Música: março 2008 Archives

O Fuck Buttons empilha camadas e mais camadas de guitarras distorcidas, hora lembrando Explosions in the Sky, outras Sigur Rós, outras Mogwai. Esquisito e bom.
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Fuck Buttons - "Street horrrsing"

Demorou, mas o Portishead finalmente lançou seu terceiro disco, mostrando que a banda não tapou os ouvidos nos últimos anos. Definitivamente, não é mais do mesmo.
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Portishead - "Third"

A bolacha produzida por Benga está sendo apontada como o disco que apresentará o dubstep ao grande público.
A abertura, com sons de contra-baixo de jazz, ecoa Roni Size e o seu "New forms", disco que fez esse trabalho para o drum & bass. No caso de Benga, entretanto, é pouco provável. Fora a excelente "Night", o resto é regular.
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Benga - "Diary of an afro warrior"

Lançado pelo nosso selo querido, Soul Jazz Records, a coletânea "An England Story" traça a trajetória -- e a influência -- dos deejays jamaicanos até os MCs ingleses. Não é pouca coisa.
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Coletânea matadora de música nigeriana, bem além do grande Fela Kuti. Lançada em dois volumes, é um belo passeio pela música africana.
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"Nigeria Special: Modern highlife, afro sounds and nigerian blues" - "Vol. 1", "Vol. 2"

Após o fraco "From the soil to the soul", Tommy Guerrero retoma a forma nesse "Return of the bastard" e suas guitarras calminhas e viajantes. O brasileiro Curumin, que salvou o amigo com "Salve" no disco anterior, participa novamente, em "Calling for ya!".
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Tommy Guerrero - "Return of the bastard"

Com a chancela do selo DFA de James Murphy, casa do seu LCD Soundsystem e do Rapture, o faz discoteca setentista com um pé nos anos 2000 e um vocal que não convence. As músicas, porém, são bem boas.
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Hercules and Love Affair - "Hercules and Love Affair"

A dupla de Nova York, exagerada e fanfarrona, tem todos os elementos pra fazer você NÃO querer ouvir seu disco. Seria um grande erro. O MGMT é uma das melhores coisas de 2008.
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MGMT - "Oracular spetacular"

Em seu quarto disco, o melhor desde o primeiro, Wado mergulha nas batidas eletrônicas terceiro mundistas sem deformar seu estilo. Muito pelo contrário: coloca o mundo todo pra dançar do seu ritmo.
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Wado - "Terceiro mundo festivo"

Abaixo, o texto para imprensa que escrevi para o lançamento do disco do orgeiro da porra, João Brasil.
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João Brasil - "8 Hits" (zShare)
Nesses tempos de interatividade total, João Brasil enfileira dez músicas em seu disco de estréia, mas deixa para o ouvinte escolher quais são os “8 hits” que dão nome a bolacha. Modesto, o rapaz.
Pra desfazer qualquer desconfiança, o disco abre logo com o maior deles, aquele que estará em qualquer lista dos tais oito hits e será tocado em casamentos, batizados e churrascos por anos e anos: “Baranga”.
O swing eletrônico e apelo pop da declaração de amor à marra das meninas de “cintura de ovo” e que parecem “uma empadinha”, primeira composição do hitmaker, catapultou o nome de João Brasil.
Como não poderia deixar de ser, primeiro a música se espalhou por blogues. Depois, João ganhou o mundo “real”. Foi parar nas páginas da revista Rolling Stone e do jornal O Globo, fez várias participações nos programas do apresentador Marcos Mion na MTV, cantou no Domingão do Faustão e, por fim, fechou a distribuição do seu disco pela Som Livre.
O próprio João produz todas as bases, toca os instrumentos e canta em todas as faixas. É, portanto, um gênio, uma lenda, um mito. Fortemente inspirado pelo universo dos bailes funk, a influência é escancarada nas batidas de “Quero fazer amor” e “Cobrinha fanfarrona”, que já entrou nos sets do DJ Sany Pitbull.
O forte do compositor são mesmo as letras auto-biográficas.
Da sádica prostituta “Elisa” ao encontro apaixonado com a jornalista “Mônica Valvogeu” (escrito errado mesmo e aprovada pela musa inspiradora), passando pela dor de cotovelo “Don’t go to Austrália” (com a participação da amiga e atriz Maria Flor), as mulheres são tema recorrente.
Ele sabe também fazer graça de si mesmo. Da épica “O carnaval acabou com o meu fígado” e sua explosão de bumbos e pratos, à gafe num show do Mr. Catra em um inferninho em Copacabana na auto-explicativa “Pau-molão” (campeã de clipes caseiros no YouTube), João Brasil também descreve (ridiculariza?) seu próprio círculo de amigos em “Supercool”.
A confissão “Mamãe, virei capitalista” conta com a única parceria do disco. O rapper niteroiense De Leve duela com João num encontro que, depois de pronto, soa como se fosse a coisa mais lógica do mundo.
A parte gráfica do disco foi feita pelo diretor de arte Felipe Raposo, da Mustache Design, o mesmo que faz as elogiadas filipetas da festa carioca CALZONE, núcleo do qual também fazem parte o fotógrafo Lucas Bori, autor dos cliques do encarte, Pedro Seiler (produtor do João Brasil) e esse escriba. Ou seja, está tudo em casa.
Os oito hits cabe a cada um escolher, mas talvez seja melhor refazer as contas. Na verdade, são dez.
Bruno Natal
Março/2008

ilustração: Design Shrine
Essa semana será corrida. Devido a falta de tempo para escrever textos, teremos uma semana auditiva.
Vou divulgar links perdidos pela rede para baixar alguns discos interessantes lançados esse ano, para a analisarmos juntos.
Não vai ter resenha, apenas pequenas considerações. Cada um faça seus comentários sobre cada disco.

A banda não acabou e não faz nem um ano que está em seu "recesso por tempo indeterminado" , porém, com a chamada supimpa "Nem todo carnaval tem seu fim!", acontece hoje, no Circo Voador, o Tributo ao Los Hermanos. É sério.
Rivers Cuomo, líder do Weezer, quem diria, é um peladeiro de coração.
Marcelo Camelo colocou mais uma música inédita no MySpace, "Doce solidão".
Gravada apenas com voz, violão e um assovio que cola no fundo da cabeça. O vocal é bem diferente do habitual, com Marcelo ensaiando um clima blues e modulando.
No vídeo acima, Camelo recebe o acompanhamento de uma criançada no bairro 6 de Maio, em Portugal (pela descrição, uma favela).
Também em seu MySpace, possivelmente como forma de aprovação, Camelo colocou dois vídeos de cantoras aparentemente amadoras fazendo versões das suas "Cara valente" e "Veja bem meu bem".
Quem esbarrou com Black Alien recentemente já viu que o sujeito abandonou seus dreads e está de cabeça raspada. No trailer do documentário "Mr. Niterói", o rapper explica o motivo da recém-adquirida careca.
Na época de lançamento do já clássico "Nadadenovo", o Mombojó reproduzia em seu saite tanto as matérias e resenhas elogiosas, quanto as eventuais espinafradas, coisa que pouca banda tem coragem de fazer.
Mantendo o bom humor, o grupo colocou em sua página o vídeo acima, de uma banda cover mandando "Deixe-se acreditar" no programa Armazém Belém. Enquanto a música toca, você pode curtir o visual um mestre-cuca fritando um camarão.
Enquanto isso, nosso herói João Brasil continua inundando a internet. Agora são vídeos de turmas de escola fazendo interpretações coreografadas de "Pau-molão".

O filme "Screaming masterpiece" fala sobre o sucesso de nomes recentes da música islandesa, entre eles Bjork, Sigur Rós e Múm, com várias sequências dos artistas ao vivo.

O DJ Nepal coloca mais um mixtape na roda.
Ele mesmo explica: "[É um] set de nu-disco, gravado em minha casa, numa tarde quente no RIo de Janeiro. Senhores passageiros, apertem os cintos. A nave vai decolar".
As músicas:
"The sea and the sky" (Padded Cell remix)
"The art of letting go" (Ewan's Daft Funk instrumental mix)
"The queen of Sheeba"
"Piece together" (Reverso 68 exclusive remix)
"Club cabana" (Anthony Mansfield remix)
"Rosscouch rising up" (Christian Malloni instrumental mix)
"Do It Now" (Dubtribe Sound System extended disco mix)
"Stratus energy" (Faze Action)
"????????" (Secret file)
"Without Control" (The Spirals)
"Goblin city" (Holy Ghost! Disco Dub)
O underground eletrônico documentado em "Speaking in code".
Sany Pitbull e Mavi falam sobre o Volt Mix, o avô da batida percussiva que hoje domina o bailes, em "Tamborzão, baile funk beats", curta de Tatiana Ivanovici.

Dois filmes sobre Bob Marley a caminho.
O mais sem graça deve ser uma cine-biografia oficial, baseada no livro da viúva Rita, que será também a produtora executiva e já escalou Lauryn Hill (casada com um dos filhos de Bob, mas não com Rita) e seu filho Stephan para viver o casal.
O outro projeto, mais interessante, é um documentário, dirigido por Martin Scorcese, com lançamento marcado para 06 de Fevereiro de 2010, quando Bob completaria 65 anos.
"Dia da Rua", um curta (em plano sequência) de Gabriel Mellin
Dia da Rua, no RJ TV (TV Globo).
De maneira geral, o Dia da Rua, iniciativa das 15 bandas que se apresentaram simultaneamente, de graça, em 15 esquinas diferentes do Rio, foi recebido positivamente.
Porém, teve bastante morador reclamando do "barulho". E ameaça da sub-prefeitura de confiscar instrumentos caso haja uma tentativa de repetir o evento. As bandas dizem que haverá sim outra edição, com ou sem autorização.
Isso aí, abaixo a música. De volta ao som dos tiroteios, por favor.
Seria interessante acompanhar a repercussão de uma eventual prisão dos integrantes das bandas por um ato tão inaceitável quanto oferecer música ao vivo gratuitamente, as 19h. Puro vandalismo.
Essas são as músicas mais tocadas nas sessões de "interrogação" feitas pelo exército dos EUA no Iraque.
O tema do programa infantil Barney parece deslocado, mas não tanto quanto "Bull on parade", do Rage Against the Machine.
O Brasil e sua obsessão por recordes -- "o maior", "o melhor", "o menor" vem de longe, a vertente on line ("país com mais participantes no Orkut", "maior usuário do Fotolog", etc.) é apenas a continuação disso -- deve ter acordado feliz.
Tava no Matias: puxado pelo uso da música no anúncio do iPod Touch, "Music is my hot hot sex", do Cansei de Ser Sexy, é o vídeo mais assistido de todos os tempos no YouTube.
