Grandes
malacos da história
Galeria
dos grandes malacos
Figuras inesquecíveis
que ajudaram a dar uma entortada no mundo
SCORSESE,
Martin - Hollywood só não pode ser considerada o mais
superestimado latifúndio improdutivo do planeta porque diretores
do gabarito de Martin Scorsese surgiram nos anos 70 para espantar o
puritanismo reinante. Enquanto o mundo enlouquecia na década
de 60 e o clima era coerentemente captado pela música, pelos
quadrinhos, pela literatura e até pelas artes plásticas,
tudo o que o cinema americano tinha para oferecer eram contos de fadas
com final feliz.
Foi a geração de Scorsese
que impediu a repetição da história nos dez anos
seguintes, e o impacto que tais pessoas provocaram fez valer a fama
de "Década dos Diretores". Isso até a poeira
baixar nos últimos tempos, fazendo todo o poder voltar às
mãos dos produtores e sua sanha de tirar dinheiro de nossos bolsos
a todo custo. De todos os seus companheiros de empreitada, mais notadamente,
Francis Ford Coppola, George Lucas e Steven Spielberg, Scorsese é
o que tem a obra mais consistente, ao mesmo tempo sem os altos e baixos
ou os apegos comercias tão marcantes nas carreiras dos demais.
Além disso, o diretor de obras-primas como Taxi Driver,
Touro Indomável, Cabo do Medo, Os Bons Companheiros,
entre vários outros, é o mais malaco de sua geração,
o que torna sua presença nesta lista obrigatória.
O que poderia ter sido um talento desperdiçado
caso seguisse o desejo de virar padre, felizmente foi em outra direção,
fortemente inspirada pelos muitos amigos de infância que acabaram
virando gangsters. Uma prova da citada malaquice é dada pelo
jornalista Peter Biskind, no livro Easy Riders, Raging Bulls.
O autor conta que no lançamento do documentário The
Last Waltz, no Festival de Cannes, Scorsese se mostraria irredutível
ao ver que seu suprimento pessoal de cocaína havia acabado. O
diretor decretou para quem quisesse ouvir: "Sem cocaína,
sem entrevista". A saída dos produtores foi arrumar um avião
e ir para Paris renovar o estoque do malaco.
Texto: Romeu Martins
Ilustração: Ivan
Jerônimo