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Fevereiro
/ 2003
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As
mulheres de Bond Sylvia Trench
(Eunice Gayson) foi a primeira a ouvir o famoso bordão "Bond.
James Bond". Nome que Ian Fleming pegou emprestado de um ornitólogo
norte-americano: segundo o próprio autor, um nome simples, sonoro
e masculino.
Sylvia Trench
deveria ser um personagem regular na série, assim como Q (o mestre
construtor de geringonças), ou M (o chefe do Serviço Secreto
Britânico responsável pelas ações de 007).
Mas os produtores preferiram deixar Bond livre de algo que, mesmo remotamente,
poderia ser chamado de um "relacionamento". Sylvia ainda aparece
no segundo filme da série, Moscou Contra 007 (From Russia
With Love), mas desde então não há mais o menor
vestígio dela.
Sylvia foi
completamente ofuscada por Honey Rider, a personagem de Ursula Andress,
que depois da cena do biquíni passa a magnetizar toda a atenção
da platéia. Leonard Maltin, um dos mais famosos críticos
de cinema dos EUA, pensa que Andress criou a versão do século
XX para O Nascimento De Vênus, de Sandro Boticelli. De qualquer
forma, o fôlego sexual de Bond segue inesgotável ainda hoje,
40 anos após sua estréia nas telas e 50 anos após
seu surgimento nas páginas de Ian Fleming.
Casino
Royale, de 1953, foi o primeiro de uma série de doze livros
com o personagem, que inspiraram a série de filmes produzidos por
Albert R. Broccoli e Harry Saltzman. Desde Doutor Nô, a fórmula
pouco se alterou: missões secretas, locações exóticas,
vilões megalomaníacos, apetrechos com tecnologia de ponta
e, claro, Bond girls.
Em toda sua
carreira no cinema, cinco atores interpretaram o agente 007: Sean Connery
fez os cinco primeiros filmes e estabeleceu o padrão de um Bond
suave, sofisticado e um tanto blasé. O australiano George Lazenby
assumiu o papel em A Serviço De Sua Majestade (On Her
Majesty's Secret Service), mas resolveu abandonar o personagem após
ser avisado que a série estaria entrando em decadência. Connery
assumiu novamente o posto de James Bond em Os Diamantes São
Eternos (Diamonds Are Forever) e logo deixou o lugar vago para
Roger Moore, que estreou como Bond em Com 007 Viva E Deixe Morrer (Live
and Let Die). Moore trabalhou para o Serviço Secreto de Sua
Majestade durante 13 anos e sete filmes, igualando (ou, para alguns, superando)
a popularidade de Sean Connery. Quando Moore se viu muito velho para continuar
no papel, Timothy Dalton foi chamado. Mas ele fez apenas dois filmes e
Pierce Brosnan passou a interpretar o agente 007. Um Novo Dia Para
Morrer é o quarto filme de Brosnan no papel.
>Há
também um filme "não oficial", ou seja, não
produzido pelos Broccoli. É Nunca Mais Outra Vez (Never
Say Never Again), estrelado por Sean Connery e lançado na mesma
época de 007 Contra Octopussy (Octopussy). Com essa
ovelha negra, são 20 filmes de James Bond, que, após 40
anos de serviços prestados a Sua Majestade, não envelheceu
um dia sequer.
Um dos segredos
da longevidade da série é uma sutil forma de esquecimento.
A cada novo filme, Bond é apenas Bond, e não a síntese
dos filmes anteriores. O agente secreto é como que "impermeável"
a tudo ao seu redor e, assim, "alheio" ao mundo que o cerca,
ele continua vivendo em seu universo muito próprio.
Por exemplo,
em Um Novo Dia Para Morrer, após a seqüência
de abertura, os créditos mostram Bond sendo torturado. Após
meses de tortura, Bond está irreconhecível. Mas o senso
de humor permanece o mesmo. E, após uma mirabolante fuga, bastam
um banho e um barbeador para que tudo volte ao normal e James recupere
seu ar "blasé". Claro, passa a ser uma questão
de honra perseguir seu algoz. Mas não porque a tortura chinesa
tenha deixado marcas na psicologia de 007. Talvez ele tenha ficado mais
chateado por aparecer ao público com a barba mal feita... Mais que
agente secreto, Bond é um playboy. Ele representa a masculinidade
do século XX: um homem cosmopolita, bon vivant, amante da tecnologia,
que faz questão de conquistar mulheres e depois descartá-las
como se fossem brinquedo. Assim como todo mês Playboy traz em suas
páginas centrais o poster de uma pin-up, a cada episódio
da saga de 007 temos uma "estrela do mês". Honey Rider
foi apenas a primeira e, como a Marilyn Monroe da Playboy número
um, não são poucos que a consideram inigualável.
Mas alguns
podem mudar de idéia com Jinx, a agente americana interpretada
por Halle Berry em Um Novo Dia Para Morrer. Jinx é quase
uma versão feminina de Bond: uma super agente secreta que, por
acaso, está na mesma investigação que o britânico.
Assim como Bond, ela parece inabalável: após escapar de
uma morte iminente, Jinx diz alguns gracejos espirituosos; após
ir para a cama com Bond, é ele (e não ela) quem acorda em
um quarto vazio. Além disso, o talento e o carisma da atriz (que
ano passado levou o Oscar por seu trabalho em A Última Ceia)
garantem que nenhum olho se desprenda da tela enquanto ela estiver em
cena.
Jinx é
a Bond girl de uma época que já assimilou completamente
o feminismo. Na década de 60 e 70, enquanto as mulheres de Bond
pareciam ansiosas para serem usadas e depois abandonadas por ele, as mulheres
da vida real queimavam sutiãs e clamavam direitos iguais. Jinx
lida de igual para igual com Bond. Claro que, na hora H, é ele
quem resolve a questão. Mas Jinx é uma espécie de
Lilith bíblica, que não aceita ficar em posição
inferior à masculina. Outro exemplo desse novo modelo de Bond girl
é Elektra King, que Sophie Marceau interpretou em O Mundo Não
É O Bastante (The World Is Not Enough). Uma vilã
que, após dividir o leito com James Bond, termina assassinada por
ele, a sangue frio. (Alguém lembra do destino de Lilith no texto
bíblico?)
Duas personagens
muito diferentes, Jinx e Elektra são Bond girls que não
se submetem ao poder masculino. As coisas mudam, e no mundo de 007 não
pode ser diferente. A fórmula dos filmes de James Bond só
pode continuar dando certo na medida em que ela puder se adaptar aos tempos
que surgem. O fim da Guerra Fria foi um golpe duro para a série,
que custou a descobrir o que um agente secreto britânico faria após
a queda do muro de Berlim. Timothy Dalton é o ator que representa
essa época e, não por acaso, ele é o Bond menos lembrado
pelo público. Sim, ele fez apenas dois filmes, mas o Bond de Dalton
é também um dos mais distantes do modelo blasé e
sofisticado criado por Sean Connery e mais próximo àquele
visto nos livros de Fleming: mais durão e com menos tempo para
mulheres. Um homem com um trabalho a cumprir, preocupado apenas em fazê-lo
bem feito.
Não
é por acaso também que, nos filmes estrelados por Dalton,
as tramas sejam menos "políticas", especialmente em License
To Kill (Permissão Para Matar), quando Bond está
atrás de vingança pessoal, a mesma premissa de uma infinidade
dos chamados "filmes de brucutu".
A decadência
do personagem, motivo do afastamento de George Lazenby, parece ainda longe
de chegar. Enquanto Bond seguir o modelo do playboy criado por Hugh Hefner,
parece que seu lugar estará garantido no imaginário masculino
deste século XXI. Aliás, os fãs da série já
especulam quem será o próximo ator a assumir o papel de
007, como pode ser visto aqui.
O escolhido
terá um legado e tanto, e um desafio maior ainda. Encarar as futuras
Bond girls, mulheres que, como Jinx, não estão dormindo
no ponto e não se deixam seduzir pela simples menção
do nome Bond... James Bond.
Te cuida, 007!
NO BROWSER: MR.
KISS KISS BANG BANG EON
PRODUCTIONS: 007.COM PICTURES
OF JAMES BOND GIRLS, WOMEN AND BABES |
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