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outubro 05, 2004 Upa upa upapá
Era para ser. Eu deveria chegar em Cuzco em 8 de setembro e o jogo entre Boca Juniors e Cienciano estava marcado para dois dias antes, em Fort Lauderdale, na Flórida. No entanto, a passagem do furacão Frances pelo sul dos Estados Unidos provocou o adiamento do jogo em 24 horas. E uma sorte inesperada na conexão em Lima me permitiu chegar à antiga capital do império inca um dia antes. E foi possível ver, in loco, a loucura que um pequeno time provinciano está provocando em todo o Peru. O ponto de partida para qualquer coisa em Cuzco é a Plaza de Armas, a principal da cidade. Em um primeiro momento, foi meio desagradável ter a primeira visão da fachada principal da bela Catedral parcialmente encoberta por um enorme telão. Ainda mais quando, por um lapso momentâneo, você se esqueceu que o tal furacão adiou a final da Recopa, torneio ignorado no Brasil que reúne o campeão da Libertadores e o da Copa Sul-Americana do ano anterior. Porém, basta ver as bandeiras vermelhas que rodeiam o telão e prestar um pouco de atenção na letra da música que toca incessantemente no alto-falante da praça central da cidade para perceber do que se tratava – começava com um grudento “Upa que upa que u-papá, el Cienciano es el papá” e seguia contando a campanha do time vermelho na Copa Sul-Americana de 2003, incluindo a vitória sobre o Santos nas quartas-de-final.
Às 19h00, a praça já estava completamente tomada. Quer dizer, quase completamente. A área pavimentada estava apinhada, mas não havia um cidadão pisando nos jardins ou na área gramada da praça. Até porque alguns policiais tratavam de repreender os poucos que passavam dos limites demarcados para o “evento”. De qualquer forma, a obediência de cusquenhos e turistas era digna de nota. Era tanta gente que não era possível ver o telão de perto. Era apenas um quadrado brilhante e esverdeado no meio das cabeças. Até dava para entender um pouco do que acontecia, mas não era possível ouvir a narração da TV peruana. Não que fizesse muita diferença. Como esperado até pelos torcedores do Cienciano, o Boca dominou o primeiro tempo. Absurdamente superior tecnicamente, não dava muitas chances para os imperiais levantarem um pouco o ânimo da torcida que estava diante do telão na fria noite de inverno em Cuzco. Tanto que o gol de Tévez, após falha do veterano goleiro Ibáñez, nem alterou muito as expressões dos peruanos.
No segundo tempo, os vermelhos tentaram avançar mais, até colocaram em campo o Lobatón. Aumentam as esperanças dos torcedores da praça, independentemente do fato de o Boca ainda ser mais time e mandar uma bola na trave. Até que, faltando três minutos para o final da partida, Gamarra cobra uma falta da intermediária. Mais um daqueles cruzamentos desesperados para o meio da área, onde uma horda de jogadores só pensa em esbarrar na bola de alguma forma para ver se dá a sorte de tirar do goleiro. E, dessa vez, deu certo. Saraz resvalou com a cabeça e, com a visão encoberta pelos vários defensores boquenses e atacantes imperiais, Abbondanzieri nem saiu do lugar. Cuzco pulou, soltou rojões e buzinou (mais do que já costuma buzinar). Afinal, para os cusquenhos, o Cienciano não é apenas o time da cidade, tampouco um time peruano tentando a sorte no continente. É um representante da força ainda viva dos incas. Pode parecer bobagem, mas é como eles vêem. Na disputa de pênaltis, Ibáñez se recuperou da falha no tempo normal e defendeu as cobranças dos argentinos Tévez e Vargas. O Cienciano era campeão da Recopa, um campeonato que não significa muita coisa, mas que, para os peruanos, era a decisão de qual era o melhor time da América.
Carreatas, rojões, gente gritando. O sudário de Cristo na catedral da cidade foi substituído por um outro, com o símbolo do Cienciano. Até em Lima houve gente saindo de casa para vibrar. Comemoração maior, só no Inti Raymi, festival ao deus sol (Wiracocha) que marca o ano novo dos incas, celebrado até hoje. Falar que o Peru parou é exagero, mas não deixa de ser verdade que esse foi o principal assunto do país por vários dias. A saída do Cienciano de Miami. A chegada a Lima. A passagem pela alfândega do aeroporto Jorge Chávez. O passeio pelas ruas da capital do país (o time jogaria contra o Deportiva Wanka o fim de semana seguinte e não voltou a Cuzco imediatamente). Qualquer passo dos jogadores e do treinador do Cienciano eram gravados e repetidos exaustivamente, sempre ao som daquela musiquinha do “upa upa papá”. Fora as referências de que, depois de cinco séculos, os incas retomaram o domínio da América.
Com a seleção peruana em baixa (na realidade, nem está tão mal nas Eliminatórias, mas a imprensa do país está realmente desiludida com a equipe e age como se as chances de ir à Alemanha em 2006 já tivessem desaparecido), ganham volume as vozes que pedem a demissão imediata de Paulo Autuori e sua substituição por Freddy Ternero (foto), técnico do Cienciano adepto de métodos iusitados de treinamento e de um forte discurso de auto-ajuda. Pode até dar certo, apesar de parecer uma opinião oportunista. O delírio ficou tão grande que não foram poucos os que defenderam que, o Cienciano vestisse a camisa do Peru nos jogos contra Bolívia e Paraguai pelas Eliminatórias. Segundo esses, o clube tem caráter e capacidade de superação, justamente o que tanto faltaria à seleção. Além disso, os jogadores imperiais estão acostumados com a altitude (Cuzco está a 3,3 mil m de altitude) e não teriam problemas em jogar em La Paz, a 3,6 mil m. Claro que também não faz sentido, já que o time vermelho não consegue nem ser hegemônico na liga local (o atual campeão é o Alianza Lima) e tem alguns jogadores estrangeiros no elenco. Mas isso não importa. É momento de festa! O clube chegou a Cuzco apenas em 13 de setembro. Nem a derrota para o Deportivo Wanka por 1x0 dois dias antes desanimou os torcedores. Cerca de 100 mil pessoas (25% da população da cidade) foram à Plaza de Armas para a festa. Até o presidente do Peru, Alejandro Toledo, esteve presente, certamente tentando recuperar a popularidade que se esvai. Tudo porque, para o Peru, o melhor clube do futebol sul-americano é de Cuzco. FICHA TÉCNICA Ubiratan Leal Fotos: Cienciano e Ubiratan Leal Posted by ubiraleal at 05:43 AM setembro 14, 2004 A Liga dos Campeões 2004-05
A avalanche de surpresas da fase decisiva da Liga dos Campeões 2003-04 fez com que os torcedores tivessem a sensação de que surgiam novas forças no continente e que as próximas edições (a começar da 2004-05) teriam muitos favoritos caindo. Isso até pode acontecer, porque o formato de mata-mata a partir das oitavas-de-final dá mais margem para isso. No entanto, os favoritos são os mesmos de sempre. E o atual campeão, o Porto, continua fora dessa lista. Esse fenômeno se deve ao fato de os grandes europeus, ao contrário do que ocorre no Brasil, não passarem por um processo de encolhimento. Perderam por acidentes em uma partida (Milan), planejamento equivocado (Real Madrid) ou por estar em fase de reestruturação (Manchester United). Esse ano, a chance de alguns desses problemas se repetirem é menor. Além disso, os pequenos aproveitaram a boa campanha da temporada passada para capitalizar. Desfizeram suas bases e, provavelmente, não reencontrarão a estrutura tática e técnica rapidamente.
A principal credencial do La Coruña é a campanha de 2003-04, quando chegou caiu nas semifinais para o Porto. Mas é apenas isso. A equipe se reforçou muito pouco no verão europeu e deve mostrar mais fragilidade. É verdade que os principais jogadores ficaram, mas, mesmo na liga espanhola o La Coruña deverá lutar muito para se manter entre os melhores. O Liverpool chega como incógnita. Nas últimas três temporadas teve boas equipe, mas que não conseguiu manter o nível de jogo nos momentos decisivos, a ponto de ser eliminado pelo Basel, da Suíça, na Liga dos Campeões de 2003. Por isso, a diretoria resolveu mudar bastante para essa temporada. Demitiu o técnico francês Gerard Houllier e trouxe o espanhol Rafa Benítez, ex-Valencia, que terá dificuldades para implantar seu estilo em um clube inglês. O fato de contar com jogadores do nível de Baros, Hamann, Djibril Cissé, Smicer, Gerrard, Xabi Alonso e Harry Kewell ajuda, mas não há como esconder a falta que deve fazer Michael Owen, há anos a referência ofensiva dos reds. O único clube que parece, em princípio, mais fraco que os demais é o Olympiacos. Entre os principais jogadores que conquistaram a Eurocopa pela Grécia, apenas o goleiro Nikopolidis está no atual vice-campeão grego. Mesmo assim, a autoconfiança provocada pelo título continental de seleções pode ser um ponto a favor do Olympiacos. Em condições normais, a equipe dependerá dos estrangeiros Schurrer (Argentina), Djordjevic (Sérvia-Montenegro), Giovanni (Brasil) e, claro, Rivaldo. O meia-atacante brasileiro chegou como grande esperança do clube de Pireus, mas é inegável que há uma risco de o jogador não atender às expectativas. Como já ocorreu em Milan e Cruzeiro. Grupo B
No pouco que já se viu da nova temporada, foi possível perceber bons sinais vindos do Bayer Leverkusen. Após quase cair para a Segunda Divisão da Alemanha em 2002, o clube se reestruturou e fez uma boa campanha em 2004. Agora, parece se consolidar novamente entre os principais de seu país. A defesa tem Juan em fase de amadurecimento e o recém-chegado Roque Júnior, mas sentirá a falta de Lúcio vendido para o Bayern de Munique. O meio-campo é relativamente jovem e conta com algumas promessas do futebol alemão, como Balitsch e, sobretudo, Freier, além do ex-Guarani Róbson Ponte, em excelente fase. A maior força da equipe é a dupla de ataque formada por França (que finalmente se adaptou ao futebol germânico) e o búlgaro Berbatov. Vendo apenas o elenco, a Roma é mais forte que o Bayer e pode até pensar em superar o Real Madrid. E seria muito bom que isso acontecesse, pois jogadores como Pelizzoli, Chivu, Mexès, Panucci, Mancini, Cassado e “Mido” Hossam merecem fazer uma boa campanha no mais importante torneio interclubes do mundo. Isso sem falar em Totti, que fez uma bobagem na Eurocopa, mas é o melhor jogador italiano hoje (o que não é pouca coisa). O problema é que os giallorrossi passam por uma fase de reestruturação. Após grave crise financeira, o clube foi obrigado a se desfazer de alguns de seus principais jogadores, como Émerson e Samuel. Sem o técnico Fabio Capello, contratado pela Juventus, os romanistas apostaram em Cesare Prandelli para liderar o processo. Porém, já na pré-temporada o treinador anunciou sua saída do clube por não se considerar em condições psicológicas adequadas, uma vez que está com sérios problemas familiares (sua mulher está bastante doente). O alemão Rudi Völler foi chamado às pressas e isso pode ter um custo. Com menores chances está o Dynamo Kyiv. O clube ucraniano está longe de ter um time como o de quatro anos, quando chegou às semifinais do torneio com Shevchenko e Rebrov. Ainda assim, é uma das poucas equipes do Leste Europeu que consegue constantemente encarar os grandes do continente. No atual elenco, destacam-se o atacante letão Verpakovskis e os brasileiros Diogo Roncón (ex-Internacional), Rodolfo (ex-Fluminense) e Kléber (ex-São Paulo). Grupo C
A segunda vaga do grupo deve ficar com o Bayern de Munique. Após duas temporadas de insucessos na Europa e uma campanha desastrosa na Bundesliga de 2004, os bávaros se livraram de Otmar Hitzfeld, bom técnico, mas já desgastado com o elenco, e trouxeram o linha-dura Felix Magath, comandante do surpreendente Stuttgart das últimas temporadas. Ainda contrataram bons jogadores, como Lúcio, Frings e Hashemian, além da revelação Görlitz. Com um elenco já bastante encorpado, com Ballack, Kahn, Deisler (foto, já recuperado de depressão), Makaay, Pizarro e Rau, pode ir longe. Desde que Magath consiga reorganizar o time em campo e segurar os conflitos internos, simbolizados pelas animosidades entre Ballack e Kahn. O início de Bundesliga não foi dos mais entusiasmantes. Se os alemães se enroscarem nos problemas internos, podem dar espaço ao perigoso Ajax. O time de Amsterdã continua fiel à valorização de jogadores jovens e, pós algumas temporadas, essa geração já está mais amadurecida. A saída de Ibrahimovic deverá ser sentida, porém, os mais de € 20 milhões serão importantes para fechar as contas do clube. Os principais destaque são Lobont (goleiro), Trabelsi (defensor), Rosales e Sonck (atacantes), além da estrela do time, o meia Van der Vaart, e o brasileiro Maxwell. Com três equipes fortes no grupo, a maior aspiração do Maccabi Tel-Aviv, de Israel, deve ser a realização de uma campanha digna. Mais ou menos como o rival Maccabi Haifa dois anos atrás. O grupo é composto basicamente por israelenses e apenas cinco jogadores têm mais de 25 anos. Ou seja, a falta de experiência é outro fator que deve ser considerado contra o Maccabi. Grupo D
O favorito ao segundo lugar é o Lyon. O problema dos tricampeões franceses é que, durante as férias, saíram muito mais jogadores do que entraram. Os únicos reforços relevantes foram Frau (ex-Sochaux) e Wiltord (ex-Arsenal), ambos atacantes. Também foi cotnratado o zagueiro brasileiro Cris. Enquanto isso, saíram Carrière, Dhorasoo, Deflandre, Edmílson e Luyindula. Como o goleiro Coupet e o meia Juninho Pernambucano continuaram, há alguma esperança para o Lyon. O principal candidato ao terceiro lugar é o Sparta Praga, da República Tcheca. Apesar de mantendo um grupo apenas com jogadores da ex-Tchecoslováquia (tchecos e eslovacos), o time tem uma reserva técnica razoável e a experiência de Baranek e Poborsky no meio-campo. Mas, para ser realista, luta para ter um lugar na Copa da Uefa. O principal adversário do Sparta pelo terceiro lugar do grupo é o Fenerbahçe. O clube turco não costuma dar muita sorte em torneios continentais, mas, dessa vez, conta com a experiência do goleiro Rüstü e do meia-atacante Van Hooijdonk para, ao menos, tentar tirar a segunda vaga no Lyon. Os auri-azuis contam com muitos brasileiros no elenco. Os principais são Fábio Luciano (zagueiro, ex-Corinthians), Fabiano (lateral-esquerdo, ex-São Paulo) e Márcio Nobre (atacante, ex-Cruzeiro e Paraná).
O PSV também deve se classificar sem grandes problemas. Tem mais talento e experiência na Liga dos Campeões que os outros adversários. Não é uma potência, mas, como o Ajax, merece ser olhado com carinho, pois há vários jogadores que podem usar a Holanda como primeira etapa antes de se consagrar em centros maiores. Exemplos de Alex (ex-zagueiro do Santos), Volanthen, Farfán, Vannegoor of Hesselink e Beasley. A experiência fica por conta de Cocu, de volta depois de vários anos no Barcelona. Os outros dois clubes da chave são equilibrados. O Rosenborg volta à Liga dos Campeões depois de três anos e, como costumava fazer, deve dar trabalho nas primeiras fases. O motivo desse comportamento é que o Campeonato Norueguês começa em março e, em setembro e outubro, está na reta final. Assim, enquanto a maior parte dos clubes europeus estão em início de temporada, ainda procurando a melhor formação e entrando em ritmo de jogo, os noruegueses – como os ucranianos, os russos e os suecos – já estão no ápice. Pode pesar contra a média de idade alta do elenco: 10 jogadores têm 30 anos ou mais. Com perspectivas parecidas com o Rosenborg está o Panathinaikos. O atual campeão grego pode se aproveitar do entusiasmo provocado pela conquista da Eurocopa, da vantagem de jogar diante de uma torcida barulhenta e fanática e de alguns talentos que possui, como o polonês Olisadebe e o argentino Ezequiel González. Grupo F
Atrás do Milan vem o Barcelona. O clube blaugrana parece ter gostado da idéia de investir em brasileiros após a temporada estupenda de Ronaldinho Gaúcho (foto) na Catalunha. Assim, contratou Edmílson, Beletti, Sylvinho (desde 2003 é com “y”) e Deco (esse último naturalizado português), que se juntam a Thiago Motta e Ronaldinho. Sem querer cair no nacionalismo bobo, mas parece ser uma estrutura mais recomendável que manter a legião holandesa (Kluivert, Cocu, Overmars, Reiziger e Davids saíram), que, com exceção de Davids, já estava em decadência. Como o clube trouxe, além dos brasileiros, Henrik Larsson, Eto’o e Giuly, o técnico Rijkaard pode ter alguma dificuldade em montar o ataque. Se o clube não demorar para se encontrar como na temporada passada, pode aspirar as semifinais. Apesar da força de Barcelona e Milan, os dois outros clubes do grupo não são dos mais desprezíveis. O Celtic tem boa experiência européia, conta com uma base sólida e entrosada e pode surpreender. Não é um time espetaculoso, mas não é recomendável menosprezar uma equipe com jogadores eficientes como Laursen, Alan Thompson, Juninho Paulista, Chris Sutton e Henri Camara. Não deve se classificar, apenas proporcionar bons jogos. O Shakhtar Donetsk é outro clube que carrega um grande ponto de interrogação. Em teoria, deve ser considerado perigoso, pois eliminou o bom Club Brugge na fase preliminar e conquistou pela primeira vez o Campeonato Ucraniano. Além disso, está em meio de temporada, com mais ritmo de jogo que os adversários. Como não tem experiência e talento comparável aos adversários do forte grupo, o time do meia Matuzalém deve se preocupar com uma vaga na Copa da Uefa.
Apostar alguma coisa na Internazionale é o mesmo que ter o futuro dependente do resultado da loteria. Os nerazzurri são o que há de mais próximo com o São Paulo no futebol italiano. Montam bons times, disputam os títulos, mas problemas internos e cobrança excessiva acabam sempre implodindo os planos de acabar com a estiagem de títulos (depois do título italiano de 1989, apenas as Copas da Uefa de 1994 e 98). O normal seria dizer que, com Toldo, Zanetti, Mihajlovic, Davids, Van der Meyde, Emre, Cambiasso, Stankovic, Verón, Adriano, Recoba e Vieri, a Internazionale é favorita a qualquer título que disputar. Basta manter um mínimo de estabilidade interna. Parece fácil, mas, pelo visto, não é. A terceira força do grupo é o Werder Bremen. Sem Aílton, há sérias dúvidas se os alviverdes têm capacidade de manter o mesmo nível técnico da temporada passada, quando surpreenderam e conquistaram o título alemão com certa folga. O centroavante brasileiro foi substituído por Klose, que tem características muito diferentes e exigirá uma readequação tática do setor ofensivo. Provavelmente Klasnic começará a participar mais das conclusões das jogadas. O meio-campo, setor mais forte da equipe, manteve Micoud, Ernst e Davala e ganhou Gustavo Nery. Mas não parece suficiente para uma campanha vitoriosa em uma competição continental. Com chances pequenas, mas que devem ser respeitadas, está o Anderlecht. Os belgas costumam atrapalhar bastante na Liga dos Campeões e, se conseguirem garantir a vitória nas partidas em Bruxelas, pode até passar às oitavas-de-final. O elenco é menos talentoso, mas têm bons destaques na dupla de ataque Mbo Mpenza e Dindane, além do zagueiro Kompany, uma das maiores promessas do futebol da Bélgica. Grupo H O Porto fica como segundo favorito apenas pela experiência positiva das duas últimas temporadas (títulos na Copa da Uefa e Copa dos Campeões), pois aproveitou o título europeu para vender alguns de seus jogadores – Deco, Ricardo Carvalho e Paulo Ferreira – com a cotação em alta e ainda teve dificuldade em definir um substituto a José Mourinho. Contratou Luigi del Neri, bem-sucedido técnico do Chievo nas últimas três temporadas. No entanto, em um caso muito mal explicado, o presidente Pinto da Costa o demitiu após uma excursão de pré-temporada nos Estados Unidos. Acabou com Victor Fernández, ex-Celta. Entre os jogadores, fica a dúvida se os recém-chegados conseguirão manter o mesmo nível da temporada passada. De qualquer forma, vieram nomes com boas referências, como Seitaridis, campeão europeu pela Grécia, Hélder Postiga, vice da Europa com a seleção portuguesa, Quaresma, que não encontrou espaço no Barcelona, e os brasileiros Luis Fabiano e Diego. Pelas incertezas que rondam o Porto (e até o Chelsea), o Paris Saint-Germain deve ser considerado um candidato forte a um lugar na segunda fase. O time é muito parecido com o que fez uma boa campanha na liga nacional de 2004. As movimentações de mercado foram discretas, ma positivas pela chegada do meia-esquerda Rothen, um dos principais elementos do esquema de Deschamps no Monaco vice-campeão europeu. Daí, é contar com uma eventual boa fase do instável artilheiro português Pauleta. Não seria completamente impossível que o CSKA Moscou conseguisse cavar um espaço e se classificar. Os moscovitas contam com o frio do inverno russo, que será mais intenso à medida que passa a primeira fase, e os gols de Vágner Love, que já se mostrou decisivo na fase preliminar diante do bom Rangers. Como o Porto e o Paris Saint-Germain não são propriamente potências continentais, bastaria ao campeão russo se garantir em casa para se colocar em posição extremamente favorável na classificação. Ubiratan Leal Imagens: Uefa Posted by ubiraleal at 11:48 AM setembro 09, 2004 Derrota para Albânia não mudou nada Logo na primeira apresentação oficial após a conquista da Eurocopa, a Grécia já colheu um resultado negativo. E, pior, diante da pouco expressiva Albânia. Mas, na realidade, esse resultado não mudou em nada as perspectivas da seleção helênica. Primeiro, porque era ilusão achar que os gregos eram efetivamente uma força no continente. Depois, porque foi um resultado normal.
O brasileiro não costuma acompanhar de perto o andar de baixo do futebol europeu, mas é importante dizer que a Albânia não está entre as piores seleções do continente. Não é uma força, mas está, como Geórgia, Lituânia, Estônia, Bósnia e Chipre, em um grupo de times que não brigam por classificações aos grandes torneios e tomam suas goleadas. Mas, que, quando atuam em casa, são perfeitamente capazes de arrancar pontos das seleções fortes. Prova disso é que poucos perceberam, mas os albaneses ficaram invictos em Tirana durante as Eliminatórias para a Eurocopa. Não foi uma seqüência das mais espetaculares, mas eles venceram Rússia e Geórgia e empataram com Irlanda e Suíça. Portanto, perder para a Albânia é um resultado normal para seleções de bom nível como Espanha, Portugal e até Alemanha. Outra justificativa, ainda que menos convincente, é de que os gregos estão em início de temporada e não estão mais com a solidez coletiva que se viu na Eurocopa. Mas a equipe que jogou nesse fim-de-semana – Nikopolidis; Seitaridis, Fyssas, Basinas; Kapsis, Zagorakis, Katsouranis e Karagounis; Charisteas e Vryzas – só estava desfalcada do zagueiro Dellas e deveria ter alguma reserva de entrosamento ainda guardada. O que fica evidente é que Eurocopa não mudou o status da Grécia no futebol mundial. É uma seleção que está em evolução, mas ainda deve ser considerada de nível intermediário na Europa. O título continental foi justo e merecido pelas virtudes defensivas e coletivas da equipe, porém, não reflete a realidade do futebol grego. Só não pode ser considerado acidente porque foi resultado de um planejamento extraordinário do técnico alemão Otto Rehhagel. O problema é convencer os gregos das limitações da seleção. A rivalíssima Turquia sofre com isso desde o terceiro lugar na Copa de 2002. Ubiratan Leal Imagem: Uefa Posted by ubiraleal at 11:45 AM agosto 29, 2004 Argentina não precisou de muito para ter o ouro
O torcedor brasileiro que disser que não sentiu nem uma ponta de inveja do título olímpico argentino está mentindo. O Brasil, que mostra um desejo desmesurado pela medalha de ouro no futebol, não a consegue. A Argentina, que também sentia falta dessa conquista, mas não mostrava tamanha obsessão, a ganhou sem sinal de dificuldade ou sofrimento, características das campanhas olímpicas brasileiras. O que deve dar mais dor de cotovelo aos torcedores brasileiros é perceber que os argentinos não fizeram nada de genial para conseguir o ouro. E nem teriam porque fazê-lo, pois o torneio sempre tem nível técnico mediano. Para os platinos, bastou realizar um plano simples, sem cometer os erros pontuais e decisivos que sempre marcaram as campanhas brasileiras. A principal diferença entre a campanha argentina em 2004 e as últimas da seleção brasileira foi a seriedade com que encarou o torneio. Não é suficiente considerar a competição importante, é necessário também reconhecer que os adversários podem representar algum perigo e, por isso, manter a concentração em todos os jogos. Mas respeitar o adversário é algo cada vez mais raro em partidas de seleções brasileiras. Por causa dos títulos mundiais, o Brasil se colocou como a maior nação futebolística do planeta. Isso é até verdade. Mas não quer dizer que a seleção seja intocável e infalível. E isso o brasileiro (torcedor, imprensa e jogadores) não consegue entender direito. Acha que o talento sempre resolverá os problemas que aparecerem pelo caminho. Foi assim que a seleção caiu em 1992, ao menosprezar até o limite a fraca seleção da Venezuela no Pré-Olímpico do Paraguai. O mesmo ocorreu em 1996, quando o time começou o torneio mais preocupado na festa do pódio do que nos jogos. Perdeu para o Japão na estréia, se recuperou e, após fazer 3x1 na Nigéria nas semifinais, ficou esperando a partida acabar e tomou o empate. Em 2004 também houve relaxamento por excesso de confiança, o que fez com que o time não encontrasse seu jogo em nenhum momento no Pré-Olímpico. Parecia incomodada com o fato de ter um adversário que tentava ipedir a vitória brasileira.
Mas nenhum caso de soberba foi tão grave quanto o visto em 2000. Deixar os três jogadores acima de 23 anos de lado é um luxo ao qual pouquíssimas formações podem se dar. E claramente não era o caso da seleção olímpica do Brasil que foi a Sydney. Somando a isso a falta de autoridade de Luxemburgo, que, na época, tinha ações investigadas pela Justiça, a seleção se desmanchou em sua própria autoconfiança. Isso não significa que o Brasil perca apenas por problemas internos. Apenas que a seleção se colocou em uma situação que dificilmente reverteria diante de adversários tão ou mais fortes, como a Espanha de 1992 (que nem precisou passar pelo Brasil) e a Nigéria de 1996. Como o torneio do futebol nas Olimpíadas carrega um alto grau de imprevisibilidade pela inexperiências dos jogadores e desconhecimento que uma equipe tem da outra, não se pode dar hipóteses aos adversários. A Argentina soube evitar isso. Por exemplo, não deixou de golear a Itália nas semifinais ou de buscar a vitória sobre o Paraguai logo nos primeiros minutos. Era necessário se impor pelo futebol para evitar surpresas, coisa que o Brasil nunca fez nas Olimpíadas de 1996 e 2000. A albiceleste também tinha talentos de sobra, mas Marcelo Bielsa não deixou de chamar Cristián González, Heinze e Ayala. Afinal, os garotos precisavam de alguém que os liderasse e havia um buraco no meio da defesa a ser coberto. E, principalmente, conseguiu montar um time em que seu craque, Tévez, decidisse. Ou seja, a Argentina não fez nada que o Brasil não pudesse ter feito antes. O problema é que, por alguma razão, o Brasil nunca fez. Agora é aplaudir a festa platina. Ubiratan Leal Imagens: Athens 2004 e BBC Sport Posted by ubiraleal at 02:17 AM agosto 21, 2004 O Real Madrid aprendeu algumas lições
A chegada do atacante Michael Owen foi vista por alguns como mais uma das mega-contratações que o Real Madrid tem se acostumado a fazer no início de cada temporada. Claro, o inglês foi escolhido pelo impacto que traria. Ainda assim, pode ser um sinal de que, pela primeira vez, os merengues tenham deixado parte da petulância de lado e se planejando de forma minimamente decente. Nada de confiar em um grupo de “Zidanes e Pavóns”. O tombo do Real Madrid na temporada 2003-04 foi tão absurdo que era realmente improvável que o clube merengue não começasse essa temporada sem mudar um pouco seu rumo. Até então, a regra era trazer os maiores craques do mundo, como Figo, Zidane, Ronaldo e Beckham, em busca de espaço na mídia e muito marketing, e completar o elenco com jogadores esforçados, muitos formados no próprio clube, como Pavón, Helguera e Raúl Bravo. Como o próprio Florentino Pérez, presidente do clube, disse, era a política dos “Zidanes e Pavóns”. Pois ficou claro que uma equipe só funciona se o conjunto for minimamente homogêneo. Não era mais possível contar com um time cheio de estrelas do meio para frente e confiar a retaguarda a defensores inexperientes ou de qualidade mediana. Os resultados até vêm por um tempo, mas não é possível suportar um desequilíbrio tão grande por uma temporada inteira. Por isso, as principais investidas madridistas se deram sobre defensores. O argentino Samuel chegou da Roma e o inglês Woodgate do Newcastle. É pouco, até porque o elenco continua carente de volantes desde a saída de Makelele. Mas o Real realizou tentativas efetivas de trazer Vieira e Émerson, o que mostra que o clube tem intenção de se estruturar atrás. Pode não ser suficiente, mas é um sinal de que algo foi aprendido.
A troca de técnico é outra mostra de que os olhos de Pérez e Valdano – diretor técnico – estão na zaga. O português Carlos Queirós foi contratado em 2003 pelo trabalho como assistente técnico de Alex Ferguson no Manchester United. O lusitano teria sido o responsável por armar o eficiente setor defensivo dos red devils. Após uma temporada desastrosa, com a defesa em pedaços nas últimas rodadas da Liga Espanhola, Queirós foi demitido. A contratação de Camacho, um técnico que não prima por privilegiar o jogo ofensivo, é um sinal de que o Real ainda prioriza a busca por alguém que organize a defesa. Talvez por imaginar que, na frente, os craques se resolvam sozinhos. A escolha de um nome muito ligado ao clube também pesou. Afinal, ficou claro no final da temporada passada que Queirós não tinha comando algum sobre os jogadores e não conseguiu impedir a ruína técnica, tática e mental do Real após a derrota para o Monaco na Liga dos Campeões. Imagina-se que Camacho, ex-lateral e capitão merengue, tenha mais apoio para conduzir o grupo. E o que Owen tem a ver com esse planejamento? A primeiro impressão é das piores, já que não há como colocar Zidane, Figo, Raúl, Ronaldo, Beckham e Owen em campo ao mesmo tempo. Isso sem mencionar Morientes, que voltou de empréstimo ao Monaco, onde foi artilheiro da Liga dos Campeões, e tem grande ligação com a torcida madridista. Se Camacho for minimamente são, colocará dois desses jogadores no banco a cada partida. Mas Owen não foi contratado para essa temporada. Aparentemente, o Real já está planejando a temporada 2005-06.
A impressão inicial é que Ronaldo deixará Madri no próximo verão europeu. Em declarações à imprensa, o brasileiro foi claro ao afirmar que não pretende renovar seu contrato com o Real, que vai até 2006. Se os espanhóis esperarem o final desse compromisso para perder o atacante, não receberá um centavo por isso. Assim, o mais lógico é vendê-lo uma temporada antes, em meados de 2005. Talvez a idéia dos merengues nem fosse contratar um atacante já nessa temporada. Mas Owen era uma boa oportunidade. O contrato do jogador com o Liverpool terminava em julho de 2005 e os reds estavam querendo repassá-lo o mais rápido possível. O Real viu a oportunidade e o trouxe por “apenas” € 12 milhões, mais o jovem meia Antonio Núñez. A solução é algo exagerada e denota um resquício da política de contratações bombásticas de utilidade duvidosa, pois a volta de Morientes já merecia comemoração. De qualquer forma, mostra como o Real já pensa antes de contratar, que deixou a arrogância de lado e percebeu que não basta a camisa e jogadores de nome para dominar o futebol mundial. É preciso planejamento. *
Como as investidas madridistas sobre defensores não foram tão bem-sucedidas até agora, não é arriscado dizer que o melhor elenco da Europa, tanto em talentos, como em homogeneidade, é o do Milan. Ubiratan Leal Imagens: Uefa Posted by ubiraleal at 12:51 AM agosto 09, 2004 É difícil prever o futebol olímpico
Ninguém dá muita atenção ao torneio de futebol – masculino ou feminino – dos Jogos Olímpicos. E, para o Brasil, a competição ateniense será especialmente desinteressante, pela ausência da seleção brasileira que teria totais condições de conquistar o ouro pela geração que tem à disposição. Mesmo assim, o fato de as primeiras partidas serem realizadas antes do início oficial das Olimpíadas faz com que, por dois dias, os olhos se voltem à modalidade mais popular do mundo. O curioso é que talvez não exista torneio de intercontinental mais imprevisível que o futebol masculino olímpico. Por ser um torneio com limite de idade, há uma quantidade muito grande de jogadores desconhecidos (e muita gente confunde desconhecido com ruim, o que é preconceito) e inexperientes. Assim, nem sempre é possível prever qual será o comportamento de cada equipe quando os jogos começarem efetivamente. Outro fator importante é o papel que exercerão os três jogadores acima de 23 anos que entrarem nas seleções (algumas renunciaram a esse direito). Um exemplo claro dessa influência foi Ivan Zamorano nos Jogos de Sydney. Dando exemplos de como um jogador pode ser líder, transformou na boa, mas discreta seleção chilena no melhor time daquelas Olimpíadas. Só não chegou a final por perder, injustamente, para Camarões nas semifinais, tomando o gol decisivo nos últimos minutos após amplo domínio. Além disso, o estado físico dos atletas também deve ser considerado. Alguns jogadores tiveram férias e estão em início de preparação para a temporada, caso dos italianos. Outros, como os paraguaios, esticaram suas atividades e podem apresentar algum desgaste. Por isso tudo, a análise que segue abaixo contém um razoável índice de palpite.
O principal candidato à segunda vaga do grupo nas quartas-de-final é Mali, time com mais chances de conseguir o tricampeonato olímpico para equipes africanas (a Nigéria ganhou o ouro em 1996 e Camarões em 2000). Os malinenses, inclusive, desclassificaram os atuais campeões olímpicos no pré-olímpico do continente. Ente os principais destaques estão jogadores com alguma experiência européia, como Sissoko (atacante do Valencia) e Diawara (zagueiro do Paris Saint-Germain). As duas seleções restantes estão, teoricamente, em nível parecido e tentam se aproveitar de algum vacilo de Mali. O México está com uma equipe nova, com jogadores acima da idade limite com pouco destaque – os meias López e Zinha (brasileiro naturalizado), ambos do Toluca e o atacante Bravo, do Chivas Guadalajara – e pode sentir a falta de experiência. Ainda assim, o fato de terem desclassificado a seleção dos Estados Unidos no Pré-Olímpico das Américas Central e do Norte conta como ponto a favor dos mexicanos. A Coréia do Sul está enfraquecida por só contar com jogadores que atuam no Oriente (na própria Coréia do Sul ou no Japão). A única exceção é o atacante Lee Chun-Soo, da espanhola Real Sociedad. Deve brigar para conseguir alguns pontos, mas nada além disso. Os “veteranos” são Chung Kyung-Ho (Ulsan Hyundai) e Yoo Sang-Chul (Yokohama F Marinos). Grupo B A vantagem italiana fica evidente quando verificamos que mantém o favoritismo mesmo diante de um grupo relativamente difícil e nivelado na primeira fase. Se o leitor for mais conservador, pode apostar no Paraguai como segundo classificado que os riscos de erros serão menores. A seleção guarani mostrou força ao vencer o Brasil no Pré-Olímpico e, com essa mesma base, repetir o feito na Copa América. Os jogadores acima de 23 anos se espalharão pelo campo. Gamarra comandará a defesa, Enciso ficará no meio-campo e Cardozo ajudará Roque Santa Cruz a fazer os gols. Além desses, Paraguai conta com os bons Barreto (goleiro), Manzur e Esquivel (defensores) e Valdez (atacante). Pela tradição, o Paraguai deve tomar cuidado com Gana. As estrelas negras foram a primeira seleção africana a conquistar uma medalha olímpica (bronze em Barcelona’92) e contam com alguns jogadores talentosos, como o meia Appiah, da Juventus italiana e o atacante Boateng, do AIK Solna da Suécia. Além do juventino, os outros jogadores com mais de 23 anos serão os atacantes Tiero, do Asante Kotoko, e Baffour, do Dynamo de Moscou. Mas, para dar uma idéia do equilíbrio do grupo, é até possível afirmar que não seria nada estranho se o segundo colocado no grupo fosse o Japão. Os nipônicos estão em evolução extremamente consistente, com equipes fortes em várias categorias e jogadores com algum destaque no futebol europeu. Mais, por exemplo, do que a Coréia do Sul, que estacionou depois da Copa de 2002. Mostra disso foi o recém-conquistado título asiático com uma equipe mista e o futebol competitivo apresentado nos Jogos de Sydney, quando só caíram nas quartas-de-final nos pênaltis. Os principais destaques são Ono, do Feyenoord, Okubo (Cerezo Osaka), Matsui (Kyoto Purple Sanga) e Ishikawa (Tokyo). Difícil mesmo é repetir o feito de 1968, quando o Japão ficou com a medalha de bronze.
Pela tradição, o candidato mais forte a segundo colocado no grupo é Sérvia-Montenegro. Os ex-iugoslavos têm relativa tradição no futebol, já conquistaram o ouro olímpico (em Roma'60, quando Croácia, Macedônia, Eslovênia e Bósnia-Herzegovina também formavam o país) e vêm de um respeitável vice-campeonato europeu sub-21. No entanto, a “causa” servo-montenegrina perdeu força após a convocação de Vladimir Petrovic sair sem o nome de nenhum jogador com mais de 23 anos. É uma equipe muito jovem, com base no Crvena Zvezda (conhecido por aqui como Estrela Vermelha), clube que se reformulou bastante para se reerguer e acabou conquistando o último título nacional. Fora do país só estão quatro jogadores: Delibasic (Mallorca-ESP), Lovre (Anderlecht-BEL), Krasic (CSKA Moscou-RUS) e Heziri (Metelurh Donestk-UCR). Se a falta de experiência pesar contra os balcânicos, pode sobrar um espaço para a Austrália passar para a segunda fase. Os socceroos contam com jogadores experientes – 12 dos 22 convocados jogam na Europa – e de alguma qualidade, além de vontade de melhorar a patética campanha de 2000, quando caíram na primeira fase, jogando em casa contra Itália, Honduras e Nigéria. Os principais destaques são os jogadores com mais de 23 anos: o artilheiro Aloisi (Osasuna-ESP), o meia Cahill (Milwall-ING) e o zagueiro Moore (Rangers-ESC). Haveria lugar para Viduka e Kewell, mas já está razoável. O maior candidato a coadjuvante do grupo é a Tunísia. Atuais campeões africanos entre seleções adultas, os tunisianos chegam às Olimpíadas com uma defesa forte e, aparentemente, só. Um mostra da tendência tática é que os principais “veteranos” chamados Jemaies Laabidi são defensores: o lateral brasileiro naturalizado tunisiano Clayton e o goleiro Fadhel. No ataque, sem Francileudo Santos, outro brasileiro que adotou outra nacionalidade, a esperança é Zitouni. Grupo D
As outras três seleções do grupo são incógnitas. Ainda assim, é possível arriscar e dizer que há grandes chances de o segundo lugar do grupo ficar com o... Iraque. Com o país esfacelado e vivendo em uma situação política intrincada e de difícil solução, a seleção de futebol conseguiu se estruturar e vem mostrando uma evolução comovente. No Pré-Olímpico, os iraquianos desclassificaram seleções tradicionais, como os rivais regionais Arábia Saudita e Kuait. Para melhorar (e muito) as perspectivas iraquianas, a seleção olímpica usou a Copa da Ásia como preparação para os jogos. E conseguiu a façanha (sem ironia alguma) de desclassificar a seleção principal da Arábia Saudita. Só caíram nas quartas-de-final, em um jogo emocionante diante da China (os 3x0 escondem os sustos que os chineses passaram), equipe da casa. Os principais jogadores são Akram e Mahmoud (foto). É real a chance de o Iraque passar e deixar de fora Marrocos, uma seleção mais tradicional e também árabe. O problema dos africanos é a instabilidade da equipe e a falta de experiência. A classificação no Pré-Olímpico foi sofrida, garantida na última rodada em um grupo fraco, com Uganda, Angola e Etiópia. A força dos marroquinos está no ataque formado por Allaoui e Bouden. Sorte de Marrocos que a Costa Rica parece estar com uma seleção que inspira menos confiança ainda. Os ticos têm algum crédito por passar em um Pré-Olímpico continental que contava com a seleção dos Estados Unidos. Não que os norte-americanos sejam uma potência, mas permitem que se faça algum parâmetro técnico razoável (até porque não faltaram ao futebol olímpico entre 1984 e 2000). Porém, vale lembrar que os costarriquenhos não enfrentaram os estadunidenses (que perderam para Honduras e México) e que as principais estrelas do país – Winston Parks, Wanchope e Martinez – não foram à Grécia. *
Talvez você tenha pescado as informações no meio do texto. Mas vale repetir. Há dois jogadores brasileiros que disputarão o ouro olímpico no futebol defendendo outros países: Clayton na Tunísia e Zinha no México. Além desses, há o técnico da seleção portuguesa Luís Felipe Scolari. *
Do torneio feminino o Balípodo já falou aqui (texto entrou apenas no especial olímpico). E do porquê o futebol olímpico ser diferente dos demais esportes aqui. Ubiratan Leal Imagens: BBC Sport, Uefa, Settimana Sport, Terra México e AFC Posted by ubiraleal at 03:29 AM agosto 04, 2004 Pensando bem, o "sistema" italiano faz sentido
O desaparecimento da Ancona e do Napoli por problemas financeiros e o posterior surgimento da Anconitana e de outro Napoli (ainda indefinido) causa estranhamento ao torcedor brasileiro. Fica em alguns uma sensação de que esses novos clubes são estepes, de história “impura” e que comprar a história e o nome do original – como ocorreu com a Florentia Viola/Fiorentina – seria mercantilizar demais o futebol. Mas, pensando bem, é justamente o contrário. É preservar o interesse do torcedor. No Brasil, pelo fato de os clubes de futebol serem clubes sociais, com associados que compram título, pagam mensalidade e desfrutam de instalações de lazer, há uma imagem de que o time de futebol é um bem de todos seus torcedores. O patrimônio físico e o time de futebol são vistos como uma coisa só. A própria lei entende mais ou menos assim, não tratando os clubes como empresas que (no caso do departamento de futebol) são. É verdade que houve evolução na regulamentação brasileira para esse setor, mas ainda não chegou ao nível encontrado na Europa. De qualquer forma, se clubes como Flamengo, Portuguesa ou algum outro que esteja se afogando em dívidas fecharem as portas, acabou tudo. O time de futebol fecha e ninguém se preocupará em abrir outro. No máximo, será criado um clube completamente diferente, sem história e a identificação afetiva do predecessor. Casos como os de Lages (substituto do Internacional-SC) e Brasiliense (tomou o lugar aberto pelo Taguatinga). Os torcedores dos clubes antigos de essas e outras cidades até seguem os novos, mas perde-se o referencial e toda uma história fica empoeirada em algum canto.
Ao separar a parte esportiva (história, títulos, nome/marca) da empresarial (patrimônio, funcionários/jogadores, dívidas), os italianos preservam os interesses do torcedor e podem, ainda assim, punir os responsáveis por qualquer irregularidade administrativa. Afinal, a história da Fiorentina, por exemplo, foi construída pelos jogadores e torcedores do clube violeta. E seria muito injusto se tudo isso fosse soterrado pelos erros de Vittorio Cecchi Gori, dirigente que faliu o time de Florença. Assim, enquanto a Justiça determina o que deve ser feito com o empresário e seus bens, a torcida da Fiorentina não fica órfã de clube. Claro, isso não significa que os clubes substitutos devam surgir no mesmo lugar do original. Os novos devem recomeçar das divisões mais baixas, até como forma de ser justo com outras equipes que lutam por um lugar em uma segunda ou terceira divisão. Mas, pelo menos, toda a história e a paixão continuam vivos. Se os brasileiros começassem a pensar assim, talvez os clubes tivessem mais condições de melhorar. Claro, teria de haver uma separação clara entre a parte empresarial dos clubes e seu “patrimônio afetivo”. Mas, por aqui, nem os departamentos de marketing dos clubes sabem o que suas marcas representam. Não é a lei que saberá. Ubiratan Leal Imagem: La Repubblica e Fiorentina site não-oficial Posted by ubiraleal at 05:12 PM julho 30, 2004 Eurocopa x Copa América
Pela primeira vez na história, os dois principais torneios continentais de seleções foram disputados no mesmo ano. Na verdade, a Copa Africana de Nações, a Copa da Ásia e a Copa da Oceania também tiveram edições em 2004, o que fez da Concacaf o único continente que não colocou seus países para medir forças. Mas o interessante de tudo isso foi fazer a comparação entre a competição européia e sua equivalente sul-americana. E isso pode levar a caminhos interessantes. A análise fugirá de alguns aspectos extracampo. Por exemplo, é desnecessário comparar a organização, condições e beleza dos estádios, riqueza do evento e presença de torcida dos dois torneios. É óbvio que há uma diferença constrangedora. E vale dizer que é superficial achar que isso se deve apenas à maior riqueza da Europa. Como se os equívocos crônicos da Conmebol não tivessem responsabilidade alguma nesse cenário. Mas a proposta desse texto é falar de futebol jogado. Para sorte dos torcedores, ambas tiveram um bom nível técnico dentro de seus padrões. A Euro 2004 bateu, por exemplo, a edição de 1996, na Inglaterra. Já a Copa América do Peru foi a melhor em muito tempo. Provavelmente desde 1989, quando todos os países levaram o torneio a sério e craques como Maradona, Romário e Francescoli deram as caras. Nesse caso vale lembrar a edição de 1993, no Equador. Na comparação entre os continentes, a competição do Velho Mundo está bastante à frente. O nível de competitividade é maior, com pelo menos 10 seleções fortes – e outras 4 medianas – usando formação principal (salvo contusões, óbvio). Também ficou claro como a organização tática está longe de ser sinônimo de retranca ou defensivismo, como defendem ingênua e preconceituosamente parte dos jornalistas esportivos brasileiros (e que o título grego não seja visto como símbolo da Eurocopa, porque o torneio foi muito além da equipe de Rehhagel).
A qualidade global de partidas como República Tcheca x Holanda (foto), Portugal x Inglaterra e Dinamarca x Suécia foi inegável. Jogos abertos, com as equipes no máximo de suas capacidades, criando diversas chances e decidindo o resultado nos minutos finais. Mostra de como a Eurocopa é o que há de mais parecido com a Copa do Mundo. Porém, jogar a Copa América às traças é um equívoco enorme. Dos (poucos) europeus que se dispuseram a acompanhar pela TV a competição dos sul-americanos, não foram raros comentários elogiosos à técnica e à habilidade dos jogadores, mesmo em seleções improváveis como Bolívia, Peru e Colômbia. A falta de ordenamento tático, algo que fica muito claro na comparação direta das duas competições, abre espaço para uma parte mais lúdica do futebol. Algo que, isoladamente, pode ser menos útil em competições de altíssimo nível, mas ajuda a embelezar partidas e criar algum encantamento. Além disso, o fato de uma equipe tecnicamente pouco dotada ter conquistado a Europa deu a sensação de que algumas equipes sul-americanas, se bem montadas, disciplinadas taticamente e determinadas a se doar em campo, poderiam ter vencido o torneio europeu. É difícil saber até que ponto é verdade, pois são realidades diferentes. Mas a Grécia não é tecnicamente superior às seleções principais de Paraguai, Colômbia, Uruguai e até Chile (citar Brasil e Argentina é tolice de tão clara a diferença).
Inclusive, uma final entre Brasil e Argentina pode ser vista como aspecto positivo para os sul-americanos. Foi um sinal de como, apesar de algumas surpresas, adversários aguerridos e torcida contra (no caso do Argentina x Peru, foto), os grandes da América do Sul são supremos. Não é de hoje que cresce na Europa a sensação de que Brasil e Argentina se destacam cada vez mais dos outros países no ponto de vista técnico. E o fato de sobreviverem a seleções medianas em um torneio local (coisa que os grandes europeus não conseguiram) mostra como as principais nações futebolísticas da América do Sul estão mais sólidas que suas rivais do Velho Mundo. E, analisando por esse lado, vê-se como há um parâmetro possível de comparação do nível técnico das duas competições. Assim, em 2004 foi possível perceber que a Eurocopa dificilmente será superada, pois as Américas não têm condições de montar um campeonato com 16 seleções de bom nível. Falar o contrário é não querer ver a realidade. Mas o torneio principal dos sul-americanos está longe de ser falido e fadado ao desaparecimento. É uma belíssima competição que deve e merece ser respeitada. Principalmente por seus organizadores. *
Se serve de alento ao futuro da Copa América, a Conmebol já acenou com uma mudança de planos em relação à periodicidade. A idéia inicial era organizar a próxima edição do torneio em 2007, na Venezuela, e, a partir daí voltar a organizar a competição a cada dois anos. Agora, já se fala em, após 2007, realizar o torneio a cada 4 anos. Assim, a Copa América seguinte seria a de 2011, possivelmente no Brasil (que aproveitaria para testar a estrutura que estaria em preparação para a Copa de 2014). É a periodicidade ideal e o ano (um depois do Mundial) mais indicado. É óbvio que não se pode organizar o torneio em ano de Copa do Mundo. Em ano olímpico é arriscado, pois muitos países sul-americanos se dedicam bastante à busca pelo ouro. E, um ano antes das Copa é ruim por coincidir com as rodadas finais das Eliminatórias. A Copa América se tornaria secundária. Como foi a de 2001. Ubiratan Leal Imagens: BBC Sport e Carlo Mariselli/Peru.com Posted by ubiraleal at 04:34 AM julho 21, 2004 Temos de admitir, a MLS está dando certo
O campeonato de 2004 da MLS (Major League Soccer), a liga norte-americana de futebol profissional, está em andamento, mas já foram anunciadas as duas equipes que, no próximo ano, se juntarão às dez já existentes. Uma, confirmada semana passada, será de Salt Lake City. A outra já se sabia que seria uma versão norte-americana do Chivas Guadalajara, clube mais popular do México. Pois agora já se fala abertamente que essa equipe mandará suas partidas em Los Angeles. A expansão cuidadosa mostra como a MLS está dando certo. O grande mérito da liga é fugir da megalomania tradicional dos empreendedores norte-americanos, que acham que muito dinheiro traz muitos jogadores, que trazem muito marketing, que trazem muito público, que trazem mais dinheiro. Talvez isso dê certo em alguns mercados, mas nem sempre funciona com o esporte, uma atividade de forte aspecto cultural e, como tal, necessita de enraizamento. Além disso, até o momento está sabendo mudar suas políticas quando o caminho escolhido inicialmente não parece levar a lugar nenhum. Foram esses os erros da NASL (North American Soccer League) entre as décadas de 1960 e 1980 (principalmente nos anos 70). Com investidores de sobra, a liga levou para a margem oeste do Atlântico Norte jogadores como Pelé, Beckenbauer, Carlos Alberto Torres, Johan Cruijff e George Best e conseguiu lotar estádios em várias cidades norte-americanas. No entanto, escolheu uma política menos orgânica e mais espetaculosa.
Os jogadores eram quase artistas, até porque adaptou-se o jogo (incluindo as regras) para ver se o esporte “pegava”. Não houve uma infra-estrutura para estabelecer o futebol de forma realista nos Estados Unidos. No máximo, um sem-número de clínicas espalhadas pelo país. Muito pouco. Assim, foi até lógico que, depois de um tempo, as franquias da NASL não tiveram mais condições de manter gastos semelhantes às colegas de NBA (basquete), MLB (beisebol) e NFL (futebol americano). Os jogadores-artistas estrangeiros saíram, o público, sem identificação alguma com os que ficaram (na maioria nativos), sumiu e as equipes fecharam as portas. Quando foi criada, na esteira da “empolgação” da Copa de 1994, a MLS tentou mostrar evolução na mentalidade. É verdade que insistiu em shoot-outs (forma de desempate inspirada no hóquei sobre o gelo), com a idéia de que o torcedor norte-americano não gosta de empate. Talvez até seja verdade, mas a possibilidade de partidas/lutas terminarem em igualdade não impede que futebol americano, hóquei sobre o gelo e boxe sejam modalidades populares em terras ianques. De qualquer forma, os dirigentes tinham consciência que não seria possível rivalizar com as ligas européias em dinheiro (e, como conseqüência, em estrelas). Por isso, se concentraram em trazer do velho Mundo apenas jogadores sem espaço em seu continente ou em fim de carreira, como Stoitchkov. A base da MLS sempre foram os latino-americanos – o boliviano Etcheverry e o colombiano Valderrama fizeram história na liga –, fundamentais para trazer os hispânicos já afeitos ao esporte, e os próprios norte-americanos. E, por “norte-americanos”, entenda negros, brancos e hispânicos. O nível técnico nunca foi dos melhores (ou é possível dar muito crédito a um campeonato que consagrou Etcheverry ou o salvadorenho Cienfuegos?), até porque nunca houve grandes empecilhos para que os norte-americanos de maior destaque migrassem para o futebol europeu. Ainda assim, a MLS conseguiu enraizar o esporte. A média de público era apenas regular se comparada com a NASL, porém, não era artificial e indicava o real nível de aceitação dos norte-americanos pelo soccer.
Hoje, a evolução da seleção dos Estados Unidos é conseqüência direta dessa medida. Com a possibilidade de disputarem um campeonato estável e competitivo, talentos como Landon Donovan (foto) puderam ser mais bem trabalhados. Com referências (ídolos) locais, o futebol se incorporou ainda mais no dia-a-dia dos estadunidenses. Tendência que deve ficar ainda mais forte com o aparecimento do adolescente prodígio Freddy Adu, de apenas 15 anos e já defendendo o DC United. Claro, houve os passos em falso. Após a segunda temporada, foi promovida uma primeira expansão. Aos 10 integrantes originais – Los Angeles Galaxy, DC United, New York/New Jersey Metrostars, Columbus Crew, Tampa Bay Mutiny, San Jose Clash, Kansas City Wizards, Colorado Rapids, New England Revolution e Dallas Burn – se juntaram mais dois: Miami Fusion e Chicago Fire. Não demorou muito para que ficasse evidente a precipitação, que a MLS ainda não suportava mais de 10 equipes. Assim, duas temporadas depois, duas franquias foram fechadas: o Miami Fusion e o Tampa Bay Mutiny (ambas da Flórida). Vale lembrar que, ciente da dificuldade de encontrar investidores, a liga era proprietária de todas as franquias no início de suas atividades. Com isso, poderia gerenciar as equipes de forma que houvesse equilíbrio (afinal, os jogadores também tinham contrato com a MLS, não com os times) e controlar a saúde financeira de todos. Mas a liga aprendeu com o erro e adiou uma nova expansão até ter certeza que o futebol conquistara um público próprio. Foi se desfazendo das franquias (já nas mãos de empresários, por mais que os contratos dos jogadores ainda sejam da MLS) até o número de investidores no futebol/soccer se mostrar consistente. É bem verdade que metade das equipes atuais pertencem à mesma empresa, a Anschutz Entertainment.
Outro passo importante, um sinal de que o futebol realmente se estabeleceu na nação mais rica do mundo, foi a construção do estádio Columbus Crew (foto) em 1999, o primeiro projetado especialmente para receber partidas de futebol (até então, o costume era utilizar estádios de futebol americano). Afinal, com aquela edificação, o futebol já tinha instalações físicas, algo muito mais sólido e palpável. Aos poucos, outras cidades também ergueram seus estádios próprios. O principal é o Home Depot Center, de Los Angeles, casa do Los Angeles Galaxy e sede da final da Copa do Mundo de futebol feminino em 2003. A decisão de ampliar para 12 equipes foi anunciada com grande antecedência. Já não era mais possível manter uma liga tão enxuta, pois a repetição de confrontos e a falta de cobertura territorial é notória. O primeiro interessado em uma franquia foi o mexicano Jorge Vergara, proprietário do Chivas Guadalajara e do Saprissa, da Costa Rica. A idéia era ousada: criar uma filial ianque de seu clube mexicano. Com isso, atrairia os torcedores do Chivas que imigraram para os Estados Unidos e traria um fato realmente novo à liga. O problema era escolher a cidade. Claro que seria ao sul, onde a comunidade hispânica é maior. Falou-se muito em Houston, no Texas, mas a escolha deve ser Los Angeles, Califórnia. Assim, o Chivas USA (nome da equipe) dividiria o Home Depot Center com o Galaxy, criando a primeira rivalidade regional da MLS (algo visto com bons olhos pelos dirigentes da entidade).
O projeto do Chivas USA está adiantado, o que traz boas perspectivas para a próxima temporada da MLS. Ramón Ramírez, ex-meia da seleção mexicana e atualmente na matriz, já está praticamente confirmado como integrante do elenco da filial em 2005. Outro destaque é o atacante Palencia (foto), ex-Cruz Azul e Espanyol e ainda na seleção do México. O provável técnico é o holandês Hans Westerhof, que cedeu sua vaga no Chivas original ao ex-meia Galindo mas ainda tem contrato em vigor. Prova de que Vergara pode até deixar o clube mexicano de lado para priorizar o norte-americano. Na semana passada, David Checketts conseguiu a outra franquia, a ser sediada em Salt Lake City, capital de Utah (estado do Meio-Oeste, região cujo único representante na liga é o Colorado Rapids). O plano da equipe não está tão definido quanto o do Chivas USA, mas o fato de ser liderado por alguém com experiência em esportes – Checketts foi presidente do New York Knicks e do Utah Jazz – é significativo. O objetivo é se espelhar no time de basquete da cidade, que veio de Nova Orleans (por isso o nome “Jazz”) em 1979 com desconfiança, mas conseguiu se consolidar, mesmo em um mercado menor. Uma vantagem de Salt Lake City é que só tem uma franquia em ligas profissionais, reduzindo a concorrência. Nos primeiros dois ou três anos, o time jogará no estádio Rice-Eccles, da Universidade de Utah. Depois desse período, o empresário espera já ter viabilizado a construção de um estádio para o futebol. Dessa vez, parece que o crescimento é definitivo e deixa a MLS otimista. Tanto que já se pensa em nova expansão para 2006. Entre as cidades candidatas estão Seattle, Cleveland, Filadélfia, San Antonio, Houston, Atlanta, Portland, Fênix e Minneapolis. *
Há bons jogadores e não deve demorar para os Estados Unidos terem uma seleção realmente forte. Porém, por mais que a MLS ganhe espaço, ainda falta muito para os Estados Unidos se tornarem uma potência futebolística em campo a ponto de lutarem por títulos em Copas. *
Já se falou em uma fusão da MLS com a Primeira Divisão mexicana. O sucesso do Chivas USA pode ajudar a viabilizar isso, mas tem cheiro de boato. Ubiratan Leal Imagens: Cyber Soccer News, Whitecaps e CNNSI Posted by ubiraleal at 04:12 AM julho 16, 2004 Uma crise mais sentida que a da Fiorentina
É difícil comparar paixões futebolísticas, até porque cada torcedor considera sua quase-crença mais forte do que qualquer uma. Ainda assim, dá para dizer que a Itália pode ver, hoje (16 de julho), uma falência mais sentida que a da Fiorentina em 2002. Agora, quem pode fechar ou ser rebaixado administrativamente é o Napoli. O clube com a quinta maior torcida da Itália e um orgulho sulista na eterna briga com o norte. Apesar de só terem estourado agora, os problemas napolitanos se desenharam gradualmente. A crise financeira atinge o clube há vários anos, desde o fim da era Maradona. Por um tempo, o clube até conseguiu se manter dignamente na Série A. Até que não foi mais possível contratar jogadores de nome para maquiar a situação, nem manter uma equipe mediana. Em 1998, os campanos foram rebaixados com uma campanha patética: 14 pontos em 34 partidas. Ficaram duas temporadas na Série B, mas conseguiram reestruturar a equipe (financeiramente a draga continuava) e subiram à elite. Mas o Napoli não era mais o mesmo. A campanha foi péssima e o clube esteve sempre entre os últimos. Em uma tentativa desesperada de se reerguer, o presidente do clube Corrado Ferlaino (o mesmo da época gloriosa de Maradona e Careca) contratou Edmundo com um dinheiro que não tinha. Afundou ainda mais as finanças do clube e o ex-vascaíno pouco fez para evitar mais um rebaixamento. Esse, sim, definitivo.
Desde então, o time está perdido em algum lugar da duríssima Segunda Divisão da Itália. Na primeira temporada, houve um investimento relativamente vultoso para uma volta rápida à elite, mas um empate com a Reggina em casa, diante de 70 mil torcedores, acabou com as hipóteses campanas. Claro, um clube com a grandeza do Napoli não consegue ficar tanto tempo nessa situação sem sentir conseqüências financeiras. Houve mudança de direção, com a chegada de Salvatore Naldi, mas nada adiantou. Em 2003, os azzurri quase foram rebaixados. Ficaram um ponto à frente do rebaixado Catania. Porém, os sicilianos ganharam dois pontos na Justiça, obrigando Napoli e Venezia a disputarem um jogo-desempate. Instalou-se uma grande confusão que resultou no não-rebaixamento de três times (Catania, Genoa e Salernitana) e no resgate de outro (a Florentia Viola/Fiorentina). De qualquer forma, já era possível ver como o Napoli se aproximava mais da Serie C1 do que da A, tendência confirmada na temporada 2003-04. Nessa última, pelo menos, a salvezza foi atingida com mais tranqüilidade. O que não foi suficiente para aliviar a gravíssima situação financeira. No ano da confusão (2003), os partenopei já tiveram sua inscrição arriscada. É importante dizer que a saúde financeira de um clube europeu (onde a coisa é mais séria, mesmo na bagunça que virou o futebol italiano) não é medida apenas pelas dívidas, mas também pela liquidez do patrimônio, pendências trabalhistas e outros itens. E, nesse ponto, a posição dos napolitanos é muito pior que de Lazio e Roma, só para citar duas equipes com notórios problemas de caixa.
Até que chegamos ao verão de 2004. A dívida é monstruosa, em torno de € 67 milhões, € 30 milhões apenas em impostos atrasados. Naldi (foto) tentou recapitalizar o clube, buscando investidores, já que ele mesmo já gastara muito (€ 60 milhões, entre compra, contratações e pagamento de dívidas) e não conseguira tirar o Napoli do vermelho. Em vão. Sem encontrar alternativas, o presidente anunciou que sua retirada do clube em 22 de junho. A administração do Napoli ficou nas mãos de Paolo Bellamio, cuja principal função foi buscar empresários, investidores ou qualquer cidadão que resolvesse bancar a sobrevivência do Napoli. Para se ter uma idéia da situação, o clube tem de atacar em duas frentes. Na Lega Calcio e na Federcalcio (federação italiana), o principal problema são os salários atrasados com os jogadores. Sem algo que comprove a quitação dessas dívidas, o clube tem sua inscrição negada pela liga e é rebaixado administrativamente para a Serie C1. No TAR (Tribunal Regional) de Nápoles, os dirigentes têm de evitar que a falência seja decretada, o que poderia resultar até no fim das atividades do clube (como ocorreu com a Fiorentina). Um grupo de investidores surgiu com a intenção de sanear o clube. Ao mesmo tempo, apareceu o sempre barulhento e inconveniente Luciano Gaucci, já proprietário de duas equipes da Serie B, Catania (coincidência, não?) e Perugia. Infelizmente para o Napoli, os tais investidores desistiram e Bellamio acertou o aluguel (isso mesmo, aluguel, com possibilidade de compra para o futuro) do clube para Gaucci.
Como sempre, o novo presidente napolitano (foto) começou a criar confusão. Disse que pessoas (sem declaram quem seriam essas) queriam a falência do maior clube do sul da Itália. Apareceu com um plano de pagamento das dívidas em longo prazo: € 5 milhões por ano até 2009, quando desembolsaria mais € 21 milhões para comprar o Napoli. Seria suficiente para, pelo menos, garantir a inscrição dos azzurri nessa temporada. No entanto, a procuradoria de Nápoles não ficou convencida com as garantias bancárias apresentadas pelo novo presidente. Além disso, o aluguel não foi aprovado pela Federcalcio. Em 12 de junho, Gaucci afirmou ter enviado um fax, no qual garantiria a quitação das dívidas com jogadores em poucos dias, à sede da Lega Calcio. O dinheiro (€ 6,12 milhões) teria vindo de um grupo de empresários liderados por Enzo Ianucci e Nicola Oddati. No entanto, Adriano Galliani, presidente da liga, afirmou que ninguém teria visto tal documento. Se os napolitanos precisarem de uma prorrogação terão de contar com a aprovação da Federcalcio e do Covisoc (Commissione di Vigilanza sulle Società, entidade ligada à federação que controla a situação financeira dos clubes italianos de futebol profissional), pois a liga diz que sua participação no caso já foi encerrada. Hoje, o Tribunal de Nápoles dará seu veredicto no processo de falência. A situação do clube não é boa e, ao que parece, o futuro mais provável é o rebaixamento. Enquanto isso, já tenta se definir que Napoli disputará a Serie B se as medidas de Gaucci forem bem-sucedidas. Tudo indica que o técnico seria Serse Cosmi, que estava no Perugia nas últimas três temporadas. Nada mal para quem quase foi rebaixado para a Terceira Divisão dentro do campo e ainda luta fora. Independentemente da preferência clubística de cada um (se é que os leitores brasileiros têm preferência clubística na Itália), é triste ver o Napoli nessa situação. Os azzurri sempre foram um dos orgulhos do sul da Itália, uma forma de mostrar força diante do poderoso e insolente norte. É quase como uma versão italiana do Barcelona. E, justamente no ano em que os sulistas conseguem recuperar espaço na Serie A (Lecce e Reggina se salvaram, enquanto Cagliari, Messina e Palermo subiram), o maior símbolo do futebol de toda essa região pode deixar de existir.
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ATUALIZAÇÃO 30/07 Ubiratan Leal Imagens: La Repubblica, RAI e CalcioNapoliNet Posted by ubiraleal at 03:34 AM julho 05, 2004 Grupo C
Após a vexatória participação em 2001, quando pareceu querer apenas evitar derrotas por WO e acabou eliminado por Honduras, o Brasil volta a ser visto como favorito ao título da Copa América. O principal motivo é que, como a Argentina, não está encarando a competição como aberração do calendário, mas como uma real possibilidade de conhecer ainda mais as possibilidades técnicas dos jogadores brasileiros. Aliás, essa foi a maior virtude da convocação de Carlos Alberto Parreira. Já que não poderia contar com nomes como Ronaldo, Ronaldinho, Kaká, Dida e Roberto Carlos, o técnico tratou de chamar jogadores que brigam realmente por uma vaga na seleção, mesmo que seja no banco de reservas. Não é mais um grupo improvisado com nomes que nunca terão chances efetivas na seleção. O Brasil levará 22 bons jogadores, que têm a motivação de se estabelecerem entre os convocados para as eliminatórias e, em alguns casos, se apresentarem como futuros titulares de uma equipe com alguns jogadores eternizados, como Cafu e Roberto Carlos, mas que estão envelhecendo e que podem encerrar seus ciclos na Copa de 2006. Mas a característica dessa convocação dificulta a definição prévia dos 11 titulares. No gol, Júlio César parece ter a preferência do treinador. Apesar de ainda falhar em alguns momentos, está em boa fase e é apontado como a principal promessa brasileira para a posição (até porque Dida, Rogério Ceni e Marcos têm a mesma idade). Na lateral, Mancini merece uma oportunidade pela temporada que fez na Roma em 2004. É verdade que ele atua como meia na equipe giallorossa, mas o mesmo sempre ocorreu com Cafu e isso nunca foi visto como problema. Bastante atenção deve receber a dupla de zaga, até porque a titular (Lúcio e Roque Júnior) está longe de ser convincente e a torcida clama pelo surgimento de bons zagueiros nessa nova geração. Juan e Luisão devem ter mais espaço e até podem começar a ganhar vaga no 11 titular dos próximos anos. Bordon até pode surpreender, mas deve ser visto como quarta opção, já que a comissão técnica parece confiar bastante no violento Cris (que, vale salientar, está suspenso pelo STJD e só joga devido a um efeito suspensivo). Na lateral-esquerda, duas novidades. O voluntarioso Gustavo Nery ganha uma oportunidade algo tardia, mas pode surpreender por apoiar e marcar com eficiência. Inclusive, pode também atuar no meio-campo. Adriano só foi convocado pela contusão de Gilberto. É rápido e habilidoso, mas muito jovem. Deve apenas ser observado. O meio-campo conta com um quarteto de volantes técnicos, algo raro. Edu, do Arsenal, deve ser titular, pois tem ganhado crédito com Parreira nos últimos meses. Renato poderia exercer uma função semelhante no lado direito, mas caiu de rendimento e pode ficar no banco. Dudu Cearense estava sumido no Japão, mas pode ter um lugar no time por ser o mais marcador dos meias. Kléberson tem a experiência de quem foi titular na vitoriosa campanha da Copa de 2002, mas teve uma temporada muito ruim pelo Manchester United. Até por isso foi convocado para a Copa América, como uma forma de Parreira ver de perto o que se passa com o ex-Atlético-PR.
Em teoria, Parreira arma suas equipes em um 4-4-2 que, no fundo, é um 4-2-2-2, com um meio-campo composto por dois volantes e dois meias de armação. No entanto, não se surpreenda se o Brasil entrar em campo com três volantes, um mais atrás, dois mais abertos e um armador único. É mais ou menos o esquema que tem sido utilizado por ele nas Eliminatórias. Se for assim, esse criador é Alex. Inteligente, sabe lançar, cruzar e finalizar. E destoou da má fase do Cruzeiro no primeiro semestre de 2004. Perfeito para as necessidades da posição. Caso o técnico opte por um segundo meia, esse deve ser Diego. Ele tem a virtude de ser o único meia entre os selecionáveis (Ricardinho não está mais nesse grupo) que tem como característica o cadenciamento do jogo, centralizando a armação e trocando passes até achar uma brecha. Até por isso, experimentar o santista pode ser muito importante para as Eliminatórias, pois pode representar uma variação de jogada em um setor de criação notadamente de penetração (Kaká e Ronaldinho Gaúcho). Com as mesmas chances de Diego está Júlio Baptista. O ex-são-paulino não arma tão bem, mas combate na intermediária, vem de trás e aparece no ataque com desenvoltura, surpreendendo as defesas adversárias. Sem contar que está em uma fase iluminada. Felipe, que passa por um período de instabilidade após o ótimo início de ano, deve ser reserva de Alex. No ataque, a dupla preferida é Luis Fabiano e Adriano. Os dois têm as mesmas características, o que poderia rsultar em redundância tática. Mas Parreira parece buscar uma formação que absorva isso, ao escalar Luís Fabiano e Ronaldo nos jogos contra Argentina e Chile pelas Eliminatórias. É importante salientar que, nessas duas partidas, um dos centroavantes não achou espaço em campo. O que não deve mudar a opinião do técnico. Uma opção de mudança seria a utilização de Vágner Love, mais leve e rápido e igualmente oportunista. Mas como essa é a primeira aparição do (ex-?) palmeirense na seleção, ele só será titular se a dupla Luís Fabiano-Adriano mostrar incompatibilidade definitiva. Ou seja, só a partir da segunda ou terceira partida. Ricardo Oliveira teve uma temporada de regular para boa e deve ficar no banco como opção até segunda ordem.
É possível ver como há uma certa homogeneidade na seleção brasileira, o que ajuda a compensar uma eventual falta de entrosamento e experiência. E talvez seja importante ficar atento, pois o Brasil terá um adversário perigoso na primeira fase. O Paraguai se estabilizou como terceira força da América do Sul nos últimos 8 anos. Com um jogo baseado em uma defesa extremamente constante, os guaranis dificilmente são batidos. Mesmo que o ataque tenha crônicos problemas. Apontar os destaques paraguaios é cair em uma certa redundância. No gol, Villar mostra que não há motivos para os guaranis insistirem com Chilavert. Para protegê-lo, Gamarra continua com seu posicionamento quase perfeito no comando da zaga. No meio-campo, o experiente Paredes (Reggina-ITA) serve de referência, justamente o que falta no ataque, órfão de Roque Santa Cruz e José Saturnino Cardozo, que forma poupados. A chave da campanha paraguaia na Copa América está não está nas estrelas, mas no resto do time. Nas Eliminatórias, a seleção albirroja peca pela elevada média de idade dos principais jogadores, como os já citados Gamarra, Paredes e Cardozo, além do lateral-direito Arce. Isso não será visto em gramados peruanos. O Paraguai vai com um misto entre a seleção principal e a olímpica, o que pode servir como ensaio de um processo de renovação, mas tem o objetivo imediato de preparar o time que disputará uma medalha em Atenas. Até o técnico foi trocado. Carlos Jara, comandante no Pré-Olímpico, cuidará a equipe na Copa América. O treinador principal, Aníbal Ruiz, ficará como observador. Por isso, há uma série de jovens jogadores como os meias Figueredo e Edgar Barreto, o atacante Haedo e o defensor Esquivel. No Pré-Olímpico, eles ajudaram a desclassificar o Brasil. Resta saber se terão o bom desempenho entre os profissionais.
Com um Paraguai se transformando em uma pequena incógnita, seria a chance de o Chile lutar pelo segundo lugar no grupo. No entanto, la roja faz parte da lista de seleções que preferiram poupar seus principais jogadores para ter força nas Eliminatórias (onde, a bem da verdade, os chilenos estão bem). Assim, a equipe não contará com alguns jogadores que atuam fora do país, como Marcelo Salas, David Pizarro, Navia, Pinilla, Maldonado e Tapia. A esperança chilena de uma boa campanha está nos bons jogadores que sobraram, como os meias Mirosevic, Acuña e Meléndez (todos em clubes argentinos) e a defesa composta por Fuentes, Pérez e Olarra. No ataque, la roja conta com os gols de Galaz, atacante de 28 anos com bastante destaque no campeonato local, e González, do Atlante, do México. De resto, o Chile contará com uma série de jovens – alguns desses entre os que fracassaram no Pré-Olímpico disputado em casa – e de jogadores que atuam no país. A não ser que algo de muito surpreendente ocorra, os chilenos podem, no máximo, brigar para ficar entre os melhores terceiros colocados e ter uma vaga nas quartas-de-final. A partir daí, já fica difícil apostar na roja.
A situação chilena só não é mais complicada porque a Costa Rica também não convocou seus principais jogadores. Em princípio, isso pode parecer capricho bobo, mas a seleção principal dos centro-americanos não é de se jogar fora, com nomes de relativo destaque na Europa como Winston Parks (Udinese-ITA), Martínez (Brescia-ITA) e Wanchope (Manchester City-ING). Tanto que, na Copa de 2002, os Ticos só não se classificaram para a segunda fase porque não conseguiram transformar o domínio na partida contra a Turquia em vitória, caindo no saldo de gols. Para se ter uma idéia, o técnico norte-americano Steve Sampson foi obrigado a convocar 21 jogadores que atuam na liga costarriquenha. Apenas o atacante Ronald Gómez atua fora do país. Está no Irapuato, do México. Assim, a base dos ticos é o Herediano, que cedeu sete jogadores. A seguir vem o Saprissa (autal campeão de clubes da Concacaf), com seis, e o Alajuelense, com cinco. Por isso, não se deve esperar muito da Costa Rica. A seleção só costuma atuar bem em jogos importantes, fazendo campanhas discretas em outros torneios, como a Copa América ou a Copa Ouro. Atualmente, o principal objetivo dos costarriquenhos, assim como dos paraguaios, são os Jogos Olímpicos de Atenas. Ubiratan Leal Imagens: Terra, Fútbol Peruano, Albirroja e Univisión Voltar à página de apresentação da Copa América 2004 Posted by ubiraleal at 03:13 AM Grupo B
O técnico da seleção brasileira, Carlos Alberto Parreira, declarou que a Argentina é a maior favorita ao título da Copa América. Ele se baseia no fato de os platinos irem ao Peru com sua equipe principal, ao contrário do Brasil, que está com uma espécie de time B. Foi a senha para os brasileiros (torcedores e jornalistas) repetirem isso sem refletir. Então, é importante salientar que a Argentina não está com a equipe titular, e sim, com um time misto. É suficiente para deixar os favoritos como um dos favoritos, mas não de forma tão destacada como o técnico brasileiro espertamente quis pintar (claro, tirando a responsabilidade de suas costas). Os desfalques argentinos não são desprezíveis. A lista conta com Samuel, Riquelme, Aimar, Crespo e Cambiasso. O primeiro foi poupado a pedido de seu novo clube, o Real Madrid. Os demais estão contundidos. Sem esses jogadores nenhuma seleção da Argentina pode ser chamada de titular. Ainda assim, a albiceleste foi ao Peru com o que de melhor restou. No gol, Cavallero e Abbondanzieri. Na defesa, Heinze, Ayala, Sorín e Zanetti. No meio-campo, Tévez, D’Alessandro e Lucho González. No ataque, Saviola, Luciano Figueroa e César Delgado. É um grupo mais que respeitável, que, se bem armado, pode disputar com dignidade qualquer torneio no mundo. E é esse o ponto-chave da campanha Argentina: armar a equipe. O técnico Marcelo Bielsa teve de desmontar todo o time que fracassou na Copa de 2002 devido à idade dos atletas. Por isso, tenta implementar um processo de renovação. O problema é que ainda não encontrou o toque certo desse time. Ignorando os pedidos da torcida local, tem dado pouco espaço a D’Alessandro e Tévez. Também peca por não definir completamente quais os titulares. Fica evidente que “El Loco” precisa de tempo para refazer a Argentina. A Copa América lhe dará esse tempo. Bielsa poderá treinar os jogadores por duas semanas pelo menos, período que aumentará à medida que os platinos avançarem na competição. Ou seja, dessa vez, a Argentina não fará apenas número na Copa América. Como o Brasil, o objetivo principal não é o título, mas organizar a equipe para as Eliminatórias e, se possível, descobrir algum jogador novo. Já é alguma coisa.
Porém, é bom para os argentinos que se descubra logo a formação ideal, pois está em um grupo cheio de armadilhas, provavelmente o mais forte da competição. O adversário mais complicado nessa etapa é o México. Os aztecas estão com sua equipe principal e, desde que foram convidados a participar do torneio sul-americano, em 1993, sempre passaram de fase. A experiência é a principal virtude mexicana. O time-base é composto por jogadores conhecidos como Óscar Pérez, Rafael Márquez, Carmona, Suárez, Torrado, Pardo, Borgetti e Palencia. A maior ausência é o artilheiro Cuahtemoc Blanco, suspenso pela Conmebol por participar diretamente do tumulto após América x São Caetano, pelas oitavas-de-final da Libertadores. Para o México, a Copa América também tem uma importância estratégica. O técnico argentino Ricardo Lavolpe (reserva de Fillol na vitoriosa campanha platina no Mundial de 1978) precisa de competições como essa para consolidar a seleção azteca. Na Copa Ouro, os brasileiros puderam ver como o México estava instável. Depois disso, a seleção da América do Norte só teve amistosos e jogos insignificantes contra Dominica pelas Eliminatórias para a Copa de 2006. Apesar de a classificação para o Mundial ser provável, os mexicanos não querem tomar os sustos de 2001, quando só garantiram a vaga na última rodada. No torneio peruano, o ponto fraco dos aztecas será a defesa. Óscar Pérez é daqueles goleiros que adoram aparecer, mas variam defesas espetaculares com falhas absurdas. Márquez e Suárez formariam uma zaga sólida em condições normais. No entanto, já não se pode cobrar muito do segundo, com 35 anos e recordista mundial de partidas por uma seleção nacional. O primeiro, defensor do Barcelona, é cotado para integrar a seleção que os mexicanos levarão às Olimpíadas de Atenas em agosto, e pode ser poupado.
Quem pode surpreender por ir ao Peru com a equipe já montada é o Equador. Excetuando o artilheiro Kaviedes e o goleiro Cevallos, o técnico colombiano Hernán Dario Gómez convocou a equipe principal do país, a mesma que vem reagindo nas Eliminatórias sul-americanas. Não há talentos em profusão, mas o conjunto pode compensar. Como sempre, a referência do time é o meio-campista Aguinaga. Com 35 anos, essa será a oitava Copa América do jogador da LDU Quito. Além dele, os equatorianos contam com a relativa solidez da defesa formada por De la Cruz, Ivan Hurtado, Reasco e Espinoza. Na frente, Delgado é o responsável pelos gols, enquanto que o jovem Salas, de 22 anos, pode surgir como revelação na vaga aberta por Kaviedes. Em um grupo tão forte (todas as seleções estiveram na Copa do Mundo de 2002), as chances do Equador ficam menores. No entanto, um bom resultado pode ser suficiente para classificar a seleção tricolor.
Os resultados recentes colocam o Uruguai como equipe mais fraca do grupo. Mas, por mais que parte da imprensa brasileira adore decretar o buraco total do futebol charrua, é preciso alguma cautela com a seleção que divide com a Argentina o maior número de títulos sul-americanos. Analisando as derrotas orientais para Venezuela, Peru e Colômbia nas Eliminatórias fica claro que o time está perdido. Confundiu o ofensivismo do ex-treinador Carrasco com irresponsabilidade defensiva e não se remontou moralmente, mesmo com a troca de técnico. Mas há futuro para os cisplatinos. A Celeste Olímpica tem talentos como poucas no continente. E, mesmo com as ausências de Chevantón, Recoba, Pandiani, Guigou e o goleiro Munúa, ainda há espaço para bons jogadores como o goleiro Carini, o defensor Darío Rodríguez e os atacantes Forlán, Morales e Darío Silva. Como o competente técnico Jorge Fossati terá tempo para treinar o grupo, não é improvável que o Uruguai finalmente mostre algum jogo coletivo. Se isso ocorrer, pode buscar uma das vagas em disputa. Ubiratan Leal Imagens: Terra, El Salvador.com, ESPN Deportes e BBC Sport Voltar à página de apresentação da Copa América 2004 Posted by ubiraleal at 02:49 AM Grupo A
Como a Copa América não é prioridade de quase nenhuma equipe sul-americana, o país-sede sempre deve estar na lista de candidatos ao título. Até porque é o único que joga com real vontade de vencer. No caso do Peru, esse favoritismo é acentuado ainda mais na primeira fase, pois o sorteio lhe foi extremamente favorável e o governo local – como já fizera o colombiano nem 2001 – quer capitalizar politicamente com o torneio. Ainda assim, em campo o Peru tem suas qualidades. A dupla de ataque é extremamente perigosa, com o rápido Mendoza, do Brugges, da Bélgica, e o oportunista Pizarro do Bayern de Munique. Ambos serão alimentados pelos inteligentes Solano (do Aston Villa, da Inglaterra) e Palacios (Monarcas Morelia, do México). Na defesa, o Peru é um time apenas regular, com goleiros não muito confiáveis e zagueiros medianos em comparação com a média sul-americana. O problema está na instabilidade das estrelas da equipe, o que se reflete no resto do time. Os resultados nas Eliminatórias são sintomáticos, com um empate contra o Brasil em Lima (1x1) e derrota, também em casa, para a Colômbia (0x2). Tanto que a posição dos incas no qualificatório para o Mundial não é das melhores. De qualquer forma, o técnico brasileiro Paulo Autuori tem seus méritos. Por menos confiável que seja a seleção peruana, há um padrão de jogo. A ponto de os peruanos mais exaltados dizerem que essa é a melhor seleção do país desde o fim da geração de Teófilo Cubillas, Miflin e Chumpitaz na década de 1970. Pode ser exagero, mas pode fazer sentido, pois o Peru pouco fez depois de 1982, quando disputou sua última Copa do Mundo. Desde então, o maior orgulho dos incas foi a conquista da Copa Sul-Americana de 2003 pelo Cienciano. Com uma equipe discreta e sem estrelas, os imperiais passaram por Santos, Atlético Nacional de Medellín (Colômbia) e River Plate para levar o primeiro título continental de clubes para o país. Por isso, a torcida usa o feito do clube de Cuzco como espelho, um sinal de que o futebol do Peru pode bater as potências do continente e repetir o título de 1939 e 1975.
Apontar a segunda seleção mais forte do grupo é algo arriscado. De qualquer forma, abusando um pouco da ousadia, é possível considerar a Venezuela como principal candidata à segunda vaga automática. Além de atuar com a sua formação principal, os vinotintos têm um retrospecto recente extremamente positivo contra seus adversários diretos, sobretudo a vizinha Colômbia. Individualmente, os principais destaques venezuelanos estão no ataque, com Rondón, recém-contratado pelo São Paulo, e Massimo Margiotta, do Vicenza, que disputou os Jogos Olímpicos de Sydney pela Itália, mas decidiu defender a seleção do país onde nasceu entre os profissionais. Mas as investidas venezuelanas costumam contar com a ajuda dos meias Urdaneta e Arango, apelidado de Arangol pela torcida vinotino. No meio-campo, o jogo se concentra com Mea Vitali, revelação do Caracas e capitão da seleção pré-olímpica. Na defesa, atenção com o goleiro Angelucci, ex-San Lorenzo da Argentina, e o miolo de zaga com Cichero, do Nacional de Montevidéu, e Hernández, do Dundee, da Escócia. Ainda assim, a maior qualidade da Venezuela é o conjunto. A equipe joga de forma compacta, com marcação eficiente e constante troca de passes. Nada que exceda no brilhantismo, mas é suficiente para compor um time que sabe se aproveitar das falhas do adversário. Uma prova disso foi a goleada sobre o Uruguai (3x0) no estádio Centenário, pelas Eliminatórias. E é importante salientar que tal conjunto, ao contrário do que muitos têm dito precipitadamente, pouco tem a ver com o fato de quase todos os venezuelanos atuarem juntos, na liga local. Até porque há muito de mito nessa afirmação. Dos 22 convocados pelo treinador Richard Paez, oito atuam no exterior, em países como Escócia, Itália, México, Uruguai e Suíça. Dos 14 restantes, os clubes que podem se considerar “base” da seleção venezuelana são Caracas e Universidad de Maracaibo, com cinco convocados cada. Parece bastante, mas a maior parte desses 10 atletas deverá ficar no banco.
Como já dito, apostar na Venezuela têm um grau relativamente alto de ousadia, pela falta de tradição do país e pela evolução vinotinto ainda ser um fenômeno recente e não completamente consolidado. Por isso, é recomendado aos mais conservadores uma aposta na Colômbia. Pode soar estranho falar isso, mas a Colômbia é a atual campeã sul-americana. É verdade que a Copa América de 2001 foi esvaziada, mas os colombianos venceram sem sofrer um gol sequer, um feito digno de nota. O problema é que o título não encobriu a decadência da seleção do país, em evidente processo de renovação. Isso pode ser sentido nas Eliminatórias, em que os colombianos começaram de forma patética, mas já reagiram e se aproximam da zona de classificação. A chave da mudança foi a saída do técnico Francisco Maturana, substituído por Reinaldo Rueda. Mais pragmático, Rueda foi capaz de organizar melhor a equipe coletivamente, aproveitando o surgimento de uma promissora geração, que levou três clubes do país às quartas-de-final da Libertadores de 2003 e o Once Caldas ao título continental em 2004. Mas, para evitar o que ocorreu em 2001, quando foi campeã da Copa América, mas não conseguiu sua vaga à Copa do Mundo de 2002, a Colômbia mudou suas prioridades. Ao invés de colocar seus principais jogadores em gramados peruanos, Rueda peferiu poupar estrelas como Ángel (Aston Villa), Iván Córdoba e Yepes. Assim, terá de contar com o extravagante goleiro Henao, o zagueiro Perea, o meia Patiño e o atacante Herrera.
Em princípio (após tantas surpresas nessa temporada, nada pode ser colocado como definitivo), equipe mais fraca do grupo é a Bolívia. Os andinos estão com sérias dificuldades para renovar a geração que levou o país à Copa de 94 e parecem só conseguir algo quando jogam na altitude. E nem isso pode ser visto como verdade absoluta, pois La Máquina Verde já perdeu em casa do Chile, feito inédito na história desse clássico cheio de rivalidade histórica. Para piorar a situação boliviana, o time terá os desfalques do lateral Gatti (contusão) e do prolífico atacante Castillo (suspenso por doping). A esperança fica nos gols de Botero e em que algo muito fora do comum ocorra. Como o grupo não é dos mais fortes, até dá para imaginar a Bolívia nas quartas-de-final. Algo além disso seria mais uma das zebras de 2004. Ubiratan Leal Imagens: Futbol Peruano, La Vinotinto e Bolivia.com Voltar à página de apresentação da Copa América 2004 Posted by ubiraleal at 01:57 AM Copa América 2004
Por ser realizada quase que simultaneamente à Eurocopa, a Copa América de 2004 não pôde evitar as comparações. E, vendo por esse aspecto, o principal torneio de seleções das Américas parece minúsculo e desimportante. Até porque a Conmebol e os próprios participantes não fazem muita questão de valorizar a Copa América. Mesmo assim, a edição desse ano pode ser a mais interessante dos últimos anos. Nunca houve tanto equilíbrio entre as seleções intermediárias da América do Sul e até Brasil e Argentina resolveram levar a competição (mais ou menos) a sério. Claro, não ache que as duas potências estarão com suas equipes principais. Mas, pelo simples fato de considerarem a Copa América como um importante campo para testar formações e jogadores, já dá para ver que o ânimo de brasileiros e argentinos será diferente do visto na Colômbia em 2001. Aliás, naquela edição a Argentina renunciou à sua vaga com medo do terrorismo, abrindo espaço para a surpreendente Honduras. O maior problema da Copa América é que a forma como o futebol sul-americano está organizado a torna uma competição incômoda, principalmente depois da criação das Eliminatórias em grupo único Essa fórmula rebaixou a Copa América, pois essa teve de se enfiar no meio dos três anos de apuramento para o Mundial, não serve mais para apontar a melhor seleção da América do Sul (afinal, agora há um torneio em pontos corridos com dois turnos) e nem atrai tanto público. Uma mostra desse redimensionamento da Copa América pôde ser visto no Lance a + dessa semana. A revista compara os números de três competições continentais de seleções e chega à conclusão que a Copa América está muito mais próxima à Copa Africana de Nações do que da Eurocopa. Não dá para tirar uma certa razão da reportagem. Mas, claro, é importante considerar algumas coisas. A América do Sul é maior que a Europa e tem uma população mais pobre. Com isso, a Copa América nunca atrairá tantos turistas quanto a Eurocopa. O torcedor sul-americano médio não tem dinheiro para atravessar o continente de avião para ver sua seleção. A falta de organização também ajuda. O Peru é um país de inegáveis atrações turísticas, contando com floresta tropical, deserto, montanha, ruínas históricas e praia. Mas a campanha de turismo ligando o país à Copa América é pobre se comparada com a feita pelos portugueses.
É de se lamentar, pois um lado positivo da Copa América é o de incentivar a reforma (mesmo que modesta) de vários estádios no paíse-sede. Se não fosse a competição continental, os estádios de cidades como Tacna, Arequipa, Trujillo e Chiclayo dificilmente seriam adequados a jogos internacionais. O mesmo ocorreu no Uruguai em 95, na Bolívia em 97, no Paraguai em 99 e na Colômbia em 2001 (foto). Mas o que mais desvaloriza a Copa América é a banalização. Em geral, a competição é realizada a cada dois anos, o que convém financeiramente às federações locais, mas quebra a aura de “oportunidade única” que qualquer evento que segue o ciclo olímpico de quatro anos tem. Talvez fosse mais interessante organizar o torneio a cada quatro aos e buscar a compensação na valorização técnica e aumento de receitas de televisão e bilheteria. O curioso é que esse torneio organizado no Peru abriu a brecha para se corrigir o erro. Em princípio, essa Copa América seria realizada em 2003, mas os peruanos pediram mais um ano para realizar os preparativos. Com isso a Copa América coincidiu com a Eurocopa, o que deve ser visto como algo positivo por se afastar da Copa do Mundo. Bastava a próxima edição ser marcada para 2008. No entanto, a Conmebol voltará a organizar o torneio em anos ímpares, a partir de 2007, na Venezuela. Pena. A Copa América do Peru será vista por 130 países, mas não aproveitará isso como um marco para mudar sua imagem no mundo. Mostrar-se mais próxima da Eurocopa do que da Copa Africana. Clique no grupo para ver o perfil dos participantes da Copa América 2004 Ubiratan Leal Imagem: El Comercio Posted by ubiraleal at 01:42 AM junho 12, 2004 Grupo D
Pelo fato de ter três seleções de bom nível, esse grupo é considerado o mais perigoso da Euro 2004. Por isso, é até meio perigoso apontar qual a seleção com maior chance nessa chave. Os resultados obtidos desde o fim da Copa de 2002 – quando começou-se efetivamente a preparação para a Eurocopa – dão um ligeiro favoritismo à República Tcheca. Afinal, a seleção eslava tem craques, algum conjunto e, principalmente, vive uma fase melhor que seus oponentes. Por isso, não é delírio de comentarista desejoso de chocar o público dizer que a República Tcheca é uma das candidatas ao título da Eurocopa. Com um futebol técnico e ofensivo, aliam beleza plástica e competitividade de forma rara no futebol atual. Um sinal claro disso foi dado durante as Eliminatórias da Euro, quando os tchecos venceram uma e empataram a outra partida contra a Holanda, companheira de grupo também agora. A força tcheca está do meio de campo para frente. É nesse setor que joga Pavel Nedved, melhor jogador do mundo em 2003. Caindo pela esquerda, o articulador da Juventus sabe chamar a responsabilidade para si, conduzir a bola, armar e concluir. O problema é que, por imprimir intensidade e volume em seu jogo, Nedved depende bastante de suas condições físicas. E, em 2004, o meia teve queda de rendimento como boa parte do time bianconero. Sorte da República Tcheca que o juventino não está sozinho. Pela direita, Poborsky tem grande habilidade e técnica, apesar de ter uma indesejável instabilidade. De qualquer forma, é uma excelente opção pela direita, evitando que Nedved concentre todas as ações ofensivas tchecas. Ainda há Rosicky, menos brilhante que seus companheiros, mas capaz de organizar penetrações pelo meio. A dupla de ataque se notabiliza pela diversidade. Jan Koller, colega de Ewerthon no Borussia Dortmund, é alto e forte. Não tem habilidade, mas aproveita-se bem do tamanho para dominar as jogadas aéreas. Com características opostas, Milan Baros, do Liverpool, se destaca pela técnica e velocidade, podendo encostar no trio de meias para envolver a defesa adversária. Na distribuição de talentos pela equipe tcheca, a defesa claramente está em desvantagem em relação ao meio-campo e ao ataque. Destaque para o goleiro do Rennes, mas já vendido para o Chelsea, Petr Cech e o lateral-esquerdo Jankulovski, da Udinese. O maior problema está na zaga, com o inseguro Bolf e o ainda promissor Ujfalusi. Com essa equipe, o técnico Karel Brucker pode levar os eslavos longe nessa Euro. Se passar pelo difícil grupo na primeira fase, tem condições de bater os adversários do Grupo C, inclusive a Itália, nas quartas-de-final. Seria o caminho para a segunda final continental da República Tcheca, vice-campeã européia em 1996. A tradição ainda vai mais longe, com o título em 1976, ainda como Tchecoslováquia. Mas é importante ressaltar que, naquele time, a maioria dos jogadores era eslovaca.
Se o critério determinante para apontar a República Tcheca como favorita do grupo foi a fase atual, é coerente considerar a Holanda como segunda força. Os laranjas contam com um grupo mais forte que os tchecos, mas é difícil analisá-los se considerar grande a possibilidade de instabilidade no ambiente, acusações de racismo e, logicamente, brigas internas. Problemas que já implodiram a Holanda em vários torneios. A seleção laranja de 2004 não é a mais forte já vista, mas tem algumas virtudes inegáveis. A maior é sinalizar com uma nova e promissora geração, que começa a substituir a do início dos anos 90, campeoníssima pelo Ajax e pelos clubes para os quais se espalhou, mas que conseguiu apenas duas semifinais – na Copa de 98 e na Euro de 2000 – como melhores resultados pela seleção. Os melhores exemplos estão no meio-campo com Van der Vaart (21 anos), Van der Meyde (24), Sneijder (20) e Robben (também 20). Desses, apenas Van der Meyde atua fora da Holanda (está na Internazionale), mas os demais já são cobiçados por clubes de ligas mais ricas. Claro, escalar toda essa turma junta representaria um alto risco. Por isso, o setor é completado por atletas mais experientes, como o técnico e marcador Davids, revigorado após um excepcional final de temporada no Barcelona. Talvez também haja algum espaço para Overmars, Seedorf ou Cocu. No ataque, está o melhor jogador laranja, que, curiosamente, não faz parte da geração do início da década passada, mas também é um garoto: Ruud van Nistelrooy. Apesar de ter nascido exatamente no mesmo dia – 1º de julho de 1976 – de seu colega Kluivert, o centroavante do Manchester United se revelou com alguns anos de atraso, tanto que só estreou pela seleção laranja em 1998. Van Nistelrooy alia força física com velocidade e oportunismo. Conclui da forma que for possível: de fora da área, de cabeça, após arrancada imparável ou se posicionando na área para aproveitar uma sobra. O importante é que, realmente, ele sabe como botar a bola dentro de um gol e, ´pr isso, é a referência de qualquer investida do ataque holandês. Ainda é incerto se Van Nistelrooy terá algum companheiro. Durante as Eliminatórias, o técnico Dick Advocaat testou a formação com Kluivert, mas o resultado não foi satisfatório. O atacante do Barcelona está em uma fase nada feliz, com contusões e dúvida a respeito de sua melhor posição em campo (enfiado na área ou um pouco mais atrás, se aproximando dos meias). Uma alternativa seria Makaay. No entanto, o atacante tem estilo de jogo semelhante ao de Van Nistelrooy, o que poderia causar uma redundância tática. Ainda há Van Hooijdonk, do Fenerbahçe. Aos 34 anos, Van Hooijdonk se notabiliza pela experiência, liderança e cobranças de faltas precisas. Mas deve ficar como opção no banco. Como na Rep | |||||||||||