mexicanos lotaram o estádio Azteca para ver seu país subir ao pódio no futebol olímpico. Saíram frustrados. Com dois gols de Yamamoto (artilheiro da competição), os orientais venceram por 2x0 e conquistaram a primeira (e até hoje única) medalha asiática no futebol. Na final, a Bulgária saiu na frente, mas permitiu que a Hungria virasse ainda no primeiro tempo. No lance do segundo gol, os búlgaros reclamaram intensamente de impedimento. O árbitro mexicano Diego de Leo expulsou três jogadores balcânicos. Com oito jogadores em campo, a Bulgária não teve como evitar mais dois gols húngaros. Era o terceiro título olímpico da Hungria, marca nunca igualada. FICHA TÉCNICA Classificação final: 1º Hungria, 2º Bulgária, 3º Japão, 4º México, 5º Espanha, 6º Israel, 7º Guatemala, 8º França, 9º Tchecoslováquia, 10º Brasil e Colômbia, 12º Gana, 13º Guiné, 14º Nigéria, 15º El Salvador, 16º Tailândia MUNIQUE 1972 Nos demais grupos. Poucas surpresas, até porque a decisão de reduzir a participação européia e democratizar mais o futebol olímpico deixou um desnível muito grande entre as seleções. Assim, Alemanha Ocidental e Marrocos tiveram de passar por Malásia e Estados Unidos, União Soviética e México desclassificaram Birmânia (atual Myanma) e Sudão e Polônia e Alemanha Oriental arrasaram Colômbia e Gana. Dessa vez, a segunda fase seria diferente. As oito seleções seriam divididas em dois grupos. Os primeiros colocados fariam a final, enquanto que os segundos lutariam pelo bronze. No Grupo A, a Hungria não teve rivais e venceu suas três partidas. O lugar na disputa do terceiro lugar ficou para ser decidido na última rodada, com um histórico Alemanha Oriental x Alemanha Ocidental. Com sua equipe principal, os orientais venceram por 3x2 o jovem time ocidental, cujos maiores destaques eram Hitzfeld e Hönness. No Grupo B, a Polônia já mostrava sinais de evolução que culminariam com o terceiro lugar nas Copas de 74 e 82. Na final, os poloneses venceram de virada (2x1) e evitaram o tricampeonato olímpico da Hungria. Na disputa do bronze, 80 mil alemães foram ao estádio Olímpico apoiarem os compatriotas do lado oriental contra a União Soviética. O jogo apitado por Armando Marques terminou em 2x2. Curiosa e ineditamente, não houve desempate. As duas seleções dividiram o bronze. FICHA TÉCNICA Classificação final: 1º Polônia, 2º Hungria, 3º União Soviética e Alemanha Oriental, 5º Dinamarca, 6º Alemanha Ocidental, 7º México, 8º Marrocos, 9º Birmânia, 10º Malásia e Colômbia, 12º Irã, 13º Brasil, 14º Estados Unidos, 15º Sudão, 16º Gana MONTREAL 1976 Dessa vez, o Brasil montou uma equipe mais forte, que poderia até pensar em medalha. Jogadores que teriam passagem pela seleção principal como o goleiro Carlos, o zagueiro Edinho, o volante Batista e o lateral Rosemiro estavam no Canadá. E, na primeira fase, a seleção teve excelentes resultados, vencendo a Espanha de Arconada e empatando com a forte Alemanha Oriental, resultados que garantiram o primeiro lugar ao Brasil no grupo que teria ainda a Nigéria. No Grupo B, a França de Platini, Battiston e Luis Fernandez ficou em primeiro, seguida por Israel, México e Guatemala. Na chave que teria Gana, passaram Polônia e Irã, com Cuba ficando de fora. Por fim, União Soviética e Coréia do Norte desclassificaram os anfitriões (Zâmbia desistiu). Nas quartas-de-final (a fórmula de disputa adotada em Munique, com dois grupos semifinais foi abandonada), o Brasil goleou Israel e garantiu uma vaga nas semifinais do futebol pela primeira vez em uma edição dos Jogos Olímpicos. Com dificuldade, a União Soviética bateu o Irã. Mais tranqüilas foram as vitórias de Alemanha Oriental sobre a França (4x0) e da Polônia sobre a Coréia do Norte (5x0).
A esperança do primeiro ouro olímpico do futebol brasileiro acabou com dois gols do polonês Szarmach nas semifinais. E, no final, o Brasil acabou sem medalha alguma, pois perdeu por outro 0x2 para a União Soviética na disputa do bronze. A decisão foi favorável à Alemanha Oriental, que se mostrou superior à Polônia e venceu por 3x1. Foi a maior conquista do futebol alemão-oriental e o único ouro olímpico conquistado por alemães, mesmo que a história dê à atual Alemanha os créditos do lado ocidental. FICHA TÉCNICA Classificação final: 1º Alemanha Oriental, 2º Polônia, 3º União Soviética, 4º Brasil, 5º França, 6º Israel, 7º Irã, 8º Coréia do Norte, 9º México, 10º Guatemala, 11º Cuba, 12º Canadá, 13º Espanha MOSCOU 1980 Mas, pouco antes dos jogos de Moscou, os Estados Unidos decidiram boicotar o evento, levando consigo uma série de países (a maioria sem grande expressão). O que afetou – e muito – o futebol. Na América do Sul, a Argentina renunciou à sua vaga. O terceiro colocado no Pré-Olímpico, o Peru, também aderiu ao movimento dos norte-americanos. Assim, ao lado da Colômbia, participou do futebol a Venezuela (!!!). A série de boicotes não se limitou à Argentina. Os próprios Estados Unidos tinham vaga no futebol em Moscou. Em seu lugar foi Cuba. O mesmo ocorreu com Noruega (substituída pela Finlândia), Egito (Zâmbia), Gana (Nigéria), Malásia (Iraque) e Irã (Síria). Com isso, a competição ficou extremamente enfraquecida. Para se ter uma idéia, Cuba, Kuait e Iraque passaram de fase! Ao lado da União Soviética, os caribenhos superaram Venezuela e Zâmbia no Grupo A. Enquanto isso, os kuaitianos ficaram na liderança ao lado da Tchecoslováquia, à frente de Colômbia e Nigéria. Os iraquianos foram melhores que Finlândia e Costa Rica, só perdendo para a Iugoslávia. Das seleções menos tradicionais, a única que merece algum crédito é a Argélia, que eliminou a Espanha e, na Copa de 1982, mostrou que tinha uma seleção realmente competitiva. Foram as quartas-de-final mais previsíveis da história olímpica, com União Soviética x Kuait, Tchecoslováquia x Cuba, Alemanha Oriental x Iraque e Iugoslávia x Argélia. Basta ver a tradição das equipes para saber quem venceu os confrontos. Nas semifinais, a Alemanha Oriental provou que contava com uma boa geração e venceu por 1x0 a União Soviética, favorita por jogar em casa. A Tchecoslováquia passou pela Iugoslávia (2x0). Na final, os tchecoslovacos evitaram o bicampeonato dos alemães-orientais com um gol de Svoboda. Para os Jogos de Los Angeles, o COI afrouxou a proibição de profissionais, o que mudou drasticamente os critérios do futebol olímpico. Com isso, as seleções do Leste Europeu perderam terreno e deixaram de ser as únicas forças da modalidade nos Jogos. Para se ter uma idéia do domínio, das 25 medalhas distribuídas entre 1952 e 1980 (houve dois bronzes em 1976), apenas 3 (Suécia em 1952, Dinamarca em 1960 e Japão em 1968) não ficaram com um país comunista da Europa. E, da cortina de ferro, apenas Romênia e Bulgária não conquistaram um ouro olímpico nesse período. FICHA TÉCNICA Classificação final: 1º Tchecoslováquia, 2º Alemanha Oriental, 3º União Soviética, 4º Iugoslávia, 5º Kuait, 6º Iraque, 7º Cuba, 8º Argélia, 9º Finlândia, 10º Espanha, 11º Colômbia, 12º Venezuela, 13º Nigéria, 14º Síria, 15º Zâmbia, 16º Costa Rica Ubiratan Leal Voltar à página principal da história do futebol olímpico Posted by ubiraleal at 01:49 AM Período antigo ATENAS 1896
PARIS 1900 FICHA TÉCNICA Classificação final: 1º Upton Park (Grã-Bretanha), 2º Club Français (França), 3º Students XI (Bélgica) SAINT LOUIS 1904 FICHA TÉCNICA Classificação final: 1º Galt (Canadá), 2º Christian Brothers (Estados Unidos), 3º Saint Rose (Estados Unidos) ATENAS 1906 FICHA TÉCNICA Classificação final: 1º Dinamarca, 2º Esmirna (Turquia), 3º Salônica (Turquia), 4º Atenas (Grécia). Obs.: por ter abandonado a partida final, Atenas foi desclassificada. Na época, a cidade de Salônica (atual Tessalônica) fazia parte do território Otomano.
LONDRES 1908 FICHA TÉCNICA Classificação final: 1º Grã-Bretanha, 2º Dinamarca, 3º Holanda, 4º Suécia, 5º França A, 6º França B ESTOCOLMO 1912 FICHA TÉCNICA Classificação final: 1º Grã-Bretanha, 2º Dinamarca, 3º Holanda, 4º Finlândia, 5º Hungria, 6º Áustria, 7º Alemanha, 8º Itália, 9º Suécia, 10º Noruega, 11º Rússia ANTUÉRPIA 1920 A final foi tumultuada. A Bélgica vencia por 2x0 quando, aos 39 minutos do primeiro tempo, os tchecoslovacos decidiram se retirar do campo em protesto com a arbitragem. O ouro ficou na Bélgica, mas, para não dar a prata à Tchecoslováquia, a organização decidiu realizar um mini-torneio para definir o dono da prata e do bronze. Melhor para a Espanha, que havia caído nas quartas-de-final. O bronze, pela terceira vez seguida, ficou com a Holanda. FICHA TÉCNICA Classificação final: 1º Bélgica, 2º Espanha, 3º Holanda, 4º França, 5º Itália, 6º Suécia, 7º Noruega, 8º Egito, 9º Dinamarca, 10º Grã-Bretanha, 11º Luxemburgo, 12º Iugoslávia, 13º Grécia, 14º Tchecoslováquia PARIS 1924
Na fase preliminar, o Uruguai mostrava força ao golear a Iugoslávia por 7x0. Dois dos favoritos se enfrentaram nessa etapa, com vitória da Itália por 1x0 sobre a Espanha. Também passaram Tchecoslováquia, Suíça, Hungria e Estados Unidos. Nas oitavas-de-final, os uruguaios bateram os Estados Unidos no confronto de americanos. O Egito também assustou com a vitória de 3x0 sobre a Hungria. A Itália seguia com dificuldades, com um magro 2x0 sobre Luxemburgo, a Suíça precisou de um jogo-extra para desclassificar a Tchecoslováquia,a Irlanda (recém-independente do Reino Unido) passou pela Bulgária, a França arrasou a Letônia e a Holanda não teve problemas contra a Romênia. O resultado mais inesperado das quartas-de-final foi a vitória dos suíços sobre os italianos por 2x1. Enquanto isso, os uruguaios mostravam que o ouro era uma possibilidade realista ao golearem os donos da casa por 5x1. Holanda (2x1 na Irlanda) e Suécia (5x0 sobre o Egito) também estavam nas semifinais. Com uma vitória por 2x1, o Uruguai mandava a Holanda decidir pela quarta vez consecutiva o bronze olímpico. Na final, pegariam outra surpresa: a retrancada Suíça, que venceu a Suécia por 2x1. Ainda vistos com desconfiança, os uruguaios conquistaram o título com autoridade: 3x0. Surgia a Celeste Olímpica. FICHA TÉCNICA Classificação final: 1º Uruguai, 2º Suíça, 3º Suécia, 4º Holanda, 5º França, 6º Itália, 7º Irlanda, 8º Egito, 9º Tchecoslováquia, 10º Hungria, 11º Estados Unidos, 12º Bulgária, 13º Luxemburgo, 14º Romênia, 15º Bélgica, 16º Letônia, 17º Espanha, 18º Estônia, 19º Turquia, 20º Polônia, 21º Iugoslávia, 22º Lituânia AMSTERDÃ 1928 A pressão não impediu que os sul-americanos dominassem a competição. Na fase preliminar, o Chile perdeu para Portugal na única derrota sul-americana em todo o evento. Essa superioridade ficou clara já nas oitavas-de-final, quando o Uruguai venceu a seleção da casa por 2x0 e a Argentina humilhou os Estados Unidos por 11x2. A outra favorita, a Itália, passou apertado pela França (4x3). Também passaram Alemanha (4x0 na Suíça), Espanha (7x1 no México), Egito (7x1 na Turquia), Portugal (2x1 na Iugoslávia) e Bélgica (5x3 em Luxemburgo). No torneio de consolação, o Chile mostrou que o futebol da América do Sul já era tão forte quanto o europeu, ao vencer o México e empatar com a Holanda. Nas quartas-de-final, a caminhada sul-americana seguia inabalável, com o Uruguai vencendo a Alemanha por 4x1 e a Argentina goleando a Bélgica em um incomum 6x3. A Itália também passou, após fazer 7x1 em um jogo-extra contra a Espanha. O quarto semifinalista era uma grande zebra: o Egito, que venceu Portugal por 2x1. No entanto, a capacidade de surpreender dos egípcios se esgotou. Nas semifinais, perderam de 6x3 da Argentina e, na disputa do bronze, foram massacrados por 11x3 para a Itália, que perdera em um emocionante 3x2 para os cisplatinos. Na final, Uruguai e Argentina mostravam que eram as melhores seleções de mundo na época. O jogo terminou em 1x1 e foi necessário um jogo-desempate, vencido pelos uruguaios por 2x1. FICHA TÉCNICA Classificação final: 1º Uruguai, 2º Argentina, 3º Itália, 4º Egito, 5º Espanha, 6º Portugal, 7º Alemanha, 8º Bélgica, 9º França, 10º Iugoslávia, 11º Holanda, 12º Chile, 13º Luxemburgo, 14º Suíça, 15º Turquia, 16º México, 17º Estados Unidos BERLIM 1936 À exceção da Oceania, todos os demais continentes estiveram representados na Alemanha. Com o profissionalismo crescente em diversos países, o torneio olímpico de futebol começou a mudar de feições, com um aumento significativo de seleções B ou juniores. Mesmo assim, a Itália conseguiu mascarar o profissionalismo de alguns de jogadores e enviou uma seleção forte, que só teria adversários se Argentina e Uruguai mandassem representantes. Como os platinos desistiram do evento (foram substituídos pelo Peru), a azzurra não teve concorrentes do mesmo nível. O número de participantes (16), ajudou a montar uma tabela simples, com jogos eliminatórios e sem fases preliminares. As oitavas-de-final viram algumas surpresas, como a vitória do Japão sobre a Suécia e as vitórias inesperadamente apertadas de Itália (1x0) e Grã-Bretanha (2x0) diante de Estados Unidos e China. De resto, foram normais as vitórias de Alemanha, Noruega, Polônia, Peru e Áustria sobre Luxemburgo, Turquia, Hungria, Finlândia e Egito. Mais conturbadas foram as quartas-de-final. Em casa, a seleção alemã não atendeu às expectativas de Hitler e perdeu sem sequer chegar perto de uma medalha (0x2 contra a Noruega). Porém, a grande confusão ficou para Áustria x Peru. Os austríacos, que estavam entre as principais forças do futebol mundial na época, fizeram 2x0. No entanto, permitiram o empate peruano. Na prorrogação, um tumulto envolvendo torcedores sul-americanos paralisou a partida. No reinício, os peruanos foram melhores e marcaram mais dois gols. A Áustria não aceitou o resultado e pediu que a Fifa mandasse as duas equipes jogarem novamente. A solicitação foi acatada. Revoltados os peruanos voltaram para Lima. Sorte da Áustria, que venceu a Polônia nas semifinais e garantiu um lugar na decisão (e uma medalha). A outra vaga ficou com a Itália, que venceu a Noruega por 2x1, placar que repetiria – após prorrogação – na final contra os austríacos.
FICHA TÉCNICA Classificação final: 1º Itália, 2º Áustria, 3º Noruega, 4º Polônia, 5º Peru, 6º Alemanha, 7º Grã-Bretanha, 8º Japão, 9º Suécia, 10º Estados Unidos, 11º Egito, 12º China, 13º Hungria, 14º Finlândia, 15º Turquia, 16º Luxemburgo. LONDRES 1948 Nas Olimpíadas londrinas, os países ocidentais ainda respiraram um pouco. Primeiro, porque ainda havia os que não eram profissionais, como a Suécia e a Dinamarca. Outro motivo é que a Europa Oriental fora fortemente destruída durante a Segunda Guerra Mundial e sua estrutura esportiva estava se reorganizando. Na fase preliminar, a Holanda desclassificou a Irlanda e Luxemburgo, em uma das partidas mais improváveis do futebol internacional, goleou o Afeganistão por 6x0. Mas as esperanças luxemburguesas acabaram nas oitavas-de-final, ao perder de 1x6 para a Iugoslávia. Também passaram às quartas Suécia (3x0 na Áustria), Coréia (ainda uma só, fez 5x3 no México), Dinamarca (3x1 no Egito), Itália (9x0 nos Estados Unidos), Grã-Bretanha (4x3 na Holanda), França (2x1 na Índia) e Turquia (4x0 na China). Com um ataque formado por Nordahl, Gren e Liedholm (que estavam em campo na final da Copa de 58 contra o Brasil), a Suécia não teve dificuldades em arrasar a Coréia, 12x0. Mais difícil foi a classificação de Dinamarca, Grã-Bretanha e Iugoslávia, contra, pela ordem, Itália, França e Turquia.
A boa fase sueca continuou nas semifinais, com uma vitória relativamente tranqüila no clássico escandinavo contra a Dinamarca (foto). Na outra partida dessa fase, a Iugoslávia acabou com as esperanças britânicas ao vencer por 3x1 em Wembley (como era a seleção da Grã-Bretanha amadora, esse resultado não foi considerado a quebra da invencibilidade inglesa no estádio londrino, o que ocorreria cinco anos depois). Na decisão, os suecos venceram sem grandes dificuldades a Iugoslávia. Foi a última medalha de ouro conquistada por um país capitalista até os Jogos de Los Angeles em 1984. Tinha início a fase de hegemonia dos países do Leste Europeu no futebol olímpico. FICHA TÉCNICA Classificação: 1º Suécia, 2º Iugoslávia, 3º Dinamarca, 4º Grã-Bretanha, 5º Itália, 6º Turquia, 7º França, 8º Coréia, 9º Holanda, 10º Luxemburgo, 11º México, 12º Índia, 13 º Egito, 14º Áustria, 15º China, 16º Estados Unidos, 17º Irlanda, 18º Afeganistão Ubiratan Leal Imagens: Ragges Longjump, Futbol Factory, The Guardian e DFB Voltar à página principal da história do futebol olímpico Posted by ubiraleal at 12:44 AM A trajetória do futebol nas Olimpíadas
Futebol masculino e Jogos Olímpicos parecem não ser muito compatíveis. Mesmo quando as chances de medalha de ouro são vivas para o Brasil (o que definitivamente não é o caso de Atenas’2004), sempre há um ar de desconfiança diante daquele esporte. Como se, nas Olimpíadas, o esporte mais praticado do mundo fosse um intruso e devesse dar uma oportunidade para as outras modalidades aparecerem. O que fica claro quando se vê a história do futebol masculino olímpico. Aliás, o esporte teve vida tão conturbada nos Jogos que o fato de potências históricas indiscutíveis como Brasil, Argentina e Alemanha nunca terem conquistado uma medalha de ouro não é um absurdo (se você é daqueles detalhistas, talvez se lembre que a Alemanha Oriental foi campeã olímpica em 1976, mas deu para entender, né?). Afinal, desde a década de 1930 que as principais forças da modalidade não podem levar suas seleções principais. Tudo por causa do amadorismo. Pierre de Fredy, o Barão de Coubertin, re-criador das Olimpíadas, era defensor ardoroso do amadorismo. Para ele, o esporte seria mais nobre se praticado por prazer, não por dinheiro. Assim, qualquer atleta que recebesse algum dinheiro ou prêmio em espécie poderia ser afastado das disputas olímpicas sob acusação de profissionalismo. Claro que é algo hipócrita, mas isso fez com que os jogadores da NBA ficassem de fora dos Jogos até 1992, o tênis só fosse incorporado definitivamente no programa olímpico em 1988 e o futebol fosse um torneio “torto”. Isso porque países sem tradição como Irã e Japão podiam mandar suas seleções principais, claramente amadoras, e, eventualmente, vencer as equipes juniores das nações mais tradicionais. Sem contar com os países comunistas onde não existia profissionalismo e quase todos os atletas eram, oficialmente, militares (e, portanto, a prática do esporte era supostamente uma atividade paralela). É possível dividir a história da modalidade nos jogos em três fases. Na primeira, que vai do início dos Jogos até o fim da Segunda Guerra Mundial, há muita desorganização, mas o torneio refletia um pouco a relação de forças do futebol internacional. Na segunda, entre as décadas de 1950 e 1970, no auge do “amadorismo”, há um enorme domínio do Leste Europeu, que enviava suas competitivas seleções principais para enfrentar times realmente amadores, compostos por juniores. Por fim, a fase “moderna”, em que a Fifa tentou igualar as condições e impôs limitações uniformes para todos os países. Clique e veja um resumo da história de cada período do futebol olímpico Ubiratan Leal Imagem: Goethe-Institut Posted by ubiraleal at 12:26 AM julho 23, 2004 O futebol na terra das Olimpíadas... e de Rivaldo
Quem acompanha apenas o futebol pode nunca ter voltado o olhar à Grécia. Normal, pois o país nunca teve uma liga entre as mais fortes da Europa e a seleção helênica jamais assustou. Pois 2004 parece ser o ano da Grécia. Os Jogos Olímpicos de Atenas já dariam um destaque especial ao país. Mas, em menos de um mês, os gregos levaram a Eurocopa e Rivaldo. O primeiro dará respeito no cenário europeu, o segundo chamará a atenção da imprensa brasileira. Então, já que o futuro próximo do futebol helênico será acompanhado, talvez seja hora de ver um pouco do passado. Das ligas mais tradicionais da Europa, nenhuma conta com uma concentração geográfica tão grande quanto a grega. Contando sua região metropolitana, Atenas é sede de 10 dos 16 clubes que disputaram a A’Ethniki Katigoria (Primeira Divisão) em 2003-04. Por isso, a história do podosferikos é contada pela capital do país. Falar do futebol ateniense é um “arredondamento”, pois há uma colaboração importante das cidades vizinhas. Dos 10 clubes mencionados, quatro não são exatamente atenienses. O Olympiakos é da portuária Piraeus, Ionikos e Proodeftiki vêm de Nikeas e o Chalkidona tem sede em Neapolis. Enquanto isso, AEK, Panathinaikos, Panionios, Agaleo, Akratitos e Kallithea representam realmente a cidade de Péricles, Sócrates, Platão e Alcebíades. Esse domínio ateniense tem razões históricas. O futebol chegou ao país no final do século XIX, pelos marinheiros ingleses. O principal centro era Tessalônica, na época uma cidade do Império Otomano. Durante algumas décadas, o esporte teve dificuldades para se estabelecer por sofrer desaprovação do governo e pela própria situação da nação grega, ainda em fase de formação após a sangrenta guerra da independência, na década de 1820.
Em 1906 foi disputada a primeira partida de futebol com grande destaque na Grécia. Nos Jogos Intermediários (Olimpíadas não-oficiais) de Atenas, uma seleção de Tessalônica enfrentou um combinado de Atenas. A partida terminou com uma briga generalizada entre torcedores. Naquela época, a Federação Grega de Ginástica organizava um campeonato apenas com times de Atenas e Piraeus, favorecendo o desenvolvimento dessa região. O futebol grego teve impulso decisivo após a Primeira Guerra Mundial. A Turquia apoiou a Tríplice Aliança (Alemanha, Áustria-Hungria e Itália) e, derrotada, teve de ceder parte de seu território para a Grécia, que ficara ao lado da Tríplice Entente (Reino Unido, França e Rússia). Os helênicos tentaram se aproveitar do momento favorável e investiram sobre Istambul, mas foram derrotados e obrigados a retroceder em 1922. Com isso, os dois países acabaram acertando uma troca de população: 400 mil turcos que moravam na Grécia voltam à Ásia Menor e 1 milhão de gregos que viviam na Turquia foram aos Bálcãs. Houve um grande crescimento do número de equipes de futebol. Por exemplo, o AEK e o PAOK foram fundados por refugiados gregos vindos de Istambul (Constantinopla para os gregos, daí o “K” de ambos clubes), enquanto que o Panionios surgiu da comunidade de helênicos provenientes de Izmir (o nome do clube é Neos Panionios Smyrnis). Já começou-se a pensar em um campeonato nacional. Em 1926 foi criada a Federação Grega de Futebol. O primeiro Campeonato demorou apenas dois anos para surgir. Na realidade, havia três ligas regionais (Atenas, Atenas/Piraeus e Tessalônica) e os vencedores jogavam um triangular final. O primeiro campeão, curiosamente, veio do interior: o Aris. A partir daí, houve um quase monopólio de Olympiakos, Panathinaikos e AEK, os três grandes clubes de Atenas (e da Grécia). Em 1929, não foi disputada a fase final, mas, em 1930 o Panathinaikos conquistou seu primeiro título. Clube de futebol mais antigo do país ainda em atividade (foi fundado em 1908), o Pana foi fundado por banqueiros e comerciantes ingleses que trabalhavam em Atenas. Por isso, sempre esteve ligado à elite.
Porém, isso não foi suficiente para impedir a investida do Olympiakos, clube relativamente novo (1925), mas com forte relação com os trabalhadores do porto de Piraeus (e, posteriormente, com a classe popular da Grécia). Entre 1933 e 1938, os alvirrubros conquistaram o pentacampeonato grego (não houve disputa em 1935). A seqüência foi interrompida pelo AEK, que foi bi em 1940 (foto) e se estabeleceu como terceiro grande do país. Nessa época também se formou a seleção grega, que esteve na curiosa situação de disputar – e perder – as Eliminatórias para a Copa de 1934 contra a Itália, país-sede do torneio (não havia vaga automática ao anfitrião). O Campeonato grego seguiu com o formato de ligas regionais até 1960, quando estreou um torneio nacional nos moldes europeus tradicionais: grupo único em pontos corridos. O domínio dos três grandes se acentuou nessa fase, bem como o fanatismo, a rivalidade e o ódio entre as torcidas. Em 1962 e 1964 a Copa da Grécia foi abandonada por confusão entre simpatizantes de Panathinaikos e Olympiakos. Até hoje, o futebol grego é marcado por muitas confusões entre público e polícia, fama nada agradável que se espalhou pela Europa e tornou os torcedores gregos temidos pelos adversários em competições continentais (o que não se confirmou na Euro 2004).
A imagem do podosferikos só melhorou um pouco em 1971. Treinado pelo húngaro Ferenc Puskas, o Panathinaikos surpreendeu e chegou à final da Copa dos Campeões. Com uma equipe apenas esforçada e dependente dos gols de Antoniadis, os verdes não puderam resistir à força do Ajax de Cruijff e perderam por 2x0 na final, jogada em Wembley. Mas, como os holandeses renunciaram ao direito de jogar contra o Nacional de Montevidéu, então campeão da Libertadores, o Panathinaikos foi finalista do Mundial Interclubes. Em Atenas, Filakouris colocou os gregos na frente, mas Artime empatou para os uruguaios. Na América do Sul, os platinos foram melhores e fizeram 2x0, dois gols de Artime. No último minuto, Filakouris reduziu a diferença para os helênicos. O vice-campeonato mundial é ainda mais inesperado se for lembrado que, naquela época, o futebol grego era amador. O profissionalismo veio apenas em 1979, junto com resultados ótimos para a seleção. Após ficar em primeiro em uma equilibradíssima chave – que contava ainda com União Soviética, Hungria e Finlândia –, a Grécia conseguiu uma inédita vaga na Eurocopa. No torneio disputado na Itália, os helênicos perderam de 1x0 para a Holanda, 3x1 para a Tchecoslováquia e empataram em 0x0 com a Alemanha Ocidental em partida que nada valia.
No ano seguinte, uma tragédia. Após uma goleada de 6x0 do Olympiakos sobre o AEK em um clássico ateniense, as duas torcidas promovera uma grande briga, que resultou na morte de 21 espectadores que foram ao estádio Karaiskakis (a foto ao lado mostra a lista oficial de vítimas). Em 1982, com a conclusão das obras de ampliação do OAKA Spiyros Louis, com capacidade para 75 mil pessoas, houve um pequeno aumento na segurança, pois a maior parte dos clássicos passou a ser disputada nesse estádio, maior e mais distante do centro. Outra grande conquista do futebol grego foi a classificação para a Copa de 1994. É verdade que a ausência da Iugoslávia por causa das sanções da ONU tornou o grupo helênico nas Eliminatórias mais fácil. Ainda assim, a seleção azul ficou à frente da favorita Comunidade de Estados Independentes (representada pela Rússia). Porém, a campanha no Mundial foi pífia. Estreou sendo massacrada pela Argentina de Maradona, Redondo, Batistuta e Caniggia, 0x4. Em seguida, repetiu o infeliz placar contra os vizinhos búlgaros, que venciam pela primeira vez uma partida de Copa. A trajetória grega em gramados norte-americanos foi encerrada com uma derrota mais digna, 0x2, para a Nigéria. Nos últimos 10 anos, o futebol grego só teve mais destaque internacional em 1996, quando o Panathinaikos fez excelente campanha na Liga dos Campeões. Curioso que, em competições nacionais, o Olympiakos é historicamente mais bem sucedido, enquanto que o Pana tem melhores participações continentais. Após passar por Hajduk Split (Croácia), Porto, Aalborg (Dinamarca) e Legia Varsóvia, o Panathinaikos chegou às semifinais diante do então campeão mundial Ajax. Os holandeses estavam com sua melhor formação desde a década de 1970, com Van der Sar, Davids, Litmanen, Ronald e Frank de Boer, Kluivert e Kanu. Além disso, o clube de Amsterdã vinha de uma grande seqüência de 20 jogos invictos em competições internacionais. No estádio Olímpico da capital da Holanda, o Panathinaikos conseguiu segurar o ataque do Ajax e venceu por 1x0 no contra-ataque. Bastava segurar o empate em casa para garantir a segunda final continental da história. Mas, mesmo com o apoio de mais de 70 mil torcedores, os verdes caíram por 3x0.
E, desde então, futebol helênico permaneceu lutando. Nunca foi fraco, mas esteve longe de ameaçar os grandes do continente nesse período. Entre os clubes, a torcida fanática e o investimento um pouco pesado dos três grandes garantem campanhas de respeito, mas nada além disso. Para piorar a situação grega, os vizinhos e rivais históricos turcos evoluíram de forma assustadora nos últimos anos, conquistando um título continental de clubes (a Copa de Uefa de 2000 do Galatasaray), duas participações em Eurocopa (1996 e 2000) e um terceiro lugar em Copa (2002). Agora, com o título da Eurocopa, Olimpíadas de Atenas e a contratação de Rivaldo, a Grécia está moralmente em alta. Quem sabe se, dessa vez, não é para realmente mudar de categoria, se aproximando um pouco mais da elite européia. *
Veja a lista de campeões gregos: 1906 e 07 – Ethnikos; 1908 – Goudi, 1909 – Piraikos; 1910 – Goudi; 1911 – Panelinios; 1912 – Goudi; 1928 – Aris; 1930 – Panathinaikos; 1931 – Olympiakos; 1932 – Aris; 1933 a 1938 (menos 1935) – Olympiakos; 1939 e 40 –AEK; 1946 – Aris; 1947 e 48 – Olympiakos; 1949 – Panathinaikos; 1951 – Olympiakos; 1953 – Panathinaikos; 1954 a 59 – Olympiakos; 1960 a 62 – Panathinaikos; 1963 – AEK; 1964 e 65 – Panathinaikos; 1966 e 67 – Olympiakos; 1968 – AEK; 1969 e 70 – Panathinaikos; 1971 – AEK; 1972 – Panathinaikos; 1973 a 75 – Olympiakos; 1976 – PAOK; 1977 – Panathinaikos; 1978 e 79 – AEK; 1980 a 83 – Olympiakos; 1984 – Panathinaikos; 1985 – PAOK; 1986 – Panathinaikos; 1987 – Olympiakos; 1988 – Larisa; 1989 – AEK; 1990 e 91 – Panathinaikos; 1992 a 94 – AEK; 1995 e 96 – Panathinaikos; 1997 a 2003 – Olympiakos; e 2004 – Panathinaikos. *
Apesar do nome ligado ao futebol brasileiro e inglês, a cidade de Corinto nunca se destacou muito no futebol. O Pankorinthiakos é fundador da liga grega, em 1960, mas foi rebaixado logo na primeira temporada. Hoje, o melhor time da cidade é o Korinthos, na quarta divisão. *
Veja os clubes que disputarão a A’Ethniki Katigoria em 2004-05: Panathinaikos, Olympiacos, AEK, PAOK Tessalônica, Aigaleo, Panionios, Chalkidona, Iraklis Tessalônica, Ionikos Nikea, Xanthi, OFI Creta, Kallithea, Aris Tessalônica, Kerkyra, Apollon Kalamarias e Ergotelis. Vale lembrar que, em 2003, o Olympiakos mudou o nome para Olympiacos. Exigência do novo presidente do clube. *
Um esclarecimento. A palavra “balípodo” foi proposta por defensores da lusofonia como alternativa ao anglicismo da palavra “futebol” (e, como forma de ironia, virou nome desse “sítio”). Afinal, ao utilizar radicais gregos, “balípodo” preservaria uma das linhas mais comuns de derivação de palavras da língua portuguesa. Mas, que fique claro que “balípodo” usa radicais gregos, mas não é grego. Na língua grega moderna, futebol é “podosferikos”, ou, no alfabeto deles, ποδοσφαιρικές. *
Quer saber o que significa o nome dos principais clubes da Grécia? Vamos lá: Olympiakos = atleta olímpico, Panathinaikos = pan-ateniense ou de todos os atenienses, AEK = Athlitiki Enosis Konstantinoupolis (União Atlética de Constantinopla), PAOK = Podosferikos Athlitikos Omilos Kostantinoupolis (Clube Atlético de Futebol de Constantinopla), Ionikos = jônicos, Aris = Marte (deus da guerra), Iraklis = Hércules, OFI = Omilos Filathlon Iráklion (Clube de Esportistas de Iraklion), Panionios = pan-jônico ou de todos os jônicos e Ethnikos = nacional. Ubiratan Leal Imagens: La Gazzetta dello Sport, The Museum of European Art, Pao Cyberfans e SoccerAge Posted by ubiraleal at 05:48 AM julho 14, 2004 A copa da loteria
Enquanto quase todo o mundo olhava para o futebol europeu e pensava na Eurocopa e alguns já imaginavam como seria a Copa América, a temporada 2004-05 já tinha se iniciado no Velho Mundo. É a tal Copa Intertoto, torneio esquisitão envolto de interrogações para o torcedor brasileiro e pleno de clubes secundários ou terciários. E então: o que é a tal Copa Intertoto? Para falar abertamente e em bom português, a Copa Intertoto é um daqueles fatos que o brasileiro ou sul-americano pode pegar para dizer que também há coisas injustificáveis no futebol da Europa. Nesse caso os europeus não têm muito o que argumentar. A Intertoto realmente é dispensável. E isso se vê pela origem do torneio. O idealizador foi Karl Rappan. O austríaco foi jogador na década de 1920, passando por Admira Wacker, Rapid Viena, Áustria Viena, Servette e Grasshoppers. Depois, foi um técnico de destaque, levando a Suíça às quartas-de-final nas Copas de 38 e 54 (melhores colocações do país na história). Para muitos, a Suíça de Rappan foi a primeira equipe a utilizar um jogador atrás da linha da defesa, papel que os italianos desenvolveram e chamaram de líbero. Com isso, Rappan ganhou grande projeção no futebol suíço. O que ele pretendia aproveitar para criar uma competição entre clubes de diversos países europeus, mais ou menos como a já existente Copa Mitropa. Foi quando juntou seu desejo com os interesses do amigo Ernst Thommem, ex-funcionário da Federação Suíça de Futebol e, na segunda metade da década de 1950, responsável pela loteria esportiva do país. Para Thommem, o verão (de junho a setembro no hemisfério norte) era uma época ruim, pois os campeonatos europeus de futebol estavam parados para as férias, obrigando a paralisação temporária das apostas. A idéia de ambos foi criar uma competição internacional para ocupar datas nesse período, podendo dar mais fôlego à loteria esportiva da Suíça e, claro, do resto do continente. A fonte de dinheiro para organizar e premiar as equipes era óbvia: a própria loteria destinaria parte de sua arrecadação. Participariam clubes que aceitassem jogar no período que supostamente seria de férias ou pré-temporada. Apenas para legitimar a competição, ambos decidiram pedir a aprovação da Uefa. Como os jogos teriam como objetivo alimentar casas de apostas e loterias (algo pouco “nobre”, usando uma expressão idealista), a entidade não aprovou. Apenas quando Thommem e Rappan disseram que organizariam o torneio e só queriam uma oficialização burocrática a aprovação foi concedida. Assim, em 1961, foi criada a Copa Intertoto, nome que une “internacional” com o sufixo “toto”, comum em loterias esportivas na Europa (por exemplo, o Totocalcio, a loteca italiana). No início, a Intertoto era dividida em vários grupos, com os vencedores fazendo um mata-mata para definir o campeão. Assim foi até 1966. A partir de então, o gradual inchaço do calendário europeu dificultou o estabelecimento de datas para a fase final, fazendo com que o torneio tivesse vários campeões (os vencedores de cada grupo) por ano.
Durante quase 30 anos a Intertoto sobreviveu como uma competição amistosa de pré-temporada, apenas para aquecer os times e preencher o calendário para as loterias. Havia um claro domínio de equipes do Leste Europeu, sobretudo Tchecoslováquia e Polônia, além de Alemanha Ocidental e Suécia. De qualquer forma, sobravam campeões bizarros, como o Odra Opole, da Polônia, o Barreiro, de Portugal, Zbrojovka Brno, da Tchecoslováquia, Maccabi Netanya, de Israel, o Vöest Linz (foto), da Áustria, e Banyasz Tatabanya, da Hungria. Os mais “normais” foram Ajax, Feijenoord (atual Feyenoord), Kaiserslautern e Sporting de Lisboa. Por falta de interesse, espanhóis, italianos e ingleses, por exemplo, nem levavam representantes. Até que a Uefa resolveu valorizar o torneio. Era cada vez mais comum que grandes clubes da Europa, após uma má campanha em suas ligas nacionais, ficassem de fora de competições continentais por uma temporada. A entidade percebeu que poderia usar a Intertoto como um pré-classificatório para a Copa da Uefa, uma segunda chance para muitas equipes a partir de 1995. Ainda assim, não obrigou os clubes a participarem da Intertoto, pois as equipes teriam o direito de gozar férias se achassem necessário. Então, antes do final de cada temporada, os times com chances de conseguir uma vaga na competição devem se inscrever. E não são raros os clubes que renunciam à chance de conseguir um lugar na Copa da Uefa. Como o objetivo claramente é classificar equipes para a segunda competição mais importante entre os clubes do continente, a Intertoto não tem um campeão, mas três. O curioso é que houve clubes que saíram da Intertoto e brilharam na Copa da Uefa. Logo no primeiro ano sob organização da Uefa, o Bordeaux saiu da competição de férias, passou pelo Milan de Roberto Baggio nas quartas-de-final e só parou na decisão, contra o Bayern de Munique. Nesse torneio, os girondinos revelaram à Europa jogadores como Zidane, Lizarazu e Dugarry, que logo garantiram transferências para Itália e Espanha. Na última edição, o vencedor da Intertoto que foi mais longe na Copa da Uefa foi o Villarreal, que caiu nas semifinais diante do Valencia. Foi o melhor desempenho de um clube saído do torneio de pré-temporada desde que o Bologna, em 1998-99, também ficou entre os 4 melhores da Copa da Uefa. De qualquer forma, a competição criada por Karl Rappan já conseguiu ter vencedores mais valorosos, como franceses, italianos e ingleses. Até a poderosa Juventus de Turim já acrescentou a Copa Intertoto na sua lista de títulos.
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Veja os jogos marcados para a terceira fase da Copa Intertoto: *
Vale lembrar que nesse meio-de-semana começou a fase preliminar da Liga dos Campeões. Dos que já estão jogando, apenas o HJK Helsinki, da Finlândia, já disputou a fase principal do torneio, em 1998-99. *
Respire fundo, segure o fôlego e veja os “campeões” da Copa Intertoto: Ubiratan Leal Posted by ubiraleal at 05:45 AM julho 13, 2004 Décadas de 1990 e 2000
A Copa América de 1991, disputada no Chile, foi bastante diferente da anterior. Após a péssima campanha na Copa da Itália, o Brasil implementou um profundo processo de renovação. Paulo Roberto Falcão foi designado como técnico na busca da CBF por um Beckenbauer (campeão pela Alemanha Ocidental) brasileiro. Durante quase um ano, ele não convocou jogadores que atuassem na Europa. Para a Copa América, chamou apenas quatro: Taffarel (Parma-ITA), Mazinho (Lecce-ITA), João Paulo (Bari-ITA) e Branco (Genoa-ITA). Vendo 13 anos depois, é possível perceber com clareza como aquela era uma seleção experimental. Goleiros: Taffarel, Sérgio (Santos) e Ronaldo (Corinthians); laterais: Mazinho, Branco, Cafu (São Paulo) e Lira (Goiás); zagueiros: Cléber (Atlético-MG), Ricardo Rocha (São Paulo), Wilson Gottardo (Flamengo) e Márcio Santos (Internacional); volantes: Mauro Silva (Bragantino), Valdir (Atlético-PR) e Márcio (Corinthians); meias: Luís Henrique (Bahia), Neto (Corinthians) e Raí (São Paulo); atacantes: Renato Gaúcho, João Paulo, Careca Bianchesi (Palmeiras), Mazinho Oliveira (Bragantino) e Sílvio (Bragantino). Porém, não foi apenas o Brasil que resolveu radicalizar. O Uruguai tentou incentivar o crescimento de novos jogadores e deixou de lado a geração relativamente vitoriosa da década anterior. Todos os charruas convocados atuavam em clubes locais, como Peñarol, Nacional, Defensor, Danubio, Bella Vista e até Liverpool (de Montevidéu). Passos parecidos deu o Paraguai. De fato, das principais forças do continente apenas Colômbia e Chile estiveram com suas seleções principais. Isso porque a idéia de privilegiar os jogadores “nacionais” também acometeu a Argentina. Vice-campeã mundial no ano anterior, a seleção platina teve mais sorte nas apostas que fez. No grupo convocado por Alfio Basile estavam atletas como Batistuta, Latorre (que acabou sumindo anos depois), Basualdo, Astrada, Darío Franco, Simeone e Goicoechea. O único “estrangeiro” foi Caniggia, da Atalanta-ITA. Com esse time, a Argentina surpreendeu, apresentando um futebol ofensivo e envolvente, claramente em um nível acima das demais seleções sul-americanas. Assim, os gauchos não tiveram dificuldades em ficar em primeiro lugar no Grupo 1, com vitórias convincentes sobre Chile, Paraguai, Peru e Venezuela. Em casa, tentando apagar a má imagem deixada nas Eliminatórias para a Copa de 90 e enfrentando adversários enfraquecidos, os chilenos conseguiram um segundo lugar no grupo. A outra chave foi mais equilibrada. O Brasil não encontrava seu melhor jogo desde a chegada de Falcão. Como o Uruguai também não vinha bem, as seleções médias do grupo conseguiram equilibrar. Na primeira rodada, a Colômbia venceu o Equador (1x0) e Uruguai e Bolívia empataram (1x1). Em seguida, os charruas voltaram a empatar (1x1 com o Equador), enquanto o Brasil sofria para bater a Bolívia por 2x1. Na terceira rodada, mais equilíbrio: Colômbia 0x0 Bolívia e Brasil 1x1 Uruguai. A relação de forças grupo só ganhou desenhos mais claros nas duas últimas rodadas. O Equador venceu a Bolívia por 4x0 e mostrou o futebol que surpreendeu o continente dois anos antes. Enquanto isso, o Brasil perdeu para a Colômbia (2x0) após uma atuação nula. Na última rodada, a Colômbia estava praticamente classificada, com 5 pontos. Brasil, Uruguai e Equador vinham com 3 e a Bolívia, já eliminada, com dois. Na primeira partida da rodada decisiva, o Uruguai finalmente saiu do 1x1 e venceu inesperadamente a Colômbia por 1x0. Com esse resultado, o Brasil teria de vencer o Equador por dois gols de diferença. Empate ou vitória brasileira por um gol classificaria o Uruguai. O Equador passaria se vencesse por qualquer placar. Foi um jogo emocionante. Sem padrão de jogo suficiente, o Brasil tentou compensar na correria e na determinação. Conseguiu fazer 1x0 logo aos 8 minutos, com Mazinho Oliveira. Muñoz empatou aos 12 e esfriou o ânimo brasileiro. No segundo tempo, Márcio Santos recolocou o Brasil na frente aos 9. A partir daí, a partida seguiu no clima desesperado. Com menos talento, mas melhor conjunto, o Equador conseguia barrar o ataque brasileiro e até ameaçar o gol de Taffarel. Até os 44 minutos, quando Luís Henrique aproveitou um contra-ataque e fez o gol da classificação brasileira. Com esse resultado, o Brasil ficou em segundo lugar no grupo e estreou no quadrangular final justamente contra a Argentina. A expectativa era a de grande domínio platino, mas foi a melhor partida do Brasil sob o comando de Falcão. Logo a 1 minuto, Franco colocou a albiceleste na frente. Branco empatou em seguida. O jogo seguia equilibrado, mas o melhor conjunto argentino ficava evidente no aproveitamento das jogadas. Aos 39, Franco fez o segundo gol e Batistuta ampliou no início do segundo tempo. Ainda assim, o Brasil teve forças para diminuir com João Paulo e chegou perto de um empate.
Esse foi o jogo do título, pois, com a queda de rendimento da Colômbia, os argentinos não tiveram grandes dificuldades em administrar a diferença de pontos para os brasileiros. Empataram com o Chile em 0x0 e garantiram o título com um 2x1 sobre os colombianos. O Brasil venceu suas partidas restantes por 2x0 e assegurou o vice-campeonato. Mas essa melhora de desempenho nas últimas três partidas não foi o suficiente para salvar o emprego de Falcão, substituído temporariamente por Ernesto Paulo e definitivamente por Carlos Alberto Parreira ainda em 1991. Em 1995, a Copa América tomou seu formato atual. Com o convite a países de outros continentes, foi possível montar um torneio com 12 seleções. Assim, elas foram divididas em três grupos de quatro equipes, com as duas primeiras de cada chave, mais as duas melhores terceiras, passando para as quartas-de-final. Para o torneio organizado pelo Equador, foram convidados os dois melhores times do resto da América: México e Estados Unidos. No Grupo A estiveram Equador, Uruguai, Venezuela e Estados Unidos. Com uma seleção em crescimento, a torcida a favor e a altitude de Quito, os donos da casa conseguiram passar sem perder um ponto sequer. O Uruguai venceu os Estados Unidos e ficou com o segundo lugar. A Venezuela teve um papel digno, ao empatar com charruas e norte-americanos. No entanto, a goleada sofrida para o Equador (1x6) tornou o saldo de gols vinotinto muito ruim, o que foi decisivo para a desclassificação. Ainda assim fizeram o artilheiro da competição, Dolguetta, com 4 gols. Os estadunidenses fizeram apenas um ponto e terminaram na última colocação do torneio todo. Houve muito mais equilíbrio nas outras duas chaves. A B foi a considerada mais forte da competição, com um grande (Brasil) e três forças intermediárias do continente (Paraguai, Chile e Peru). Novamente os brasileiros priorizaram jogadores que atuavam no futebol doméstico. No caso, era uma forma de poupar a equipe principal para as Eliminatórias a serem disputadas no mês seguinte. O único “estrangeiro” do grupo foi Taffarel, então terceiro goleiro do Parma. Mas, ao contrário do que ocorreu em 1991, já havia um grupo com jogadores mais experientes e de qualidade conhecida (mesmo nas limitações). Goleiros: Taffarel, Carlos (Portuguesa) e Zetti (São Paulo); laterais: Cafu (São Paulo), Roberto Carlos (Palmeiras) e Luís Carlos Winck (Grêmio); zagueiros: Antônio Carlos (Palmeiras), Válber (São Paulo), Henrique (Corinthians) e Paulão (Grêmio); volantes: César Sampaio (Palmeiras), Luisinho (Vasco); meias: Marco Antônio Boiadeiro (Cruzeiro), Palhinha (São Paulo), Zinho (Palmeiras), Marquinhos (Flamengo) e Edílson (Palmeiras); atacantes: Edmundo (Palmeiras), Müller (São Paulo), Viola (Corinthians), Almir (Santos) e Elivélton (São Paulo). Na estréia, o Brasil sentiu a altitude de Cuenca e ficou em um pálido 0x0 com o Peru, enquanto o Paraguai venceu o Chile por 1x0. Na segunda rodada, os brasileiros voltaram a jogar mal e perderam por 3x2 para o Chile, com dois gols do atacante Zambrano e um do meia Sierra. A dupla são-paulina Müller e Palhinha fizeram os gols verde-amarelos. O Paraguai empatou com o Peru em 1x1 e continuava na liderança. Completando a chave, o Peru venceu o Chile por 1x0 e garantiu a classificação. O Brasil dependia de uma vitória, e a conseguiu com uma boa apresentação. Edmundo e Palhinha (duas vezes) marcaram nos 3x0 e os brasileiros asseguraram o segundo lugar, atrás dos peruanos. O Paraguai passou na repescagem. No Grupo C, Argentina e Colômbia estrearam com vitórias (1x0 na Bolívia e 2x1 no México respectivamente). Depois disso, apenas empates. Pelo número de gols marcados, os cafeteros ficaram em primeiro e os mexicanos em terceiro. As quartas-de-final começaram com uma vitória fácil do Equador sobre o Paraguai: 3x0, sendo que Chilavert ainda defendeu um pênalti. No mesmo dia, a Colômbia tinha extrema dificuldade para passar pelo Uruguai tendo de contar com a disputa de pênaltis para ir às semifinais. A surpresa da fase foi o México, que massacrou o Peru por 4x2 (os aztecas fizeram 4x0 e administraram a vantagem no segundo tempo). O jogo mais aguardado foi o clássico entre Brasil e Argentina. Sem a altitude, era esperado que o desempenho brasileiro melhorasse. Isso até aconteceu, mas a verdade é que a partida decepcionou. Müller colocou os verde-amarelos na frente no primeiro tempo, mas Leo Rodríguez empatou na segunda parte. Nos pênaltis, as duas seleções forma impecáveis nas cinco cobranças regulares. Mas os platinos tiveram mais sorte na primeira rodada de desempate. Goicoechea defendeu a cobrança de Boiadeiro e Borrelli ratificou a classificação argentina. Na primeira semifinal, o México mostrou que encontrara seu melhor futebol e venceu de forma incontestável o Equador, 2x0 em um belo jogo. Para chegar à final, argentinos e colombianos tiveram de passar por nova rodada de pênaltis (após um 0x0). E, mais uma vez, Goicoechea defendeu a sexta cobrança (dessa vez, de Aristizábal) e Borrelli fez o gol do triunfo platino. O Equador tinha convicção de que chegaria à sua primeira final continental (e mostrou futebol que justificasse essa expectativa). Após a derrota para os mexicanos, a seleção da casa não teve entusiasmo na disputa do terceiro lugar e perdeu para a Colômbia por 1x0 em Portoviejo.
Na final, Argentina e México fizeram uma boa partida. Tecnicamente superiores, os sul-americanos tinham a iniciativa do ataque, mas os norte-americanos tinham uma equipe bem armada e também eram perigosos. Os gols aconteceram em um intervalo de 11 minutos. Aos 18 do segundo tempo, Batistuta (foto) colocou a albiceleste na frente. Quatro minutos depois, Galindo empatou para os aztecas, mas Batigol voltou a marcar aos 29. O segundo gol desanimou os mexicanos, que partiram para tentativas menos organizadas de ataque. Em vão. O título era argenti | |||||||||||