março 2008 Archives

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O Fuck Buttons empilha camadas e mais camadas de guitarras distorcidas, hora lembrando Explosions in the Sky, outras Sigur Rós, outras Mogwai. Esquisito e bom.

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Fuck Buttons - "Street horrrsing"

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Demorou, mas o Portishead finalmente lançou seu terceiro disco, mostrando que a banda não tapou os ouvidos nos últimos anos. Definitivamente, não é mais do mesmo.

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Portishead - "Third"

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A bolacha produzida por Benga está sendo apontada como o disco que apresentará o dubstep ao grande público.

A abertura, com sons de contra-baixo de jazz, ecoa Roni Size e o seu "New forms", disco que fez esse trabalho para o drum & bass. No caso de Benga, entretanto, é pouco provável. Fora a excelente "Night", o resto é regular.

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Benga - "Diary of an afro warrior"

"An England Story"

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Lançado pelo nosso selo querido, Soul Jazz Records, a coletânea "An England Story" traça a trajetória -- e a influência -- dos deejays jamaicanos até os MCs ingleses. Não é pouca coisa.

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"An England Story" - "Vol. 1", "Vol. 2"

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Coletânea matadora de música nigeriana, bem além do grande Fela Kuti. Lançada em dois volumes, é um belo passeio pela música africana.

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"Nigeria Special: Modern highlife, afro sounds and nigerian blues" - "Vol. 1", "Vol. 2"

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Após o fraco "From the soil to the soul", Tommy Guerrero retoma a forma nesse "Return of the bastard" e suas guitarras calminhas e viajantes. O brasileiro Curumin, que salvou o amigo com "Salve" no disco anterior, participa novamente, em "Calling for ya!".

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Tommy Guerrero - "Return of the bastard"


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Com a chancela do selo DFA de James Murphy, casa do seu LCD Soundsystem e do Rapture, o faz discoteca setentista com um pé nos anos 2000 e um vocal que não convence. As músicas, porém, são bem boas.

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Hercules and Love Affair - "Hercules and Love Affair"

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A dupla de Nova York, exagerada e fanfarrona, tem todos os elementos pra fazer você NÃO querer ouvir seu disco. Seria um grande erro. O MGMT é uma das melhores coisas de 2008.

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MGMT - "Oracular spetacular"

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Em seu quarto disco, o melhor desde o primeiro, Wado mergulha nas batidas eletrônicas terceiro mundistas sem deformar seu estilo. Muito pelo contrário: coloca o mundo todo pra dançar do seu ritmo.

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Wado - "Terceiro mundo festivo"

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Abaixo, o texto para imprensa que escrevi para o lançamento do disco do orgeiro da porra, João Brasil.

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João Brasil - "8 Hits" (zShare)

Nesses tempos de interatividade total, João Brasil enfileira dez músicas em seu disco de estréia, mas deixa para o ouvinte escolher quais são os “8 hits” que dão nome a bolacha. Modesto, o rapaz.

Pra desfazer qualquer desconfiança, o disco abre logo com o maior deles, aquele que estará em qualquer lista dos tais oito hits e será tocado em casamentos, batizados e churrascos por anos e anos: “Baranga”.

O swing eletrônico e apelo pop da declaração de amor à marra das meninas de “cintura de ovo” e que parecem “uma empadinha”, primeira composição do hitmaker, catapultou o nome de João Brasil.

Como não poderia deixar de ser, primeiro a música se espalhou por blogues. Depois, João ganhou o mundo “real”. Foi parar nas páginas da revista Rolling Stone e do jornal O Globo, fez várias participações nos programas do apresentador Marcos Mion na MTV, cantou no Domingão do Faustão e, por fim, fechou a distribuição do seu disco pela Som Livre.

O próprio João produz todas as bases, toca os instrumentos e canta em todas as faixas. É, portanto, um gênio, uma lenda, um mito. Fortemente inspirado pelo universo dos bailes funk, a influência é escancarada nas batidas de “Quero fazer amor” e “Cobrinha fanfarrona”, que já entrou nos sets do DJ Sany Pitbull.

O forte do compositor são mesmo as letras auto-biográficas.

Da sádica prostituta “Elisa” ao encontro apaixonado com a jornalista “Mônica Valvogeu” (escrito errado mesmo e aprovada pela musa inspiradora), passando pela dor de cotovelo “Don’t go to Austrália” (com a participação da amiga e atriz Maria Flor), as mulheres são tema recorrente.

Ele sabe também fazer graça de si mesmo. Da épica “O carnaval acabou com o meu fígado” e sua explosão de bumbos e pratos, à gafe num show do Mr. Catra em um inferninho em Copacabana na auto-explicativa “Pau-molão” (campeã de clipes caseiros no YouTube), João Brasil também descreve (ridiculariza?) seu próprio círculo de amigos em “Supercool”.

A confissão “Mamãe, virei capitalista” conta com a única parceria do disco. O rapper niteroiense De Leve duela com João num encontro que, depois de pronto, soa como se fosse a coisa mais lógica do mundo.

A parte gráfica do disco foi feita pelo diretor de arte Felipe Raposo, da Mustache Design, o mesmo que faz as elogiadas filipetas da festa carioca CALZONE, núcleo do qual também fazem parte o fotógrafo Lucas Bori, autor dos cliques do encarte, Pedro Seiler (produtor do João Brasil) e esse escriba. Ou seja, está tudo em casa.

Os oito hits cabe a cada um escolher, mas talvez seja melhor refazer as contas. Na verdade, são dez.

Bruno Natal
Março/2008

2008, até aqui

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ilustração: Design Shrine

Essa semana será corrida. Devido a falta de tempo para escrever textos, teremos uma semana auditiva.

Vou divulgar links perdidos pela rede para baixar alguns discos interessantes lançados esse ano, para a analisarmos juntos.

Não vai ter resenha, apenas pequenas considerações. Cada um faça seus comentários sobre cada disco.

Rio?

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Essa semana, o jornal inglês The Guardian publicou um caderno de 20 páginas entitulado "Inside Brazil", com uma análise extremamente positiva do momento econômico do país.

Lendo as matérias, percebe-se uma insistência em simplesmente exaltar os benefícios do acesso dos mais pobres ao crédito e parcelamentos. Porém, nota-se também outra coisa.

Enquanto São Paulo é apresentada de maneira séria em todos os textos, com direito a vôo de helicóptero com o prefeito, ao Rio de Janeiro resta algumas fotos sobre o biquini fio-dental, carnaval e algum destaque nas sessões sobre música (falando do Tira Poeira e do Edu Krieger) e turismo (é óbvio).

Mesmo na matéria sobre petróleo e a descoberta do oceano de ouro negro do poço de Tupi, nenhum político do Rio, ou o Estado de maneira geral, é sequer mencionado. Nem nos muitos anúncios oficiais o Rio aparece. Ou melhor, aparece sim, na foto da propaganda sobre o aeroporto de Guarulhos, em São Paulo.

Não é recalque. São Paulo representa o Brasil tanto quanto o Rio, Pernambuco, Rio Grande do Sul ou qualquer outro Estado. No entanto, nenhum país, especialmente um do tamanho do nosso, se constrói apenas com uma megalópole.

É triste perceber como o Estado do Rio, entregue as moscas, vai tornando-se irrelevante. Inclusive culturalmente.

Enquanto isso, o bispo Marcelo Crivella, candidato a prefeitura, lidera as pesquisas, deixando Fernando Gabeira na poeira. Pra frente Brasil!

Clap, clap, clap

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foto: Rick Rycroft/AP

O couro comendo no Tibete, todo mundo atrás da imagem mais impactante da situação e o sujeito me aparece com um clique desses. Praticamente uma ilustração.

Feliz páscoa!

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ilustração: Allan Sieber

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foto: Carol*

Ao montar o musical "The harder they come", baseado no filme homônimo de 1972, dirigido por Perry Henzell, a companhia Theatre Royal Stratford East se lançou numa tarefa arriscada.

Além de ser celebrado como o primeiro filme a retratar fielmente a dura vida nos guetos jamaicanos, "The harder they come" não apenas catapultou a carreira de seu protagonista, Jimmy Cliff, como a trilha sonora é considerada a responsável por apresentar o reggae para o mundo de forma massiva -- até o lançamento da coletânea "Legend", do Bob Marley, em 1984, era o disco mais vendido das história do gênero.

Portanto, transpor para o palco em todos os detalhes a história de Ivanhoe Martin, saído do interior para Kingston, em busca de uma carreira no disputada indústria musical jamaicana, não podia ser fácil.

Com um excelente elenco de atores-cantores-dançarinos, uma banda cravada no meio do palco, um cenário minimalista red-gold-green e a boa escolha do protagonista, a transformação do ingênuo Ivanhoe no rude bwoy Rhyging em cena funciona perfeitamente.

Naturalmente, com uma enorme comunidade na Inglaterra, jamaicanos e descendentes ocupam cerca de metade dos lugares do teatro, rindo sem parar das histórias de casa, provavelmente lembrando de suas dificuldades pessoais, quando trocaram seu país pela Inglaterra.

No entanto, a saga de Ivanhoe é uma história universal. Fala diretamente a quem precisa ou já precisou correr muito atrás pra fazer as coisas acontecerem (ou seja, todo mundo), embora o final nem sempre seja feliz.

Não é o caso da própria peça ou da própria colônia jamaicana na Inglaterra. Em sua segunda temporada, agora no cultuado Barbican Centre, o musical é um sucesso de crítica e público.

A platéia inteira de pé e dançando ao final do espetáculo -- num lugar onde é proibido se levantar durante um espetáculo, mesmo os de música -- é um espelho disso.

Elvis não morreu

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A banda não acabou e não faz nem um ano que está em seu "recesso por tempo indeterminado" , porém, com a chamada supimpa "Nem todo carnaval tem seu fim!", acontece hoje, no Circo Voador, o Tributo ao Los Hermanos. É sério.

Rickrolled

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Cuidado! Pode acontecer com você. E ninguém quer isso.

Podia ser pior. Podia estar chovendo chocolate.

Joga bonito

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Rivers Cuomo, líder do Weezer, quem diria, é um peladeiro de coração.

DEP

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Arthur C. Clarke, 1917-2008.

* Obrigado pela melhor história de todas!

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A julgar pela estética nerd que exportou para o mundo, o Brookyn é um lugar estranho. As fotos do Cobra Snake comprovam que os hábitos de lá se espalham: nas principais capitais mundiais existem jovens forçando o mesmo estilo roubei-da-minha-vó ou achei-no-armário-do-meu-irmão-mais-velho.

Lá, todos usam óculos grandes e de armação grossa, calças jeans apertadas, sobretudo com cinto, tênis de cano-longo, cabelo torto, são designers e/ou artistas plásticos. E, o mais importante, tem uma banda.

É tanto conjunto super-valorizado que sai de lá -- do chato Clap Your Hands Say Yeah ao super-valorizado Vampire Weekend chupando tudo do Peter Gabriel -- que as vezes fica difícil de acreditar que o The Rapture ou LCD Soundsystem também são de Nova York.

Veja, por exemplo, a dupla MGMT. Com tanto burburinho e uma capa ridícula dessas, a vontade de ir adiante e efetivamente ouvir o disco é mínima. O que só torna a (boa) surpresa ainda maior.

Primeiro porque, escutando, descobre-se que o ridículo faz parte do conceito. A música de trabalho, "Time to pretend", fala de largar tudo e aproveitar a vida de rock-star, casar-se com modelos, cheirar cocaína e viver todos os clichês.

A opção pelo produtor Dave Fridmann (co-produtor de quase todos os discos do Flaming Lips, além de Weezer, Mogwai, Café Tacuba...) pode esconder, mas a banda é o anti-indie. A começar pela opção de lançamento pela Sony-BMG, em vez de algum selo obscuro.

Do lugar onde tudo é disco-punk ou folk e gravado para soar como se o estúdio fosse um banheiro, "Oracular Spectacular" toma o caminho contrário. As canções têm nuances, camadas, quebras de andamento e melodias diferentes entre si (algo cada vez mais raro entre as bandas novas).

Sim, os atualmente obrigatórios folk e disco-punk fazem parte da equação do MGMT, assim como uma atmosfera independente (no sentido de não soar perfeitinho demais) e influências setentistas, juntando Beatles e Pixies, Fleetwood Mac e electro. Tentar categorizar a sonoridade é tarefa complicada.

Seja na pegada disco "Electric feel", o som da fita magnética começando a rodar em "Pieces of what", os dois solos de guitarra "Of moon, birds & monsters" (o segundo soando como se um dos guitarristas do Explosion in the Sky tenha aparecido no estúdio), a produção é cuidadosa.

As música são bem diferentes entre si, recebendo tratamentos e elementos específicos para cada uma, sem que disco perca unidade por isso. Instrumentos e timbragens variam, se adequando a cada música.

O teclado da introdução de "Kids", que reaparece no refrão grudento, faz dessa a principal música do disco. É a quinta faixa.

Hoje, quando cada banda tem direito as suas quatro música de "sucesso" no MySpace, resta saber quantas pessoas vão chegar até a número cinco. Pode ser crucial para determinar até quando o MGMT irá durar.

DEP

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Ciclistas

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Faça o teste.

Tio Camelo

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Marcelo Camelo colocou mais uma música inédita no MySpace, "Doce solidão".

Gravada apenas com voz, violão e um assovio que cola no fundo da cabeça. O vocal é bem diferente do habitual, com Marcelo ensaiando um clima blues e modulando.

No vídeo acima, Camelo recebe o acompanhamento de uma criançada no bairro 6 de Maio, em Portugal (pela descrição, uma favela).

Também em seu MySpace, possivelmente como forma de aprovação, Camelo colocou dois vídeos de cantoras aparentemente amadoras fazendo versões das suas "Cara valente" e "Veja bem meu bem".

Baldhead

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Quem esbarrou com Black Alien recentemente já viu que o sujeito abandonou seus dreads e está de cabeça raspada. No trailer do documentário "Mr. Niterói", o rapper explica o motivo da recém-adquirida careca.

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Resenha do documentário "Battle for Haditha", minha primeira colaboração para o DocBlog, editado por Carlos Alberto Mattos, no Globo Online.

(Falando de filmes sobre a guerra no Iraque, o Guardian publicou uma matéria muito bacana, falando do fracasso absoluto de bilheteria de todas as tentativas até aqui).

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O Iraque de Broomfield, entre fato e ficção

Sem desgrudar do real, Nick Broomfield, um dos mais conceituados documentaristas da Inglaterra, estréia na ficção com "Battle for Haditha" ("A batalha por Haditha"). O filme remonta um dos momentos mais polêmicos – até aqui, pelo menos – da ocupação norte-americana no Iraque.

Após o comboio em que estavam ter sido alvo de uma bomba caseira, plantada na estrada por integrantes da resistência iraquiana, matando alguns e ferindo vários ocupantes de um dos blindados, um batalhão de marines enfurecidos fez uma chacina na cidade que dá nome ao filme. O episódio, na época, chegou a ser comparado às matanças em vilarejos do Vietnã.

Ainda que se trate de um reconstituição dramatizada dos acontecimentos, Broomfield apostou forte em elementos da linguagem documental para garantir o realismo.

Filmado na Jordânia e em Dubai, o filme traz atores não profissionais. Os americanos foram escolhidos entre ex-combatentes das guerras no Afeganistão e no Iraque, com histórias de vida parecidas com as dos personagens. Os iraquianos, entre jordanianos que nunca haviam atuado antes. Em ambos os casos, os atores foram descobertos durante a fase de pesquisa para o filme, que incluiu entrevistas com sobreviventes do massacre, dos dois lados. Feito em vídeo e com câmera na mão, o filme é repleto de diálogos improvisados.

Não raro, Nick Broomfield é chamado de "versão inglesa do Michael Moore". A comparação é injusta, e não apenas pelos muitos anos a mais de estrada.

Apesar da participação ativa em seus próprios filmes, aparecendo na tela para fazer suas perguntas, Broomfield, ao contrário de Moore, não quer provar aos entrevistados que já sabe tudo sobre o que vão falar. Pelo contrário, seu jogo é diferente. Sempre de fone e microfone em punho, acumulando a função de técnico de som, Broomfield na maior parte das vezes faz-se de desentendido, dissimula, dando espaço para seus entrevistados se atrapalharem sozinhos.

Nos documentários Biggie and Tupac ou Kurt & Courtney, que investigam respectivamente os assassinatos dos rappers Notorious BIG e Tupac Shakur e o suícidio do líder do Nirvana, Kurt Cobain, a suposta falta de conhecimento do assunto chegou a irritar os fãs do artistas retratados. Já em The Leader, the Driver and the Driver's Wife, sobre o líder racista sul-africano Eugene Terreblanche, um ano antes do fim do apartheid, o atrapalhado personagem de Broomfield beira a comédia. E com isso, acerta no tom, ao ridicularizar a figura de Terreblanche.

Battle for Haditha não é a primeira incursão de Broomfield em assuntos relativos a guerra. Ele já havia feito algo parecido em Soldier Girls, de 1981, sobre o treinamento de mulheres no exército dos EUA. O resultado de seu filme de ficção, no entanto, não é tão satisfatório como muitos de seus documentários.

Em diversos momentos, ainda que o protagonista Elliot Ruiz se destaque, a sensação geral é de se estar assistindo a um filme de baixo orçamento dirigido por alguém com pouca experiência (o que no caso do ficcionista Broomfield é verdade), em vez de um docudrama. O roteiro, escrito pelo diretor, esbarra na obviedade e as informações dadas nos diálogos são tão diretas e explícitas que deixam pouco espaço para interpretação.

Os cacoetes de documentarista, entretanto, ajudam na escolha dos ângulos e nas cenas de guerra, principalmente na matança. Ainda assim, no final das contas, a fronteira entre realidade e ficção não fica tão borrada como era de se esperar.

Electro cítara

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Bishi, dica do Hermano.

Na época de lançamento do já clássico "Nadadenovo", o Mombojó reproduzia em seu saite tanto as matérias e resenhas elogiosas, quanto as eventuais espinafradas, coisa que pouca banda tem coragem de fazer.

Mantendo o bom humor, o grupo colocou em sua página o vídeo acima, de uma banda cover mandando "Deixe-se acreditar" no programa Armazém Belém. Enquanto a música toca, você pode curtir o visual um mestre-cuca fritando um camarão.

Enquanto isso, nosso herói João Brasil continua inundando a internet. Agora são vídeos de turmas de escola fazendo interpretações coreografadas de "Pau-molão".

Gelo

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O filme "Screaming masterpiece" fala sobre o sucesso de nomes recentes da música islandesa, entre eles Bjork, Sigur Rós e Múm, com várias sequências dos artistas ao vivo.

* Pilooski, 14/Mar

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69 (Rua Farme de Amoedo, 50)
Combo, com Pilooski (D-I-R-T-Y Sound System) e Markinhos Meskita (KZA, High Noon)
14 de março (sexta)
23h30
R$ 30, R$ 15 (lista amiga)

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Festival Evidente (Cinematéque)
João Brasil, Banda Leme
18 de março (terça)
22h
R$ 15 (inscrevendo-se na lista amiga), R$ 20 (até as 23h), R$ 30(inteira)


G1, 11/03/08

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DJ Nepal

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O DJ Nepal coloca mais um mixtape na roda.

Ele mesmo explica: "[É um] set de nu-disco, gravado em minha casa, numa tarde quente no RIo de Janeiro. Senhores passageiros, apertem os cintos. A nave vai decolar".

As músicas:

"The sea and the sky" (Padded Cell remix)
"The art of letting go" (Ewan's Daft Funk instrumental mix)
"The queen of Sheeba"
"Piece together" (Reverso 68 exclusive remix)
"Club cabana" (Anthony Mansfield remix)
"Rosscouch rising up" (Christian Malloni instrumental mix)
"Do It Now" (Dubtribe Sound System extended disco mix)
"Stratus energy" (Faze Action)
"????????" (Secret file)
"Without Control" (The Spirals)
"Goblin city" (Holy Ghost! Disco Dub)

Tom Zé

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Agora blogueiro Tom Zé, reproduziu a lista das 20 personalidades brasileiras mais populares na rede, na qual figura em 15o, segundo uma pesquisa espanhola publicada na Folha de S.Paulo.

Algumas obviedades e surpresas (Barrichelo numa lista dessas?):

1) Ronaldinho
2) Ronaldo
3) Lula
4) Ayrton Senna
5) Caetano Veloso
6) Adriana Lima
7) Robinho
8) Pelé
9) Rubens Barrichello
10) Paulo Coelho
11) Gilberto Gil
12) Chico Buarque
13) Vanessa Camargo
14) Marisa Monte
15) Tom Zé
16) Giselle Bundchen
17) Roberto Carlos
18) Felipe Massa
19) Kaká
20) Baden Powell

Códigos

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O underground eletrônico documentado em "Speaking in code".

Volt Mix

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Sany Pitbull e Mavi falam sobre o Volt Mix, o avô da batida percussiva que hoje domina o bailes, em "Tamborzão, baile funk beats", curta de Tatiana Ivanovici.

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Matéria que escrevi sobre o Sany Pitbull para a revista XLR8R de março.

A capa é sobre dubstep (a terceira da revista!) e a edição está inteiramente disponível para baixar, em PDF, no próprio saite.

Hoje, sexta, Sany Pitbull toca na Fabric, com Switch, Sinden e Digital Mystikz. Frenético.

Bob na tela

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Dois filmes sobre Bob Marley a caminho.

O mais sem graça deve ser uma cine-biografia oficial, baseada no livro da viúva Rita, que será também a produtora executiva e já escalou Lauryn Hill (casada com um dos filhos de Bob, mas não com Rita) e seu filho Stephan para viver o casal.

O outro projeto, mais interessante, é um documentário, dirigido por Martin Scorcese, com lançamento marcado para 06 de Fevereiro de 2010, quando Bob completaria 65 anos.

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Ao conseguir prever corretamente 9 entre 10 imagens de fotos sendo vistas por voluntários, cientistas em Berkley, EUA, conseguiram atingir os primeiros resultados relevantes na leitura do cérebro.

Os usos positivos que se poderia fazer de tal técnica parecem infinitamente inferior as possibilidades malignas. Difícil imaginar bons motivos para se desenvolver algo assim.

Verde

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banner: André Monsores


"A suposição de que um prefeito vá resolver a situação não tem base na realidade. Só a vontade de um número muito grande de pessoas e só a contribuição de cada um pode ajudar."

Então é isso, o Deputado Fernando Gabeira deverá se candidatar para prefeitura do Rio (o colega Pedro Dória entrevistou o pré-candidato).

Para otimizar a discussão, vamos pular a parte em que ele é chamado de bicha, maconheiro e terrorista (geralmente nessa ordem, o que revela muita coisa) e vamos focar na declaração acima.

Ele está falando comigo, com você. Percebeu? O bicho tá pegando, chegou a hora de todos arregaçarmos as mangas pra fazer a diferença. Parar de reclamar e fazer algo pra mudar.

Parece muito complicado e distante, mas a solução está ao nosso alcance, em nossas atitudes. Não importa em quem você for votar.

Rua

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"Dia da Rua", um curta (em plano sequência) de Gabriel Mellin


Dia da Rua, no RJ TV (TV Globo).

De maneira geral, o Dia da Rua, iniciativa das 15 bandas que se apresentaram simultaneamente, de graça, em 15 esquinas diferentes do Rio, foi recebido positivamente.

Porém, teve bastante morador reclamando do "barulho". E ameaça da sub-prefeitura de confiscar instrumentos caso haja uma tentativa de repetir o evento. As bandas dizem que haverá sim outra edição, com ou sem autorização.

Isso aí, abaixo a música. De volta ao som dos tiroteios, por favor.

Seria interessante acompanhar a repercussão de uma eventual prisão dos integrantes das bandas por um ato tão inaceitável quanto oferecer música ao vivo gratuitamente, as 19h. Puro vandalismo.

ET

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Ellen Allien
foto: eumemo

A dona do eletechno (bom, talvez só tenha ela na jogada mesmo), Ellen Allien, fez um set assustadoramente influenciado pelo dub na festa Wet Your Self, domingo passado na boate Club Aquarium, em Londres.

Foi uma saraivada de efeitos, graves e batidas tortas tão desconcertante que, nas primeiras três músicas, a pista simplesmente não se mexeu. Depois de assimilados os golpes, ficou mais fácil entrar na onda proposta pela alemã.

Em comum, quase todas as músicas escolhidas tinham batidas eletrônicas com padrões percussivos tribais. Não era samples de atabaques ou nada que se assemelhasse a um tamborzão, era bem mais sútil, tem a ver com a programação das batidas.

Não teve nada da fase hippie viajandona dos discos "Thrills" ou "Orchestra of bubbles" (esse em co-produzido com Apparat). No entanto, teve algumas das mixagens mais estranhas já ouvidas.

Em vez das músicas se sobreporem de maneira quase imperceptível, as transições eram bem marcadas. Mal comparando, soava como dois ou três vídeos do YouTube tocando ao mesmo tempo acidentalmente (acontece...), misturando vozes, porém sem soar como um barulho desagradável.

A soma dos sons criava uma camada atmosférica, quase um mantra, que de repente era cortado por um bumbo, reto e macio, empurrado por porradas de grave. Como ela fez isso utilizando apenas dois toca-discos não ficou claro, talvez as faixas já tenham essas características.

Pouco importa. O resultado é que interessa.

LOTP

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LOTP - "The bears are coming"
vídeo: eumemo

Tocando para um público de universitários da ULU (centro de estudantes da universidade de Londres), o Late of the Pier mais uma vez bagunçou e criou o caos. A banda está apenas começando, não tem nem disco ainda, apenas singles, alguns deles produzido por Erol Alkan. Promete crescer.

O vídeo acima ("The bears are coming", lançamento mais recente) foi feito utilizando os óculos caleidoscópicos distribuídos pela banda (o "tainbow trippy goggle") como filtro. Para uma visão mais careta, assista "Bathroom Gurgle".

DJ Dolores

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DJ Dolores
vídeo: eumemo

O sergipano DJ Dolores tocou em Londres, como parte da turnê européia de lançamento do disco "1 Real", ainda inédito no Brasil (bom, ao menos fisicamente). Nada como boa música pra aliviar as saudades de casa.

DEP

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Joe Gibbs, 1943-2008.

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Notícia pescada no ressucitado blogue do Chicodub.

Peidaria

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Com a proibição do fumo em lugares fechados na Inglaterra (uma dádiva), outro fedor surgiu durante os shows: a mistura da nhaca de suor com peido de cerveja. Parece piada, mas é verdade.


Top 10

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Essas são as músicas mais tocadas nas sessões de "interrogação" feitas pelo exército dos EUA no Iraque.

O tema do programa infantil Barney parece deslocado, mas não tanto quanto "Bull on parade", do Rage Against the Machine.

Milhões

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O Brasil e sua obsessão por recordes -- "o maior", "o melhor", "o menor" vem de longe, a vertente on line ("país com mais participantes no Orkut", "maior usuário do Fotolog", etc.) é apenas a continuação disso -- deve ter acordado feliz.

Tava no Matias: puxado pelo uso da música no anúncio do iPod Touch, "Music is my hot hot sex", do Cansei de Ser Sexy, é o vídeo mais assistido de todos os tempos no YouTube.

Timinhos

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Trombei com essa fotinho no Tico-Tico, blogue do Maurício Valladares (que nessa terça, 04 de março, tasca 2 horas só de Bob Dylan no seu programa de rádio, o roNca roNca, pra comemorar a vinda do sujeito).

Uma turnê brasileira da taça da Liga dos Campeões da Europa é a constatação de algo um tanto bizarro. Com todos os craques jogando lá fora, sem poder ir aos estádios daqui assistir os que sobraram, video games etc, daqui a pouco a molecada vai toda torcer para o Barça, Milan e etc.

Kong

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Dois sujeitos disputam a honra de ser o detentor do recorde do jogo Donkey Kong "The king of Kong". Em 2007.

Essa e várias outras pérolas estão no RLSLOG.

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