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Balípodo > Hoje

March 29, 2004

Se você prestou atenção, percebeu que o Balípodo está um pouco diferente. A partir de agora, os principais textos ficarão no centro da página. Com isso, a divisão por seções só será válida quando o artigo sair da home e for para o arquivo. Esperamos que, assim, a página fique mais dinâmica e de fácil visualização. Além disso, há duas novas áreas na barra da direita. “Curtas” contará com dicas e pequenas notícias diferentes e/ou curiosas. Será atualizada várias vezes durante a semana. “Velharias” é a republicação de textos antigos do Balípodo (sem atualização do conteúdo). Todas as segundas e quintas-feiras haverá um novo artigo em destaque. Para estrear a seção, a trajetória da Catanduvense, o primeiro texto publicado nesse site. Qualquer dúvida ou sugestão, mande um e-mail para contato_balipodo@yahoo.com.br.


Posted by ubiraleal at 01:27 AM

March 25, 2004

O Barça merece aplausos. Mas vamos com calma

barcelona real sociedad.jpg

No início do ano, esse site deu ao Barcelona o “Prêmio Barcelona de Decepção da Temporada”. Na época, era justo, pois o clube blaugrana já estava longe dos líderes, perdendo jogos bobos e irritando sua fanática torcida. Para se ter uma idéia, o Barça terminou o turno com 16 pontos de déficit para o líder Valencia e 15 para o Real Madrid. Pois, em menos de três meses, os catalães já reduziram a diferença em relação aos madridistas para seis pontos (o Valencia está a cinco). Tudo conseqüência de uma série de nove vitórias seguidas.

Realmente, a reação do Barcelona é admirável o suficiente para os mais apressados colocarem os catalães como principais adversários do Real Madrid na Liga Espanhola. Aí há um claro exagero. Os blaugranas até têm chances de levar a taça, mas ignorar o Valencia e achar que as próximas nove rodadas serão iguais às últimas nove é ingenuidade.

Realmente, a reação do Barcelona é admirável o suficiente para os mais apressados colocarem os catalães como principais adversários do Real Madrid na Liga Espanhola. Aí há um claro exagero. Os blaugranas até têm chances de levar a taça, mas ignorar o Valencia e achar que as próximas nove rodadas serão iguais às últimas nove é ingenuidade.

O maior motivo para o relativo ceticismo é analisar os motivos para a subida repentina do Barcelona. A reação coincide basicamente com três fatores: a chegada de Davids, a excelente fase de Ronaldinho e a contusão de Kluivert. E, realmente, tudo se encaixou.

Na primeira metade da temporada, Rijkaard não conseguiu montar uma equipe. O grupo era capenga, carregando os vícios de sempre: falta de estrutura tática, dificuldade em soltar os principais talentos e, claro, desempenho geral instável. Por isso, a chegada do volante Davids foi perfeita. Não onerou o arrombado caixa do clube (o holandês estava brigado com a Juventus e chegou à capital da Catalunha de graça, desde que o Barça pagasse seu salário) e ajeitou o meio-campo. A marcação ficou mais consistente, bem como a saída de bola. As jogadas já começam com mais inteligência.

Já a saída de Kluivert tem a ver com a melhora do rendimento de Ronaldinho. Sem a companhia do holandês (que deixara há algumas temporadas de ser um centroavante fixo para buscar o jogo em alguns momentos da partida), o gaúcho teve mais liberdade de movimentação entre o meio-campo e o ataque. E daí está o mérito do brasileiro. Mostra a rara capacidade de usar sua enorme habilidade para criar jogadas efetivas, coisa que Denílson até hoje não aprendeu.

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A gent blaugrana está enlouquecida. Companheiros como Luís Enrique e Gerard afirmaram que o ex-gremista é o melhor jogador do mundo hoje, opinião que tem coro em boa parte da torcida do clube. A imprensa local (representada principalmente pelo diário El Mundo Deportivo) tenta criar um apelido para o meia. Enquanto o presidente Joan Laporta, que ganhou as eleições no meio de 2003 com a promessa de trazer Beckham e teve de se contentar com o brasileiro após a ida do inglês para o Real Madrid, tenta capitalizar, distorcendo os fatos ao dizer que sua primeira opção era Ronaldinho. O “Spice Boy” seria apenas um elemento no meio-campo.

Mas é bom ir com calma. Ronaldinho está muito bem, mas chama as jogadas demais para si. Por enquanto é suficiente, mas talvez não se possa dizer o mesmo no momento em que ele entrar em má fase ou se contundir. Além disso, o ex-gremista ainda não é o armador mais indicado contra defesas eficientemente fechadas (não conta a retranca esburacada de times como o Murcia e o Albacete), pois não tem por característica organizar o ataque com paciência. Quando aprender a cadenciar o jogo, Ronaldinho pode realmente pleitear o reconhecimento ao qual se referiu Luís Enrique e Gerard.

Outro fator que quem acompanha o futebol espanhol não pode perder de vista é que, no papel, o Valencia é mais time que o Barcelona (comparar com o Real Madrid é inútil, apenas o Milan pode pensar nisso). Os catalães contam com os bons Puyol e Márquez na defesa. No meio, Xavi é uma espécie de líder, até por ser de Barcelona. O meia-atacante Luís Enrique perde muitos gols, mas é uma referência importante para as penetrações de Saviola. De Ronaldinho e Davids já falamos.

Nada mal, mas ainda é pouco para um Barcelona que se imagina dominando a Europa. O clube ainda carrega o legado de temporadas anteriores, como Reiziger, Cocu e Kluivert, jogadores cujo melhor momento já passou. A falta de planejamento também tem suas conseqüências. Para resolver o crônico problema da falta de um goleiro confiável (o último foi Zubizarreta em 1994), Laporta contratou o excelente Rüstü. Faltou alguém olhar a relação de países que formam a União Européia para perceber que um turco não é considerado comunitário. Como Márquez é mexicano, Ronaldinho nasceu no Brasil e Saviola só tem passaporte argentino, a cota de três estrangeiros em campo por time estava preenchida. Rüstü virou uma extravagância no banco enquanto o jovem e nem tão confiável Valdés tem defendido a meta blaugrana.

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O Valencia é menos espetacular e mais previsível. No entanto, é mais sólido e estável. Cañizares, Ayala, Carboni e Pellegrino compõe uma defesa bastante segura, talvez a melhor da Espanha (o que não é muito difícil). O meio-campo com Baraja, Albelda, Vicente e Aimar não impressiona pela fama dos jogadores, mas é extremamente eficiente. Na frente, a revelação Mista garante os gols.

Por isso, ainda é mais prudente esperar um pouco mais para fazer um juízo definitivo desse Barcelona. Se os catalães chegarem com boas perspectivas ao superclásico com o Real, em Madri, dentro de cinco rodadas, e atuarem, com grandeza, terão mostrado que são definitivamente fortes. Mesmo que, no final, percam a partida.

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Para o próximo ano, a diretoria blaugrana afirma que Saviola já terá ser passaport comunitário. Além disso, Rüstü se beneficiaria de acordos trabalhistas entre a União Européia e países como a Turquia para entrar em campo sem contar como estrangeiro.

*

A útima derrota do Barcelona foi em 22 de janeiro para o Zaragoza (0x1 em Barcelona), pela Copa do Rei. Na Liga, o derradeiro revés se deu diante do Racing, um desagradável 0x3 em Santander, em 4 de janeiro.

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No início da temporada européia, esse site afirmou que boa parte das expectativas sobre a chegada de Ronaldinho ao Barcelona era marketing. Na época, realmente era, até para diminuir a sensação de derrota para o Real Madrid na briga por Beckham. Mas devemos admitir nossos erros. Até agora, o desempenho do brasileiro justifica os euros pagos para tirá-lo do Paris Saint-Germain.

Ubiratan Leal

Imagens: As, El Mundo Deportivo e Marca


Posted by ubiraleal at 03:54 AM

March 24, 2004

O São Paulo quer respostas

sao paulo x sao caetano.jpg

Acabaram as desculpas para o São Paulo. Após a derrota para o São Caetano, a diretoria do clube já admite que o time está com um crônico problema de “amarelar” nas decisões. As velhas explicações – o adversário era mais forte, o time estava em uma jornada infeliz, azar ou o juiz prejudicou – não são mais aceitas, pois a repetição de insucessos já não pode ser mais considerada um acaso.

Por isso, o clube contratou uma equipe de psicólogos para recuperar o espírito campeão dos jogadores. Cada um atuará em uma frente. “Em uma análise preliminar identificamos vários focos de abalo da confiança dos jogadores”, comenta Pablo M. Rocha, coordenador do grupo de psicólogos. “Admito que fiquei assustado quando vi que, mesmo com a boa infra-estrutura, o São Paulo tinha vários problemas que afetavam o desempenho em campo”, acrescenta.

O primeiro passo é acabar com o trauma do Corinthians. Apesar de ter vencido os últimos três confrontos diretos, ainda se teme a reação da equipe em uma partida decisiva diante dos alvinegros (as três vitórias foram em jogos de meio de campeonato). “Nesse aspecto, ter evitado o rebaixamento do Corinthians não foi muito bom, pois ver o rival na Segunda Divisão daria uma sensação de superioridade aos são-paulinos”, afirma Rocha, que, ainda assim, considera a atitude tricolor correta do ponto de vista esportivo.

Assim, os jogadores estão passando por várias seções de vídeo, em que assistem a grandes vitórias tricolores sobre o clube do Parque São Jorge. “A gente já começa a acreditar que é possível derrotar o Corinthians em uma final”, comenta o recém-chegado meia Marquinhos.

Outro aspecto que incomoda os são-paulinos é o apelido de Bâmbi, cultivado principalmente pelos corintianos. Gilberto Morais, psicólogo responsável por essa parte do tratamento, enfatiza que a idéia não é a depreciação dos homossexuais, mas tirar o caráter pejorativo do termo. “Da forma como é dito, o sentido literal do apelido se perde e fica só a idéia de diminuir o São Paulo”, conta, deixando claro que tem interesse especial no caso por ser são-paulino fanático. “Ainda não me recuperei da derrota para o Vélez na final da Libertadores de 94”, brinca. A orientação principal para os atletas é, em um primeiro momento, deixar-se chamar de Bâmbi, simplesmente ignorando o rival até que ele desista do apelido.

Mas os psicólogos também buscam causas indiretas para a falta de confiança, comenta Pablo Rocha. O excesso de confiança também atrapalha em alguns momentos. “A torcida são-paulina ainda se vê como bicampeã mundial e exige do time um desempenho semelhante ao do Real Madrid”, analisa. “Por mais que tentem evitar, os jogadores acabam acreditando um pouco nisso.” Ao se imaginar acima da média, o time cai muito nos momentos de dificuldade, pois a auto-estima não está consolidada.

Esse fenômeno explicaria derrotas como a do último domingo, frente ao São Caetano. Com a confiança de quem venceu 8 de seus 9 jogos da primeira fase, os são-paulinos entraram em campo como se fossem superiores e, ao primeiro sinal de dificuldade, sucumbiram diante das cobranças e da sensação súbita de inferioridade diante de um adversário forte e determinado.

A diretoria espera que o trabalho dos psicólogos dê resultado antes do fim da primeira fase da Copa Libertadores, aumentando as possibilidades tricolores nos mata-matas do torneio sul-americano. Os jogadores demonstram boa vontade, cansados também de tantas gozações. “Até domingo, diziam que nós e o São Caetano sempre amarelávamos. Depois do jogo, nem temos mais o consolo de não sermos os únicos”, disse um jogador que não quis se identificar.

Quem não está acreditando muito nessa medida é a torcida. Para ela, esse tipo de atitude só joga a responsabilidade nos jogadores e no coro da arquibancada, isentando os erros administrativos e a briga na política interna de culpa. “Enquanto um diretor afagar o jogador e outro criticar, enquanto uma facção defender o Cuca e outra negociar com outro técnico, é difícil de qualquer grupo trabalhar”, reclama Eduardo Ribeiro Filho, torcedor com bom trânsito nos corredores do clube do Morumbi. “Isso está assim há uns 10 anos. Não é à toa que só ganhamos Campeonatos Paulistas e um Rio-São Paulo nesse período.”

Ubiratan Leal

Imagem: Pelé.net

Obs.: Essa “reportagem” é uma obra de ficção e, portanto, não deve ser levada a sério. Nenhuma das pessoas, empresas, entidades ou associações citadas no texto foi efetivamente entrevistada ou consultada. Ah, e como ninguém aqui tem talento para ler mãos, i-ching, tarô, búzios, mapa astral ou bola de cristal, qualquer semelhança com a vida real foi uma grande coincidência.


Posted by ubiraleal at 02:35 AM

March 23, 2004

O que Ronaldo sabe sobre terrorismo?

Até onde vai meu conhecimento a respeito do talento do atacante do Real Madrid, a resposta à pergunta acima é “nada” ou, no máximo, “muito pouco”. O que não é demérito dele, afinal, por mais que se aconselhe que qualquer cidadão seja bem informado sobre as nuances da política internacional, não se pode obrigar ninguém a isso. Então por que a imprensa, assim que ocorre o atentado que matou mais de duzentas pessoas em Madri, pergunta o que Ronaldo acha sobre o assunto?

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A resposta inicial é óbvia: ele mora em Madri e pode falar sobre a repercussão das explosões na capital espanhola. Tudo bem, perguntar é a função do jornalista. Mas é também função do jornalista “editar” (em bom português, cortar) os trechos que nada acrescentarem à cobertura do fato. O que foi claramente o caso do atacante.

Ainda na quinta-feira do atentado, o Real Madrid orientou seus jogadores a não falarem sobre o assunto. As conseqüências na política espanhola já eram previsíveis e ainda não se sabia até que ponto o ETA não estava envolvido no ato, o que causaria um mal-estar enorme na sociedade espanhola. Para tornar a entrevista com Ronaldo menos útil ainda, um dia depois das explosões nos trens madrilenos ele estava no Brasil se recuperando de uma contusão.

Assim, ninguém pode condenar o atacante por responder com uma declaração mais padronizada que atendimento de franquias norte-americanas: “está todo mundo assustado, infelizmente o terrorismo está incontrolável”. Não se podia exigir mais dele. Ele não estava em Madri no dia seguinte ao atentado e não entende de terrorismo. Assim, diante da resposta óbvia, cabia ao repórter ou ao editor deixar esse depoimento de lado ou, na melhor das hipóteses, mencionar isso de forma rápida, sem destaque.

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Talvez insatisfeitos com a resposta de Ronaldo, alguns veículos procuraram Denílson, do Bétis. O ex-são-paulino falou sobre a tensão e tristeza que se espalhava pelo país. Porém, não se pode esquecer que Sevilha está a 541 km de Madri. A informação que Denílson tem sobre o atentado é passada pela TV e por comentários dos espanhóis que o rodeiam. No máximo, ele poderia (e não o fez), contar a


Posted by ubiraleal at 12:44 AM

March 22, 2004

Falta um projeto ao Fluminense. De novo

Quando caiu para a Série C do Brasileiro, o Fluminense resolveu parar para pensar. Contratou Carlos Alberto Parreira (um luxo para um time da Terceira Divisão) e reestruturou seu futebol. Deixou a sangria financeira a níveis aceitáveis e montou uma equipe competitiva sem fugir da própria realidade. Pois está na hora de o tricolor carioca fazer isso novamente.

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O Fluminense de hoje está à deriva em relação a planejamento. Para sorte da torcida tricolor, isso ainda não prejudicou o time como no final da década passada. Naquela época, empresários colocavam jogadores no clube. Em 1995 deu certo, com o título Estadual e o quarto lugar no Brasileiro. Mas, no ano seguinte, a sorte não foi a mesma e a seqüência de rebaixamentos teve início.

A situação atual não parece tão grave. Economicamente a pindaíba é praticamente a mesma. Tanto que, ao invés de empresários de jogadores, o clube agora é dependente de seu patrocinador, que tem bancado as principais contratações da equipe. Tal cenário nem seria tão ruim se, na falta de um projeto por parte da diretoria tricolor, a Unimed apresentasse um. Mas não é o que acontece.

Prova disso é que há sérias dúvidas se os jogadores trazidos pela empresa do setor de saúde acrescentam algo ao futebol do Fluminense. Romário, Ramón, Edmundo, Roger, André Luiz e até Odvan e Danrlei já tiveram seus momentos, mas estão, na melhor das hipóteses, em um logo período de instabilidade. Talvez a chega de um ou outro desses nomes fosse extremamente saudável ao clube das Laranjeiras, mas todos ao mesmo tempo não é uma solução viável.

Para o patrocinador está ótimo. São estrelas que recebem bastante atenção da mídia. A marca da empresa é mostrada em jornais e televisões todo dia, sem que se compre o espaço publicitário (dependendo do horário e veículo, mais caro que o salário desses atletas). O retorno é mais ou menos assegurado.

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O problema fica para o clube. O que fazer com esses jogadores? Em campo, o rendimento não é proporcional à atenção que recebem. Taticamente é um desafio montar uma equipe com os contratados sem sacrificar alguns setores. E só não é pior porque dificilmente todos jogarão ao mesmo tempo.

No início da década passada, a Parmalat investiu e contratou muitos jogadores para o Palmeiras. Mas era uma situação diferente. Em princípio, a empresa de laticínios italiana comprava esses atletas e podia revende-los depois. Além disso, só trazia jogadores que pudessem ajudar na formação de um esquadrão com a camisa alviverde. Agora, há suspeitas que a Parmalat lavou dinheiro nas operações financeiras envolvendo o futebol, o que não influi no fato de que as contratações eram tecnicamente bem feitas.

Para o Fluminense, é mais triste ainda pensar que o clube conta com uma excelente equipe de jovens. Ainda como resultado da estruturação promovida na época em que foi para a Terceira Divisão, o tricolor montou um invejável centro de formação na Baixada Fluminense. De lá saíram jogadores como Carlos Alberto, hoje no Porto, de Portugal.

Era a oportunidade de o clube reformular o elenco, com bons jogadores a baixo custo. Com um ou outro veterano (poderiam até ser algumas das atuais “estrelas”), comporiam um grupo sólido. Os resultados poderiam demorar uns anos, mas viriam. Em médio prazo, o ganho com a venda de algum desses atletas reduziria o rombo financeiro do clube.

Mas não. O Fluminense preferiu atender às necessidades imediatistas de seu patrocinador. Os jovens ganham poucas oportunidades e, quando podem, têm sido decisivos. Mas o time-base, até segunda ordem, conta com Ramón, Roger, Edmundo, Odvan e Romário. As revelações podem nunca vir por passar do tempo de aparecer ou até por desencanto pela falta de oportunidade.

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Por enquanto, o clube tem sobrevivido no Estadual e na Copa do Brasil com certa desenvoltura. Mas, no Brasileiro, um planejamento equivocado é escancarado. Prova disso é que o Fluminense foi o único grande que não venceu nenhum clássico no Estadual do Rio. Pior, empatar já foi difícil. Perdeu duas para o Flamengo (3x4 e 2x3), uma para o Vasco (0x4, foto) e só então fez ponto, contra o Botafogo (0x0).

Por isso, o tricolor precisa saber logo qual seu projeto. Montar pseudo-esquadrões e botar em risco sua condição financeira e técnica ou investir na base que, afinal, já está lá nas Laranjeiras.

*

Com uma característica bem diferente, o Corinthians também deve ter muito cuidado. A falta de planejamento é tão grave quanto a do Fluminense, mas, em campo, o time alvinegro é muito mais fraco.

*

Copiando um pouco o discurso do então presidente eleito Lula, o São Paulo precisa urgentemente articular um “pacto social” interno. Enquanto os dirigentes continuarem brigando por poder e a torcida mudando do deslumbre para o desencanto em segundos, será difícil o clube do Morumbi conquistar algum título importante. As brincadeiras de corintianos e palmeirenses de que o São Paulo “amarela” nas decisões se torna uma realidade cada vez mais incômoda.

*

A Federação Gaúcha está aliviada. O Grêmio aparentemente vai livrar a cara dos dirigentes e eliminar o Glória.

Ubiratan Leal

Imagem: Pelé.net e Léo Corrêa/O Dia


Posted by ubiraleal at 03:05 AM

March 19, 2004

Os clubes mais setentrionais do mundo

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Siga em direção ao norte da Noruega. Vá pela costa, se embrenhando pelos infindáveis fiordes do litoral oeste da península escandinava e passe pelo Círculo Polar Ártico como se ele nada significasse. Quando a sensação é de que o mundo acabou, lá está Tromsø, sede do clube mais setentrional do mundo, o Tromsø Idrettslag.

Em comparação com a cidade norueguesa de 60 mil habitantes, os números de Dunedin, Ivercargill e Comodoro Rivadávia, sedes dos clubes mais austrais do mundo, são desprezíveis. Tromsø está a 69º42’ norte, a apenas 2,1 mil km do Pólo Norte. Na média, em apenas 14 dias do ano o termômetro marca mais de 18ºC e em 100 marca mais de 10ºC. A temperatura máxima já registrada foi de 25ºC em junho e a mínima chegou a –19ºC em janeiro.

Seria impossível manter um clube de futebol profissional se não houvesse algumas condições especiais. Na Noruega, o frio impede que o futebol seja praticado nos meses de inverno. Por isso, a temporada segue o calendário solar, como o hemisfério sul. Os jogos começam em abril e terminam em outubro. Em julho, um pequeno recesso para que os jogadores possam descansar durante o verão. Essa regra também é adotada em países como Rússia, Suécia, Finlândia, Ilhas Faroe e Islândia.

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Além do frio excessivo até para os padrões escandinavos, o Tromsø sofre com a dificuldade em se destacar na liga local. Os clubes do sul, como Rosenborg, Viking, Lillestrøm, Lyn e Odd dominam o futebol norueguês. O Rosenborg, inclusive, conquistou as últimas 12 edições do Campeonato norueguês.

Sobrou pouco para os alvirrubros do norte. Utilizando muitos jogadores revelados na região, o Tromsø conseguiu somente um vice-campeonato, em 1990. Na Copa, um torneio mais afeito a surpresas pela fórmula de mata-mata, os nortistas têm retrospecto melhor, com dois títulos (86 e 96). Inclusive, a final do segundo foi o clássico regional contra o Bodø-Glimt, outro acima do Círculo Polar.

Para piorar, as últimas temporadas foram especialmente difíceis para a torcida alvirrubra. Mesmo não sendo uma potência nacional, o Tromsø tradicionalmente é uma equipe da Primeira Divisão desde que lá aportou, nos anos 30. Porém, em 2001, o time fez uma campanha medíocre (16 pontos em 26 jogos) e foi rebaixado. Venceu a Segunda Divisão em 2002, mas, em 2003, voltou a jogar mal.

Chegou na última rodada dependendo de um milagre. Precisava vencer o campeão antecipado Rosenborg em Trondheim. O 0x0 se arrastou até os 49 do segundo tempo, quando Arne Vidar Møn fez o gol da vitória dos nortistas , que foram a 29 pontos, um a mais que o rebaixado Aalesund. Pior ainda, o rival Bodø-Glimt foi vice-campeão, deixando claro quem é o melhor clube do norte da Noruega.

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Assim, Tromsø tem mais orgulho do sol da meia-noite, da aurora boreal, de seu porto e da forte presença de estrangeiros, o que deu um perfil cosmopolita à cidade. Os costumes modernos em comparação com o interior da Noruega, a moda e até algumas expressões francesas que se incorpraram no sotaque local valeram ao local o apelido de “Paris do Norte”.

No futebol, fica de destaque o atacante Sigurd Rushfeldt, nascido na cidade, revelado pelo clube e integrante da seleção norueguesa nas Copas de 94 e 98. E o fato de ter o clube profissional mais ao setentrional do mundo. Mas será mesmo?

Como no caso dos clubes austrais, é possível criar uma discussão. Se for levado ao detalhismo absoluto, a equipe de futebol mais próxima do Pólo Norte é o Hammerfest Fotball Klubb, de Hammerfest, cidade a 240 km ao norte de Tromsø e que tem como símbolo (adotado também pelo time) um urso polar. O que complica um pouco a causa do HFK é o fato de o time ser absolutamente amador, militando no Grupo 4 da Terceira Divisão Norueguesa.

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Veja no mapa porque o Hammerfest pode se considerar o clube mais setentrinal do mundo

Ubiratan Leal

Imagens: Tromsø e Destinajon Tromsø


Posted by ubiraleal at 05:02 AM

March 18, 2004

O merchandising sem sentido

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Enquanto uma cervejaria propunha a paz nas propagandas, outras duas apenas começavam a brigar. Ao “tirar” Zeca Pagodinho da Schincariol, a Brahma atraiu a ira do concorrente e já foi alvo de reclamações formais e peças publicitárias de revide. E poucos atentaram para o fato de o pagodeiro não ter sido a única pessoa a mudar de cervejaria na última semana. O jornalista e radialista Milton Neves, cuja ligação com a Schincariol era bastante antiga, também migrou. E expôs de vez a falta de sentido do merchandising.

É um assunto que divide os jornalistas, ainda mais depois que profissionais como Joelmir Betting resolveram participar de propagandas (o que não é merchandising, mas acalorou a discussão). Quem quiser se aprofundar no tema, veja quem argumenta o quê e tire suas conclusões. Para ajudar, a revista Carta Capital publicou uma reportagem extensa sobre o assunto em 12 de novembro de 2003 (procure em edições anteriores, mas, infelizmente, o texto na íntegra não está disponível na internet).

E o que a briga das cervejarias tem a ver com isso? Tudo. O merchandising também é chamado eufemisticamente de “testemunhal”, pois, em teoria, o jornalista se apresenta como um satisfeito usuário do produto em questão (ou seja, ele dá seu testemunho). O valor do merchandising é grande porque é uma mistura de propaganda normal com opinião.

Para ser “bonzinho”, admitamos que o jornalista realmente faça o tal testemunhal porque acredite na qualidade dos produtos daquela marca. O próprio Mìlton Neves, quando dizia que bebia Schincariol, defendia a cervejaria ituana de forma até ideológica, falando em “experimentar” e que a melhor bebida poderia estar em empresas de porte médio.

Então, como justificar a troca de cerveja preferida? Se o jornalista troca subitamente de cerveja, ele deixa claro que é volúvel em suas convicções (algo pouco provável) ou que aceita mudar de opinião de acordo com os valores apresentados no contrato. A mudança de patrocínio só mostra para quem não queria ver que fazer merchandising é uma atitude puramente econômica. Pode até haver alguma exceção, mas será uma raridade.

Sem falar na questão ética. Zeca Pagodinho é um artista e seu trabalho é vender música. Sua posição ética é secundária (e mesmo assim sua atitude foi considerada inadequada e oportunista pelo público). O mesmo não se pode dizer de um jornalista. Por exemplo, se Diego, sem dar satisfação ao Santos, rescindir seu contrato e assinar com o Corinthians, Milton Neves terá condições de criticar a atitude do meia?

*

Há diversos lugares em que se pode achar posições pró-merchandising. O site oficial do Mílton Neves é um deles, nessa página.

Ubiratan Leal

Imagem: Milton Neves


Posted by ubiraleal at 03:08 AM

March 17, 2004

Será a vez dos clubes franceses?

Há dois clubes franceses entre os 8 melhores da Liga dos Campeões, um fato inédito, e outros três estão entre os 16 sobreviventes das diversas fases da Copa da Uefa. Apenas um outro país europeu está com um retrospecto melhor até agora nas competições continentais (a Espanha conta com seis equipes, sendo também duas no torneio mais importante). Será que, finalmente, os clubes gauleses se estabelecerão entre os grandes da Europa?

lyon x bayern.jpg

Ainda é difícil dizer, mas o momento histórico é propício para que isso efetivamente ocorra. Após décadas à deriva no aspecto clubístico, parece que o futebol francês finalmente encontra suas referências. Alguém que possa ser considerado por todos (principalmente pelos adversários) como um dos grandes do futebol francês e se projete em direção à Europa. Porém, antes de falar diretamente nesse fenômeno, é importante analisar o porquê de os clubes da terceira maior economia da Europa (quase empatada com o Reino Unido) nunca se impuseram em competições continentais.

No final do século XIX, o futebol se estabelecia na maior parte dos países europeus. Isso acontecia também na França, mas com um problema grave: o rúgbi já conquistara seu espaço e era o esporte com maior aceitação popular. Assim, o país não conseguia estruturar internamente seu futebol, já que o esporte estava dividido em 5 federações. Apenas em 1918 a Féderation Française de Football foi criada, unificando o poder no futebol gaulês.

O que não significa que os problemas estivessem eliminados. Na década de 20, a FFF até contribuiu na fundação da Fifa, mas, internamente, organizava apenas a Copa da França. O Campeonato Francês propriamente dito só surgiu em 1933, com, pelo menos, três décadas de atraso em relação a nações como Itália, Holanda e Inglaterra. Um tempo considerável.

Para piorar, Paris não conseguia firmar um clube na elite, o que dificultava ainda mais o surgimento de uma potência francesa na capital do país. A “responsabilidade” recaía sobre os times de cidades menores. E surgiu um candidato a grande nos anos 50, o Stade de Reims. Com dois vice-campeonatos europeus, o Reims era base da seleção gaulesa semifinalista da Copa de 1958. Mas o clube perdeu apoio financeiro e entrou em decadência nas décadas seguintes.

Foi um período muito ruim para os clubes franceses. Boa parte do público não estava convencida de que valia a pena seguir o esporte, o que levou o futebol do país a uma séria crise financeira. Nos anos 70, o Saint-Etiénne até conseguiu bons resultados com uma promissora geração (comandada por Michel Platini), mas não era suficiente. Inglaterra, Espanha, Itália e Alemanha já estavam um nível acima. Nem no segundo escalão a França se destacava, tanto que, até hoje, só tem dois títulos continentais de clubes (um posteriormente cassado), ambos nos anos 90. Para se ter uma idéia, esse retrospecto é pior que o de Portugal e Holanda, e igual ao de União Soviética, Escócia, ex-Iugoslávia, Bélgica e Suécia.

Havia uma grande flutuação na hegemonia local, com diversos clubes dividindo as conquistas desde a decadência do Saint-Etiénne na segunda metade da década de 70. Mesmo assim, o futebol já era o esporte mais popular do país. O que despertou o interesse de grupos econômicos. Bordeaux, Olympique Marseille e Paris Saint-Germain cresceram. O OM até conquistou a Liga dos Campeões de 1993, título cassado por suspeita de suborno de jogadores na liga francesa. O problema é que o processo não tinha base econômica justificável e até causou o rebaixamento de Bordeaux e Olympique após a descoberta de irregularidades administrativas.

Parecia que o futebol francês não teria muitas opções para reagir. Além da falta de apoio irrestrito dos torcedores, as leis do país também contribuíam para esse cenário, pois previam (como ainda prevêem) o pagamento de mais impostos trabalhistas que na Espanha ou na Inglaterra. Por fim, parte dos recursos dos clubes da Ligue 1 é destinada ao subsídio de clubes de divisões inferiores e até amadores. Como resultado, os franceses tinham menor competitividade financeira.

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O Monaco é a única exceção. Como tem sede em outro país (um paraíso fiscal, inclusive), não está sujeito a essas regulamentações. No entanto, os monegascos têm poucos torcedores e só sobrevivem com a ajuda institucional e financeira da família real do principado.

É isso o que está mudando. As empresas voltaram a investir no futebol (dessa vez com aparente seriedade) e os clubes começaram a se estabelecer, criando uma espécie de hierarquia interna. O Marseille – por enquanto o clube mais popular do país – se estabiliza administrativamente, o Paris Saint-Germain se livra da imagem de time artificial e o Monaco se mantém com o auxílio da família Grimaldi. A esse trio se junta o Lyon, único clube da terceira maior cidade do país. Talvez esse cenário não se sustente, até porque o processo ainda é recente e não seria a primeira vez que o futebol francês sofreria um revés.

Como o futebol não estava mercadologicamente tão desenvolvido, os franceses foram menos afetados pelo recuo dos grupos de mídia (televisão) pela crise no setor de comunicação como ocorreu, por exemplo, na Alemanha. Foi justamente o contrário. Em 2001, em plena crise no setor de comunicação, a liga gaulesa conseguiu um aumento significativo do preço dos direitos de transmissão do torneio. Dos grandes, apenas o Paris Saint-Germain sofria (e sofre) mais, pois tem como acionista majoritário um grupo de mídia.

Claro que nem tudo é um paraíso para os clubes da França. Como em toda a Europa, as equipes são deficitárias e muitas correm o risco de fechar. O Monaco só não está na Ligue 2 porque o príncipe Rainier buscou investidores para ajudar o clube a saldar suas dívidas e evitar um rebaixamento administrativo. Vale lembrar que a FFF e o governo francês ainda não aprovaram (e talvez nunca o façam) a entrada de clubes de futebol na bolsa de valores de Paris. Apesar de vender ações no mercado não ser sinônimo de riqueza infinita, é uma forma para atrair investidores que não pode ser desprezada.

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Ainda assim, os franceses já vêem referências. Pode-se ver Paris Saint-Germain, Monaco, Olympique Marseille e Lyon como os grandes do país, mesmo que os dois primeiros devido a alguns favorecimentos dos governos locais. Outros, como Bordeaux, Auxerre, Lens, Sochaux e Nantes, são forças intermediárias. O Campeonato Francês pode ficar mais previsível, mas a definição das forças é fundamental para atrair torcedores e patrocinadores. Digamos que é mais fácil entender a Ligue 1.

Pela cultura do futebol francês, dificilmente os clubes do país concorrerão com espanhóis, italianos e ingleses pelos maiores jogadores do mundo. Mas não é um absurdo imaginar os times franceses se equiparando aos alemães, com investimentos mais contidos, exportando os melhores jogadores e, ainda assim, mantendo um nível de competitividade respeitabilíssimo. Ah, e conquistando um ou outro título continental.

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Apesar da boa campanha dos clubes franceses, é provável que não ganhem nada nessa temporada. Na Liga dos Campeões, o Monaco não deve passar pelo Real Madrid e o Lyon terá sérias dificuldades com o Porto. Na Copa da Uefa, o Bordeaux deve eliminar o Brugges (foto do jogo de ida), enquanto Olympique Marseille e Auxerre têm boas chances contra Liverpool e PSV. Mas os favoritos continuam sendo Internazionale, Valencia, Roma e Barcelona.

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Os dois títulos continentais da França foram a Liga dos Campeões de 1993 do Olympique Marseille (cassada como punição ao suborno de jogadores no campeonato local) e a Recopa de 1996 do Paris Saint-Germain.

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Algumas fontes colocam Lyon como segunda maior cidade da França. Tecnicamente Marselha é maior, mas não dá para dizer que essas pessoas estão erradas. De acordo com o recenseamento populacional de 1999, a maior cidade francesa é Paris, com 9,645 milhões de habitantes. A seguir, há um “empate técnico” entre Marselha (1,350 milhão) e Lyon (1,349 milhão). Só para matar alguma eventual curiosidade, em seguida aparecem, pela ordem: Lille, Nice, Toulouse, Bordeaux e Nantes.

Ubiratan Leal

Imagens: Lyon e Uefa


Posted by ubiraleal at 11:09 AM

March 16, 2004

Manifesto de um corintiano envergonhado

Confesso que torci para que o Juventus vencesse o São Paulo ontem. Claro que seria vergonhoso ver o Corinthians disputar a Segunda Divisão do Campeonato Paulista, mas não é igualmente vergonhoso continuar na Primeira graças ao clube do Morumbi?

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A 9ª colocação do Corinthians e a conseqüente manutenção do time na Série A-1 podem esconder a real situação do clube. Não que o rebaixamento necessariamente trouxesse à tona todos os problemas alvinegros e muito menos que tais problemas seriam resolvidos. Está aí o Palmeiras para provar que a segunda divisão não resolve as obscuras questões políticas de um clube de futebol.

O vexame desse domingo foi grande, a torcida protestou na saída do Pacaembu e, certamente, vai pressionar a diretoria ao longo da semana. Ao que tudo indica, muitos dos 13 jogadores contratados no início do ano terão seus contratos rescindidos, como já estava previsto. Provavelmente teremos novas contratações visando o Brasileirão. Ainda assim, a dúvida persiste: irá o Corinthians definir uma política clara de contratação de jogadores baseada em um planejamento de longo prazo?

Como mero torcedor que sou, acredito que o Corinthians deva ter a manutenção na Primeira Divisão como objetivo para o Brasileiro. Nada além disso. É óbvio que dirigentes, técnicos e jogadores dirão que “o Corinthians é grande e sempre busca o título” e outras frases do tipo. Porém, esse discurso, além de soar ridículo, pode se voltar contra o próprio clube assim que a torcida – empolgada com possíveis contratações – perceber que o time não tem condições para tanto.

O mais provável é que o Corinthians acabe por repetir a estratégia usada no começo do ano, contratando jogadores jovens que brilharam (ou nem tanto) por clubes do interior. É possível que venham um ou dois jogadores mais consagrados, daqueles que não vão bem na Europa e acabam retornando ao Brasil. Algumas vezes é um bom negócio, como aconteceu com Ricardinho e Vampeta, outras nem tanto, lembremos de César Prates e André Luiz.

Ainda não se sabe que rumos o clube irá tomar a partir de agora. Por enquanto, cabe a nós, torcedores, esperar alguma definição. E, como torcedores que somos, torcer para que a situação do Timão não fique ainda pior.

Thiago Andrada

Imagem: Djalma Vassão/Gazeta Esportiva


Posted by ubiraleal at 12:52 AM

March 15, 2004

Os clubes mais austrais do mundo

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“Se os pingüins gostassem de futebol, para que time torceriam?” Foi a partir dessa brincadeira surreal, nonsense e despretensiosa – para não dizer idiota – que o Balípodo resolveu encontrar o clube mais austral do mundo. O que mais está próximo do Pólo Sul e, para qualquer eventualidade, pode ganhar a popularidade das aves de fraque caso essas queiram ir à arquibancada ver humanos jogando bola.

Difícil imaginar quais parâmetros os pingüins utilizariam, mas, para os humanos, não é fácil definir qual a equipe mais ao sul do planeta. Afinal, dependendo dos critérios, três clubes podem reivindicar tal título. Vamos começar pelo que o faz oficialmente.

Quem pegar a tabela da Nacional B, a Segunda Divisão do futebol argentino, verá um time de nome CAI e nem saberá que esse é um clube diferente. A Comisión de Actividades Infantiles foi fundada em 1984 para ajudar garotos da Patagônia argentina a desenvolverem sua técnica e, se possível, encaminhá-los para os principais centros do país, como Buenos Aires e Rosário.

Nos primeiros anos, o clube só contava com equipes de futsal. Até que, em 1989, montou seus primeiros times infantis de futebol de campo. Mais cinco anos e a primeira formação adulta já disputava ligas amadoras regionais. Teve uma subida rápida e chegou ao segundo nível do país em 2002-03.

A CAI tem sua sede principal em Comodoro Rivadávia, conhecida por ter as principais reservas de petróleo do país. Com latitude de 45º50’ Sul, a capital da província de Chubut está quase tão distante de Buenos Aires quanto São Paulo. Mas o clube-entidade se espalhou por toda a região, montando filiais em Villa Regina, San Carlos de Bariloche, Puerto Madryn, Trelew, Esquel, Sarmiento, Calota Olívia, Perito Moreno, Pico Truncado e El Calafato (essa última quase na Terra do Fogo) para melhorar sua capacidade de descobrir garotos e encaminhá-los para Comodoro Rivadavia.

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Por mais que os interesses competitivos atrapalhem e a contratação de atletas mais experientes se faça necessária, a CAI ainda mantém seus princípios. Dos 26 jogadores de seu atual elenco, 14 nasceram em Chubut, Río Negro ou Santa Cruz, províncias que formam a Patagônia. Todos tentam ter a mesma sorte de Sixto Peralta, Nestor Silvera e Mario Santana, revelados em Comodoro Rivadávia e hoje no México (os dois primeiros) e na Itália.

Hoje, a CAI está em boa fase. Começou a temporada já ameaçada de rebaixamento (na Argentina caem os times com piores médias nos últimos 3 anos), porém, liderou boa parte do Torneo Apertura 2003 e quase garantiu uma vaga na final do Nacional B. Acabou em 5º, mas revelou o oportunista Bevacqua, artilheiro do Apertura com 13 gols.

De fato, nenhum clube profissional está tão ao sul quanto a CAI. No entanto, nem toda equipe amadora pode ser ignorada. Algumas têm filiação a federações nacionais e disputam competições regulares reconhecidas pela Fifa e só não são profissionais pelo baixo desenvolvimento do futebol no país.

E, aí, surgem dois times mais próximos ao Pólo Sul do que os garotos de Comodoro Rivadavia. Na Nova Zelândia, a primeira divisão de 2003 contava com dois representantes de Dunedin. Os argentinos perdem por 30 minutos (lembre-se das aulas de geometria e geografia: minuto não é apenas unidade de medida de tempo, mas também uma subdivisão do grau), pois a cidade neozelandesa está a 45º80’ da linha do Equador.

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Na competição interna, o Dunedin Technicals perde por ter sede no centro da cidade, enquanto o Caversham está e um distrito industrial ao sul. Fundado em 1931, o Caversham Football Club era mais um anônimo no obscuro futebol da Nova Zelândia, tanto que é mais conhecido pela equipe de futebol feminino que possui. Até que, em 2000, iniciou uma reestruturação e alcançou a Liga Nacional em 2003. Sem força para concorrer com os grandes clubes do norte, sobretudo os de Wellington e Auckland, quase foi rebaixado (foi 8º entre 10 competidores, caía apenas o último colocado).

Porém, a federação neozelandesa decidiu reestruturar o futebol do país e mudou um pouco o cenário. Em 2005, será criada uma liga baseada em franquias, como nos esportes profissionais norte-americanos. Com isso, a Liga Nacional foi desfeita e, em 2004, o campeonato de transição contará com grupos regionais. Os melhores de cada torneio devem integrar a Liga de 2005 e disputar, em mata-mata, o título de 2004.

Isso aumentou a quantidade de clubes na principal divisão da Nova Zelândia para esse ano, o que deu espaço para o surgimento do Southland Spirit. O clube tem sede em Invercargill, capital da província de Southland e a 46º25’ Sul. Na realidade, a cidade tem outros dois clubes, o tradicional Invercargill Thistle e o desconhecido Old Boys.

O Thistle dominou o sul da Nova Zelândia nos anos 60, mas entrou em decadência e hoje praticamente inexiste, só aparecendo com mais destaque durante a Chatham Cup, a Copa da Nova Zelândia, que conta com clubes de todas as divisões do país.

A primeira rodada da região Sul do Campeonato Neozelandês de 2004 só está programada para 3 e 4 de abril. Com isso, o Caversham ainda é o time de liga mais austral do mundo. Posto que em breve será do Southland Spirit. E a CAI tem de se contentar com o fato de participar de um torneio futebolisticamente mais relevante e de manter uma estrutura profissional, com filiais mais austrais do que qualquer cidade da Nova Zelândia.

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O Southland Spirit se tornará em abril o clube de liga a mandar os jogos mais próximo ao Pólo Sul

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E quanto ao frio? Realmente, Comodoro Rivadavia, Dunedin e Invercargill não contam com o calor tropical do Rio de Janeiro. Em Invercargill, apenas 29 dias por ano, em média, ficam com temperaturas abaixo de 0ºC. Em Dunedin, a temperatura média anual é de 10ºC. E, em Comodoro Rivadavia, apenas em 5 dias por ano, em média, o termômetro passa dos 32ºC.

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Semana que vem falaremos do clube mais setentrional do mundo.

Ubiratan Leal

Imagens: CAI e Soccer Otago


Posted by ubiraleal at 11:46 PM

Um suicídio em longo prazo

Suicidar-se nunca é uma boa idéia. Por pior que seja a situação da pessoa, é melhor seguir do que simplesmente acabar com a própria existência. Porém, se a autopunição é feita lentamente, ganha requintes de idiotice ainda maiores. Pois é isso o que algumas federações de futebol têm feito. Na ânsia de reforçarem suas seleções, naturalizam jogadores sem relação alguma com o país e tiram, no longo prazo, a razão de ser das equipes nacionais.

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O fato ganhou repercussão no Brasil por causa do atacante Francileudo Santos (foto), tunisiano do Maranhão, e de Aílton, Dedê e Leandro, todos brasileiros que atuam na Alemanha com convites para se tornarem catarianos mesmo sem nunca ter pisado em Dubai ou outra cidade do país. Aceitaram em princípio, mas ainda não oficializaram a naturalização.

Se fossem apenas esses casos, até dava para ignorar o problema. O fenômeno, porém, é mundial. Na Copa Africana de Nações, Ruanda entrou em campo com o angolano João Elias e os congoleses Nkunzingoma e Makasi. Todos naturalizados especialmente para a competição. Na Copa de 2002, a Polônia tinha em seu time titular o nigeriano Olisadebe.

Não é errada a mudança de nacionalidade, desde que isso tenha motivações pessoais, como um jogador que mora há anos em um país e o adotou como segunda pátria. Ou em descendentes que resolvem defender a seleção de seus pais ou avós. O problema é quando a mudança se dá por motivos financeiros e o processo de naturalização foge dos padrões normalmente adotados por interesse das autoridades do país em questão.

No futuro, o Catar pode contratar a seleção brasileira ou argentina sub-21 e torcer para os jogadores vingarem no profissionalismo. Imaginando que outras federações façam o mesmo (falta de pudor não é problema), o princípio da seleção nacional estaria destruído. França, Brasil, Itália, Alemanha, Inglaterra, Rússia, Espanha, Portugal, Coréia do Sul, Estados Unidos, Marrocos, Arábia Saudita e Austrália estariam representados em uma Copa apenas antes do jogo, no momento da entoação dos hinos nacionais.

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Em campo, isso tudo acabaria. Seriam duas equipes de 11 jogadores de igual número de pátrias-mãe. Muito parecido com os principais campeonatos europeus de hoje. Mas, se é para as competições de seleção se igualarem às de clubes, para que mantê-las? O G-14 (espécie de Clube dos 13 dos grandes da Europa, mas muito mais poderoso, organizado e profissional que seu equivalente brasileiro) está louco para que as equipes nacionais deixem de existir e fazem de tudo para dificultar a liberação de jogadores. “Contratar” atletas para atuar em seleções só dará mais argumentos a entidade.

Ainda bem que a Fifa já percebeu o perigo representado pela naturalização por dinheiro. A dúvida é descobrir que artifício legal a entidade poderia usar. Juridicamente, um país soberano tem todo o direito a conceder cidadania a uma pessoa, independentemente de seus motivos. Como impedir que governos menos sérios passem por cima de procedimentos internos para reforçar suas seleções de futebol em um torneio?

A Fifa poderia criar sua própria regulamentação, levando em conta apenas o país de nascimento. Seria outro absurdo, pois atropelaria a vontade legítima de jogadores que mudaram de pátria na juventude ou durante a carreira e ignoraria as leis de qualquer país. Há a possibilidade de obrigar o jogador a definir sua nacionalidade futebolística assim que se profissionalizasse, mas continuaria batendo de frente com o direito de alguém mudar de idéia com 25 anos e não resolveria nada, pois agentes buscariam talentos em torneios sub-21 para mudar suas nacionalidades. Seria até pior, pois criaria um mercado organizado para isso.

Uma saída é tentar o consenso, como um acordo entre todas as federações para não contratarem jogadores para suas seleções. Seria o ideal se desse para confiar na palavra de dirigente de futebol. Talvez criar uma comissão que julgue as naturalizações e conceda (ou não) o direito de defender uma seleção. Mas esse caminho criaria uma burocracia a mais, continuaria dando espaço a injustiças e, pior, envolveria politicagens internas da Fifa.

Por isso, o suicídio das seleções é eminente. Por ser lento e gradual, todos vêm a morte se anunciando, mas ninguém sabe ainda qual o remédio para o veneno de efeito retardado. Espero que alguém descubra a solução antes que seja tarde.

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Será que Aílton se passa por catariano?

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Vamos a uma retrospectiva rápida, já que jogadores que trocam de nacionalidade nunca foram novidades. Em 1934, a Itália foi campeã mundial utilizando argentinos, uruguaios e um brasileiro, todos descendentes de italianos, alguns com passagens anteriores pelas seleções de seus países de nascimento. Na época, a Fifa permitia que um jogador mudasse de “nacionalidade futebolística”, desde que ficasse afastado de jogos internacionais por um período.

Assim foi até a Copa de 1962. Nessa fase, houve casos muitas vezes esquecidos, como o argentino Di Stefano e o húngaro Puskas na seleção da Espanha e os uruguaios Schiaffino e Ghiggia com as cores da Itália. Ainda assim, todos esses atletas moravam há anos em sua nova pátria e até podiam argumentar que tinham ligações afetivas.

Após o Mundial do Chile, a Fifa determinou que um jogador que atuasse por uma seleção não poderia defender outra nunca mais. Então, apenas os “renegados” por suas equipes nacionais jogavam em outras. Casos como o dos brasileiros naturalizados japoneses Rui Ramos e Wagner Lopes.

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Foi também o caso de muitos jogadores com descendentes de outros países. Na segunda metade dos anos 80 e primeira dos 90, a Irlanda teve sua primeira seleção de relativo sucesso no futebol. A maior parte da equipe era composta por ingleses (como o londrino Paul McGrath, na foto) ou escoceses de famílias irlandesas. A Jamaica também buscou ingleses com origens na ilha caribenha para montar a seleção que foi à Copa de 98. na Turquia terceira colocada no Mundial de 2002, Umit Davala e Ilhan Mansiz são alemães de nascimento.

Até então, era possível justificar as naturalizações. Muitos filhos de imigrantes têm mais ligação com a terra de sua família do que com a própria. Com também são compreensíveis as razões dos “alemães” Asamoah (nascido em Gana) e Klose (Polônia). Ao contrário do que parte da imprensa brasileira divulga, eles não foram naturalizados para reforçar a seleção alemã. Ambos moram na Alemanha desde a adolescência e podem dizer que se consideram mais alemães que ganês ou polonês.

Em janeiro desse ano, a Fifa permitiu que jogadores que atuaram por seleções menores (sub-21, sub-18 etc.) pudessem defender outra nação depois de adultos. Isso fez com que vários ex-juniores da França se transformassem em tunisianos e argelinos. O impedimento que vigorou até 2003 impossibilitou que o goleiro colombiano Navarro Montoya defendesse a seleção argentina. Ele chegou a entrar na Justiça por esse direito, mas nunca obteve essa permissão.

Ubiratan Leal

Imagens: BBC Sports


Posted by ubiraleal at 11:41 PM

Viagem ao País do Futebol

Em 1997, a Folha de São Paulo lançou uma série de reportagens sobre o lado desconhecido do futebol brasileiro. Chamada “O País do Futebol”, englobava, em geral, matérias com denúncias de corrupção e o jeito mambembe do esporte, aspecto desconhecido dos grandes centros (principalmente São Paulo, de onde vêm os leitores do jornal). Não demorou muito para parte desse trabalho se transformar em um livro. Aliás, um belo livro.

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“Viagem ao País do Futebol” reúne as reportagens de Mário Magalhães com causos curiosos, mostrando que o futebol está presente – mesmo nas situações menos prováveis – na sociedade brasileira e como tem um caráter muito mais pitoresco do que imagina quem enxerga apenas os campos da Primeira Divisão nacional.

Isso pode soar familiar para alguns, pois é mais ou menos esse o mote do excelente “Futebol – O Brasil em Campo” do inglês Alex Bellos. Inclusive, algumas histórias são as mesmas, como o estádio de Brejinho, com capacidade maior que a população da cidade. Não é coincidência. “Viagem ao País do Futebol” é anterior à obra do britânico e o próprio Bellos expõe a inspiração em um apêndice de seu livro: “A primeira vez que li a respeito de Brejinho foi na criteriosa coletânea de crônicas de futebol de Mário Magalhães. O livro também revelou várias outras histórias que segui em outros capítulos”.

Apesar de comparações serem algo injustas por criarem uma certa interdependência entre obras – o que nem sempre é necessário e correto –, é inevitável colocar lado a lado o livro do repórter da Folha com o do correspondente do Guardian no Brasil. Ambos têm algumas semelhanças conceituais já ditas, mas diferem na forma, já que “Viagem ao País do Futebol” é um livro de reportagens no sentido estrito do termo, enquanto “Futebol – O Brasil em Campo” é quase um livro-reportagem. Como conseqüência, o trabalho do jornalista brasileiro tem textos mais curtos e diretos, a ponto de a obra toda ser lida em uma tarde sem dificuldades.

O olhar também é outro. “Futebol – O Brasil em Campo” foi escrito por um inglês, em inglês, para leitores ingleses. Assim, o livro pretende-se mais abrangente, tratando do lado exótico, mas sem deixar de lado a cultura urbana do futebol brasileiro e os grandes clubes. Afinal, era a maneira de ilustrar para os britânicos todos os aspectos do futebol por aqui. Aliás, o grande mérito do livro de Bellos é a observação de alguém acostumado a outra realidade.

Já a obra de Magalhães não tem a menor intenção de mostrar a face pitoresca do Corinthians ou do Atlético-MG. O torcedor brasileiro já tem contato suficiente com essa realidade. O objetivo do jornalista é mostrar o interior do Amazonas, os índios de Roraima, o vigia que é dono de passe de jogador em Santa Catarina, o futebol o cangaço e os bastidores da Federação Paraibana, entre outros cenários.

Por isso, é possível afirmar que um livro complementa o outro, apesar de cada um ter vida própria. Fica só a torcida para que ambos tenham edições atualizadas, com mais histórias e causos espalhados pelo Brasil.

Mais informações
“Viagem ao País do Futebol” foi lançado em 1998 pela editora DBA e tem 140 páginas. Como já faz seis anos, não é tão fácil vê-lo nas prateleiras das livrarias. Mas o título é encontrado sem problema em sites de vendas online de livros.

Ubiratan Leal

Imagem: Submarino


Posted by ubiraleal at 11:38 PM

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