keep talking

dezembro 05, 2004

Massas! Robôs!

Desde que o vírus Doom saiu espalhando o terror pela Internet que praticamente não é possível abrir sua caixa de e-mails após um dia inteiro sem ter ao menos um virusinho lá. No início, todos eles apareciam com um manjado “Hi” como assunto. Depois, foram se sofisticando. Alguns até parecem puxar conversa, como “sua saúde está bem?” ou “

Dá para entender qual o objetivo do cara que colocou os vírus com “I’m Nude” no assunto. É a esperança de algum amante de pornografia online se animar com aquele e-mail e, ingenuamente, abrir seu computador ao ataque. Outros como, “Your Word file” ou “Your Excel file” podem atingir pessoas que trocam muitos arquivos no trabalho.

Porém, o qual o objetivo que um vírus que chega com assunto “Massas!” (atenção para o detalhe do ponto de exclamação)? Que um amante inveterado da cozinha italiana pense (estilo Homer Simpson) “hmm, massas” e abra a mensagem? E “Robôs!”, então? Será que um estudante bitolado de engenharia mecatrônica queira ver qual robô é esse e seja enganado?

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novembro 27, 2004

Lohengrin

É até meio estranho, mas eu gosto de ópera. Tenho uns CDs em casa e vez ou outra me pego ouvindo Aida ou Carmen na íntegra. Pena que eu entenda tão pouco desse gênero musical. O básico eu sei, mas sinto que falta muita coisa ainda.

Bem, de qualquer forma, não pude perder a oportunidade de ir ao Teatro Municipal ver a montagem de Lohengrin. Primeiro, porque foi no Teatro Municipal, uma casa de espetáculos de verdade, com arquitetura, acústica e, principalmente, localização decente. Nada de obrigar o pessoal a ir até o início da Marginal Pinheiros, no meio do nada, para ver um espetáculo. Outro motivo foi porque estava a um preço razoável (R$ 30). Por fim, era uma ópera alemã, com as quais eu não tenho tanta intimidade (nem em CD). Seria interessante para conhecer.

Não farei muitas considerações a respeito do espetáculo porque não tenho muita experiência em ver óperas ao vivo. Posso dizer que essa me pareceu bem montada (mesmo com o pescoço do cisne quebrando na última cena) e que a presença de legendas ajudou bastante. A outra montagem que vi (Carmen, em 1999, acho) era muito mais simples e não tinha legenda. Entender a história foi muito mais difícil.

Além disso, dentro de seu contexto original e com letra, a “Marcha Nupcial” (musiquinha padrão de casamento) fica muito mais legal. Tem outra vida e, claro, complexidade musical. A versão de casamento, quase sempre contando apenas com teclado ou órgão, é muito mais “chapada”. Sem contar que o momento da música não é na cerimônia de casamento. Como o próprio nome diz, a “Marcha Nupcial” é usada na noite de núpcias.

O que realmente é muito bom é assistir a qualquer coisa no Municipal. O prédio é bonito, a sensação de sair no intervalo e ir a um terraço com vista para o Vale do Anhangabaú é rara em uma cidade enfeiada como São Paulo e a localização é ótima. Dá para chegar do trabalho sem muita pressa, o que não ocorre com Vias Funchais, Alfas-Reais e Credicards Halls da vida.

Pena que são montadas tão poucas óperas em São Paulo. Enquanto isso, a Bela e a Fera, com muito patrocínio e apelo popular, ficou dois anos em cartaz. É um musical bem feito (fui porque ganhei um ingresso), mas não é a mesma coisa.

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novembro 16, 2004

VHS

Eu sou um daqueles que, quando entra na locadora, vasculha as cada vez menores prateleiras de VHSs em busca de algum filme. Pois é, ainda não tenho um aparelho de DVD. É coisa de gente retrograda, mas fico eternamente esperando o preço do aparelho laser baixar. Enquanto isso, tenho de me contentar com o bom e velho vídeo-cassete.

O motivo de tamanha falta de iniciativa é que eu uso muito o vídeo-cassete para gravar programas da TV (sobretudo jogos de futebol e documentários do Canal de História), ao invés de assistir filmes, shows ou qualquer outra coisa. Assim, um aparelho de DVD seria utilizado apenas umas duas ou três vezes por mês. Tenho dúvidas se vale a pena o investimento.

Por isso, fico esperando o tal do DVD gravável baixar de preço. Se estivesse a uns R$ 600, eu já tinha levado há muito tempo. Daí, fazia a festa! No entanto, o preço do aparelho está demorando muito para ser reduzido. Enquanto isso, o VHS se torna cada vez mais obsoleto e algumas locadoras (sobretudo as que ficam perto da minha casa) já praticamente abandonaram o sistema.

Alugar um VHS é quase que uma atitude de coragem. Você entra na locadora, vai naquele cantinho dos excluídos das benesses da tecnologia de ponta, tem metade das opções dos “bacanas” que já curtem seu DVD e ainda têm de torcer para o atendente da loja não fazer aquela cara de “você ainda tem VHS, seu pobre?”.

Para piorar, parece que o surgimento do DVD fez as pessoas relembrarem que guardar vídeos em casa é legal. Muitos filmes, documentários e shows são lançados em DVD. Com uma freqüência maior do que na época do VHS. E eu fico louco para poder comprar. Quase já fiz isso algumas vezes. Sinto que minha fidelidade ao VHS está fraquejando...

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novembro 09, 2004

Os Esquecidos

Quem foi que teve a “genial” idéia de comparar “Os Esquecidos” (The Forgotten) com “O Sexto Sentido” (The Sixth Sense)? Um filme tem muito pouco em comum com o outro. A temática é diferente. A estética é diferente. A forma de apresentar a história é diferente. Gostaria de falar mais sobre isso, mas fico com medo de tirar a graça do filme para quem ainda não o viu.

O pior é que os jornais ficaram fazendo essa comparação e, na hora de ver “Os Esquecidos”, você espera coisas que viu no “Sexto Sentido”. Quando termina o filme, acaba se sentindo meio enganado, pois sua expectativa não é atendida. Então, que fique claro que um não tem nada a ver com o outro.

“Os Esquecidos” não é um filme bom. Tem seus problemas, mas também não chega a constranger o espectador de tanta ruindade. Sei lá, dá para ver. Ainda mais para quem foi fã de uma determinada série que passou na TV (se eu falar qual também pode tirar um pouco da graça). Aliás, quem viu essa série vai achar o filme menos surpreendente do que já é.

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novembro 06, 2004

Norte-americanos

Bush reeleito.jpg

Essa foto apareceu em tudo quanto é site assim que foi confirmada a reeleição de George W. Bush à presidência dos Estados Unidos. É uma foto bem tirada, que passa a vibração dos eleitores republicanos e que, por ser da Associated Press, pôde rodar o mundo livremente. Pois é, essa foto me dá muita raiva. Mais do que qualquer uma que mostre o dito cujo festejando.

Não sei porque, mas fico sempre com a sensação de que essas pessoas estão tirando sarro de mim e de todos que ficaram torcendo, mesmo que sem poder fazer nada, pela vitória de John Kerry. Odiar essa foto virou uma causa pessoal, mesmo tendo consciência que não faz sentido achar que um bando de texanos (antes que digam que estou generalizando e chamando de texano ou caubói todo republicano, a foto foi realmente feita no Texas) está tirando uma da minha cara.

De qualquer forma, fico imaginando o que faz essa gente toda – e não são poucos, foram 59.459.765 norte-americanos – votar no sujeito que parece o Alfred Newman. E ainda vibrar com isso tanto quanto os torcedores do Boston Red Sox, tradicional time de beisebol que saiu de 86 anos de fila há duas semanas.

Quem seguiu a campanha de perto diz que o tom moralista e religioso-cristão da campanha do Bush Jr. foi um dos principais motivos da vitória. E realmente acredito nisso, pois um amigo disse que conhecidos no Wisconsin votaram no tal candidato porque ele é contra o aborto. Mas, oras, votar em um presidente porque ele promete adotar ou conservar a moral religiosa nas leis é, de certa forma, seguir a linha de raciocínio de governos teocráticos que os próprios norte-americanos tanto combatem. Claro que a liberdade dos estadunidenses é muito maior que a de alguém da Arábia Saudita ou do Afeganistão na época do Talebã. Mas os casos do Oriente Médio seriam apenas uma radicalização do que os norte-americanos moralistas fizeram. O princípio de achar que as leis devam tomar um viés religioso para controlar a vida das pessoas é o mesmo. Mesmo com uma democracia muito menos consolidada, o eleitor brasileiro já mostrou evolução em relação a isso. Tanto que muita gente que considera que um presidente deva ter nível universitário votou em Lula, apenas porque achou que era necessário dar uma chance ao petista.

Antes que venham com foices para cima de mim, estou deixando claro que me refiro aos norte-americanos que votaram no Bush motivados pelo discurso religioso barato. Até porque qualquer aprofundamento na discussão religiosa vai levar à conclusão que um homem que promove duas guerras covardes e gratuitas não pode ser levado a sério. Há pessoas que votaram no sujeito porque, sei lá, querem imposto baixo. Um motivo que pode até ser egoísta, mas é mais legítimo.

De qualquer forma, muita gente logo generaliza e diz que os norte-americanos são idiotas e não tomam vergonha na cara antes de votar no Bush Fº. Bobagem, porque 55.949.407 eleitores escolheram John Kerry. Não que o democrata seja um santo ou um candidato de esquerda com consciência ultra-social. Mas o ato de votar contra Bush carrega um inegável tom de manifesto contra certas políticas. E isso deve ser respeitado.

Mapa Eleicoes EUA.gif

Olhando no mapa dos Estados Unidos colorido de acordo com o candidato vencedor (vermelho para republicanos, azul para democratas, levando-se em conta que está desatualizado e o Novo México e o Iowa devem ser vistos em vermelho), vê-se que o tradicionalista Meio-Oeste e o sudeste (sul na época das 13 colônias que deram origem ao país) ficaram com Bush, formando uma enorme mancha vermelha. Enquanto isso, apenas na Costa Leste e o Nordeste (região mais urbanizada dos Estados Unidos) é possível ver Estados em azul.

Logo, conclui-se que em estados mais abertos e “legais”, como Califórnia, Massachusetts e Nova York, o pessoal votou melhor. Certo? Quase. Na verdade, não dá para dizer que esses estados – exceto Massachusetts, inteirinho pró-Kerry – tenham se mostrado democratas. Pelo contrário, foram em boa parte republicanos. Ao analisar o mapa de votos por condado (abaixo), vê-se que quase todo o interior da Califórnia (estado com fama de ultraprogressista) foi pró-Bush. Até em San Diego o candidato do elefante venceu. Kerry só ficou com os delegados desse estado porque a região litorânea, sim, foi democrata. E o peso de Los Angeles, San Francisco e Oakland é forte no total.

Mapa Eleicoes EUA 2.gif

Analisando os Estados territorialmente extensos em que os democratas venceram, vê-se que isso se deveu às grandes cidades, porque o interior, mesmo em regiões mais próximas a áreas cosmopolitas, continua a favor do Bush. O tal que diz que é a favor da vida porque é contra o aborto, mas sai matando iraquianos, afegãos, ingleses e norte-americanos por aí. E que, mesmo morando há 4 anos em Washington, conseguiu apenas 9% dos votos no Distrito de Columbia (contra 90% de Kerry).

É mais correto dizer que o país está dividido, o que é bem diferente de chamar mais de 250 milhões de pessoas de ignorantes sem parar para pensar. As regiões metropolitanas mostram um ar progressista maior, enquanto que o imenso e importantíssimo interior busca um caminho ainda mais conservador.

Espero que, dessa vez, Bush perceba que é fundamental que os Estados Unidos reduzam esse racha interno e tome medidas mais conciliatórias. Meu medo é que, com a legitimidade de uma reeleição sem as falcatruas da eleição, não tenha inteligência ou interesse em fazê-lo. E, pior, tenha mais tempo ainda para enraizar sua trupe no sistema político governamental norte-americano. Algo que votar contra o candidato que Bush Jr. apoiar em 2008 pode não ser suficiente para mudar.

*

O processo eleitoral dos norte-americanos é bizarro. Algumas coisas (como o Colégio Eleitoral formado por delegados de cada estado) têm origem histórica. Mas o fato de ter uma cédula diferente por estado, algumas com métodos arcaicos, não dá para engolir. Acho que o Brasil, por ter um passado recente de ditaduras e conceitos democráticos ainda em consolidação, criou um processo eleitoral muito sólido e seguro. Afinal, o país não pode se dar ao luxo de ter um pleito com dúvidas a respeito da legitimidade do processo. Sorte nossa.

Nos Estados Unidos, é senso comum que, independentemente do que ocorrer, a continuidade da democracia nunca estará em jogo. Com um sistema de apenas dois partidos a prática, empates são raros (ou supostamente são). E eles não devem ter se preocupado em controlar a segurança do processo, o que resultou nesse sistema esquizofrênico. E que se mostrou manipulável em 2000.

*

Para quem acha que a imprensa norte-americana é toda alienada e que tudo se resume à versões da rede de TV da Fox (porta-voz extra-oficial dos republicanos), veja The New York Times e The Onion. Dois jornais que mostram que, apesar de tudo, ainda há muito mais independência na imprensa norte-americana que na brasileira.

*

Seria melhor se os norte-americanos tivessem votado nesse candidato.

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outubro 15, 2004

Norte do Chile, sul de Bolívia e Peru

A Horse with No Name
America

On the first part of the journey
I was looking at all the life
There were plants and birds and rocks and things
There was sand and hills and rings
The first thing I met was a fly with a buzz
And the sky with no clouds
The heat was hot and the ground was dry
But the air was full of sound

I've been through the desert on a horse with no name
It felt good to be out of the rain
In the desert you can remember your name
'Cause there ain't no one for to give you no pain
La, la ...

After two days in the desert sun
My skin began to turn red
After three days in the desert fun
I was looking at a river bed
And the story it told of a river that flowed
Made me sad to think it was dead

You see I've been through the desert on a horse with no name
It felt good to be out of the rain
In the desert you can remember your name
'Cause there ain't no one for to give you no pain
La, la ...

After nine days I let the horse run free
'Cause the desert had turned to sea
There were plants and birds and rocks and things
there was sand and hills and rings
The ocean is a desert with it's life underground
And a perfect disguise above
Under the cities lies a heart made of ground
But the humans will give no love

You see I've been through the desert on a horse with no name
It felt good to be out of the rain
In the desert you can remember your name
'Cause there ain't no one for to give you no pain
La, la ...

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outubro 08, 2004

O que beber quando estiver nos Andes

Os refrigerantes são injustiçados. Sempre que se fala sobre o que beber em um determinado lugar se fala de vinhos, cervejas ou a bebida típica local. No máximo, algum suco peculiar. E nunca se lembram dos refrigerantes. Eles têm gosto meio padronizado, é verdade, mas nem sempre é possível ou recomendável apelar para um vinho ou uma cerveja. Até porque, se a Coca-Cola e a Sprite são os McDonald's das bebidas, pode-se dizer que os refrigerantes bizarros são os pratos típicos e estranhos de cada país.

Por isso, o Keep Talking, em mais um arroubo de Fita Crepe, apresenta o guia de gaseosas do altiplano andino. Aquelas bebidas que você poderá experimentar na Bolívia, no Chile ou no Peru se não gostou de Paceña, Cristal, Cusqueña ou Pilsen Callao. Ah, as notas são de 1 a 5.

Inca Kola.jpg

Inca Kola
Contexto: Um clássico do “trash drink” peruano. Os desavisados podem até tirar um sarro do nome do refrigerante, mas saibam que a bebida foi criada na década de 1930 e é mais popular no Peru que a Coca-Cola. Inclusive, pela incapacidade de concorrer com a Inca Kola, a Coca-Cola comprou a empresa responsável por esse refrigerante. Um bom jeito de perceber como um sabor de refrigerante é apreciado por um povo é, no supermercado, contar a quantidade de cópias fajutas que fizeram dele. E nenhuma gaseosa peruana é tão copiada quanto a Inca Kola.

Avaliação: A história é até interessante, mas não esconde o fato de a Inca Kola ser muito ruim. A cor já não é das mais convidativas, um verde amarelado (ou talvez um amarelo esverdeado) mais artificial que as versões novas do Gatorade. Pior ainda é o gosto. Um tutti-fruti meia-boca, que me fez ter saudades do tradicional Baré Cola. Nota 2.

Observação: Mesmo com o gosto ruim, é obrigatório ir ao Peru e experimentar uma Inca Kola. Como diz o próprio slogan: é “el sabor del Peru”. Tudo bem, isso é meio babaca, mas vi famílias dividindo uma garrafa de 3 litros de Inca Kola em seu almoço dominical. Sem contar que, se você, em uma lanchonete, pedir uma promoção que venha com um refrigerante junto e não disser que prefere uma Sprite ou uma Coca-Cola, receberá uma Inca.

Local da foto: cafeteria no Museu Arqueológico das ruínas de Pachacamac, na região metropolitana de Lima

Sisi.jpg

Sisi
Contexto: Já que tanta gente gosta de Inca Kola e algumas empresas resolveram até fazer suas versões da bebida, resolvi testar uma dessas Inca Kolas covers. Talvez existisse a chance de eu descobrir o que os peruanos viram no refrigerante. Tentei o Sisi. Claro, em uma garrafinha pequena, que permitisse que eu bebesse tudo sem ter de sofrer muito se fosse ruim.

Avaliação: Adquiri o produto na Bolívia, mas o Sisi é made in Peru, o que expõe o fato de ser uma cópia do Inca Kola. Porém, o importante aqui é que o Sisi é horrível. Muito parecido com o Inca Kola. Terminar a garrafinha para não jogar fora não foi a melhor experiência da viagem. Nota 1.

Local da foto: quarto do hotel em La Paz

Simba
Contexto: No Burger King de La Paz, eu vi que havia um refrigerante além dos tradicionais Coca, Fanta e Sprite. Era o tal do Simba. Achei que pudesse ser mais uma versão do Inca Kola, mas pedi sem medir os riscos. Ser teimoso é fogo.

Avaliação: Até que não foi tão ruim, principalmente porque não tem nada a ver com o Inca Kola. O Simba é um refrigerante de guaraná até que razoável. Um pouco mais doce que o necessário, mas passou no teste. Nota 3.

Como tomei em fast food, a gaseosa veio em um copinho plástico de outra marca. Fica sem foto

Durazno.jpg

Durazno
Contexto: Já cansado de tentar encontrar algo de bom na Inca Kola e seus congêneres, parti para outras bizarrices. A primeira foi o refrigerante de pêssego. Há várias marcas, mas comprei o Durazno (nome meio tonto, pois “durazno” é “pêssego” em espanhol). A escolha da marca não atendeu a nenhum critério científico. Era apenas a única opção disponível na barraquinha em que adquiri o produto.

Avaliação: Gratíssima surpresa. O pêssego ficou bem como bebida gaseificada. O gosto da fruta está bem marcado e satisfatório, eliminando a necessidade de aumentar a quantidade de gás para esconder o gosto ruim da bebida. Os fabricantes brasileiros deveriam pensar com mais carinho nessa fruta. Nota 5.

Local da foto: rodoviária de Oruro, Bolívia

Pap Papaya.jpg

Pap
Contexto: Um sabor que eu vinha sondando e tomando coragem para provar desde o Peru era o mamão. Já no Chile, experimentei o Pap (nome derivado da palavra “papaya”).

Avaliação: Outra boa surpresa. No Brasil, o mamão é uma fruta meio densa, boa para vitaminas. O mamão de lá é um pouco mais aguado e amarelado, além de ter um gosto um pouco mais fraco, mais adequado para ser gaseificado. Curioso é que o Pap é da mesma empresa que faz o Bilz, refrigerante ruim (apesar de muito popular no Chile) que eu experimentei ano passado. O único problema do Pap é que o gosto de mamão está meio fraco. Na verdade, leva um tempo e algumas degustações para você perceber que aquilo realmente é um refrigerante de mamão. Nota 4.

Local da foto: restaurante em San Pedro de Atacama, Chile

Hamer Papaya.jpg

Hamer Papaya
Contexto: depois de uma experiência relativamente feliz com um refrigerante de mamão, me empolguei e resolvi provar outro. E agora com embalagem e nome bizarro. A cor da bebida é essa mesma da foto.

Avaliação: não foi uma boa idéia “revisitar” o mamão. O Papaya Hamer tem um gosto meio indefinido e sem personalidade. Está mais para uma versão alternativa de Inca Kola do que para uma gaseosa de papaia da forma que eu esperava. Nota 2

Local da foto: rua em Arica, Chile

Kola Escocesa.jpg

Kola Escocesa
Contexto: Segundo a propaganda, a tal da Kola Escocesa é “o sabor de Arequipa”. Como a cidade tem uma merecida reputação pela gastronomia, talvez o refrigerante fosse bom. Admito que o nome para lá de inusitado também me atraiu.

Avaliação: Antes mesmo de experimentar eu já tinha algumas reservas, porque aquela cor de groselha me lembrou a Fanta Morango, uma das experiências mais infelizes da Coca-Cola nos últimos anos (só para constar, eu estou no time dos que gostam, e muito, de Fanta Uva). A impressão visual não foi desmentida pelo paladar. A Kola Escocesa é uma versão peruana da Fanta Morango. Parece Tandy (aquela antiga pasta de dente para crianças e que "tem gostinho de chiclete") líquida e gaseificada. Artificial ao extremo. Nota 1.

Local da foto: lanchonete em Arequipa, Peru

Kola Inglesa.jpg

Kola Inglesa
Contexto: É engraçado pensar que uma alternativa à Kola Escocesa é a Kola Inglesa. Fiquei pensando se não haveria uma Kola Irlandesa ou Galesa (piada horrível). De qualquer forma, essa possibilidade de comparar a Kola do William Wallace com a Kola do rei Eduardo I me levou a degustar a Kola Inglesa.

Avaliação: Ruim como a seleção da Inglaterra de basquete. Na verdade, é igualzinha à Kola Escocesa, que é ruim como a equipe de tênis da Escócia que disputa a Copa Davis. Aqui deu empate entre as Kolas britânicas. Aquele 0x0 bem sonolento. Nota 1.

Local da foto: quarto do hotel em Lima

Guarana Backus.jpg

Guaraná Backus
Contexto: Por mais que pensemos apenas no deserto ou nos Andes peruanos, 58% do território do país está na Amazônia. Como a Antarctica gosta muito de dizer, o guaraná é da Amazônia. Por isso, também pode ser considerado uma fruta peruana. E eles também resolveram transformar em bebida industrializada.

Avaliação: Decepcionante. Deu saudade de Guaraná Antarctica, Brahma, Schincariol, Kuat, Taí, Convenção e até do Simba boliviano. Na verdade, esse Backus é meio estranho. Não consegui descobrir se é um suco de gosto forte ou um refrigerante com baixíssimo teor de gás. Mas é ruim de qualquer jeito. Doce e aguado demais. Sem contar que a cor dessa bebida é muito estranha para quem está acostumado a ver aquele guaraná bege (ou champanhe, como preferem alguns). Nota 2.

Local da foto: restaurante/bar Estádio Futebol Clube, em Lima

*

Também vale registrar um iogurte. Não chega nem perto do nível de trash de algumas das gaseosas, mas me dei ao trabalho de comprar, beber e tirar uma foto. Então, você se dará ao trabalho de ler, hehehe.

Iogurte Lucuma.jpg

Yogurt Bebible Linda Suiza – Lúcuma
Contexto: Cheguei a Arequipa com a recomendação de experimentar os bolos da cidade. Provei um de chocolate com lúcuma. Gostei tanto que resolvi explorar mais a fruta típica da região. A idéia era comprar uma no supermercado, mas percebi que seria difícil comê-la diretamente (tem uma casca que parece dura e estava sem faca na bagagem). Então, tentei o iogurte. A única embalagem pequenina desse produto tinha cara de vaquinha, como você pode ver na foto. Paciência. Comprei assim mesmo.

Avaliação: Não é ruim, mas o bolo do dia anterior era muito melhor. Como iogurte, a lúcuma pareceu mais leitosa que o necessário. O gosto não ficou muito definido. Esperava mais. Nota 3.

Local da foto: Plaza de Armas de Arequipa

*

As cores de algumas bebidas estão distorcidas por causa da cor do cenário em que foi feita a foto.

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setembro 14, 2004

AVISO

Ah, gente, só para avisar, estou de férias. Então, só volto a atualizar aqui em outubro. Desculpem-me pelo mal jeito. Ah, deu um pauzinho no template dos comentários e só vou conseguir consertar depois que voltar. Caso queiram se manifestar, cliquem no link com o nome do texto à direita.

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agosto 19, 2004

O Conselho

A proposta de um conselho para regulamentar a prática do jornalismo é antiga. Já vi, li e ouvi discussões sobre isso algumas vezes. E devo dizer que eu sou a favor da criação de um conselho para a categoria. Seria, por exemplo, uma forma de dar uma luz a questões até agora ridiculamente conduzidas como a da necessidade ou não do diploma. O conselho poderia criar parâmetros para definir que não-diplomados poderiam exercer o jornalismo (uma realidade irreversível e, em muitos casos, necessária).

No entanto, não dá para concordar com esse projeto de conselho de jornalismo. Prever a intervenção (por menor que seja) do Estado na prática jornalística é um absurdo. A auto-regulamentação dá margem a corporativismo, mas ainda é mais recomendável. Não que o jornalismo esteja livre de profissionais desonestos ou mal intencionados, mas a simples possibilidade de haver presença do poder público sobre os jornalistas já causa desconforto por ser um sinal de animosidade diplomática.

O governo talvez nunca se meta com a prática do jornalismo, mas o fato de ter uma possibilidade legal de fazê-lo cria uma relação de poder de um sobre o outro. Relação que sempre existiu e a liberação recente de empréstimos do BNDES para a mídia reforçou. Por isso mesmo, deveria ter parado por aí.

Até porque a tal proposta de conselho não foi resultado de uma mobilização real do setor jornalístico, envolvendo profissionais de diversas áreas e veículos. Não como deveria. A Fenaj está longe de representar a categoria e só deveria encaminhar uma proposta com tamanha importância após uma consulta efetiva aos que não estão ligados à entidade.

Para piorar a sensação de desconforto, o governo ainda colocou em pauta o projeto da Ancinav (a tal da agência nacional do cinema e do áudio-visual, ou algo assim) e o que silencia os servidores públicos. Não vou falar muito da Ancinav porque não vi muito a fundo o que aconteceu. Sei o que o Cacá Diegues acha por que ele apareceu na TV falando, mas nunca concordarei automaticamente com o diretor de uma bomba como Tieta (o filme).

Quanto à lei que prevê que um servidor público não deve se pronunciar à imprensa a não ser que tenha autorização do superior, entre outras condições, é outra que se encaixa na idéia de animosidade diplomática. Exagerando um pouco na metáfora, é como a movimentação de tropas chinesas para perto de Taiwan. Provavelmente, o governo de Pequim não atacará a ilha “rebelde”, mas é um sinal hostil, para mostrar que algo pode ser feito assim que a China quiser.

No caso do projeto de lei do servidor público, não fará muita diferença no dia-a-dia do jornalista. Hoje, a maior parte desses trabalhadores só se manifesta para a imprensa se tiver autorização do superior. Mas, por enquanto, isso é decisão interna do órgão ou medida de resguardo do tal funcionário. Criar uma lei para isso mostra que o governo pode mandar em questões que envolvam a imprensa.

Os projetos até contam com boas idéias e poderiam fazer sentido se discutidos isoladamente. Mas, ao surgirem ao mesmo tempo, caracterizam um “ataque” do governo, provocam um desconforto dos meios de comunicação – que só se juntam nessas horas. Quando é para melhorar as condições dos jornalistas, eles se calam – e podem misturar as boas e as más intenções. Uma pena.

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julho 30, 2004

O que não saiu na Revista 10

A segunda edição da Revista 10 saiu com uma matéria minha sobre os preparativos para a Série C do Campeonato Brasileiro. Não farei muitas considerações sobre ela porque seria ridículo. Quem quiser, pode ir à banca e ver a revista.

Bem, mas por falta de espaço, nem tudo pôde ser publicado. Uma coisa muito normal no jornalismo. As melhores partes foram publicadas, mas, para as outras não morrerem em um arquivo esquecido da pasta “Meus documentos” do meu computador, vou colocar aqui. Pelo menos, uma parte do que ficou de fora.

Então, abaixo segue o box não publicado sobre os preparativos de Gurupi, um dos representantes do Tocantins no torneio. O tempo verbal e outras formatações do texto são os utilizados para uma revista. Talvez não faça sentido para um leitor de blog. Talvez faça. Na verdade, nem me preocupei em conferir isso.

*

Gurupi.jpg

Sobrevivência com convênios e atletas “adotados”

Com o vice-campeonato tocantinense de 2003, o Gurupi, da cidade homônima, garantiu um lugar na Série C de 2004 como principal representante do Estado. E é apenas por causa dessa condição, que permitiu o recebimento de subsídios da CBF, que o “Camaleão do Sul” (referência ao verde-amarelo do uniforme e ao fato de o município de Gurupi se localizar na região sul do Estado) participará do torneio.

Financeiramente, o clube buscou captar recursos de diversas formas. Por exemplo, assinou um convênio com a Unirg (Universidade de Gurupi), que fornece estrutura e pessoal para a administração do clube. Inclusive, o diretor-geral da instituição de ensino, Valnir de Souza Soares, é o presidente em exercício do clube. A prefeitura também destina uma verba para o time que, assim, consegue se manter em atividade e obter alguns resultados relativamente significativos, como o bicampeonato estadual em 1996 e 97.

Mesmo assim, não seria suficiente para custear a participação em uma competição nacional. “Nossa despesa com folha de pagamento não pode passar de R$ 15 mil e o custo de uma Série C, sem a ajuda da CBF, ficaria entre R$ 35 mil e 40 mil”, diz Soares. Para montar o elenco, o Gurupi busca jogadores da região, principalmente os que ficarão ociosos por atuarem em equipes do Estado que não participarão de nenhuma competição no segundo semestre.

Para viabilizar as contratações, a diretoria tenta arrecadar recursos em empresários locais, que “adotariam um atleta”, financiando sua vinda em troca de espaço publicitário no estádio Gilberto Resende Rocha. Entre os que já estão confirmados, o principal destaque é o meia-esquerda Daniel Gibi.

*

Falei do “na-nã-nã-nã”, mas faço menção desonrosa a outras propagandas pavorosas que me fazem pensar se a publicidade brasileira está em um período sabático de criatividade: Colgate Tripla Ação (o jingle mais irritante da TV), lentes Acuvue (duas marmanjonas agindo como adolescentes afetadas), Guaraná Dolly (Kléber Bam-Bam e o filho do Fernando Vanucci juntos é o cúmulo do trash!!!) e Embratel (aquela mini-Arosio não consegue falar uma frase!). Isso foi o que me lembrei rápido.

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Eu

Nome: Ubiratan Leal
Estado civil: casado (e feliz)
Cidade: São Paulo
Contato: ubiratan@gardenal.org
Preferidos da casa: Corinthians, Pink Floyd, Simpsons, futebol em geral (pode ser campeonato iemenita), Fórmula-1, Verona (o time e a cidade), comida italiana e mapas
No me gusta nada: São Paulo (o time), peixes e frutos do mar, comida japonesa, Carlinhos Brown, axé, pagode, techno, dance music e gente que pega violão em festas para tocar músicas da Legião Urbana ou do Raul Seixas

O que faço na Internet?

Sei lá. No fundo, nada. Só vou colocar recalques e bobagens que passam na minha cabeça. Nada de diário, confissões, fotos de galera ou exposição pública de amigos e parentes (já basta eu me expor). Se eu quiser fazer qualquer uma dessas coisas, mando um e-mail ou telefono para a(s) pessoa(s) que julgar mais legal(is) para o momento.

Esclarecimento final

O nome da página (Keep Talking) não tem nada a ver com o lema da Johnnie Walker (Keep Walking). Primeiro, porque “Keep Talking” é uma música do Pink Floyd. Segundo, porque eu não bebo cerveja, quanto mais uísque. Terceiro, porque eu só me toquei da coincidência depois de registrar o endereço.

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Um oferecimento de

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Fotos

Michael Going, Altered Polaroid SX-70

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