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Balípodo > Variedades

outubro 07, 2004

Logo depois do beco, o futebol australiano

Brisbane Strikers.jpg

Estava morando na Austrália e resolvi cometer o disparate de assistir a uma partida do futebol local. Não de futebol australiano (ou footy), mas um jogo da Primeira Divisão do Campeonato Australiano de futebol “normal”. E não foi algo de supetão. Havia programado de ir ao estádio uma semana antes do evento, mas o tempo ruim e o horário (19h de uma sexta) me deixaram na espera. Acessei a internet e li que o Brisbane Strikers receberia o Northern Spirit no sábado seguinte. Mais uma semana de espera.

Chegou o dia (só para os anais, 13 de dezembro de 2003). Peguei o trem com destino a Brisbane às 17h, pois o jogo só começaria às 19h. Tempo suficiente para chegar ao estádio. Quer dizer, isso se eu soubesse onde era o estádio. Pela indicação da internet, o trem passava por um lugar chamado Albion, nome que também estava presente ao lado do nome do estádio. Pensei: desembarco na estação Albion e saio perguntando.

Tudo estava correndo perfeitamente quando o trem passou pela estação central, Brunswick Street, imediatamente antes de Albion. Pois então ouço o motorista, ou maquinista, dizendo que tocaria direto para o aeroporto! E, por mais que eu me levantasse do meu banco em sinal de desespero e olhasse no mapa várias vezes, nada demoveu o driver da sua rota.

Enquanto o trem seguia para longe do tal estádio e o tempo passava, eu lembrei que havia visto um cara com uma camisa amarela e azul, parecida com a do Parma, desembarcar na estação central. Será que aquele cara estava indo ao estádio também? Lamentei-me, pois deveria ter perguntado ao cara antes de entrar no trem. Damn it! Mas, pensando bem, vai que o cara não estava indo. De repente, ele nem sabe o que é soccer ou quem são os Strikers e me indica algum clube de boliche.

O trem finalmente retornou e eu desembarquei na estação anterior a Albion, achando que teria que andar por vários minutos ate o estádio. Só que tempo eu já não tinha mais. Desembarquei do trem às 19h em ponto, pronto para correr. Na dúvida sobre perguntar sobre os Brisbane Strikers, perguntei ao driver onde era Perry Park, o estádio. “You just turn right at the end, mate”. Saí da estação e fui parar em um beco de fazer inveja àqueles de filme de Nova York. Pensei: “Fodeu! Não vou achar este estadio nem a pau e ainda posso ser assaltado”. Saio do beco e me deparo com o tal Perry Park! Incrível!

Os australianos sabem fazer as coisas, pensei. Vários carros estacionados, os holofotes acesos e uma galera ainda chegando. Diferentemente dos estádios no Brasil e acho que em qualquer outro lugar do mundo, na Austrália os estádios vagabundos (invariavelmente os de time de futebol) são quase totalmente abertos. Ou seja, é perfeitamente possível assistir ao jogo do lado de fora, sem pagar nada. Mas é claro que ninguém faz isso. Na verdade, eu vi um solitário voyeur, que deveria estar passando e foi ver o que era todo aquele agito.

O estádio também não tem divisão de área. Por AUD$ 10 (10 dólares australianos, equivalente a US$ 7) é possível sentar em qualquer setor. Aproveitando a deixa, fui direto às cadeiras, que na verdade eram bancos de concreto. Saquei meu caderno para fazer as anotações, como nos tempos de repórter. No início, tudo era motivo para uma tirada de sarro: “O técnico do time é o camisa 5, mas o capitão é o camisa 7!” ou “O sistema de som saúda o nascimento da filha do ponta-esquerda”. Mal sabia eu que a maior piada seria o jogo em si. Apiiiiita o árbitro!

Mesmo já sabendo que o jogo seria de doer, eu não conseguia conter os “nossas”, os “ohmygoods” e os risos fora de hora quando alguém dava alguma bisonhada. Vendo que o pessoal ao lado estava levando o jogo a sério, achei melhor ir pra parte de trás do gol e sentar na grama, no melhor estilo aussie. Já que a graça tinha passado e vi que os carrinhos, bicudas e divididas iriam continuar, tive que arrumar algo para me entreter: chips and coke. E assim passou o primeiro tempo.

No intervalo, comecei a reparar que havia algumas camisas da seleção brasileira, cinco, pelo que consegui contar. Só tinham mais os donos da casa, claro, o Liverpool do australiano Harry Kewell e o Leeds de também aussie Mark Viduka. Seguindo a tradição, mudei para o lado onde o Brisbane atacaria no segundo tempo.

Perry Park.jpg

Sem risco de briga de torcidas, como no Brasil, os australianos permitem que os torcedores entrem com o que bem entenderem no estádio. Por isso, não faltavam cadeiras de praia, isopor com cerveja e várias bolas. O jogo mais quente do intervalo estava rolando atrás do gol dos fundos (nem sei onde é a frente do estádio, mas em futebol sempre existe um gol dos fundos ou o gol da igreja).

Os times voltam do intervalo. O jogo principal recomeça, mas a gurizada continua a pelada atrás do gol durante mais alguns minutos. Na verdade, a pelada só terminou porque algum estraga-prazeres chutou a bola para dentro do gramado, forçando um segurança a encerrar a brincadeira.

O técnico e dublê de atacante se substituiu no intervalo e o Brisbane melhorou. Imagino o que passou na cabeça do técnico: “Melhor eu tirar este perna-de-pau de campo pois não está fazendo nada. Fulano, entra no meu lugar!” O futebol australiano segue o futebol inglês de cabo a rabo. O estilo de jogo, a torcida, as comemorações são bem diferentes do que nós, sul-americanos, estamos acostumados. Dei-me conta disso quando vi a galera aplaudindo cruzamento do meio-campo para a área. Se alguém fizer isso no Brasil é vaiado em um átimo.

Mesmo assim, existiam alguns bons jogadores em campo. O zagueiro e o lateral-esquerdo do Brisbane eram bem acima da média, algo bastante visível. Não é à toa que o primeiro gol saiu de um cruzamento da esquerda. Brisbane 1x0. Mas quando olho no placar, vejo que o jogo esta 1x1! Saiu um gol e eu não vi? E nem ouvi? Maldito chips and coke...

O gol de empate faz a charanga do Brisbane se acender. No melhor estilo de Caio Martins, uma corneta e uns batuques puxam musicas estilo “passou, passou, passou um avião...” enquanto do outro lado (que na verdade era ao meu lado) cinco torcedores do Northern Spirit respondem com um desanimado coro “Spirit... Spirit... Spirit give us a goal”. Reparei que os cinco torcedores do Spirit não estavam nem aí para o jogo quando um atacante me isolou a bola (o “me” é necessário para dar a devida ênfase ao lance) de cara com o gol e eles não moveram um cílio de espanto.

Suddenly, o Brisbane faz mais um e vira o jogo para loucura da torcida que lota as dependências do Perry Park! Pelo menos é o que diria um radialista brasileiro, floreando o fato de que apenas alguns dos 2 mil e tantos torcedores se levantaram pra comemorar o gol. Vai entender. No finalzinho, o Brisbane fez mais um e fechou o placar, 3x1.

Um pouco antes disso, o sistema de som havia avisado que todos eram obrigados a deixar o estádio até 15 minutos após o final da partida. Será que os aussies ficariam em um estádio vazio após um jogo, só pra “grab some few beers?” Sei lá. Como comemoração da vitória, o sistema de som puxa uma musica tipo “Go, Strikers” mas são poucos os que acompanham. Acredito que a maioria nem saiba a letra.

Enfim, voltei pelo beco até a estação e de lá pra Gold Coast. Pode não ter sido um dos melhores jogos que já fui, mas com certeza esta entre um dos mais divertidos. Ah, e o sujeito que eu havia visto desembarcar na estação central estava realmente indo ao estádio dos Strikers. Encontrei-o no trem de volta.

*

O jogo valeu pela 14ª rodada da primeira fase da liga australiana 2003-04. Ao final dessa etapa, o Brisbane ficou em 6º e conseguiu a última vaga para o mata-mata. Apenas com dois pontos a menos, em 7º (e desclassificado), terminou o Northern Spirit. Porém, o Brisbane não foi muito mais longe. Na busca de uma vaga nas semifinais, o clube perdeu por 3x0 para o Adelaide United na partida de ida e, mesmo com os 4x1 a favor em casa, ficou de fora por ter feito menos gols como visitante. O campeão foi o Perth Glory. Aliás, bicampeão.

*

Para quem se interessar, segue a ficha técnica do jogo:
Brisbane Strikers 3x1 Northern Spirit
14ª rodada da NSL

Local: Perry Park (Brisbane-AUS)
Público: 2.137
Árbitro: Angelo Nardi
Brisbane Strikers: Higgins; Dodd, Stefanutto, McCloughan, McLaren, Grierson, Fitzsimmons; Webber (Brownlie), Brain (Pilic), Rose (Hilton) e Morley
Northern Spirit: Henderson; Watts, O'Sullivan, Spencer, Tomasevic, MacAllister, Hutchinson, Groves (Kwasnik), Petrie, Baveas, Hunter (Fisher)
Gols: Kwasnik (1/2º), Morley (11/2º), Brownlie (37/2º) e Pilic (42/2º)
Cartões amarelos: Grierson, Brownlie e Fitzsimmons

Thiago Almada

Imagens: Spirit Fans e Shane Davis/Australian Stadiums


Posted by ubiraleal at 03:43 AM

julho 28, 2004

A construção do novo Wembley

Obras de Wembley.jpg

Do antigo estádio de Wembley, restou apenas o nome. Nem as torres gêmeas da entrada do estádio-templo sobreviveram. Por isso, foi necessária muita tecnologia, criatividade e coragem, para convencer os ingleses de que era preciso derrubar o maior símbolo do futebol inglês. Assim, os idealizadores do projeto estão construindo um novo marco no noroeste de Londres, uma edificação com 1 km de circunferência e um arco de 133 m de altura e cujo custo deve passar os R$ 4 bilhões.

O valor parece alto, mas é importante dizer que a preservação das torres, por exemplo, custaria £ 10 milhões (algo em torno de R$ 56 milhões). A solução encontrada foi criar algo que impressionasse: um arco suspenso que funcionasse como novo símbolo do estádio. E seus números impressionam: a estrutura pesa 1,6 t, tem uma extensão de 325 m, 7,4 m de diâmetro e 133 m de altura (100 m mais que as torres). Tão alto que a London Eye (famosa roda gigante da capital britânica) se encaixaria entre o arco e o gramado. Tão largo que um trem do Eurotunnel cabe dentro dele. Tão imponente que poderá ser visto do centro da cidade. “Era preciso desenvolver algo que nunca tivesse sido feito antes”, conta Barry Lowe, da HOK, empresa responsável pela reconstrução de Wembley e especialista em estádios – é dela obras como o Millenium, em Cardiff, o Colonial, em Melbourne, e o Australia, em Sydney.

Arco de Wembley.jpg

Mas a função do arco não é apenas impressionar. Serve, também, como ponto-chave da estrutura da cobertura, que pesa 7 mil t. Assim, irá suportar, por meio de uma rede de cabos, todo o peso do lado norte da cobertura e 60% do peso do lado sul. Um anel duplo sobre as últimas arquibancadas irá ancorar os cabos de sustentação e transmitir as cargas horizontais para as tesouras da cobertura fixa. A 52 m do campo, o teto tem mais de 44 mil m², com 16 mil m² retráteis. Há pontos de abertura nos lados este, sul e oeste, que permitem que o todo o gramado receba luz solar. Quando necessário, poderá ser fechado em uma operação de leva cerca de 15 minutos.

Além disso, o arco permitirá nada obstrua a visão dos espectadores. Parece bobagem, mas esse era o grande problema do velho Wembley, famoso pelos pilares de sustentação da cobertura que prejudicavam a vista para o gramado.

Com 1 km de circunferência, o estádio terá 90 mil lugares (70 mil para eventos de atletismo), com a vantagem de aumentar o conforto do espectador – os assentos serão 30% mais largos. O prédio avança 30 m para o norte, ficando mais perto da estação de metrô, a Wembley Park Station (que, aliás, deverá ser ampliada). A preocupação com o bem-estar dos torcedores também é refletida nos serviços do estádio: estima-se que o tempo de espera nos pontos de venda de comidas e bebidas não ultrapasse seis minutos. E, segundo os empreendedores, não há, no mundo, um edifício com mais banheiros: 2,6 mil.

Para garantir a antiga atmosfera, foram mapeadas acusticamente várias regiões, por meio de gravações feitas em 1999 e 2000. A promessa é que se tenha a mesma sensação do barulho das torcidas.

As obras
O trabalho de demolição começou em setembro de 2002 e a expectativa é que tudo esteja pronto até o início de 2006. Construir o novo estádio irá consumir 90 mil m³ de concreto, 23 mil t de aço e £ 757 milhões (cerca de R$ 4,2 bilhões).

O grande esqueleto será totalmente metálico. “Além de ser tradicional na Inglaterra, esse tipo de material permite rapidez de execução. Escolher concreto, por exemplo, significaria ter fundações 30% maiores”, conta Lowe. Para as fundações, foram utilizadas 3,7 mil estacas com profundidade de até 35 m. Na fundação da base oeste do arco, mais um número impressionante: 4,8 mil m3 de concreto lançados em 19 horas.

Mas, claro, nada foi tão difícil de construir quanto o arco. Totalmente montado no solo, no lado sul do futuro gramado, a estrutura foi erguida aos poucos para que, em cada etapa, fossem medidos os esforços na fundação. Durante a obra, foi colocado na verical para permitir os trabalhos no lado sul do estádio e a colocação da cobertura. Só depois ocupou seu posicionamento definitivo, a 68º do solo.

Novo Wembley.jpg Wembley novo x velho.jpg
Ilustração em perspectiva do futuro estádio de Wembley e desenho que compara as dimensões do novo (em azul claro) e do velho (em azul escuro) estádio

Bianca Antunes

Imagens: Bianca Antunes, BBC Sport e Sport Venue Technology


Posted by ubiraleal at 03:20 AM

julho 15, 2004

...E a Europa conheceu Big Phil

Em artigo publicado no diário La Repubblica, um dos mais importantes da Itália, o jornalista Emanuele Gamba apontava os “mais” da Eurocopa. O mais simpático, o solícito, o mais humilde, essas coisas. Até que escreveu: “o mais esperto é Felipao Scolari, que usou a retórica dos portugueses para os fazerem crer em tudo o que dizia. A melhor, reservou a Figo: ‘com a Inglaterra foi decisivo, porque rezava à Nossa Senhora da Fátima nos vestiários’. Os outros, enquanto isso, convertiam os pênaltis. E o pior é que todos acabaram considerando a contribuição mística de Figo absolutamente fundamental”.

Felipao 2.jpg

A análise de Gamba é perfeita ao demonstrar as estratégias do gaúcho bigodudo e de roupas esportivas. Algo comum no Brasil, mas raro na sisudez do futebol europeu. E quem gosta de ver o futebol com bom-humor, buscando o lado engraçado das situações, não deixou de acompanhar o espanto (depois transformado em total aceitação) dos portugueses com as atitudes bizarras (no olhar deles) de Felipão.

Antes, é importante eliminar qualquer embrião de ufanismo e dizer que é infantil ver nesse exemplo um caso de “malandro brasileiro” que é superior ao “ingênuo europeu”. Como se na Europa não houvesse gente malandra. Na Itália (terra do La Repubblica), está um dos mais importantes espertos do mundo. Uma dica: é um empresário da construção civil que migrou para a comunicação e para o futebol e agora ocupa a presidência do Conselho dos Ministros.

Felipao 3.jpg

O importante na verdade é o fato de jornalistas estrangeiros conhecerem e considerarem diferente o comportamento de Felipão. Começou a Eurocopa perdendo da Grécia e se tornando alvo de linchamento verbal dos portugueses. Terminou perdendo da Grécia, mas como ídolo nacional. Em três semanas, botou craque na reserva só para provocá-lo (Rui Costa), insistiu em jogadores sem motivo aparente (Pauleta) e falou o que bem quis.

Pior (ou melhor, nem dá mais para saber), sem o menor pudor, abusou de chavões do futebol brasileiro que, por não serem comuns em Portugal, foram encarados como ensinamentos profundos (como “agora cada jogo é uma final” ou “cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém”). Deu certo, o que mostra como ele está em posição privilegiada para se tornar um dos figuraças do futebol mundial.

E, como personagem, Scolari é muito característico. O sujeito exala gauchismo e usa palavras diretas para expressar pensamentos por vezes enviesados, mas que costumam dar certo. No entanto, a simplicidade de sua retórica faz com que muitos não o compreendam. Por exemplo, ganhou fama de disciplinador e linha dura. Nada mais injusto, por mais que declarações como “Pinochet fez muita coisa boa também. Ajeitou muitas coisas lá no Chile. O pessoal estava meio desajeitado. Ele pode ter feito uma ou outra retaliaçãozinha aqui e ali, mas fez muito mais do que não fez. Até porque há determinados momentos que ou o pessoal se ajeita ou a anarquia toma conta” não serem muito favoráveis à sua imagem.

Felipao 4.jpg

Mesmo com bobagens mastodônticas como a citada acima, Felipão não é linha-dura. Um disciplinador tradicional não sobreviveria duas semanas no Grêmio de Danrlei, Paulo Nunes e Arílson, tampouco defenderia um atleta insubordinado dizendo que ele foi importante por rezar no vestiário. Scolari sabe que precisa ter os jogadores a seu lado e faz tratos com eles. Se o jogador fizer a parte dele quando for pedido, está liberado para agir como quiser no resto do tempo. Romário, por exemplo, não cumpriu o seu acordo e foi excluído dos planos. E foi com medo de topar com mais um “não-cumpridor de tratos” que o técnico descartou Vítor Baía.

O problema é que as pessoas se acostumaram com técnicos que entopem de termos politicamente corretos suas declarações. “Big Phil” (como ficou conhecido pelos ingleses em 2001, quando assumiu a seleção brasileira) é, no bom sentido, tosco. Fala o que pensa, é malandro às claras, não esconde as emoções e não parece palestrante de auto-ajuda (ou algum Shinyashiki da vida recomendaria o apelo à religiosidade do povo português para salvar Figo da crítica generalizada da torcida lusitana?).

Talvez a grande contribuição de Felipão ao futebol seja essa (com certeza seu legado não é tático). Big Phil mostrou que um técnico não precisa ser um almofadinha. Pode ser uma pessoa simples, desde que saiba o que faz. Mesmo falando bobagem, ele torna o futebol um meio menos yuppie. E, com certeza, muito mais engraçado. Para brasileiros e portugueses.

*

Menção honrosa deve ser feita a Karol Bruckner, técnico da República Tcheca. Ao ser perguntado sobre o segredo da seleção que comanda, respondeu: “nenhum. O único segredo que conheço é o da receita de torta da minha mãe”. Já que não quer responder, que o faça tirando uma, né?

*

Se alguém ficou curioso para os “mais” de Emanuele Gamba, aí vai a lista:
Simpático: Otto Rehhagel; antipático: Lars Lagerback; honesto: Stam; esperto: Felipão; mal-criado: Bojinov; solícito: Van Nistelrooy; digno: Völler; humilde: Koller; bonito (segundo pesquisa com a comunidade gay portuguesa): Cristiano Ronaldo; fraco (em capacidade técnica): Tudor; “estragado” (pelas circunstâncias): Beckham; e misterioso: Karol Bruckner.

*

Esse texto marca o início de uma seção sem periodicidade e nome definidos. Mas o objetivo já é sabido: falar dos figuras do futebol mundial, pessoas que ajudam a mostrar que o futebol é e deve sempre ser visto como uma diversão. Por isso, não leve o texto muito a sério.

Ubiratan Leal

Imagem: La Repubblica


Posted by ubiraleal at 03:58 AM

julho 12, 2004

Promoção de aniversário!

Nesse domingo, 11 de julho, o Balípodo completou seu primeiro aniversário. Ninguém mandou cartão, deu presente ou levou bolo para comemorar. Mas nós compreendemos. Quando surgimos, acho que nem nossas mães visitavam o site (aliás, até hoje elas não visitam). Então, não podemos cobrar nada dos demais leitores. Bem, mas vamos parar de enrolação. Hoje não colocamos texto para poder anunciar com mais pompa a PROMOÇÃO DE ANIVERSÁRIO DO BALÍPODO.

Claro, para manter o espírito futebolístico, a promoção será travestida de Bolão. É simples: você, leitor, tem até 25 de julho para mandar seus palpites a respeito de partidas das Séries A e B do Brasileirão realizadas entre 27 de julho e 12 de agosto. Quem acertar mais, leva. O segundo colocado fica com um prêmio de consolação. Do terceiro em diante fica em casa se lamentando.

Tire suas dúvidas a respeito da Promoção de Aniversário do Balípodo.

Cadê o regulamento?
Não tem. As explicações serão dadas em formas de perguntas e respostas. A começar por essa.

Por quê?
Porque achamos que é muito chato escrever e ler texto formal.

Tudo bem. E então, quais são esses prêmios?
O primeiro colocado ganha uma camisa oficial do Bayern de Munique. O segundo receberá um time da Bélgica de futebol de botão.

Por que esses prêmios?
Porque sim.

“Porque sim” não é resposta.
Tudo bem. O primeiro prêmio é uma camisa porque é algo que julgamos agradar a quase todos os leitores desse site. O time de botão foi selecionado porque achamos que nem todos os nossos leitores têm o costume de ler livros, porque um time de botão pode ter um significado simbólico-sentimental maior e porque queremos sempre incentivar a prática do futebol de botão.

Mas por que o Bayern de Munique?
Porque não poderia ser um clube brasileiro. Os grandes clubes têm rivais. Já pensou se damos uma camisa do Cruzeiro e um atleticano ganha? Poderiam ser camisas de clubes pequenos, mas muitas dessas equipes acabam despertando alguma rejeição. E quase todo mundo gosta de camisa de time europeu, pois são bonitas, né? O fato de ser o Bayern ao invés de Barcelona, Milan ou Sliema Wanderers não tem explicação. Foi uma escolha arbitrária.

E por que um time de botão da Bélgica?
Não podia ser uma equipe muito comum, pois algum botonista minimamente dedicado já teria um igual.

Como eu recebo o prêmio?
Junto com os palpites e seu nome completo, você terá de mandar seu endereço (residencial ou comercial). O prêmio vai pelo correio.

O que devo fazer para participar?
No final dessa página há uma relação de partidas da Série A e B do Brasileiro que estão valendo para a promoção. Basta nos mandar um e-mail para contato_balipodo@yahoo.com.br ou ubiratan@gardenal.org com seus palpites para todas as partidas. Cada acerto vale um ponto.

E como são esses palpites? Placar exato?
Não. Apenas assinale coluna 1, 2 ou do meio. Como na loteria esportiva.

Por que algumas partidas têm asterisco?
Porque as consideramos de difícil prognóstico. Portanto, valerão dois pontos.

Ah, quer dizer que eu posso colocar duplo, como na loteca?
NÃO!!! Só coloque um resultado. Quem acertar leva dois pontos, só isso. Se você colocar palpites duplos ou triplos, terá automaticamente errado o placar daquela partida.

E o que acontece se mais de um apostador empatar em pontos?
Vencerá aquele que acertar mais partidas de valor duplo (as de asterisco). Se, ainda assim, permanecer o empate, vencerá aquele que mandar os palpites antes. Afinal, em teoria ele terá tido menos tempo para pensar. Merece alguma vantagem por isso.

Posso mandar mais de um palpite?
Pode. Não criaremos métodos de controle a respeito disso e seria ridículo forçar que alguém palpitasse em nome de amigos ou parentes.

Agora que pensei nisso! Como ficam os palpites se o STJD tirar os pontos do time vencedor por alguma irregularidade? (pergunta inspirada em torcedores de Santo André e Paysandu)
Para a promoção de aniversário, só valem os resultados obtidos no campo. Até porque não adianta se pautar pela Justiça, já que o resultado do julgamento pode mudar em uma segunda instância.

E se um jogo for adiado?
Se a nova data estiver dentro do período da promoção, valerá o resultado do campo. Se a partida for remarcada para depois de 15 de agosto, o resultado será desconsiderado. Como se todos tivessem errado.

Qual o prazo de inscrição?
Serão aceitos palpites até 25 de julho (domingo).

Há alguma chance de extensão?
Não!

E qual o período da promoção?
Todos os jogos marcados entre 27 de julho e 12 de agosto (final do primeiro turno da Série A). Como esse dia cai no meio de uma rodada da Série B, os jogos da Segundona até 15 de agosto estarão valendo.

Por que vocês escolheram um bolão ao invés de “a frase mais criativa sobre o Balípodo” ou “mande um texto”?
Porque os concursos de frase mais “criativa” sempre viram coletâneas de trocadilhos mais infames ou rimas mais infantis. Quase sempre quem pensou em algo inteligente perde. O texto seria interessante, mas favoreceria a quem tem mais costume de escrever, o que não é justo com os demais. Além disso, os dois métodos são subjetivos e passíveis de sacanagem. Um Bolão é objetivo. Não temos o menor controle a respeito da evolução dos pontos dos participantes.

Quem colaborou com o Balípodo pode participar?
Pode. Como não temos meios de evitar que alguém participe, vamos abrir para a participação de todos. Mas como o vencedor será determinado pelos jogos do campeonato, ninguém tem vantagem estratégica. Só o editor da página (guardião dos prêmios e contador de pontos oficial) ficará como “café-com-leite”.

Mas teremos como saber se não há favorecimento mesmo?
Sim. Quando o prazo de envio de palpites se encerrar, os participantes receberão um e-mail com os palpites de todos os concorrentes. Assim, não teremos como sacanear sem que todo mundo perceba.

Ei, mas, assim, todo mudo saberá que eu participo!
Calma! A identidade dos participantes será preservada. O importante é só que todos tenham acesso prévio aos palpites de quem vier a ganhar.

Eu não moro no Brasil. Posso participar?
Claro!

Eu preciso comprar alguma coisa, juntar cupons ou mandar dinheiro para participar?
Não. Nadinha. Claro, se você quiser nos dar dinheiro sem motivo, aceitaremos de bom grado. Desde que não nos cobrem nada em troca.

E como vocês vão financiar a premiação?
Do nosso bolso.

Vale a pena?
Se fizéssemos as coisas só pelo dinheiro, esse site nunca teria existido.

Legal! Mas eu não tenho nem de preencher algum cadastro, passar meu perfil, dizer minha renda familiar mensal, minhas preferências, o time que torço ou o que eu acho do site?
Não! Se você quiser mandar junto com o e-mail sua opinião a respeito do Balípodo, dar sugestões ou dizer como conheceu a página, será recebido naturalmente. Mas só se você quiser. Não vemos muito objetivo em cadastrar nossos poucos leitores e saber da vida pessoal deles. No caso do Balípodo, seria uma burocracia estúpida.

Vocês terão meu e-mail e meu nome. Podem aproveitar para espalhar spams ou propaganda, né?
Pode ter certeza que não faremos isso. Acho que todos já recebemos spams o suficiente em nossa caixa de entrada de e-mails. Depois da promoção, os dados serão apagados dos nossos computadores.

Então, eu não pago nada, nem tenho de dar nada em troca para vocês?
Todos terão de pagar a energia elétrica utilizada para ligar o computador. Se você tiver conexão discada, ainda terá de pagar o pulso para entrar na internet e poder mandar um e-mail. Só isso.

Vocês têm alguma preferência a respeito da forma de receber os palpites?
Pode mandar em Word, Excel ou na mensagem de e-mail. Não fará diferença alguma.

Posso ver os prêmios? Assim eu posso saber que vocês não estão blefando.
Aí vão as fotos.

Camisa Bayern.jpg Botao Belgica.jpg

Para terminar, quais jogos estão valendo?

SÉRIE A
28 e 29/7
Grêmio x Vitória
Botafogo x Flamengo*
Paysandu x Criciúma
Atlético-PR x Ponte Preta
Corinthians x Cruzeiro
Figueirense x Fluminense
Guarani x Palmeiras
Juventude x São Paulo
Vasco x Goiás*
São Caetano x Internacional*
Atlético-MG x Paraná
Santo x Coritiba

31/7 e 1º/8
Atlético-PR x Grêmio
Fluminense x Cruzeiro*
Flamengo x Palmeiras
Atlético-MG x Figueirense*
Corinthians x São Caetano
Santos x Paysandu
Criciúma x Ponte Preta
Vitória x Coritiba
Goiás x Paraná
Internacional x São Paulo*
Guarani x Botafogo

4 e 5/8
Ponte Preta x Fluminense*
Palmeiras x Goiás
Paysandu x Atlético-MG
Figueirense x Guarani
São Caetano x Atlético-PR*
Paraná x Criciúma*
Grêmio x Santos
Vasco x Corinthians
Coritiba x Flamengo
Botafogo x Juventude
Cruzeiro x Internacional*
São Paulo x Vitória

7 e 8/8
Fluminense x Paraná
Santos x São Caetano*
Goiás x Coritiba
Atlético-MG x Grêmio*
Flamengo x São Paulo*
Corinthians x Botafogo
Internacional x Ponte Preta
Vitória x Cruzeiro
Guarani x Paysandu
Juventude x Figueirense
Criciúma x Palmeiras
Atlético-PR x Vasco

11 e 12/8
Grêmio x Guarani
São Paulo x Goiás
Paraná x Internacional
Paysandu x Juventude
Ponte Preta x Vitória
Figueirense x Corinthians
Vasco x Santos*
Cruzeiro x Flamengo
Botafogo x Atlético-PR
Coritiba x Criciúma
São Caetano x Atlético-MG
Palmeiras x Fluminense*

SÉRIE B
27/7 a 1º/8
Avaí x Caxias
Fortaleza x Remo
Londrina x Sport
Santa Cruz x Ceará*
Brasiliense x Náutico*
Bahia x Joinville
Portuguesa x Marília
Vila Nova x América-MG
Paulista x Anapolina
São Raimundo x CRB
América-RN x Santo André
Mogi Mirim x Ituano

3 a 8/8
Avaí x Bahia*
Londrina x Remo
Sport x Joinville
Fortaleza x Santa Cruz
Caxias x São Raimundo
América-MG x Marília
Anapolina x Náutico
CRB x Ceará
Ituano x Santo André*
Portuguesa x Vila Nova*
América-RN x Paulista
Brasiliense x Mogi Mirim

10 a 15/8
Joinville x CRB
Paulista x Portuguesa*
Santo André x Anapolina
Náutico x Ituano
Bahia x Fortaleza*
Santa Cruz x Avaí*
Ceará x Sport
Remo x Caxias
São Raimundo x Londrina
Marília x Brasiliense
Vila Nova x América-RN
Mogi Mirim x América-MG

Quaisquer dúvidas, entre em contato conosco pelo contato_balipodo@yahoo.com.br ou ubiratan@gardenal.org.

Atenciosamente,

A Direção


Posted by ubiraleal at 06:08 AM

julho 08, 2004

Trujillo

Chan-Chan.jpg

Apesar de ser um cidade litorânea, com praias e ondas procuradas por muitos surfistas, Trujillo é mais conhecida pelas atrações históricas e culturais. Até porque a terceira maior cidade do Peru reúne uma grande quantidade de edificações coloniais em bom estado de conservação, além de ruínas de civilizações pré-colombianas.

A principal atração trujillana está a 5 km da cidade. Construídas pelo povo chimu no século XIII, Chan-Chan forma hoje um dos maiores conjuntos de ruínas de construções de barro do mundo. No total, são 15 cidadelas independentes, mas com estrutura urbanísticas semelhantes. Para o turista, foi erguido um mirante no meio do conjunto.

Na cidade de Trujillo em si, os maiores destaques são o centro histórico, com igrejas e casarões, e o museu de Arqueologia, Antropologia e História da Universidade Nacional. Sem esquecer o Monumento à Liberdade da Praça de Armas, recordando que aquele foi o local onde se proclamou pela primeira vez a independência do Peru em 1820. Juntando essa herança colonial com os traços das 12 civilizações pré-colombianas que lá habitaram, a capital do departamento La Libertad ganhou o apelido de capital cultural do Peru.

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No entanto, toda essa história e a importância no contexto nacional não foi suficiente para tornar a "cidade da eterna primavera" futebolisticamente relevante. O principal clube local é o Coopsol, ligado à empresa de mesmo nome e atualmente na Segunda Divisão peruana. Mas há uma perspectiva de melhora. O estádio Mansiche foi o que teve maior incremento em sua capacidade para receber a Copa América: de 8 mil para 25 mil lugares.

Ubiratan Leal

Imagens: La Tercera

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Posted by ubiraleal at 03:21 AM

Tacna

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A história de Tacna está muito ligada à Guerra do Pacífico e suas principais referências dizem respeito a esse período. Localizada no extremo sul do Peru, a apenas 36 km da fronteira com o Chile, a cidade passou ao domínio do vizinho do sul após o conflito, em 1879. Na época, foi definido que Tacna ficaria nessa condição até 1889, quando a população local escolheria sua pátria por meio de um plebiscito. Isso acabou não acontecendo, mas, em 1929, a cidade voltou ao Peru por vias diplomáticas.

Com esse passado, Tacna ficou conhecida como a “cidade heróica” e o principal monumento, o Arco Parabólico ou Arco dos Heróis, localizado na Praça de Armas, a principal da cidade. Como o nome indica, se trata de uma homenagem a comandantes peruanos daquela guerra, como o almirante Miguel Grau e o coronel Francisco Bolognesi. Outros marcos são a Pila Ornamental, feita de bronze, e a catedral. Ambos projetos escritório do francês Gustave Eiffel.

O fato de ser estar na fronteira influencia outros aspectos em Tacna. A cidade é a segunda maior porta de entrada no Peru. Além disso, se transformou em uma região de livre comércio e trânsito, o que atrai chilenos e bolivianos.

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Nem o futebol escapou das referências à Guerra do Pacífico. O principal clube da cidade recebeu o nome de Coronel Bolognesi. Sem grandes conquistas, a equipe quase conseguiu uma vaga na Libertadores desse ano, perdendo uma Liguilla classificatória para o Cienciano de Cuzco.

Depois do Mansiche de Trujillo, o estádio Modelo de Tacna foi o que teve maior aumento em sua capacidade. Dos 10 mil lugares originais foi para 25 mil. Bastante se for considerado que a população total da cidade é de 260 mil.

Ubiratan Leal

Imagens: Virtual Peru e La Tercera

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Posted by ubiraleal at 03:07 AM

Piura

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No extremo norte do Peru, quase na fronteira com o Equador, a litorânea Piura foi a primeira cidade fundada pelos conquistadores espanhóis na colônia. Seu surgimento foi obra de Francisco Pizarro em 1532, com o nome de San Miguel. Em 1588, a vila passou a ter o nome atual.

Mas a história da ocupação humana na ensolarada região (Piura é chamada de “cidade do eterno calor”) é muito anterior a isso. Os primeiros agricultores chegaram por volta de 1000 a.C., mas a primeira cultura desenvolvida, os vicus, só apareceram em 500 a.C. Com a decadência desse povo, em 500 d.C., a região foi ocupada por tallanes, chimus e incas.

Voltando à Idade Contemporânea, Piura ganhou destaque por ser uma das primeiras cidades a proclamarem a independência do Peru e por abrigar as principais jazidas de petróleo do país.

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O principal clube da cidade é o Atlético Grau, vítima de constantes rebaixamentos seguidos de títulos da Copa Peru (Segunda Divisão). Mas a mais importante equipe da região (e eventual usuária do estádio piurano) é o Alianza Atlético de Sullana, cujo nome, cores e uniformes homenageiam o homônimo de Lima. O estádio Miguel Grau é um dos mais modernos do país. Para a Copa América, o Coloso Miraflorino teve sua capacidade ampliada de 20 mil para 25 mil espectadores e placar eletrônico e sistema de iluminação novos instalados.

Ubiratan Leal

Imagens: Piuranet e Univisión

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Posted by ubiraleal at 02:18 AM

Lima

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Lima concentra 25% da população peruana e dois terços das riquezas do país. Só com esses números já dá para ter noção de como boa parte das questões ligadas ao Peru se concentram e giram em torno da capital. O curioso é que, com tudo isso, a cidade fundada por Francisco Pizarro em 1535 tem pouco carisma entre os visitantes estrangeiros.

É uma situação mais ou menos semelhante com a de São Paulo. A grandiosidade urbana fez de Lima uma cidade algo agressiva. As principais atrações, como em muitas das grandes cidades mundiais, são a vida cultural, compras e numerosas, mas por vezes escondidas, edificações históricas. Por estar no litoral, há ainda algumas praias na região.

A cidade foi fundada pelos espanhóis para ser a capital do Vice-Reino do Peru. Com localização estratégica (um porto no centro do litoral Pacífico da América do Sul), Lima cresceu rapidamente e logo se tornou a segunda metrópole da América espanhola, atrás apenas da Cidade do México, o que lhe valeu o apelido de “cidade dos reis”.

Como em muitas cidades peruanas, o centro histórico está na Praça de Armas, onde se localiza a catedral. Vestígios coloniais também podem ser vistos nas numerosas igrejas da capital, como a Mercê (onde foi proclamada a independência do Peru), de São Pedro e o Santuário de Santa Rosa de Lima.

Em relação a museus, destacam-se o Nacional de Antropologia e Arqueologia, onde se vê relíquias das diversas civilizações que habitaram o território peruano, o do Ouro, o Arqueológico Rafael Largo e o Nacional da República. Um pouco fora do centro, merece uma visita o sofisticado bairro de Miraflores, com parques, praças, vida noturna agitada e lojas.

Em relação ao futebol, era inevitável que o domínio econômico de Lima sobre o resto do Peru se refletisse no esporte. As três equipes mais tradicionais do país – Universitário, Alianza e Sporting Cristal – têm sede na capital. O quarto clube mais vitorioso, o Sport Boys, é de Callao, uma cidade portuária na região metropolitana de Lima.

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A cidade recebe os jogos mais importantes da seleção peruana, principalmente os válidos pelas Eliminatórias da Copa. Por isso, o estádio Nacional (esquerda) sempre esteve em condições de receber partidas internacionais e praticamente não foi reformado para a Copa América. O curioso é que, com 45 mil lugares, o estádio não é o maior do país. O estádio Teodoro Fernández (Monumental U, à direita), de propriedade do Universitário, tem capacidade para 80 mil pessoas, vinha abrigando os jogos Peru (por exemplo, o empate contra o Brasil em novembro de 2003 foi nesse estádio) e estava no programa inicial da organização da competição continental.

No entanto, a diretoria do Universitário pediu o perdão da suspensão do meia-esquerda Mario Gómez para liberar o estádio, a federação peruana não concordou e o Monumental U foi retirado da tabela.

Ubiratan Leal

Imagens: PromPeru, Esmas e Fussball Tempel

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Posted by ubiraleal at 02:16 AM

Cuzco

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Cuzco é considerada pelos próprios peruanos como a cidade mais bonita do país. E não seria exagero dizer que se manteria entre as cinco primeiras se a lista se estendesse a toda a América do Sul. Pois, por mais que muitos só vejam Cuzco como o ponto de partida para as visitas a Machu Picchu, a cidade reúne como poucas outras vestígios de culturas pré-colombianas e hispânicas.

É difícil precisar quando a cidade surgiu, até porque Cuzco é considerada por muitos a cidade continuamente habitada mais antiga das Américas. A versão lendária é que Manco Capac, o primeiro inca, e sua mulher, Mama Ocllo emergiram das águas do Lago Titicaca e a fundaram. Pesquisas arqueológicas dão conta que Qosqo (nome original, em quéchua, que significa “umbigo do mundo”) teria sido criada no século XII, mas não excluem a possibilidade de civilizações pré-incas terem ocupado o vale do rio Huatanay.

Desde sua origem (não importa se a mitológica ou a histórica), Cuzco foi a capital do Império Inca, o que lhe garantiu um grande desenvolvimento urbanístico a mais de 3.300 m de altitude. O protagonismo cuzquenho foi abalado com a chegada dos espanhóis em 1533. Os colonizadores destruíram grande parte da cidade, edificando templos católicos e casarões barrocos sobre as fundações incas (que ainda podem ser vistas). Mesmo assim, a cidade ainda era influente militar e economicamente, por mais que a capital política tivesse sido transferida para Lima.

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Por isso, a história colonial de Cuzco também é rica, principalmente em igrejas e conventos católicos. As mais importantes estão na Praça de Armas (foto), centro da cidade desde o período inca. Lá estão as deslumbrantes Catedral (foto no alto, erguida sobre o Palácio de Wiracocha com estilo renascentista e quadros de influência indígena) e Companhia de Jesus (em estilo barroco e construída sobre o palácio de Huayna Capac). Também é necessário mencionar a igreja da Mercê, de Santa Catalina e a de São Francisco e o Convento de Santo Domingo.

Mas o visitante não deve reservar todo seu tempo para a cidade, pois algumas das principais atrações estão nos arredores. A mais conhecida é o Vale Sagrado dos Incas, que abrange os povoados de Pisaq, Ollantaytambo, Urubamba, Calca e Yucay e está repleto de ruínas e edificações históricas. Claro, nada que se compare com Machu Picchu.

A “cidade perdida dos incas” é tão misteriosa que muitos colocam em dúvida se seria realmente inca. Para os ocidentais, Machu Picchu só se tornou uma realidade em 1911, quando o norte-americano Hiram Bingham a descobriu, mas já era conhecida – ainda que como lenda – entre os quéchuas. Dividida em áreas religiosa, agrícola e urbana, a cidade não foi conhecida pelos colonizadores, o que ajudou na preservação de boa parte das edificações. Há acesso ferroviário, mas muitos aventureiros preferem caminhar três dias na trilha original dos incas pelas paisagens que proporciona.

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Mesmo com tanto apelo turístico, Cuzco não fazia parte dos planos da Conmebol como sede da Copa América. O que seria algo desproporcional, pois jogos na cidade atrairiam torcedores-turistas ao evento e marcaria mais o caráter peruano da competição. Por isso, o presidente Alejandro Toledo pressionou para que a rodada de abertura fosse realizada na cidade. O pedido foi negado. Cuzco acabou incluída na tabela como sede de apenas um jogo, a amistosa e inútil disputa do terceiro lugar.

O mais curioso é que o futebol de Cuzco também merecia algum respeito. O mais tradicional clube da cidade, o Cienciano, surpreendeu ao conquistar a segunda edição da Copa Sul-Americana, eliminando Santos e River Plate pelo caminho. Além disso, o estádio Inca Garcilaso de la Vega tem boa capacidade (42 mil).

Ubiratan Leal

Imagens:: Bruno Furnari/Darkoom People e La Tercera

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Posted by ubiraleal at 01:48 AM

Chiclayo

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Na região de Chiclayo estão sítios arqueológicos importantes dos mochica e lambayeque, povos que habitaram o litoral norte do Peru dos séculos I ao VII e o VII ao X. Os mais conhecidos, ambos lambayeque, são o Túmulo do Senhor de Sipán – descoberto apenas em 1987 – e o Vale das Pirâmides. Além disso, ainda há algumas construções do período de domínio espanhol, como a catedral do Cristo Pobre, a igreja de São Pedro o palácio Municipal e a capela da Verônica. E, mesmo assim, Chiclayo é conhecida por ser uma das cidades mais modernas do Peru.

Fundada por espanhóis no século XVI e localizada a 770 km de Lima, a capital do departamento de Lambayeque é chamada de “cidade da amizade” pela hospitalidade de seus habitantes e conta com algumas das praias mais procuradas pelos peruanos, como Pimentel e Eten. Outra atração é o Mercado Modelo, famoso por ser exótico e concentrar curandeiros que vendem ervas medicinais.

No futebol, Chiclayo tem apenas um representante com relativo peso no Campeonato Peruano. O Juan Aurich – nome em homenagem ao dono da empresa onde trabalhavam os fundadores do clube – nunca teve grandes glórias. A melhor colocação foi o vice-campeonato peruano de 1967 e o título solitário foi o da Copa Peru, uma espécie de Segundona, de 1997. Em 2003, o time foi rebaixado, mas pode ser considerado um freqüentador relativamente assíduo da elite do país.

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Para abrigar a Copa América e os futuros jogos do Ciclón del Norte, o estádio Capitán Remigio Elias Aguirre Romero (ou simplesmente Elias Aguirre) não teve de aumentar significativamente sua capacidade (subiu de 20 mil para 25 mil). Ainda assim, foram realizadas reformas nas arquibancadas oeste, norte e sul, modernização do sistema de iluminação e colocação de placares eletrônicos.

Ubiratan Leal

Imagens: Volver al Fútbol e Scout Peru

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Posted by ubiraleal at 01:29 AM

Arequipa

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Os brasileiros que decidirem acompanhar de perto a seleção na primeira fase da Copa América não ficarão ociosos entre um jogo e outro. Não faltam atrações e coisas para fazer em Arequipa, segunda maior cidade peruana e principal centro econômico do sul do país, e na região. A terra do escritor Mário Vargas Llosa tem várias particularidades em relação ao resto do Peru, o que ajudou a criar um sentimento de regionalismo muito forte, escancarado pela comum expressão “República de Arequipa”.

Não há como passar pelo principal centro urbano do sul do Peru sem observar o belíssimo o vulcão El Misti, com 5.821 m de altura. Imponentemente próximo à cidade, pode ser escalado por turistas sem grandes problemas (desde que com a ajuda de guias, claro). A presença de vulcões – além do El Misti, vale citar o Chachani, o Pichu Pichu e o Coropuna – é tão forte que teve influência na arquitetura de toda a cidade.

O sillar (pedra sabão branca), mineral proveniente das lavas vulcânicas, é muito comum na região e foi largamente utilizado na construção de edificações em Arequipa. Com isso, a capital do departamento homônimo tem um visual alvo, o que lhe valeu o apelido de “a cidade branca”.

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Além das casas brancas, a cidade tem atrações como o movimento da Praça de Armas (foto), arborizada, ponto de encontro da cidade e endereço da bela catedral, construída em estilo neo-renascentista em 1612 (e reconstruída duas vezes após terremotos). Por causa da beleza histórica, Arequipa foi declarada Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco.

Entre um passeio e outro, o torcedor brasileiro (e o chileno, paraguaio e costarriquenho) pode aproveitar a culinária arequipenha, considerada a melhor do Peru. Os pratos mais tradicionais são rocoto relleno (espécie de pimenta recheada), locro de papas (sopa com queijo e batata), adobo (sopa picante com carne de porco e cebola), ají de camarones (ensopado de camarões com nozes e pimenta), cuy chactado (cuy, um roedor comum no Peru, frito na pedra e servido com temperos fortes), ocopa arequipeña (batata com molho à base de alho, ovos e cebola), e chicha de jora (bebida de origem inca à base de milho), entre outros.

Mesmo com tudo isso, a principal atração do turista que passa por Arequipa está a cinco horas de carro da cidade. O Cañón del Colca (foto no alto), com 3,4 mil m de profundidade, é o maior cânion do mundo, com o dobro de altura do Grand Canyon norte-americano. Além do abismo, é possível ver lhamas e condores pelo caminho. Ainda que as aves andinas prefiram voar apenas no início da manhã.

O curioso é que, mesmo com tanta importância histórica e política (Arequipa é o centro da esquerda peruana), o futebol da cidade é desproporcionalmente pequeno em comparação com o de Lima. Há duas equipes arequipenhas na Primeira Divisão. O Melgar, clube mais tradicional da cidade, foi campeão nacional em 1981. O nome é homenagem ao poeta Mariano Melgar, nascido na cidade.

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O outro representante da “República de Arequipa” na elite é o Atlético Universidad, recém-promovido e ligado à Universidad Nacional de San Agustín (Unsa), instituição proprietária do estádio Monumental de la Unsa, onde se realizarão as partidas do Brasil na primeira fase da Copa América. O estádio é o maior a ser utilizado na competição (ao lado do Nacional de Lima, ambos com 45 mil lugares) e praticamente não sofreu intervenções para receber a competição. Passou apenas por pequenas reformas e teve instalado um telão-placar eletrônico.

Ubiratan Leal

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Posted by ubiraleal at 01:19 AM

Peru

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O Peru é um dos 10 países que fazem fronteira com o Brasil. E não é pouca coisa. Apenas com a Bolívia temos uma região fronteiriça maior. Ainda assim, não é exagero dizer que o país-sede da Copa América de 2004 é desconhecido da maioria dos brasileiros. Quase sempre, fala-se no Peru como um lugar de grande instabilidade política (Fujimori, Sendero Luminoso e MRTA) e, no lado positivo, de Machu Picchu (foto). Mas não precisa ter muito boa vontade para sacar que, por trás do terceiro maior país da América do Sul, há muitas outras coisas.

Historicamente, o Peru é marcado por ter sido o centro do império inca, um dos mais poderosos a habitar a América. Essa civilização surgiu no século XIII e teve grande expansão territorial, abrangendo do norte do Equador ao centro do Chile. O próprio tamanho provocou uma instabilidade interna no império, o que facilitou a ação dos conquistadores espanhóis a partir de 1532.

Porém, é importante lembrar que os incas não foram os únicos povos pré-colombianos a habitarem no atual território peruano. Inclusive, muitas das principais atrações arqueológicas do país são anteriores aos incas. Os chimu ergueram as cidades de barro de Chan-Chan. Os nazca foram os prováveis responsáveis pelas linha do deserto homônimo, mas a forma como teriam feito isso é até hoje um mistério. Os collas deixaram as chullpas (torres funerárias) de Sillustani. Além desses, é importante citar os chavín (povo mais antigo, viveu séculos antes de Cristo), paracas, mochicas e tiahuanacos.

Depois de os espanhóis se estabelecerem na região, boa parte dessas culturas foi esquecida ou se misturou às tradições católicas. Ainda assim, o peruano médio não vê contradição entre a adoção da cultura européia e o ranço anticolonizadores que ainda existe. No imaginário popular, o Peru seria hoje uma nação de grande desenvolvimento tecnológico e econômico se seus habitantes nativos tivessem sobrevivido à invasão espanhola.

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De qualquer forma, não dá para negar que há uma forte herança cultural espanhola. Em cidades como Cuzco e Trujillo é possível ver diversas edificações – sobretudo igrejas – coloniais de grande valor arquitetônico. Mesmo politicamente a presença européia é marcante. Por exemplo, foram os colonizadores que transformaram a portuária Lima em capital do vice-reinado do Peru.

A independência veio em 1824, após um movimento liderado por José de San Martín e Simón Bolívar (libertadores também de, pela ordem, Argentina e Venezuela e Bolívia). Após conquistar sua autonomia, o mais sério conflito do Peru se deu no final do século XIX, quando perdeu parte de seu território para o Chile na Guerra do Pacífico (nesse mesmo conflito, a Bolívia perdeu sua saída para o mar, motivo até hoje de animosidade entre bolivianos e chilenos). Mais recentemente o Peru teve problemas fronteiriços com o Equador por pedaços da Floresta Amazônica.

Como quase todos os países sul-americanos, o Peru também passou por uma ditadura militar na segunda metade do século XX. No caso, essa teve início em 1962 e terminou em 1975. Mas a estabilidade política não veio com a volta de civis ao poder. Grupos terroristas de esquerda como O Sendero Luminoso e o MRTA (Movimento Revolucionário Tupac Amaru) começaram a agir. Para piorar, entre as décadas de 1970 e 1980, a mineração e a pesca (principais atividades econômicas do país) entraram em crise.

Na década de 1990, o nipo-peruano Alberto Fujimori foi eleito presidente. Foi um período conturbado, com autogolpe, destituição do Congresso, duas reeleições contestadas, combate forte ao terrorismo, denúncias de corrupção, crise econômica e renúncia e exílio do presidente.

Seu sucessor é Alejandro Toledo, primeiro presidente do país com origem indígena (no caso, quéchua). Apesar de ter dado alguma estabilidade política ao país, Toledo não goza de grande popularidade nesse ano, justamente quando se aproximam as eleições presidenciais. Por isso o governo peruano investe tanto na Copa América. É a chance de capitalizar com base no esporte.

Veja o perfil das cidades que receberão partidas da Copa América 2004
Arequipa
Chiclayo
Cuzco
Lima
Piura
Tacna
Trujillo

Ubiratan Leal

Imagens: Bruno Furnari/Darkroom People


Posted by ubiraleal at 12:48 AM

junho 21, 2004

Porto

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Passeio obrigatório para quem passar uns dias no Porto: a partir do centro da cidade, ir, a pé, até a ponte Dom Luís I – com o inconfundível traço de Gustave Eiffel, o mesmo da torre parisiense –, atravessar o rio Douro e, já na cidade de Vila Nova de Gaia, visitar ao menos um dos armazéns de vinho do Porto, com direito a guia, degustação e, claro, lojinha na saída. Independentemente de como o turista gastar o resto do tempo que passar na maior cidade do norte de Portugal, a viagem já terá sido proveitosa.

Com isso garantido, é hora de aproveitar o resto da cidade, o que nunca deverá ser visto como algo secundário. Porto esbanja charme de uma forma particular. Ao contrário de Lisboa, a “cidade invicta” não se mostra grande e cosmopolita. Em princípio, parece reservada, sem se permitir a estardalhaços. Como os tantos executivos que passam pela avenida dos Aliados, o principal centro econômico da cidade.

Mas essa discrição portuense também é decorrência do perfil urbanístico. O centro histórico é pequeno e implantando em diversas ladeiras, um sem-número de ruas estreitas com pavimento de pedra e traçado irregular. É justamente aí que estão muitos dos segredos da cidade. Por isso, a melhor forma de descobrir o Porto é no chão, andando, não temendo se perder ou pegar um caminho aparentemente sem sentido. As vistas panorâmicas – vastas na cidade – são belas, mas não bastam.

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Entre os pontos turísticos tradicionais, os mais procurados são a catedral da Sé, a igreja dos Clérigos (de onde se tem a melhor vista de toda a cidade), a igreja de São Francisco, a igreja de Santa Clara, o palácio da Bolsa e a já citada avenida dos Aliados (foto). Isso sm contar a estação São Bento de trem e a igreja do Carmo, onde se pode ver bons exemplos de como os portugueses usam placas cerâmicas (azulejos) para compor painéis elaborados.

Se o turista tiver mais tempo, pode ainda completar o primeiro passeio, o do vinho do Porto, e visitar uma das tantas quintas (fazendas) que produzem realmente a bebida (em Vila Nova de Gaia o produto envelhece). Para isso, é necessário ir pelo rio Douro em montante até o interior, quase na fronteira com a Espanha.

Apesar da cidade em que vivem, o maior orgulho da capital da região do Douro é o futebol, já que o Porto é o atual campeão europeu. No entanto, a seleção portuguesa pouco deve aproveitar dessa empolgação dos portuenses, pois jogará apenas na estréia, contra a Grécia, na cidade. Se os tugas terminarem em segundo lugar do Grupo A na primeira fase, pode voltar à maior cidade do norte do país nas semifinais.

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O único estádio que verá partidas portuguesas na Eurocopa é o do Dragão. Construído ao lado do demolido estádio das Antas, a nova casa do Porto foi inaugurada em um amistoso contra o Barcelona, quando se percebeu que o relvado não estava bem consolidado. Foi um desastre, tanto que o clube voltou a mandar os jogos nas Antas por dois meses, até que o gramado do novo estádio estivesse reformado. Com capacidade para 52 mil torcedores, é o segundo maior estádio do país, ao lado do José de Alvalade e atrás da Luz.

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Há ainda um segundo estádio portuense que receberá a Eurocopa. O Bessa,c asa do Boavista já existia e passou por uma grande reforma, aumentando a capacidade para 30 mil pessoas. Tem arquitetura diferente dos demais estádios da competição, em estilo inglês (arquibancadas bastante inclinadas, com formado retangular e próxima do gramado).

Ubiratan Leal

Imagens: Guia do Porto, The Football Association e Stadionwelt

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Posted by ubiraleal at 04:46 AM

Lisboa

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Em 1998, Lisboa recebeu a Exposição Universal, chamada comumente de Expo 98. Nesse evento, a capital portuguesa mostrou para todos que tinha uma cara completamente diferente das tradicionais ruas de pedras do antigo bairro da Alfama ou da emblemática Torre de Belém, avançando um pouquinho sobre as águas do rio Tejo e se despedindo de quem parte para o oceano. Já era uma outra Lisboa, que mantinha seus traços históricos, mas olhava para frente, de forma cosmopolita.

O que melhor simboliza essa nova Lisboa é o Parque das Nações, espaço que abrigou a exposição de 1998. Shopping center, edifícios comerciais, pavilhão de exposições, calçadão com bares e restaurantes, teleférico para vista panorâmica e um magnífico oceanário formam esse invejável centro de lazer. A própria chegada ao local impressiona, com a nova estação Oriente do metrô lisboeta, projetada pelo arquiteto espanhol Santiago Calatrava. E não é apenas no Parque das Nações que se sente que a capital portuguesa está rejuvenescida. Lisboa como um todo não deve nada às outras capitais européias.

Claro, a parte histórica continua presente. No bairro de Belém, a meio caminho de Estoril e Cascais para quem sai do centro, a Torre de Belém se destaca, mas nunca se poderá ignorar a beleza do mosteiro dos Jerónimos e a grandiosidade do Padrão dos Descobrimentos – essa última, uma obra relativamente recente, de 1960. Nesse bairro está, desde 1837, a doçaria que criou e até hoje prepara os pastéis de Belém originais, deliciosos. Entre todas essas atrações está o Centro Cultural de Belém, local de apresentações artísticas diversas. Para um amante do futebol, o sofisticado bairro pode chamar a atenção por abrigar os Belenenses, terceiro clube da cidade.

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No centro da cidade não faltam lugares agradáveis para um passeio à pé, como o boêmio bairro do Chiado, as ruínas da igreja gótica do Carmo, a praça do Comércio (de frente para o Tejo), a rua Augusta (a lisboeta é um calçadão), o elevador de Santa Justa, que liga a Baixa ao Bairro Alto, a estação Rossio de trem, a medieval igreja da Sé e o Castelo de São Jorge, hoje transformado em um parque de onde se tem belas vistas panorâmicas da capital lusitana.

Na região de Lisboa ainda se pode alcançar os balneários de Cascais e Estoril (famoso pelo cassino), os palácios de Sintra e a biblioteca de Mafra (cuja construção foi cenário do livro “Memorial do Convento”, de José Saramago). Com tudo isso, não será difícil para o torcedor estrangeiro ocupar seu tempo entre uma partida e outra de sua seleção. E não serão poucas as torcidas que passarão pela capital de Portugal, já que é uma das duas cidades que terão dois estádios na Eurocopa.

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O maior é o novo estádio da Luz, do Benfica. Apesar de manter o nome da antiga casa encarnada, esse estádio é completamente novo, com 65 mil lugares. A redução da capacidade – na Luz original cabiam mais de 100 mil pessoas – pode parecer drástica, porém, é mais compatível com a realidade do futebol português. Além disso, só assim foi possível fazer um estádio com cotação máxima – cinco estrelas – para a classificação da Uefa.

A casa benfiquista abrigará a final da Euro e os principais jogos em que a seleção de Portugal for mandante nos próximos anos. A diretoria do clube encarnado ainda inscreveu a Luz como candidata a sede da final da Liga dos Campeões de 2005, sem sucesso.

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Mais sucesso tiveram os sportinguistas, que terão seu novo estádio, o José de Alvalade Século XXI, como local da final da próxima Copa da Uefa. A casa dos leões também é 100% nova e recebeu cinco estrelas da entidade máxima do futebol europeu. A capacidade e um pouco menor: 52 mil pessoas. O Alvalade receberá uma das semifinais, que pode ter a seleção portuguesa se o time de Felipão for primeiro em seu grupo e vencer nas quartas-de-final.

Ubiratan Leal

Imagens: Turismo de Lisboa, Portugal Travel Guide, Euro 2004 e The Stadium Guide

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Posted by ubiraleal at 04:37 AM

Leiria

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Leiria foi fundada como a aldeia romana de Collipo, foi controlada pelos mouros e só passou ao domínio português no século XII. A vista da cidade é dominada pelo rio Lis e o Castelo de Leiria, em destaque no alto de um morro e antiga residência da família real portuguesa. Da torre do castelo é possível ver o Pinhal de Leiria, floresta de pinheiros ao lado da cidade.

A cidade, localizada na região de Ribatejo, não é das mais procuradas pelos turistas devido á concorrência regional. Em volta de Leiria estão alguns dos principais templos religiosos de Portugal como a abadia de Santa Maria da Vitória, em Batalha, o mosteiro de Santa Maria de Alcobaça, maior igreja do país, e o conhecidíssimo santuário de Fátima.

Muito da escolha de Leiria como cidade-sede da Eurocopa se deve à ascensão da União Leiria. Clube de pouca projeção há dez anos, a União cresceu e se estabeleceu côo uma força média na Superliga, capaz de perseguir a zona de classificação para a Copa da Uefa com certa constância, mas nem tanto sucesso. Sua melhor temporada foi a 2000-01, quando foi treinada por José Mourinho e terminou em 5º lugar, à frente do Benfica.

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O estádio Dr. Magalhães Pessoa foi ampliado, com novos lances de arquibancada e cobertura, passando de 11 mil pessoas para 30 mil. O local foi inaugurado com a maior goleada de Portugal sob o comando de Felipão: 8x0 sobre o Kuait.

Ubiratan Leal

Imagens: Portugal Travel Guide e Região de Turismo Leiria-Fátima

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Posted by ubiraleal at 04:28 AM

Guimarães

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Guimarães é chamada pelos portugueses de “berço da nação”. Afinal, foi na cidade que Dom Afonso Henriques venceu a batalha contra as tropas de Leão e Castela (que formariam a Espanha) e asseguraram a independência do Condado Portucalense (que formaria Portugal). Também por isso, a cidade minhota foi elevada à condição de primeira capital de Portugal em 1139.

O centro histórico da cidade ainda mantém um forte ar medieval. A principal atração vimaranense é dessa época: o Castelo de São Miguel foi erguido no século X para proteger a cidade de ataques mouros e normandos e, diz-se, foi nele que nasceu Afonso Henriques. Todo o centro de Guimarães é considerado Patrimônio da Humanidade pela Unesco.

No futebol, Guimarães tem um lugar de razoável destaque. O Vitória de Guimarães está, ao lado de Boavista e Braga, no grupo de clubes médios estáveis, que costumam montar boas equipes, complicar a vida do trio Benfica-Sporting-Porto, mirar alguma vaga na Copa da Uefa e até sonhar com a Taça de Portugal.

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No entanto, justamente no ano em que o estádio D. Afonso Henriques foi reformado e ampliado para 30 mil pessoas para a Eurocopa, o Vitória entrou em seriíssima crise financeira, desmontou seu time e quase foi rebaixado para a Liga de Honra. Escapou na última rodada.

Ubiratan Leal

Imagens: Portugal Travel Guide e The Stadium Guide

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Posted by ubiraleal at 04:20 AM

Faro/Loulé

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O principal apelo para a escolha de Faro como sede da Eurocopa é o turismo. O Algarve é muito procurado no verão pelo clima quente e pelas praias. Faro, maior cidade da região, nem é tão visitado quanto os balneários Portimão ou Albufeira, mas ganha em importância econômica e tem o clube de futebol mais tradicional da vizinhança. Mas, como forma de justificar o gasto na construção de um estádio completamente novo, o governo decidiu compartilhar a sede com Loulé.

A principal atração de Faro é o Parque Natural da Ria Formosa, que começa na praia da cidade e vai até Cacela Velha, 60 km a leste. É composto por uma cadeia de ilhas compridas que formaram uma lagoa pantanosa, com água morna, canais e muitos moluscos.

A cidade em si sofreu muito com o terremoto de 1755. Esse tremor ficou conhecido pela destruição que causou em Lisboa, mas o epicentro foi no Algarve. De mais notável sobraram partes da muralha que protegia a cidade e a Igreja da Sé e de Nossa Senhora do Pé da Cruz. A maior parte das demais edificações históricas de Faro são dos séculos XVIII e XIX, como o Paço Episcopal e a Igreja de São Francisco.

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Loulé é um pouco menor (50 mil habitantes, 10 mil a menos que Faro). Surgiu como centro cultural no período de domínio árabe e cresceu em volta de seu mercado e centro de artesanato. A região central se torna mais movimentada aos sábados, quando se realiza uma feira de ciganos. Como o Algarve foi a última região de Portugal a ser recuperada dos árabes, a influência mourisca é maior. Isso fica evidente no próprio edifício do mercado (foto) e também na Igreja de São Clemente.

Futebolisticamente, o Algarve está em uma fase muito ruim. As equipes da região estão decadentes e longe da Superliga. Atualmente, o mais bem colocado é o Portimonense, na Liga de Honra (Segunda Divisão). Mas o maior clube é o Farense, de Faro, que, após várias temporadas na elite, despencou para o Grupo Sul da Segunda Divisão B, a Terceirona lusitana.

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Para que o estádio do Algarve não fosse construído para abrigar uma equipe secundária, o governo português decidiu erguê-lo na divisa de Faro com Loulé, no Parque das Cidades. Assim, o estádio receberá os jogos do Louletano, também no Grupo Sul da Segunda Divisão B. Ou seja, o local abrigará duas equipes secundárias.

O estádio foi inaugurado com pouco público em um clássico algarvio entre Louletano e Farense (vitória do Louletano por 2x1). Por isso, é de se esperar que o estádio raramente tenha seus 30 mil lugares preenchidos.

Ubiratan Leal

Imagens: Iadis, Algarve Window e Portugal 2004

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Posted by ubiraleal at 03:53 AM

Coimbra

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Coimbra é uma das cidades mais marcantes na história de Portugal. A principal cidade da Beira Litoral foi capital do reino de Portugal entre 1139 e 1256, viu o nascimento de seis reis e abriga a universidade mais antiga do país. Com isso, a cidade se tornou extremamente agradável, com belas construções antigas e um clima jovem proporcionado pelos milhares de estudantes que circulam pelas vielas e ladeiras coimbrãs.

Como ocorre em boa parte das cidades lusitanas, em Coimbra há um grande destaque às igrejas. As mais importantes são a Sé Velha – edificação medieval com arquitetura semelhante a de um forte –, a Sé Nova, Santa Cruz, Santa Clara-a-Velha, Santa Clara-a-Nova e São Tiago. Mas o Arco de Almedina, porta de entrada da cidade antiga, e o aqueduto romano também merecem a atenção do turista. Fora da cidade também há o sítio arqueológico de Conimbriga, antiga cidade romana que emprestou o nome à vizinha Aeminium (atual Coimbra).

Tudo isso sem falar, claro, na Universidade de Coimbra, localizada no alto de um morro e facilmente vista de vários pontos da cidade. Na instituição é possível visitar a impressionante Biblioteca Joanina, com 200 mil volumes, muitos raríssimos, e a capela de São Miguel.

A universidade exerce um papel tão importante no dia-a-dia coimbrão que o principal clube de futebol da cidade surgiu da união de estudantes. O nome faz referência a essa origem: Acadêmica. Hoje, a equipe está aberta a jogadores profissionais – antes era composta apenas por estudantes – e costuma revezar temporadas na Superliga e na Liga de Honra. Mas o time que veste tudo preto foi um dos mais fortes do país na década de 60, conquistando títulos da Taça de Portugal.

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O estádio Cidade de Coimbra é um dos que foi apenas reformado para receber a Eurocopa. Foi construído um anel superior – aumentando a capacidade para 30 mil pessoas – e cobertura para cerca de 70% dos espectadores. Curiosamente, a inauguração não teve um jogo de futebol, mas sim, uma apresentação dos Rolling Stones.

Ubiratan Leal

Imagens: Feuc/Universidade de Coimbra e World Stadiums

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Posted by ubiraleal at 03:34 AM

Braga

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Fundada pelos romanos com o nome de Bracara Augusta, a principal cidade de região do Minho – norte do país, na fronteira com a espanhola Galícia – teve seu marco histórico no século XII, quando passou a ser sede do arcebispado português. Com isso, Braga se tornou um centro religioso e até hoje é considerada a capital religiosa de Portugal.

Um sinal dessa forte influência religiosa é que as principais atrações – entre locais turísticos e festas – estão ligadas à Igreja Católica. As principais comemorações da cidade são organizadas na Semana Santa e no dia de São João. Em relação às igrejas, as mais importantes são a Sé, Santa Cruz, Capela dos Coimbras e o antigo Paço Episcopal.

Na realidade, a principal atração turística de Braga está fora da cidade, a 5 km a leste. O Santuário de Bom Jesus do Monte (foto acima) foi concluído em 1811, após quase um século de obras. Para chegar à igreja de bom Jesus, no alto de um monte, o turista ou fiel deve passar por uma enorme e bela escadaria, com capelas e fontes, que representam as últimas horas de Cristo, no trajeto.

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Mas a Eurocopa criou mais um ícone para a capital minhota. O estádio municipal de Braga, com 30 mil lugares, já é conhecido por sua arquitetura inusitada, com arquibancadas apenas nas laterais do campo. Implantado no meio de uma pedreira desativada, o arquiteto Souto de Moura – conhecido internacionalmente por projetos que integram edificação e natureza – decidiu manter a vista original atrás dos dois gols.

Após a Eurocopa, o estádio será utilizado pelo Sporting Braga, um dos clubes mais tradicionais de Portugal. Apelidado de Arsenal do Minho por ter um uniforme igual aos gunners, os bracarenses lutam sempre pelas vagas portuguesas na Copa da Uefa.

Ubiratan Leal

Imagens: Olimar e Stadionwelt

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Posted by ubiraleal at 02:43 AM

Aveiro

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Cidade localizada na região da Beira, prosperou o século XV com as salinas e o porto, que servia de base para os navios que pescavam bacalhau. No entanto, uma fortíssima tempestade levantou um banco de areia que bloqueou a saída do porto para o alto mar. Sem sua principal fonte de renda, Aveiro entrou em declínio econômico, só se recuperando a partir de 1808, quando foi feita uma nova saída para o Atlântico. Hoje, a cidade tem perfil industrial, mas se notabiliza pelo doce de gemas moles, o ovos moles de Aveiro.

A cidade não tem grandes atrativos turísticos, até porque é ofuscada pelo balneário de Figueira da Foz, a cerca de 60 km ao sul, e a histórica e universitária Coimbra, a aproximadamente 50 km a sudeste. Mas Aveiro foi escolhida como sede da Euro por abrigar uma equipe relativamente tradicional do futebol lusitano: o Beira Mar.

O clube aurinegro nunca teve grande destaque, mas é freqüentador assíduo da Superliga portuguesa. Na última temporada, teve um início muito bom, ameaçando o Benfica na terceira posição durante várias rodadas. No entanto, entrou em declínio na segunda metade do campeonato e chegou a ter um leve risco de rebaixamento.

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Para a Eurocopa será utilizado o estádio Municipal de Aveiro, com capacidade para 30 mil pessoas (um excesso para o dia-a-dia do Beira Mar) e construído especialmente para abrigar o evento. Foi inaugurado em um empate entre Portugal e Grécia, 1x1.

Ubiratan Leal

Imagens: Região Centro e Stadionwelt

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Posted by ubiraleal at 01:24 AM

Portugal

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Muitos brasileiros ainda olham para Portugal com certo preconceito, como se o país sede da Euro 2004 fosse atrasado tecnologicamente, cheio de pessoas ingênuas e que vive de sua história. Pois esqueça tudo isso. Portugal ainda tem uma qualidade de vida abaixo de outras nações da União Européia como Alemanha, Reino Unido, França e Holanda, mas se desenvolveu rapidamente nas últimas duas décadas. E a Eurocopa é mais um sinal da modernização lusitana. Como foi a Expo 98 de Lisboa.

Quando apresentou sua candidatura à sede do torneio continental, Portugal era visto como azarão diante da Espanha. Afinal, os vizinhos ibéricos viviam (como ainda vivem) uma situação econômica mais favorável, contam com um número maior de empresas que poderiam apoiar o evento, mais tradição futebolística, mais estádios e mais clubes de projeção continental. Tudo mais ou menos pronto.

Foi justamente nesse ponto que os portugueses centraram sua candidatura. Venderam bem a idéia de que a Eurocopa seria importante para o país modernizar a infra-estrutura de seu futebol. Com novos estádios e o dinheiro que circulasse na competição, os clubes portugueses poderiam atrair mais torcedores e, claro, recolocar a liga portuguesa entre as principais da Europa. Deu certo e Portugal venceu a eleição.

Tão difícil quanto vencer a candidatura espanhola foi cumprir as promessas de campanha. O governo português ajudou na reestruturação do futebol do país, o que provocou muitas reclamações da oposição, que via outras prioridades para os recursos públicos. Muitas obras atrasaram e pensou-se na possibilidade de realizar o torneio com obras inacabadas, mais ou menos o que se fala hoje das Olimpíadas de Atenas.

Mas os portugueses conseguiram acelerar as obras e deixar quase tudo pronto. Com a Eurocopa, Portugal mostra que não vale a visita apenas pelo vinho, o azeite, a arquitetura manuelina, os azulejos, as praias e sua pouco conhecida, mas deliciosa, culinária. É também um país moderno, que organiza um evento de grande porte e recebe turistas de toda a Europa.

Veja o perfil das cidades que receberão partidas da Euro 2004
Aveiro
Braga
Coimbra
Faro/Loulé
Guimarães
Leiria
Lisboa
Porto

Ubiratan Leal


Posted by ubiraleal at 12:44 AM

junho 02, 2004

Desertores no Brasil x Argentina?

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Inegavelmente um dos jornalistas brasileiros que mais conhecem o futebol argentino, Roberto Petri constantemente tem de responder a perguntas sobre qual a seleção de sua preferência. A ênfase com que ele sempre diz “Brasil” mostra como ele quer, além de declarar sua torcida, evitar o rótulo de “traidor da pátria”. Se o jornalista torce para o Brasil ou para a Argentina, é uma questão particular dele. Mas muitos torcedores devem ter em mente que gostar do futebol do rival regional é algo relativamente comum. Tanto que não faltam argentinos (como o da foto) que mostram apoio ao Brasil. E vice-versa.

Como já foi defendido aqui, a rivalidade de brasileiros e argentinos é mais ligada a futebol e provocações sem maiores conseqüências. Achar que a rivalidade resulta apenas em ódio é bobagem, até porque diferenças de idioma e clima à parte, são dois países latino-americanos que carregam várias semelhanças históricas, econômicas e culturais. Por isso, não é difícil encontrar argentinos que se fascinam com os costumes daqui e brasileiros que adoram a Argentina. O futebol é apenas mais um elemento dessa história.

No caso de Brasil e Argentina, a rixa no campo é plena de respeito mútuo. Os nossos vizinhos costumam usar muito o termo “hijos de Argentina” para dizer que o Brasil sempre cai diante deles. Porém, o provocador Diário Olé comemora a contusão de Ronaldinho Gaúcho com um “el fantástico de los fantásticos de Brasil está desgarrado”. Nem a imprensa brasileira descreve a seleção de Parreira como “fantástica”.

Outro exemplo é dado por Carlos Bianchi, técnico argentino que tem se especializado em eliminar brasileiros da Libertadores. O comandante do Boca Juniors diz que a melhor forma de bater uma equipe brasileira é lhe tirar a posse de bola e a tranqüilidade para jogar, pois, do contrário, os jogadores usarão toda sua habilidade para desnortear o adversário. Por trás da declaração está uma grande admiração pela qualidade técnica do futebolista brasileiro. Enquanto isso, sobram comentários de brasileiros que se impressionam com a cantoria ininterrupta dos hinchas argentinos e com a imponência do jogador platino.

É inevitável que, nessa relação entre futebol brasileiro e argentino, torcedores percebam ter mais afinidade com o lado oposto. E não são poucos em nenhum dos dois países (até porque a identificação automática entre seleção e pátria já deixou de existir há tempos), por mais que se ignore esse fenômeno. Esses torcedores têm orgulho de dizer que não simpatizam com a seleção de sua terra natal, não têm medo de discutir as razões disso, tentam, dentro do possível, imitar o comportamento dos torcedores ex-rivais e se desmancham em elogios (a maioria idealizada) ao ex-adversário.

Para esses, um Brasil x Argentina é festa. Afinal, podem mostrar de forma categórica o que sentem e, claro, se diferenciar do resto. Por isso, se um brasileiro vir um compatriota torcendo pela Argentina nessa quarta, lembre que, com certeza, há vários argentinos de verde e amarelo naquele momento. Faz parte da rivalidade entre vizinhos. E, se o Brasil ganhar, agradeça a existência daquele sujeito de camisa blanco celeste. Afinal, é um potencial alvo de gozações. E esse sabe que terá de aceitar. Faz parte do pacote de torcer contra a seleção do próprio país.

Ubiratan Leal

Imagem: Tupinitango


Posted by ubiraleal at 03:03 AM

maio 12, 2004

Custa aprender um idioma?

Durante a transmissão de Peru 0x2 Colômbia nas Eliminatórias para a próxima Copa, era possível ouvir claramente as instruções do técnico peruano Paulo Autuori. O interessante é que era também bastante fácil entender o que ele falava, pois o brasileiro não se deu ao trabalho de falar em espanhol. Esse fato não tem muita justificativa. Os idiomas são muito parecidos (é fácil aprender espanhol) e ele já está no Peru há alguns anos, pois, antes da seleção peruana, Autuori treinou o Sporting Cristal e o Alianza Lima.

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Ainda que o técnico repete no Peru o bom trabalho realizado em Cruzeiro e Botafogo, diminuindo o impacto negativo que a falta de fluência no idioma local poderia ter. Porém, sobram casos de treinadores e jogadores brasileiros que vão ao exterior e não se preocupam em aprender a língua falada em seu novo país. Muitos desses por pura falta de interesse.

Enquanto isso, argentinos, uruguaios e chilenos, mesmo alguns nem sendo tão competentes, conseguem vagas no comando de clubes europeus (em geral, não apenas na Espanha). Por exemplo, o argentino Héctor Cuper já concedia entrevistas em italiano cerca de 3 meses após a sua contratação pela Internazionale.

E essa lógica vale também entre os europeus. Suecos, britânicos, servo-montenegrinos e até húngaros que trabalham em Portugal aprendem a falar a língua local, bastante diferente do idioma de suas pátrias.

O que permite pensar se não seria esse um dos motivos para os treinadores brasileiros não se estabelecerem na Europa, salvo a óbvia exceção portuguesa. Afinal, a capacidade de comunicação com os jogadores é mais importante para um técnico do que um jogador, que pode, em teoria, se bastar da execução de suas funções em campo.

Apenas em teoria, que fique bem entendido. Casos como o de Adhemar na Alemanha até é possível compreender, pois o alemão é bastante diferente. O que fica sem explicação é como o ex-atacante do São Caetano está se virando na Coréia do Sul, país com língua muito mais complicada que o alemão.

Mas as situações passadas por Viola, Vampeta e Marcelinho são injustificáveis. Por mais que digam o contrário, o espanhol e o italiano são acessíveis. Apenas a falta de vontade – e, conseqüentemente, de profissionalismo – pode explicar o insucesso nas rápidas passagens pela Europa.

Felizmente, os poucos treinadores brasileiros que conseguiram um espaço na Europa não forçaram um breve retorno. Ainda assim, poderiam se esforçar mais para aprender idiomas estrangeiros. Afinal, ter capacidade de montar times com jogadores técnicos, mas indisciplinados taticamente, não é normal nos técnicos europeus. E isso poderia ser um diferencial para os brasileiros.

Gilberto Meazza

Imagem: Paulo Autuori


Posted by ubiraleal at 01:20 PM

abril 27, 2004

O jogador mais importante de um time?

Fazer um texto homenageando os goleiros em 26 de abril – dia do goleiro – não é fácil. Todos o fizeram, sempre com o tom poético melancólico, dizendo que o último defensor é um solitário, que a grama não nasce onde ele pisa (só no Brasil, na Inglaterra tem relva aparadinha sob os pés dos goleiros), que um bom time começa com um bom nº 1 e que uma falha é capaz de desvalorizar toda uma campanha (vide Kahn na Copa 2002) ou uma carreira (Barbosa que o diga). Sem desmerecer quem preferiu essa abordagem, vamos diplomaticamente buscar outra saída: a de discutir porque o goleiro pode ser considerado o jogador mais importante de um time.

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Claro que é uma questão discutível e depende muito da visão de futebol que cada um tem. De qualquer forma, a argumentação é simples. O goleiro é o jogador mais especializado de um time, o que dificulta sua substituição. Por isso seu desempenho tem influência tão grande no resultado final. Talvez um craque compense, mas nosso futebol doméstico não é abundante em craques já formados.

Em um campeonato de pontos corridos, os pontos colhidos pelos goleiros podem ter importância ainda mais decisiva na classificação final. Não adianta mais contar que o atacante artilheiro despertará na fase final e garantirá o título. É fundamental ter uma camisa 1 que segure um empate aqui e uma vitória ali e garanta os pontos para seu time durante o campeonato inteiro.

É impressionante o número de pontos garantidos por defesas difíceis de bons goleiros ao longo de um campeonato em dois turnos. São mais decisivos que as finalizações da maior parte dos artilheiros ou que as assistências dos armadores. Até porque, em uma determinada partida, o artilheiro está mal, mas outro atacante resolve. Se o armador está mal, outro jogador pode decidir em uma bola parada. O goleiro não. Ele não tem quem o cubra. Bons zagueiros ajudam, mas é apenas um apoio, não a substituição direta.

Por exemplo, Danrlei garantiu um ponto ao Fluminense nesse domingo, contra o Coritiba. Se tiver outras 15 atuações desse nível (em um campeonato de 46 partidas não é estatisticamente improvável), poderá, entre vitórias e empates, ter dado 20 pontos ao tricolor carioca ao final do campeonato. Dificilmente alguém faria o mesmo, nem Romário (na conta não entram todos os gols do baixinho, mas os gols que só ele e outros poucos centroavantes fariam). Claro, uma série de frangos podem ter um efeito extremamente negativo na classificação final.

Não é simplesmente o batido e pouco convincente “um grande time começa por um grande goleiro”. Isso é bobagem. Vários esquadrões não eram bem representados no gol. E vários bons arqueiros tinham diante de si uma equipe frágil e não evitaram o desaire. É apenas colocar o goleiro como uma das prioridades de um time pelos pontos que ele tem condições de garantir. Saber que aquele sujeito pode ser mais importante que o artilheiro e deveria ser valorizado como tal.

*

A primeira vez que ouvi esse argumento foi de um comentarista da RTPi (TV portuguesa), explicando porque considerava Preud’Homme o melhor jogador do Benfica. Depois, li em uma entrevista de um antigo treinador argentino, que, antes de aceitar algum convite para treinar um clube, queria saber se teria um bom goleiro no elenco. Desculpe-me por não lembrar o nome de ambos, mas deixo a referência.

*

Na Copa de 2002, alguns comentaristas chamaram o goleiro Kahn de “o craque do gol” pelas defesas que levaram a Alemanha à final. O apelido foi esquecido depois da falha do goleiro no primeiro gol brasileiro. Ainda assim, por que as pessoas têm tanto medo de usar a palavra “craque” para um goleiro?

*

A jogada de Ronaldinho Gaúcho e a conclusão de Xavi no segundo gol do Barcelona sobre o Real Madrid foram maravilhosas e definiram a vitória dos catalães. Mas será que as defesas de Valdés não foram tão decisivas quanto esse lance pontual?

Ubiratan Leal

Imagem: Copa 94 site não oficial


Posted by ubiraleal at 02:46 AM

abril 05, 2004

Clássicos da Tenente Silveira

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Quem passa pela rua Tenente Silveira, no centro de Florianópolis – e por ali passam milhares de pessoas por dia – não faz idéia que, subindo as escadas ao lado de um bingo recém-fechado e caminhando entre os pequenos “boxes” que vendem aviamentos e produtos importados do Paraguai, acontecem grandes clássicos do futebol mundial diariamente. Barcelona x Real Madrid, Manchester United x Arsenal, Fla x Flu, Caxias x América – ambos de Joinville – e tantos outros times e seleções se enfrentam em dois estádios no final do corredor.

No Bazar Piá, única loja especializada em futebol de botão da capital catarinense e talvez do Estado, passes de atletas são negociados a cifras astronômicas, rivalidades criadas, belos gols marcados, mas, principalmente, muitos marmanjos, jovens, velhos e crianças divertem-se comandando seus escretes em emocionantes partidas onde o que importa é ver a bola, disco ou dado balançar as redes adversárias.

Todos os nossos pais já jogaram futebol de mesa (tá, talvez uns três ou quatro preferissem brincar de boneca e se regeneraram posteriormente), como é chamado pelos profissionais de hoje, ou simplesmente "botão", nome que vem da origem dos jogadores. E, já que nossos pais jogaram, é muito provável que seus filhos também. Ou seja, quase todo o brasileiro nascido desde 1930 ao menos já viu uma partida de futebol de botão. Meu pai conta que, após “contratar” os jogadores – o quer dizer roubar botões de sobretudos e capotes em lojas e em casa – ele e seus irmãos (que são numerosos) começavam a treiná-los para que eles entrassem em forma para os jogos – os botões eram lixados e cortados com estilete até ficarem no formato desejado pelo técnico. O futebol de botão já tinha pré-temporada muito antes do ludopédio real.

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Após estar com o esquadrão completo – incluindo o goleiro, uma caixa de fósforo preenchida com chumbo ou areia – faltavam o campo, as traves e a bola. O problema do local de jogo era fácil de se resolver. Qualquer mesa razoavelmente grande ou um chão bem liso. As traves eram feitas com palito de picolé, lápis ou caixa de sapato recortada. A bola dava um pouco mais de trabalho. Podia ser de rolha, modelada com estilete à exaustão até ficar redonda, ou ainda de sabão com farinha, mas essa não subia muito. Às vezes, não se sabe se por preguiça de modelar uma esfera ou por dificuldades em achar um local totalmente nivelado, a bola não era redonda, mas tinha a forma de um pequeno disco, semelhante à usada nos jogo de hóquei no gelo... ou, para simplificar, era um botão pequeno. Mas ainda há, até os dias de hoje, um terceiro tipo de bola, menos conhecido, chamado de dadinho. Sim, a bola, no futebol de botão, pode ser quadrada.

“Dizem que o dadinho surgiu em alto-mar, com os marinheiros cariocas que jogavam nos navios. Assim a bola não deslizava de acordo com a inclinação da embarcação”, conta Rogério Kury, dono do Bazar Piá e jogador inveterado há mais de quarenta anos. Bancário aposentado, Rogério dedica seu tempo ao botão, mantendo a loja, organizando campeonatos, fazendo divulgação do esporte, viajando atrás de boas contratações para os times locais e tudo mais o que for preciso para divulgar sua paixão. “A loja não me dá lucro, mas eu ainda tenho esperança de ganhar dinheiro com futebol de botão.” Mas ele não espera ficar rico. O maior tesouro que Rogério tem, através do esporte, é o grande número de amizades feitas. “A gente conhece muita gente legal. E eu já vi crianças, que vinham aqui jogar virarem homens.” O Bazar está aberto há seis anos, e grandes negociações foram feitas nesse período.

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“Já me ofereceram 100 reais num botão, mas eu não vendi”, conta Rogério. orgulhoso e consciente que, se quiser manter seu gigantesco plantel com mais de 1200 atletas de plástico, acrílico, madrepérola ou galalite, não pode ceder às tentações. Mas, para garantir, ele está transferindo boa parte do seu elenco da sua loja para a sua casa. “Se eu não fizer isso, os caras ficam insistindo e não aceitam um não como resposta. E não adianta eu botar o preço lá em cima, porque eles pagam”, diz, espantado com o assédio dos grandes empresários do futebol de botão. E nem sempre os botões mais caros são os melhores. Há alguns, segundo o dono do Bazar Piá, que não jogam nada, mas valem por sua raridade. Um exemplo são os botões de galalite, material do qual eram feitas as fichas de cassino, quando o jogo no Brasil ainda era legalizado.

“Eu conseguia dinheiro vendendo garrafas, fazendo pequenos serviços. Tudo para poder comprar um botão de galalite. O time tinha dez botões comuns e um de galalite, e eu os guardava nessa caixinha de supositórios, com flanela e talco para não arranhar.” A caixinha de supositórios é metálica e um pouco maior do que uma carteira de couro, e também tem uma história interessante. Numa entrevista dada à TV Capital, de Florianópolis, Rogério estava com outro aficionado que mostrou onde e como guardava seus botões: numa pequena caixa de supositórios, com flanela e talco para não arranhar. “Eu jogava no interior do Rio Grande do Sul, e ele, em Paranaguá. Com tantos quilômetros de distância nós fazíamos a mesma coisa!” E, em sua caixinha de supositórios, um histórico time do Grêmio aguarda uma chance para realizar um amistoso.

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Entre os jogadores, um deles, o Áureo, zagueirão tricolor dos anos 60, viveu seu momento de glória ali nos balcões do bazar. “Certa vez chegou um sujeito sisudo, daqueles gaúchos bem gaúchos. Não falava quase nada, sério, com os dois filhos. E eu notei que, cada vez que ele abria a boca, falava no Grêmio. Ele comprou alguns botões e, quando foi pagar, tirou o cheque e eu vi o nome. Áureo. Perguntei se ele havia jogado no Grêmio e ele disse que não, mas que seu pai, sim.” Rogério então pediu que o sujeito esperasse e buscou a caixinha, abriu e procurou o botão do Áureo. “Aqui está o seu pai. Ele jogou no meu time.”

O filho do jogador se emocionou, abriu um largo sorriso e ficou mostrando o botão aos filhos. “Esse é o teu avô! Esse é o teu avô”, repetia, orgulhoso. “Isso é que é legal no botão, esses momentos únicos”, ressalta Rogério, que garante ter uniformes para botões de todos os times do mundo. Se ele não tem na hora, arruma em pouco tempo.

botao maradona.jpg Para cada lugar, uma regra
Talvez o maior problema do futebol de botão nos dias de hoje seja a infinidade de regras diferentes. Além dos três tipos de bola, ainda há, no interior do Rio Grande do Sul, alguns loucos que jogam com grãos de milho com bola. Então existem pelo menos quatro “redondas” quase nunca redondas – a bola (que hoje em dia é de feltro), o disco, o dado e o cereal. Some-se a isso regras que incluem mexer nos jogadores – só quando for gol, quando a bola sair em lateral, quando for falta... – arrumar o goleiro – dentro da pequena área ou até a linha da grande área – e, principalmente, regras que se referem ao número de toques. Há desde a baiana, onde cada jogador tem direito a um toque por vez, revezando-se independetemente de acertar a bola ou não, até aquela de toques ilimitados por jogador. “Toda a regra é boa, menos a que não tem limite de toques”, sentencia Rogério, que justifica. “É só fazer um a zero e ficar tocando a bola indefinidamente, deixando o tempo passar.”

Por isso, os campeonatos são realizados com as diferentes categorias. Mas mesmo assim há confusão de regras. Os jogadores se adaptam àquela que mais se assemelha a sua e disputam o torneio. O próximo vai ser em Florianópolis, no mês de outubro.

E assim os dias passam no Bazar Piá, com partidas memoráveis, e nas casas de muitos jovens e marmanjos, que gastam noites disputando torneios regados a churrasco e cerveja, e não apenas no Brasil. Há futebol de botão até em Israel. Levado, é claro, por um brasileiro. E lá deve haver alguns Zicos, Pelés, Áureos e Mauros Champus (craque do Íbis) desfilando seus talentos pelos gramados de madeira e estufando as redes de filó.

Paulo de Tarso

Imagens: Liga Skimböll e Ivan Ribeiro

Obs.: Esse texto foi originalmente publicado no site Marca Diabo e até foi indicado na seção Curtas do Balípodo. Depois, nos foi gentilmente oferecido e, claro, nunca recusamos um convite para jogar botão.


Posted by ubiraleal at 01:20 AM

março 16, 2004

Manifesto de um corintiano envergonhado

Confesso que torci para que o Juventus vencesse o São Paulo ontem. Claro que seria vergonhoso ver o Corinthians disputar a Segunda Divisão do Campeonato Paulista, mas não é igualmente vergonhoso continuar na Primeira graças ao clube do Morumbi?

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A 9ª colocação do Corinthians e a conseqüente manutenção do time na Série A-1 podem esconder a real situação do clube. Não que o rebaixamento necessariamente trouxesse à tona todos os problemas alvinegros e muito menos que tais problemas seriam resolvidos. Está aí o Palmeiras para provar que a segunda divisão não resolve as obscuras questões políticas de um clube de futebol.

O vexame desse domingo foi grande, a torcida protestou na saída do Pacaembu e, certamente, vai pressionar a diretoria ao longo da semana. Ao que tudo indica, muitos dos 13 jogadores contratados no início do ano terão seus contratos rescindidos, como já estava previsto. Provavelmente teremos novas contratações visando o Brasileirão. Ainda assim, a dúvida persiste: irá o Corinthians definir uma política clara de contratação de jogadores baseada em um planejamento de longo prazo?

Como mero torcedor que sou, acredito que o Corinthians deva ter a manutenção na Primeira Divisão como objetivo para o Brasileiro. Nada além disso. É óbvio que dirigentes, técnicos e jogadores dirão que “o Corinthians é grande e sempre busca o título” e outras frases do tipo. Porém, esse discurso, além de soar ridículo, pode se voltar contra o próprio clube assim que a torcida – empolgada com possíveis contratações – perceber que o time não tem condições para tanto.

O mais provável é que o Corinthians acabe por repetir a estratégia usada no começo do ano, contratando jogadores jovens que brilharam (ou nem tanto) por clubes do interior. É possível que venham um ou dois jogadores mais consagrados, daqueles que não vão bem na Europa e acabam retornando ao Brasil. Algumas vezes é um bom negócio, como aconteceu com Ricardinho e Vampeta, outras nem tanto, lembremos de César Prates e André Luiz.

Ainda não se sabe que rumos o clube irá tomar a partir de agora. Por enquanto, cabe a nós, torcedores, esperar alguma definição. E, como torcedores que somos, torcer para que a situação do Timão não fique ainda pior.

Thiago Andrada

Imagem: Djalma Vassão/Gazeta Esportiva


Posted by ubiraleal at 12:52 AM

março 01, 2004

Dá para se perder com tantos apelidos

O nome é uma espécie de retrato de uma pessoa, lhe dá identidade e a diferencia dos demais. Os jogadores de futebol brasileiros deveriam pensar mais nisso ao adotar um “nome artístico”. Não só porque o esquema atual (padronização zero) tende mais a confundir o torcedor, mas porque elimina a própria personalidade do jogador em muitos casos.

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O mais comum é ver o uso apenas do primeiro nome ou de um apelido. Desse jeito, há uma legião de atletas com “nomes artísticos” rigorosamente iguais. O que o jogador muitas vezes não percebe é que, dessa forma, criam-se dúvidas a respeito de quem ele é, a menos que atue em grandes clubes ou na seleção.

Há casos em que isso é escancarado. Como no do lateral-direito Cafu. Não o do Milan, ex-Roma, São Paulo e Palmeiras. Mas sim, o ex-Peñarol, de nome real Luciano Barbosa (foto no alto). Quem recebe a notícia que há um Cafu no auri-negro uruguaio logo percebe que não se trata do capitão da seleção de 2002, mas um outro. Um mero “clone”. Por melhor que ele seja, há uma idéia de que o jogador não tem personalidade futebolística própria. Isso porque o próprio Cafu (agora, sim, o do Milan) já tem seu nome em homenagem a outro jogador, Cafuringa ponta-direita do Fluminense nos anos 70 do século passado.

Há muitos casos de confusão, às vezes até pitorescos. O São Caetano, em 2001, contratou o centroavante Magrão revelado pelo Palmeiras anos antes. Enquanto isso, o Magrão volante formado pelo Azulão fazia sua segunda temporada no Palmeiras. Pior, quando o Magrão centroavante foi para o Japão, o clube do ABC trouxe por empréstimo o Magrão volante. Até hoje deve haver torcedores que acham que existe apenas um Magrão.

Quando dois jogadores de mesmo “nome artístico” ficam na mesma equipe, logo se busca um diferencial. Menos mal quando se acrescenta o sobrenome, como foi feito com os Rogérios (Ceni e Pinheiro) no São Paulo. Mas o mais comum é acrescentarem um adjetivo pátrio, que soa estranho. Assim, o Flamengo do 2003 era uma legião baiana, com Fernando Baiano, Fábio Baiano, André Bahia e Luciano Baiano. Isso porque o Fernando nem baiano é, pois nasceu em São Paulo. Aliás, o Mineiro do São Caetano é gaúcho.

A Folha de São Paulo tentou usar um meio diferente. No Corinthians de 1994, os Marcelinhos eram diferenciados pelos sobrenomes (Surcin e Souza). Mas os próprios jogadores preferiam o uso do gentílico (Carioca e Paulista, respectivamente).

Para o Brasil, país com tantos Josés, Joões, Silvas e Souzas, o nome composto seria muito bem-vindo, pois reduziria a chance de haver homônimos. Isso já ocorre um pouco, com o surgimento de Reginaldo Araújo, Reginaldo Nascimento, Rubens Cardoso, Fábio Simplício, Júlio Baptista, Fabiano Heller, Daniel Carvalho etc.

Esse é o padrão básico adotado em quase todo o mundo. Em Portugal e Espanha, há alguns apelidos, como Luís Filgueiras que se transformou em Luís Figo, Juan Francisco que passa para Juanfran e Jesus que é chamado de Jesuli. Mas esses são minoria e são derivados do nome real do atleta, mantendo a capacidade de identificação. Nos outros lugares, como na Argentina, os apelidos dos jogadores são informais, usados por torcedores e imprensa como forma de demonstrar intimidade.

Gilberto Meazza


Posted by ubiraleal at 10:14 AM

fevereiro 15, 2004

É difícil avaliar os jogos de compadre

O empate entre Vasco e Americano, pelo Campeonato Estadual do Rio, despertou mais uma vez (já se perdeu a conta) a discussão a respeito dos resultados pré-arranjados ou do chamado “jogo de compadres”. Com o sonolento 0x0, os dois alvinegros se classificaram, deixando de fora da Taça Guanabara um terceiro, o Botafogo. E voltou-se a discutir se seria legítimo dois times entrarem em campo predispostos a chegar a um resultado que os favoreçam, mesmo que prejudicando uma terceira equipe.

americano x vasco.jpg

No caso citado, o fato de Eurico Miranda (presidente dos cruz-maltinos) e Eduardo Viana (presidente da Ferj e ligado ao clube campista) serem aliados políticos e, pior, figuras pouquíssimo agradáveis, fez do empate em São Januário ter ares pouco límpidos. Muita gente prematuramente já começou a chiar que estaria soando armação pela ligação dos dirigentes envolvidos.

Não dá para afirmar que isso efetivamente aconteceu, mas, mesmo que fosse verdade, o Botafogo ficou de fora mais pelo mérito de seus 2 adversários do que por uma suposta negociação nos bastidores. Afinal, se tivesse, ao menos, empatado com o Americano, não dependia dos outros na última rodada. Além disso, os dirigentes que aprovaram o regulamento e a tabela já deveriam prever que isso poderia acontecer.

Outro fato é que, acompanhando os melhores momentos, não pareceu que o Vasco estava totalmente desinteressado na partida. O clube carioca tomou a iniciativa, enquanto o Americano parecia mais disposto a segurar o resultado do que arriscar se a cair fora num contra-ataque. Aproximando-se do término do jogo, a própria torcida vascaína, não se conformando com a apatia do time, iniciou um coro de “marmelada” de certa forma injusta. Àquela altura, não parecia sensata a idéia de se avançar em demasia e colocar em risco a já garantida classificação.

Além disso, o não interesse em classificar o Fogão pode ser estratégico. Afinal, não seria interessante para o Vasco ter mais à frente um adversário com mais tradição e torcida que o clube de Campos. É um caso parecido com a Libertadores de 1991, quando o Boca empatou em casa contra o Oriente Petrolero só para desclassificar o River Plate. Na lógica auri-azul, ter os compatriotas fora da competição poderia facilitar o avanço do time, sobretudo nas quartas-de-final. Esse empate colocou os boquenses no caminho do Corinthians nas oitavas-de-final, já que o primeiro lugar do grupo acabou nas mãos do Bolívar. Mas evitou um superclásico argentino nas quartas.

bota x marilia.jpg

De mais a mais, o próprio Botafogo não pode reclamar agora, pois na Série B de 2003, aliviou na hora de enfrentar o Marília no interior paulista. O 2x2 classificou ambos antecipadamente, tirando quaisquer chances de Remo e Naútico. Na época, o próprio treinador botafoguense, Levir Culpi deu declarações em favor de tirar vantagem das possibilidades oferecidas pelo regulamento.

Em 2001, o Flamengo só não foi rebaixado porque ganhou do Palmeiras na última rodada, em Juiz de Fora. Muitos reclamaram que o Palmeiras teria entregado o jogo, mas é difícil avaliar um time sem nenhum objetivo no Campeonato. Até porque, naquela mesma rodada, o Santa Cruz venceu o Guarani em Campinas, um resultado improvável pela condição técnica das equipes.

Situações parecidas com as descritas acima foram as derrotas do Corinthians para o Botafogo em 2002 e para o Grêmio em 2003, além do empate entre o ameaçado Internacional e o virtualmente eliminado Palmeiras em 1999. E a polêmica vitória do mesmo colorado em Balem contra o Paysandu na última rodada do Brasileirão de 2002.

Por isso é muito complicado julgar a ética desses casos. Todos, de alguma forma, já tiraram vantagem desse tipo de situação. Até porque é difícil comprovar onde acabou a desmotivação de um time eliminado e começam os atos imorais.

*

Um jogo com resultado supostamente arranjado foi o Grêmio x Cruzeiro na Copa Libertadores de 1997. Os mineiros haviam perdido em casa dos gaúchos e os jogos contra os peruanos do Sporting Cristal e do Alianza Lima. Estava praticamente eliminado, já que dificilmente venceriam em Porto Alegre e teriam de descontar todos os pontos em atraso nas duas partidas contra os peruanos no Mineirão. Mas, surpreendentemente, o Cruzeiro venceu no estádio Olímpico por 1x0, gol de Palhinha. Falou-se muito que o Grêmio teria facilitado o caminho cruzeirense. Se o fez, foi pouco inteligente. O Cruzeiro era claramente mais forte que os peruanos. Tanto que, nas quartas-de-final, eliminou o próprio Grêmio e foi campeão, batendo, curiosamente, o Sporting Cristal na final.

*

A única coisa realmente condenável é a compra de resultado, com o suborno de jogadores adversários ou do árbitro. Como na vitória argentina por 6x0 sobre o Peru na Copa de 78. Ou quando a combinação de resultados não traz nenhuma vantagem técnica futura a uma das equipes. Caso da Áustria, que perdeu estranhamente da Alemanha Ocidental por 1x0 na Copa de 82 para desclassificar a Argélia (a não ser que alguém ache que é mais fácil enfrentar os alemães adiante do que os argelinos).

Gilberto Meazza

Imagens: O Diário e O Globo


Posted by ubiraleal at 10:03 PM

fevereiro 04, 2004

Rankings são tão divertidos quanto inúteis

A Fifa tem o seu, a Federação Internacional de História e Estatística do Futebol também, bem como a Uefa, a Conmebol e a CBF. A Folha de São Paulo, então, criou dois. São rankings e mais rankings. Toda hora um é divulgado e torcedores se sentem orgulhosos, enquanto outros (os rivais) tentam desmerecer a listagem. Mas, na boa, para que servem esses rankings?

ranking fifa.gif

O certo seria usar o ranking apenas como diversão. Para criar um fato meia-boca que permita que um torcedor se divirta às custas do amigo enquanto toma uma cerveja na sexta-feira à noite. Ótimo. É mais um argumento tendencioso que entra na forma mais saudável de lidar com o futebol, na brincadeira.

O problema é que há muita gente que leva essa história de ranking a sério. A primeira a fazer isso é a imprensa, que não se cansa de repetir a mais que manjada manchete “Brasil mantém a liderança do ranking de seleções da Fifa”. E daí? O que o Brasil ganha com isso? Todo mês é assim desde a conquista da Copa de 1994, salvo em um período entre a Copa das Confederações de 2001 e o Mundial de 2002, quando a liderança foi francesa.

Há casos piores, como os que o próprio veículo desenvolve rankings para gerar matérias, como a supracitada Folha de São Paulo. O diário divulga anualmente a pontuação dos melhores clubes do Brasil na história (o Palmeiras lidera) e um similar só contando competições internacional (o Real Madrid está no topo). Outra lista conhecida é a da Placar para os Campeonatos Brasileiros, que tem a vantagem de ser mais realista que a da CBF (o que não significa muito).

O mais triste é que entidades como Fifa, Uefa, Conmebol e CBF usam esses levantamentos como critério para selecionar cabeças-de-chave em sorteios de Eliminatórias e até na escolha de participantes de uma competição (nesse caso, o uso do ranking é bastante suspeito). O máximo que seria admitido desses dados puramente estatísticos (sem nenhuma base técnica) é na definição de quantos clubes cada país tem direito em Ligas dos Campeões, Libertadores, C